Foram encontradas 240 questões.
Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
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Texto – Detalhes:
O velho porteiro do palácio chega em casa trêmulo.
Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher o
espera com café da manhã reforçado. Mas dessa
vez, ele nem olha para a xícara fumegante, o bolo, a
manteiga, as geleias. Vai direto à aguardente. Atirase na sua poltrona perto do fogão e toma um longo
gole da bebida, pelo gargalo.
– Helmuth, o que foi?
– Espera Helga. Deixa eu me controlar primeiro.
Toma outro gole de aguardente.
– Conta, homem! O que houve com você? Aconteceu
alguma coisa no baile?
– Co-começou tudo bem. As pessoas chegando, todo
mundo de gala, todos com convite, tudo direitinho.
Sempre tem, é claro, o filhinho-de-papai sem convite
que quer me levar na conversa. De repente, chega a
maior carruagem que eu já vi. Enorme. E toda de
ouro. Puxada por três parelhas de cavalos brancos.
Cavalões! Elefantes! Dentro da carruagem salta uma
dona. Sozinha. Uma beleza. Eu me preparo para
barrar a entrada dela porque mulher
desacompanhada não entra em baile de palácio. Mas
essa dona é tão bonita, tão, sei lá, radiante, que eu
não digo nada e deixo ela entrar.
– Bom, Helmuth. Até aí...
– Espera. O baile continua. Tudo normal. Às vezes
rola um bêbado pela escadaria, mas nada de mais. E
então bate meia noite. Há um rebuliço na porta do
palácio. Olho para trás e vejo uma mulher maltrapilha
que desce pela escadaria, correndo. Ela perde um
sapato. E o príncipe atrás dela.
– O príncipe?
– Ele mesmo. E gritando para mim segurar a
esfarrapada. “Segura”! “Segura”! Me preparo para
segurá-la quando ouço uma espécie de ‘vum’
acompanhado de um clarão. Me viro e...
- E o quê, meu Deus?
O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.
– Você não vai acreditar.
– Conta!
– A tal carruagem. A de ouro. Tinha se transformado
numa abóbora.
– Numa o quê?!
– Eu disse que você não ia acreditar.
– Uma abóbora?
– E os cavalos em ratos.
– Helmuth...
– Não tem mais aguardente?
– Acho que você já bebeu demais por hoje.
– Juro que não bebi nada!
– Esse trabalho no palácio está acabando com você,
Helmuth. Pede para ser transferido para o
almoxarifado.
(Luís Fernando Veríssimo – in “Domingo”, revista do Jornal do
Brasil, nº. 117).
( ). “Atira-se na sua poltrona perto do fogão e toma um longo gole de café, pelo gargalo."
( ). “Como sempre que tem baile no palácio, sua mulher raramente o espera com café da manhã reforçado.”
( ). “Toma outro gole de aguardente.”
( ). “O porteiro esvazia a garrafa com um último gole.”
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de cima para baixo.
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Texto – Pescadores (Carlos Drummond de Andrade)
Domingo pede cachimbo, todo domingo aquele
esquema: praia, bar, soneca, futebol, jantar em
restaurante. Acaba em charuta*. Os quatro jovens
executivos sonhavam com um programa diferente.
– Se a gente desse uma de pescador?
– Falou.
Muniram-se do necessário, desde o caniço até o
sanduíche incrementado, e saíram rumo à praia mais
deserta, mais piscosa, mais sensacional.
Lá estavam felizes da vida, à espera de peixe.
Mas os peixes, talvez por ser domingo, e todos os
domingos serem iguais, também tinham variado de
programa – e não se deixavam fisgar.
– Tem importância não. Daqui a pouco aparecem. De
qualquer modo, estamos curtindo.
– É.
Peixe não vinha. Veio pela estrada foi a Kombi,
lentamente. Parou, saltaram uns barbudos:
– Pescando, hem? Beleza de lugar. Fazem muito bem
aproveitando a folga num programa legal. Saúde.
Esporte. Alegria.
– Estamos só arejando a cuca*, né? Semana inteira no
escritório, lidando com problemas.
– Ótimo.
– Assim é que todos deviam fazer. Trocar a poluição pela
natureza, vida ao ar livre. Somos da televisão, estamos
filmando aspectos do domingo carioca. Podem
colaborar?
– Que programa é esse?
– Aprenda a Viver no Rio. Programa novo, cheio de
bossas*. Vai ser lançado semana que vem. Gostaríamos
que vocês fossem filmados como exemplo do que se
pode curtir num dia de lazer, em benefício do corpo e da
mente.
– Pois não. O grilo* é que não pescamos nada ainda.
– Não seja por isso. Tem peixe na Kombi, que a gente
comprou para uma caldeirada logo mais.
Desceram os aparelhos e os peixes, e tudo foi
feito com técnica e verossimilhança, na manhã cristalina.
Os quatro retiravam do mar, em ritual de pescadores
experientes, os peixes já pescados. O pessoal da TV
ficou radiante:
– Um barato*. Vocês estavam ótimos.
– Quando é que passa o programa?
– Quinta-feira, horário nobre. Já está sendo anunciado.
Quinta-feira, os quatro e suas jovens mulheres e
seus encantadores filhos reuniram-se no apartamento de
um deles – o que tivera a ideia da pescaria.
– Vocês vão ver os maiores pescadores da paróquia* em
plena ação.
O programa, badaladíssimo, começou. Eram
cenas do despertar da manhã carioca, trens superlotados
da Linha Auxiliar, filas no elevador, escritórios em
atividade, balconistas, enfermeiras, bancários, tudo no
batente ou correndo para.
O apresentador fez uma pausa, mudou de tom:
“– Agora, o contraste. Em pleno dia de trabalho, com a
cidade funcionando a mil por cento para produzir riqueza
e desenvolvimento, os inocentes do Leblon dedicam-se à
pescaria sem finalidade. Aí estão esses quatro folgados, esquecidos de que a Guanabara enfrenta problemas
seríssimos e cada hora desperdiçada reduz o produto
nacional bruto...”
– Canalhas!
– Pai, você é um barato*!
– E eu que não sabia que você, em vez de ir para o escritório, vai pescar com a patota*, Roberto!
– Se eu pego aqueles safados mato eles.
– E o peixe, pai, você não trouxe o peixe para casa!
– Não admito gozação!
– Que é que vão dizer amanhã no escritório!
– Desliga! Desliga logo essa porcaria!
Para aliviar a tensão, serviu-se uísque aos adultos e refrigerante aos garotos.
(Carlos Drummond de Andrade.70 Historinhas)
Vocabulário
Acaba em charuta = Acaba da mesma forma.
cuca = cabeça; mente
bossas = novidades
grilo = problema
um barato = coisa legal, simpática, interessante
patota = grupo de amigos
os maiores pescadores da paróquia = os maiores pescadores
que se tem notícias.
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Cadernos
Caderno Container