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1005222 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Fofocas e celebridades

Na manhã de segunda-feira, quando comecei a escrever esta coluna, três das cinco notícias mais lidas da Folha Online poderiam ser consideradas fofoca: "Daniel deixa equipe da Record irritada" (2º lugar), "Ministério abre processo contra dança erótica de Flávia Alessandra" (4º lugar) e "Meia Kaká, do Milan, vai ser pai" (5º lugar). As duas notícias "de verdade" eram: "Governador interdita Fonte Nova e lamenta acidente em nota oficial" (1º lugar) e "Polícia divulga nomes de sete mortos na tragédia da Fonte Nova" (3º lugar).

Arrisco dizer que, se não houvesse a catástrofe quentinha do desabamento do estádio, mexericos ocupariam ainda mais espaço. Mas o que são exatamente fofocas e por que elas provocam tanto fascínio?

É difícil até mesmo conceituar esse termo. Os dicionários que consultei trazem todos, ainda que com diferentes graus de ênfase, definições pouco abonadoras. Na melhor das hipóteses pintam-no como afirmação não-baseada em fatos; na pior, como dito malicioso, intriga.

Receio que ambas as significações fiquem muito aquém da verdadeira instituição que é a bisbilhotice. Para começar, trata-se de um universal humano, isto é, está presente em todas as culturas de que se tem conhecimento. Onde quer que existam três ou mais pessoas, haverá fofoca.

Não é difícil especular (verbo que, no fundo, é um dos sinônimos de fofocar) sobre a origem do hábito. Somos seres gregários dependentes do altruísmo recíproco. Só que nem todos os representantes da espécie apresentam a mesma propensão a colaborar. Assim, antes de dividir com alguém aquele filé de brontossauro (calma, gente, é só uma piada; não estou sugerindo que humanos e apatossauros conviveram) a duras penas obtido, preciso saber se esta pessoa é confiável, ou seja, se estará disposta a devolver a gentileza quando eu passar por dificuldades.

Alguns milênios lidando com a necessidade de coletar e manter informações sobre o caráter de cada membro do clã e da aldeia bastaram para nos tornar fofoqueiros profissionais. Verdadeiras sucursais da Abin, perseguimos com avidez dados sobre as pessoas. E vamos buscá-los onde eles estão disponíveis, isto é, com as vizinhas (a flexão no feminino é meio machista, admito, mas nem por isso menos real). Se os "dossiês" são ou não precisos é uma outra questão, menos importante.

Só que as aldeias cresceram e viraram cidades, algumas das quais depois se converteram em metrópoles. Não perdemos o hábito de comentar a vida alheia, apenas o direcionamos a grupos mais específicos como as celebridades, cuja principal função é justamente a de ter suas vidas transformadas em espetáculo para que possamos difamá-las ou, mais raramente, louvar-lhes as virtudes.

É aí que entra uma outra importante característica da mexeriquice. Além de nos municiar com informações potencialmente valiosas, ela ajuda a reforçar os vínculos sociais entre os membros da comunidade. Isso pode parecer paradoxal, sobretudo se você é o objeto da maledicência, mas um interessante trabalho de Robin Dunbar, do University College, de Londres, mostra que humanos dedicam em média 60% do tempo de suas conversações a futricas. A hipótese do antropólogo é que, com o advento da linguagem, a fofoca substituiu a catação de piolhos que, entre primatas não-humanos, constitui a principal atividade social. É através da limpeza de pelagem que se aprende, por observação direta, quais membros da comunidade tendem a colaborar e quais não, quem devolve um favor e quem não é confiável, e, a partir daí, se forjam as alianças e coalizões.

Dunbar vai além e sugere que os grupos humanos só puderam crescer em tamanho porque redes de intrigas possibilitadas pela linguagem tomaram o lugar da catação. É que a fofoca maximiza o número de relações que cada membro da comunidade pode manter com outros. Esse dado é consistente com a correlação positiva encontrada entre o volume neocortical e o tamanho do bando. Humanos poderiam relacionar-se com até 150 pessoas formando ainda grupos estáveis. Populações maiores tenderiam a dividir-se.

