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3719693
Ano: 2025
Disciplina: Ética na Administração Pública
Banca: Consulplan
Orgão: Niterói Prev
Disciplina: Ética na Administração Pública
Banca: Consulplan
Orgão: Niterói Prev
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Código de Ética é um instrumento no qual são retratados a missão, a visão e os princípios de uma instituição, seja ela pública
ou privada, devendo ser difundido entre seus colaboradores, a fim de que tenham consciência de suas responsabilidades.
Quanto ao Código de Ética aplicável ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da Niterói Prev, entidade autárquica
municipal, assinale a afirmativa INCORRETA.
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O Título III da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – artigos 18 a 43 – estabelece as normas relativas à
organização do Estado. No Capítulo VII, Seção I, desse Título, encontram-se as disposições gerais relativas à administração
pública. Por sua vez, na Seção II, especificamente no art. 40, encontram-se as disposições constitucionais relativas ao Regime
Próprio de Previdência Social dos servidores públicos (RPPS). Desta feita, conclui-se que conhecer a organização do Estado
brasileiro implica em conhecer, inclusive, os ditames constitucionais aplicáveis ao RPPS. Tendo por base referidos ditames,
assinale a afirmativa INCORRETA.
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Marina, servidora de determinado município, tem se empenhado em adquirir conhecimentos relativos a Regimes Próprios
de Previdência Social (RPPS) e sedimentar o conceito de agentes públicos. Após estudar a legislação atinente aos RPPS e
algumas bibliografias e publicações sobre os assuntos, fez as seguintes anotações; analise-as.
I. O agente público é todo aquele que presta qualquer tipo de serviço ao Estado, que exerce funções públicas, no sentido mais amplo possível dessa expressão. Por isso, todo agente público terá direito a optar entre o RPPS e o Regime Geral de Previdência Social.
II. Servidores públicos são espécies de agentes administrativos ocupantes de cargo de provimento efetivo ou cargo em comissão. Eles são passíveis de responsabilização administrativa, apurada mediante processo administrativo disciplinar ou sindicância de rito punitivo. Assim, todo servidor público é agente público e está obrigado a contribuir para o RPPS instituído pelo ente federativo ao qual se vincula.
III. O agente público contratado por tempo determinado é espécie de agente administrativo que desempenha funções públicas desvinculadas de cargos ou de empregos públicos de forma precária e temporária. A esses agentes públicos se aplica o Regime Geral de Previdência Social.
Está correto o que se afirma em
I. O agente público é todo aquele que presta qualquer tipo de serviço ao Estado, que exerce funções públicas, no sentido mais amplo possível dessa expressão. Por isso, todo agente público terá direito a optar entre o RPPS e o Regime Geral de Previdência Social.
II. Servidores públicos são espécies de agentes administrativos ocupantes de cargo de provimento efetivo ou cargo em comissão. Eles são passíveis de responsabilização administrativa, apurada mediante processo administrativo disciplinar ou sindicância de rito punitivo. Assim, todo servidor público é agente público e está obrigado a contribuir para o RPPS instituído pelo ente federativo ao qual se vincula.
III. O agente público contratado por tempo determinado é espécie de agente administrativo que desempenha funções públicas desvinculadas de cargos ou de empregos públicos de forma precária e temporária. A esses agentes públicos se aplica o Regime Geral de Previdência Social.
Está correto o que se afirma em
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As Emendas Constitucionais nº 20/1998 e nº 41/2003 e as Leis nº 9.717/1998 e nº 10.887/2004 redefiniram o marco institucional
dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e estabeleceram regras gerais de organização e de funcionamento, o que
significou avanços na gestão dessas instituições. Atualmente, os RPPS ainda apresentam, tanto do ponto de vista financeiro
quanto atuarial, grandes desafios a serem superados para que possam garantir, com sustentabilidade, a concessão e a manutenção dos benefícios previdenciários aos seus segurados e dependentes. Por isso, faz-se necessário que os servidores dos RPPS
reconheçam a importância de se trabalhar com foco em gestão estratégica, a respeito da qual é INCORRETO afirmar que:
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Conflito é o processo ou estado em que duas ou mais pessoas divergem em razão de metas, interesses ou objetivos individuais percebidos como mutuamente incompatíveis. Em virtude da complexidade, do volume de recursos geridos e da importância dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), é comum a ocorrência de incompatibilidades entre posições sociais
ou políticas manifestadas publicamente. Em relação às modalidades ou instrumentos a serem considerados na gestão de
conflitos, assinale a afirmativa INCORRETA.
