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2851183 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

No período composto “Para passar o tempo, vocês vão ao circo.”, nota-se a seguinte relação entre as orações:

 

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2851182 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

Uma das características marcantes do texto é o emprego de traços da linguagem coloquial. Nas passagens “(Os três são meio que sinônimos.)” e “Ele meio que não tem razão de existir.”, a expressão destacada confere aos enunciados um sentido de:

 

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2851181 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

Ao atualizar a definição de “Super-herói” no texto, a autora faz uso da ironia e afirma ser esse “Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.”. No contexto em que está inserido, o vocábulo destacado deve ser classificado, morfologicamente, como:

 

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2851180 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

Com o Novo Acordo Ortográfico, algumas palavras sofreram alteração quanto ao emprego do hífen. O vocábulo “Super-herói”, que se encontra no texto, manteve esse sinal. Dentre os vocábulos abaixo, assinale o único que está grafado ERRONEAMENTE:

 

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2851179 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

O emprego dos verbos na passagem “Digamos que seja você, lá.”, confere caráter hipotético ao enunciado. Tal sentido é construído em função:

 

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2851178 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.C)
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.A)
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.D)
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.B)
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

A gramática tradicional aponta que os advérbios e as locuções adverbiais são, fundamentalmente, modificadores de verbos. Dentre os exemplos destacados abaixo, assinale o único termo que, cumprindo papel adverbial, não é um modificador do verbo.

 

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2851177 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

Em “Os caras são deuses, você não”, o vocábulo destacado atribui uma característica ao sujeito da oração. Sintaticamente, deve ser classificado como:

 

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2851176 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: IBFC
Orgão: MGS
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na arquibancada

Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

No início do texto, a autora faz uso recorrente expressivo do pronome “você”. Tal uso contribui para o seguinte efeito:

 

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2851175 Ano: 2022
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Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

O texto apresenta uma estrutura visual fluida que remete ao poema. No entanto, quanto à tipologia, destacam-se traços narrativos na apresentação da mocinha acrobata por exemplo. Dentre os elementos abaixo, assinale o único que NÃO ilustra esse tipo textual.

 

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2851174 Ano: 2022
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Já fica esquisito alguém visitar deuses.
Porque, digamos, tem uma diferença, certo?
Os caras são deuses, você não.
E esse personagem de Kafka está visitando deuses.
Digamos que seja você, lá.
Então você está lá, meio de bobeira, sem participar de nada.

Qualquer gesto que pense em fazer e já dá até vergonha.
Os caras fazem muito melhor.
Mas então tá.
Para passar o tempo, vocês vão ao circo.
A mocinha faz acrobacia em cima do cavalo.
Você imagina: e se ela for uma coitadinha?
Se ela fosse uma coitadinha, taí, você podia ajudar!
Explorada pelo dono do circo, fraquinha, com tuberculose.
Obrigada a ficar dando volta e mais volta no picadeiro.
O dono do circo sendo um monstro, não deixa ela parar.
Coitada da mocinha, quase morre de exaustão.
Se fosse assim, você poderia...
Sim, você correria pela arquibancada berrando:
“Pare!”
Orquestra é uma coisa muito obediente.
Só gritar “Pare!” que ela para.
E aí, mesmo sendo só um visitante, você salvaria a mocinha.
Mas a situação real não te ajuda.
Atrás das cortinas, o dono do circo ajeita a mocinha no cavalo.
Ele adora ela.
É a netinha que ele nunca teve.
E ela vai, toda lindinha, dar o salto mortal.
Todo mundo bate palma.
Ela está muito feliz.
O dono do circo está muito feliz.
Você fica sem nada para fazer, está tudo tão bem.
Maior frustração, você até chora um pouquinho.
Você é completamente inútil.
Visitante de deuses, aliás, é título que merece ser atualizado.
Super-herói.
Um cara sem tantos poderes, mas com alguns.
E aí fica esse incômodo:
Super-herói tem aquela vontade doida de salvar o universo.
A civilização ocidental ou pelo menos a mocinha.
(Os três são meio que sinônimos.)
Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.
Alguém completamente não-gostável por exemplo.
O super-herói tem de criar um vilão para se justificar.
É uma tristeza quando tudo está bem.
Ele meio que não tem razão de existir.

(VIGNA, Elvira. Kafkianas. São Paulo: Todavia, 2018, p.22-23)

“Então, para um super-herói existir, precisa haver algo ruim.” Essa frase sintetiza uma crítica proposta pela autora que condiciona a existência do herói a algo ruim. Pode-se perceber que se estrutura, entre ambos, uma relação que se destaca pela:

 

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