Há outros aspectos interessantes da fofoca. Pessoalmente, gosto de seu caráter subversivo. É inegável que ela representa poder, um poder informal e anônimo, o que o torna virtualmente incontrolável. Um rumor, mesmo que infundado, pode fazer ruir a mais sólida instituição bancária. A versão se torna maior do que o fato. E não podemos desprezar o papel que as piadas anticomunistas tiveram na queda dos Estados-satélites da URSS. Eram as anedotas a respeito das filas, da carência de produtos e da repressão, espalhadas pelas mesmas redes informais dos mexericos, que indicavam à população que os regimes eram menos sólidos do que a propaganda oficial fazia supor. Acho que seria exagero afirmar que a fofoca derrubou o Muro de Berlim, mas acho que dá para dizer que, sem o livre fluxo de informação por ela canalizado, os controles dos burocratas teriam funcionado melhor. Não é à toa que a fofoca, definida como "má língua" ("lashon hara" em hebraico), é condenada primeiro pelo judaísmo (Levítico 19:16) e, a seguir, pelo cristianismo e pelo islamismo --o que me fez ficar simpático a ela.

Antes, porém, de lançarmos a Internacional Revolucionária das Comadres vale lembrar que estamos diante de um poder ambíguo. A tagarelice também pode ser extremamente reacionária. Se o senso comum já tende a ser conservador, dotá-lo de canais de propagação informais e pouco afeitos à responsabilização individual equivale a massacrar a opinião minoritária e inovadora, que só subsiste através do registro escrito (uma novidade bem recente em termos evolutivos) ou em grupos muito grandes. Hoje, com o auxílio da internet, encontramos comunidades inteiras centradas em torno de idéias muitas vezes esdrúxulas. Assim, quando nos apanhamos lendo as últimas do Daniel ou da Flávia Alessandra, e mesmo quando nos queixamos do baixo nível do público, que só quer saber de fofocas, estamos dando vazão a um dos traços que nos distinguem de outros primatas. Podemos e devemos apreciar tal característica de forma crítica, até para que possamos compreendê-la melhor, mas é tolice achar que conseguiremos eliminá-la. Assim como a religião, o tabu do incesto e as piadas de português (todo povo elege um vizinho para fazer troça.), a fofoca é um universal humano ao qual, como humanos, devemos nos sujeitar. Paro um pouco antes de concluir que é nosso interesse pelos ditos e feitos da Daniela Cicarelli que nos torna humanos.

Disponível em: <http://www.1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u349451.shtml>

“Se nós fizermos o teste, veremos que o produto é de boa qualidade.” A forma verbal sublinhada pertence ao futuro do subjuntivo do verbo fazer. A alternativa em que há erro na conjugação desse mesmo tempo é:

 

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1005171 Ano: 2008
Disciplina: Matemática
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Ao final de um campeonato de futebol, foram premiados os jogadores que marcaram doze, treze ou quatorze gols cada um, durante todo o campeonato. Qual foi o número de atletas premiados, sabendo-se que o total de gols marcados por eles foi 115 e que somente cinco atletas marcaram mais de doze gols cada um?

 

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1005043 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Fofocas e celebridades

Na manhã de segunda-feira, quando comecei a escrever esta coluna, três das cinco notícias mais lidas da Folha Online poderiam ser consideradas fofoca: "Daniel deixa equipe da Record irritada" (2º lugar), "Ministério abre processo contra dança erótica de Flávia Alessandra" (4º lugar) e "Meia Kaká, do Milan, vai ser pai" (5º lugar). As duas notícias "de verdade" eram: "Governador interdita Fonte Nova e lamenta acidente em nota oficial" (1º lugar) e "Polícia divulga nomes de sete mortos na tragédia da Fonte Nova" (3º lugar).

Arrisco dizer que, se não houvesse a catástrofe quentinha do desabamento do estádio, mexericos ocupariam ainda mais espaço. Mas o que são exatamente fofocas e por que elas provocam tanto fascínio?

É difícil até mesmo conceituar esse termo. Os dicionários que consultei trazem todos, ainda que com diferentes graus de ênfase, definições pouco abonadoras. Na melhor das hipóteses pintam-no como afirmação não-baseada em fatos; na pior, como dito malicioso, intriga.

Receio que ambas as significações fiquem muito aquém da verdadeira instituição que é a bisbilhotice. Para começar, trata-se de um universal humano, isto é, está presente em todas as culturas de que se tem conhecimento. Onde quer que existam três ou mais pessoas, haverá fofoca.