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O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais
É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa,
conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com
amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.
Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um
desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.
Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor
ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.
A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão.
Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.
Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.
Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do
que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.
Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.
Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não
percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.
Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que
existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.
A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos
funcionais e interacionais.
A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores
socioeconômicos que afetam a língua.
Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é
considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.
No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos
dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.
Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.
Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma
culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores
culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.
Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o
a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.
Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso
ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.
Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?
Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas
formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a
padrões ditos “superiores”.
A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale-
-tudo” linguístico.
Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito
diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar.
Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.
Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para
segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua
forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.
(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
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O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais
É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa,
conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com
amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.
Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um
desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.
Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor
ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.
A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão.
Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.
Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.
Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do
que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.
Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.
Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não
percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.
Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que
existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.
A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos
funcionais e interacionais.
A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores
socioeconômicos que afetam a língua.
Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é
considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.
No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos
dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.
Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.
Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma
culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores
culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.
Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o
a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.
Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso
ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.
Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?
Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas
formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a
padrões ditos “superiores”.
A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale-
-tudo” linguístico.
Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito
diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar.
Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.
Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para
segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua
forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.
(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
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O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais
É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa,
conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com
amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.
Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um
desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.
Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor
ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.
A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão.
Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.
Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.
Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do
que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.
Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.
Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não
percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.
Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que
existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.
A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos
funcionais e interacionais.
A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores
socioeconômicos que afetam a língua.
Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é
considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.
No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos
dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.
Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.
Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma
culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores
culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.
Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o
a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.
Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso
ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.
Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?
Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas
formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a
padrões ditos “superiores”.
A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale-
-tudo” linguístico.
Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito
diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar.
Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.
Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para
segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua
forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.
(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
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O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais
É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa,
conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com
amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.
Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um
desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.
Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor
ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.
A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão.
Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.
Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.
Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do
que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.
Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.
Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não
percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.
Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que
existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.
A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos
funcionais e interacionais.
A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores
socioeconômicos que afetam a língua.
Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é
considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.
No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos
dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.
Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.
Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma
culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores
culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.
Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o
a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.
Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso
ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.
Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?
Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas
formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a
padrões ditos “superiores”.
A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale-
-tudo” linguístico.
Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito
diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar.
Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.
Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para
segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua
forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.
(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
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O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais
É comum que figuras carismáticas e articuladas ganhem destaque ao abordar temas relacionados à língua portuguesa,
conquistando milhões de seguidores nas redes sociais. Muitas vezes, essas personalidades são mencionadas em conversas com
amigos e familiares, o que me coloca em uma posição desconfortável.
Afinal, suas abordagens não me representam, e explicar, em poucas palavras, os motivos dessa incompatibilidade pode ser um
desafio. Enxergo aqui, portanto, a oportunidade de detalhar as razões pelas quais esse tipo de discurso me causa certa inquietação.
Sob o manto de uma oratória sofisticada, promovida como um “jeito chique de viver e se comunicar, aliado a um humor
ácido e inteligente”, muitas vezes se esconde um discurso impregnado de preconceito linguístico.
A elegância, quando usada para desqualificar o outro, não é uma virtude; ao contrário, torna-se um instrumento de exclusão.
Utilizar o domínio da norma-padrão para menosprezar dialetos marginalizados reforça uma postura segregacionista e violenta.
Há quem defenda que certos discursos sejam apenas personagens criados para entreter. Mesmo que fosse o caso, o problema permanece.
Esse tipo de abordagem é abertamente antidemocrático e carrega uma série de preconceitos, refletindo uma caricatura do
que há de mais nocivo na educação: arrogância e descompromisso acadêmico, que reforçam estereótipos excludentes.
