Nas sociedades contemporâneas, principalmente nas ocidentais, ocorre uma busca incessante para preencher o tempo com coisas, procurando um sentido de existir por meio do ter, e não do ser, uma vez que bens materiais não melhoram relacionamentos ruins.
São pensadores, como Zygmunt Bauman (1925) e Jean Baudrillard (1929-2007), que elucidam as ideias que seguem: a expressão “sociedade de consumo” é característica do meio social no qual a oferta geralmente excede a demanda. Nessa sociedade, Bauman postula que, de um lado, há a mercadoria como centro das práticas cotidianas e, de outro, uma constante orientação para que o modelo de comportamento seja sempre direcionado para o ato de consumir. Segundo Baudrillard, o consumo, na qualidade de nova modalidade de vida, transformou-se na moral do mundo contemporâneo. Assim, a maneira como vivemos define-se pela forma como consumimos, levando à reconstrução das relações humanas a partir do padrão e da semelhança das relações entre os consumidores e os objetos de consumo. É a transformação dos consumidores em mercadorias.
Outra característica é que somos diariamente bombardeados por estratégias de marketing agressivas somadas à facilidade de crédito. Não seria arriscado dizer que “comprar é fácil, difícil é existir!’'. Ocorre que, em uma sociedade consumista, paga-se um alto preço: ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro “ser” mercadoria. De acordo com Bauman, “A busca de prazeres individuais articulada pelas mercadorias oferecidas hoje em dia, uma busca guiada e a todo tempo redirecionada e reorientada por campanhas publicitárias sucessivas, fornece o único substituto aceitável — na verdade, bastante necessitado e bem-vindo — para a edificante solidariedade dos colegas de trabalho e para o ardente calor humano de cuidar e ser cuidado pelos mais próximos e queridos,tanto no lar como na vizinhança”.
Assim, a noção de felicidade é gestada no útero de uma sociedade consumista, que gera seres iludidos com promessas do mercado, que geralmente levam a decepções. O esforço do consumo permanece como uma utopia para alcançar o idealizado. O consumo não é entendido somente como uma maneira de chamar atenção, mas também como um meio de fuga de uma vida estressante, cheia de conflitos, traumas... de uma vida vazia.
E o grande problema é que esse comportamento consumista passa a fazer parte do nosso relacionamento não só com as não só com as coisas, mas também com as pessoas, já que, sendo elas mercadorias, precisam ser consumidas para poder consumir, cada indivíduo devorando um a um. Então, temos um grande espaço aberto para todo tipo de doenças advindas da impossibilidade de consumir e sobreviver em nível de uma sociedade vorazmente consumista.
A INSUSTENTÁVEL sociedade consumista. Disponível em: <http:// filosofiadendaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/95/artjgo313250-1.asp>. Acesso em: 28jun. 2017. Adaptado.
Quanto aos elementos linguísticos que estruturam as informações veiculadas no texto, está correto o que se afirma em
I. Os termos "uma busca incessante" e " mercadoria" exercem a mesma função sintática, já que complementam o sentido de uma forma verbal.
II. O conector “e” estabelece com a oração a que se liga uma relação igual à que indica "mas também” no contexto em que está inserido.
III. A forma verbal "transformou-se” apresenta-se com regência diferente da revelada por "define-se” embora ambas estejam flexionadas na mesma voz.
IV. As expressões "por estratégias de marketing agressivas” e “pelos mais próximos e queridos” funcionam com agentes das ações expressas por “somos [...] bombardeados" e por “ser cuidado"
V. A partícula “se”, em "paga-se" e em "pode se tomar” é um pronome apassivador, pois os verbos pagar e tomar se encontram na passiva analítica.
A alternativa em que todas as afirmativas indicadas estão corretas é a