Não é difícil especular (verbo que, no fundo, é um dos sinônimos de fofocar) sobre a origem do hábito. Somos seres gregários dependentes do altruísmo recíproco. Só que nem todos os representantes da espécie apresentam a mesma propensão a colaborar. Assim, antes de dividir com alguém aquele filé de brontossauro (calma, gente, é só uma piada; não estou sugerindo que humanos e apatossauros conviveram) a duras penas obtido, preciso saber se esta pessoa é confiável, ou seja, se estará disposta a devolver a gentileza quando eu passar por dificuldades.

Alguns milênios lidando com a necessidade de coletar e manter informações sobre o caráter de cada membro do clã e da aldeia bastaram para nos tornar fofoqueiros profissionais. Verdadeiras sucursais da Abin, perseguimos com avidez dados sobre as pessoas. E vamos buscá-los onde eles estão disponíveis, isto é, com as vizinhas (a flexão no feminino é meio machista, admito, mas nem por isso menos real). Se os "dossiês" são ou não precisos é uma outra questão, menos importante.

Só que as aldeias cresceram e viraram cidades, algumas das quais depois se converteram em metrópoles. Não perdemos o hábito de comentar a vida alheia, apenas o direcionamos a grupos mais específicos como as celebridades, cuja principal função é justamente a de ter suas vidas transformadas em espetáculo para que possamos difamá-las ou, mais raramente, louvar-lhes as virtudes.

É aí que entra uma outra importante característica da mexeriquice. Além de nos municiar com informações potencialmente valiosas, ela ajuda a reforçar os vínculos sociais entre os membros da comunidade. Isso pode parecer paradoxal, sobretudo se você é o objeto da maledicência, mas um interessante trabalho de Robin Dunbar, do University College, de Londres, mostra que humanos dedicam em média 60% do tempo de suas conversações a futricas. A hipótese do antropólogo é que, com o advento da linguagem, a fofoca substituiu a catação de piolhos que, entre primatas não-humanos, constitui a principal atividade social. É através da limpeza de pelagem que se aprende, por observação direta, quais membros da comunidade tendem a colaborar e quais não, quem devolve um favor e quem não é confiável, e, a partir daí, se forjam as alianças e coalizões.

Dunbar vai além e sugere que os grupos humanos só puderam crescer em tamanho porque redes de intrigas possibilitadas pela linguagem tomaram o lugar da catação. É que a fofoca maximiza o número de relações que cada membro da comunidade pode manter com outros. Esse dado é consistente com a correlação positiva encontrada entre o volume neocortical e o tamanho do bando. Humanos poderiam relacionar-se com até 150 pessoas formando ainda grupos estáveis. Populações maiores tenderiam a dividir-se.

Há outros aspectos interessantes da fofoca. Pessoalmente, gosto de seu caráter subversivo. É inegável que ela representa poder, um poder informal e anônimo, o que o torna virtualmente incontrolável. Um rumor, mesmo que infundado, pode fazer ruir a mais sólida instituição bancária. A versão se torna maior do que o fato. E não podemos desprezar o papel que as piadas anticomunistas tiveram na queda dos Estados-satélites da URSS. Eram as anedotas a respeito das filas, da carência de produtos e da repressão, espalhadas pelas mesmas redes informais dos mexericos, que indicavam à população que os regimes eram menos sólidos do que a propaganda oficial fazia supor. Acho que seria exagero afirmar que a fofoca derrubou o Muro de Berlim, mas acho que dá para dizer que, sem o livre fluxo de informação por ela canalizado, os controles dos burocratas teriam funcionado melhor. Não é à toa que a fofoca, definida como "má língua" ("lashon hara" em hebraico), é condenada primeiro pelo judaísmo (Levítico 19:16) e, a seguir, pelo cristianismo e pelo islamismo --o que me fez ficar simpático a ela.