Oferecer dicas sobre o português padrão pode ser útil e contribuir para a disseminação do conhecimento da língua monitorada. O problema está na forma como esse conteúdo é apresentado.
Muitas pessoas desconhecem a sociolinguística e, por isso, acreditam que sua forma de falar seja um “português ruim”. Não
percebem as diferenças entre oralidade e escrita, entre formalidade e informalidade ou entre fala espontânea e língua monitorada.
Para a maioria dos brasileiros, as noções de dialeto ou de variedade linguística não são percebidas como algo concreto. O que
existe, como valor cultural profundamente arraigado, é a noção de “erro gramatical” e o estigma de algumas pronúncias regionais.
A sociolinguística, campo que se consolidou nos anos 1960, estuda a língua em seu contexto social, considerando aspectos
funcionais e interacionais.
A variabilidade linguística é um fenômeno inerente a qualquer língua natural, em qualquer comunidade linguística. A sociolinguística vê essa variabilidade como evidência sincrônica de mudanças linguísticas em andamento ou como reflexo de fatores
socioeconômicos que afetam a língua.
Para o senso comum, no entanto, qualquer variedade que se afaste da morfossintaxe ou do léxico do português padrão é
considerada “ruim” e “indesejável”, independentemente do contexto. Muitos veem a língua como um conjunto rígido de “regrinhas de português” e nada mais.
No entanto, a língua é, antes de tudo, uma instituição social. Falamos português porque fomos colonizados por Portugal. Nos
dois primeiros séculos, conviviam a língua tupinambá e o português das elites administrativas e do clero, num bilinguismo instável.
Dando um salto histórico, foi apenas no final do século XX, em 1996, com a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional, que a escola se universalizou e o perfil da população estudantil se diversificou.
Como explica Stella Maris, PhD em Linguística, na obra “Nós cheguemu na escola, e agora?”, recomenda-se que a norma
culta seja ensinada nas escolas, mas que, ao mesmo tempo, sejam preservados os conhecimentos sociolinguísticos e os valores
culturais que os alunos trazem de seu ambiente social.
Aprender a norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e comunicativa do aluno, capacitando-o
a usar uma variedade ou outra, conforme a situação discursiva.
Cada enunciado é um ato de identidade, que marca diversas dimensões sociais, como gênero, faixa etária, grupo religioso
ou étnico. Considerar alguém inferior pela forma como fala tem nome: preconceito linguístico.
Mas o mais curioso é: por que tanta gente se interessa por conteúdos que reforçam o preconceito linguístico?
Paradoxalmente, grande parte do público que consome esse tipo de discurso pertence justamente às camadas sociais cujas
formas de falar são mais criticadas. Parece haver um desejo de pertencimento, uma busca por validação através da adesão a
padrões ditos “superiores”.
A questão é que essa postura pedante simplesmente não serve para nós, professores. Como poderíamos ensinar menosprezando, desautorizando e humilhando nossos próprios alunos? Não somos contrários às regras, nem defensores de um “vale-
-tudo” linguístico.
Na verdade, apreciamos ensinar as normas do português padrão e promover uma boa escrita. No entanto, isso é muito
diferente de diminuir alguém por sua forma de se expressar.
Quando se mistura vaidade com ensino, o resultado é sempre desastroso. Infelizmente, há quem ensine português desconsiderando décadas de estudos acadêmicos, ignorando a história e as desigualdades brasileiras.
Entendo o fascínio que muitos sentem por quem domina as regras da norma culta. Mas usar esse conhecimento para
segregar e reforçar diferenças de classe é, sem dúvida, um dos usos mais nocivos da língua. Humilhar outra pessoa por sua
forma de falar, não apenas silencia uma voz, mas também perpetua um ciclo de opressão.
(O’HARA, Larissa. O preconceito linguístico disfarçado de elegância nas redes sociais. Folha Vitória, 2025. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/educacao/. Acesso em: abril de 2025. Adaptado.)
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