Antes, porém, de lançarmos a Internacional Revolucionária das Comadres vale lembrar que estamos diante de um poder ambíguo. A tagarelice também pode ser extremamente reacionária. Se o senso comum já tende a ser conservador, dotá-lo de canais de propagação informais e pouco afeitos à responsabilização individual equivale a massacrar a opinião minoritária e inovadora, que só subsiste através do registro escrito (uma novidade bem recente em termos evolutivos) ou em grupos muito grandes. Hoje, com o auxílio da internet, encontramos comunidades inteiras centradas em torno de idéias muitas vezes esdrúxulas. Assim, quando nos apanhamos lendo as últimas do Daniel ou da Flávia Alessandra, e mesmo quando nos queixamos do baixo nível do público, que só quer saber de fofocas, estamos dando vazão a um dos traços que nos distinguem de outros primatas. Podemos e devemos apreciar tal característica de forma crítica, até para que possamos compreendê-la melhor, mas é tolice achar que conseguiremos eliminá-la. Assim como a religião, o tabu do incesto e as piadas de português (todo povo elege um vizinho para fazer troça.), a fofoca é um universal humano ao qual, como humanos, devemos nos sujeitar. Paro um pouco antes de concluir que é nosso interesse pelos ditos e feitos da Daniela Cicarelli que nos torna humanos.

Disponível em: <http://www.1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u349451.shtml>

Assinale a opção CORRETA quanto à colocação dos pronomes oblíquos átonos:

 

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1004999 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Fofocas e celebridades

Na manhã de segunda-feira, quando comecei a escrever esta coluna, três das cinco notícias mais lidas da Folha Online poderiam ser consideradas fofoca: "Daniel deixa equipe da Record irritada" (2º lugar), "Ministério abre processo contra dança erótica de Flávia Alessandra" (4º lugar) e "Meia Kaká, do Milan, vai ser pai" (5º lugar). As duas notícias "de verdade" eram: "Governador interdita Fonte Nova e lamenta acidente em nota oficial" (1º lugar) e "Polícia divulga nomes de sete mortos na tragédia da Fonte Nova" (3º lugar).

Arrisco dizer que, se não houvesse a catástrofe quentinha do desabamento do estádio, mexericos ocupariam ainda mais espaço. Mas o que são exatamente fofocas e por que elas provocam tanto fascínio?

É difícil até mesmo conceituar esse termo. Os dicionários que consultei trazem todos, ainda que com diferentes graus de ênfase, definições pouco abonadoras. Na melhor das hipóteses pintam-no como afirmação não-baseada em fatos; na pior, como dito malicioso, intriga.

Receio que ambas as significações fiquem muito aquém da verdadeira instituição que é a bisbilhotice. Para começar, trata-se de um universal humano, isto é, está presente em todas as culturas de que se tem conhecimento. Onde quer que existam três ou mais pessoas, haverá fofoca.

Não é difícil especular (verbo que, no fundo, é um dos sinônimos de fofocar) sobre a origem do hábito. Somos seres gregários dependentes do altruísmo recíproco. Só que nem todos os representantes da espécie apresentam a mesma propensão a colaborar. Assim, antes de dividir com alguém aquele filé de brontossauro (calma, gente, é só uma piada; não estou sugerindo que humanos e apatossauros conviveram) a duras penas obtido, preciso saber se esta pessoa é confiável, ou seja, se estará disposta a devolver a gentileza quando eu passar por dificuldades.

Alguns milênios lidando com a necessidade de coletar e manter informações sobre o caráter de cada membro do clã e da aldeia bastaram para nos tornar fofoqueiros profissionais. Verdadeiras sucursais da Abin, perseguimos com avidez dados sobre as pessoas. E vamos buscá-los onde eles estão disponíveis, isto é, com as vizinhas (a flexão no feminino é meio machista, admito, mas nem por isso menos real). Se os "dossiês" são ou não precisos é uma outra questão, menos importante.

Só que as aldeias cresceram e viraram cidades, algumas das quais depois se converteram em metrópoles. Não perdemos o hábito de comentar a vida alheia, apenas o direcionamos a grupos mais específicos como as celebridades, cuja principal função é justamente a de ter suas vidas transformadas em espetáculo para que possamos difamá-las ou, mais raramente, louvar-lhes as virtudes.

É aí que entra uma outra importante característica da mexeriquice. Além de nos municiar com informações potencialmente valiosas, ela ajuda a reforçar os vínculos sociais entre os membros da comunidade. Isso pode parecer paradoxal, sobretudo se você é o objeto da maledicência, mas um interessante trabalho de Robin Dunbar, do University College, de Londres, mostra que humanos dedicam em média 60% do tempo de suas conversações a futricas. A hipótese do antropólogo é que, com o advento da linguagem, a fofoca substituiu a catação de piolhos que, entre primatas não-humanos, constitui a principal atividade social. É através da limpeza de pelagem que se aprende, por observação direta, quais membros da comunidade tendem a colaborar e quais não, quem devolve um favor e quem não é confiável, e, a partir daí, se forjam as alianças e coalizões.

Dunbar vai além e sugere que os grupos humanos só puderam crescer em tamanho porque redes de intrigas possibilitadas pela linguagem tomaram o lugar da catação. É que a fofoca maximiza o número de relações que cada membro da comunidade pode manter com outros. Esse dado é consistente com a correlação positiva encontrada entre o volume neocortical e o tamanho do bando. Humanos poderiam relacionar-se com até 150 pessoas formando ainda grupos estáveis. Populações maiores tenderiam a dividir-se.

Há outros aspectos interessantes da fofoca. Pessoalmente, gosto de seu caráter subversivo. É inegável que ela representa poder, um poder informal e anônimo, o que o torna virtualmente incontrolável. Um rumor, mesmo que infundado, pode fazer ruir a mais sólida instituição bancária. A versão se torna maior do que o fato. E não podemos desprezar o papel que as piadas anticomunistas tiveram na queda dos Estados-satélites da URSS. Eram as anedotas a respeito das filas, da carência de produtos e da repressão, espalhadas pelas mesmas redes informais dos mexericos, que indicavam à população que os regimes eram menos sólidos do que a propaganda oficial fazia supor. Acho que seria exagero afirmar que a fofoca derrubou o Muro de Berlim, mas acho que dá para dizer que, sem o livre fluxo de informação por ela canalizado, os controles dos burocratas teriam funcionado melhor. Não é à toa que a fofoca, definida como "má língua" ("lashon hara" em hebraico), é condenada primeiro pelo judaísmo (Levítico 19:16) e, a seguir, pelo cristianismo e pelo islamismo --o que me fez ficar simpático a ela.

Antes, porém, de lançarmos a Internacional Revolucionária das Comadres vale lembrar que estamos diante de um poder ambíguo. A tagarelice também pode ser extremamente reacionária. Se o senso comum já tende a ser conservador, dotá-lo de canais de propagação informais e pouco afeitos à responsabilização individual equivale a massacrar a opinião minoritária e inovadora, que só subsiste através do registro escrito (uma novidade bem recente em termos evolutivos) ou em grupos muito grandes. Hoje, com o auxílio da internet, encontramos comunidades inteiras centradas em torno de idéias muitas vezes esdrúxulas. Assim, quando nos apanhamos lendo as últimas do Daniel ou da Flávia Alessandra, e mesmo quando nos queixamos do baixo nível do público, que só quer saber de fofocas, estamos dando vazão a um dos traços que nos distinguem de outros primatas. Podemos e devemos apreciar tal característica de forma crítica, até para que possamos compreendê-la melhor, mas é tolice achar que conseguiremos eliminá-la. Assim como a religião, o tabu do incesto e as piadas de português (todo povo elege um vizinho para fazer troça.), a fofoca é um universal humano ao qual, como humanos, devemos nos sujeitar. Paro um pouco antes de concluir que é nosso interesse pelos ditos e feitos da Daniela Cicarelli que nos torna humanos.

Disponível em: <http://www.1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u349451.shtml>

Leia o seguinte trecho:

Só que nem todos os representantes da espécie apresentam a mesma propensão a colaborar. Assim, antes de dividir com alguém aquele filé de brontossauro (calma, gente, é só uma piada; não estou sugerindo que humanos e apatossauros conviveram) a duras penas obtido, preciso saber se esta pessoa é confiável, ou seja, se estará disposta a devolver a gentileza quando eu passar por dificuldades.

Sobre a passagem acima é CORRETO afirmar:

 

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1004977 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: PM-MG
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Fofocas e celebridades

Na manhã de segunda-feira, quando comecei a escrever esta coluna, três das cinco notícias mais lidas da Folha Online poderiam ser consideradas fofoca: "Daniel deixa equipe da Record irritada" (2º lugar), "Ministério abre processo contra dança erótica de Flávia Alessandra" (4º lugar) e "Meia Kaká, do Milan, vai ser pai" (5º lugar). As duas notícias "de verdade" eram: "Governador interdita Fonte Nova e lamenta acidente em nota oficial" (1º lugar) e "Polícia divulga nomes de sete mortos na tragédia da Fonte Nova" (3º lugar).

Arrisco dizer que, se não houvesse a catástrofe quentinha do desabamento do estádio, mexericos ocupariam ainda mais espaço. Mas o que são exatamente fofocas e por que elas provocam tanto fascínio?

É difícil até mesmo conceituar esse termo. Os dicionários que consultei trazem todos, ainda que com diferentes graus de ênfase, definições pouco abonadoras. Na melhor das hipóteses pintam-no como afirmação não-baseada em fatos; na pior, como dito malicioso, intriga.

Receio que ambas as significações fiquem muito aquém da verdadeira instituição que é a bisbilhotice. Para começar, trata-se de um universal humano, isto é, está presente em todas as culturas de que se tem conhecimento. Onde quer que existam três ou mais pessoas, haverá fofoca.

Não é difícil especular (verbo que, no fundo, é um dos sinônimos de fofocar) sobre a origem do hábito. Somos seres gregários dependentes do altruísmo recíproco. Só que nem todos os representantes da espécie apresentam a mesma propensão a colaborar. Assim, antes de dividir com alguém aquele filé de brontossauro (calma, gente, é só uma piada; não estou sugerindo que humanos e apatossauros conviveram) a duras penas obtido, preciso saber se esta pessoa é confiável, ou seja, se estará disposta a devolver a gentileza quando eu passar por dificuldades.

Alguns milênios lidando com a necessidade de coletar e manter informações sobre o caráter de cada membro do clã e da aldeia bastaram para nos tornar fofoqueiros profissionais. Verdadeiras sucursais da Abin, perseguimos com avidez dados sobre as pessoas. E vamos buscá-los onde eles estão disponíveis, isto é, com as vizinhas (a flexão no feminino é meio machista, admito, mas nem por isso menos real). Se os "dossiês" são ou não precisos é uma outra questão, menos importante.

Só que as aldeias cresceram e viraram cidades, algumas das quais depois se converteram em metrópoles. Não perdemos o hábito de comentar a vida alheia, apenas o direcionamos a grupos mais específicos como as celebridades, cuja principal função é justamente a de ter suas vidas transformadas em espetáculo para que possamos difamá-las ou, mais raramente, louvar-lhes as virtudes.

É aí que entra uma outra importante característica da mexeriquice. Além de nos municiar com informações potencialmente valiosas, ela ajuda a reforçar os vínculos sociais entre os membros da comunidade. Isso pode parecer paradoxal, sobretudo se você é o objeto da maledicência, mas um interessante trabalho de Robin Dunbar, do University College, de Londres, mostra que humanos dedicam em média 60% do tempo de suas conversações a futricas. A hipótese do antropólogo é que, com o advento da linguagem, a fofoca substituiu a catação de piolhos que, entre primatas não-humanos, constitui a principal atividade social. É através da limpeza de pelagem que se aprende, por observação direta, quais membros da comunidade tendem a colaborar e quais não, quem devolve um favor e quem não é confiável, e, a partir daí, se forjam as alianças e coalizões.

Dunbar vai além e sugere que os grupos humanos só puderam crescer em tamanho porque redes de intrigas possibilitadas pela linguagem tomaram o lugar da catação. É que a fofoca maximiza o número de relações que cada membro da comunidade pode manter com outros. Esse dado é consistente com a correlação positiva encontrada entre o volume neocortical e o tamanho do bando. Humanos poderiam relacionar-se com até 150 pessoas formando ainda grupos estáveis. Populações maiores tenderiam a dividir-se.

Há outros aspectos interessantes da fofoca. Pessoalmente, gosto de seu caráter subversivo. É inegável que ela representa poder, um poder informal e anônimo, o que o torna virtualmente incontrolável. Um rumor, mesmo que infundado, pode fazer ruir a mais sólida instituição bancária. A versão se torna maior do que o fato. E não podemos desprezar o papel que as piadas anticomunistas tiveram na queda dos Estados- satélites da URSS. Eram as anedotas a respeito das filas, da carência de produtos e da repressão, espalhadas pelas mesmas redes informais dos mexericos, que indicavam à população que os regimes eram menos sólidos do que a propaganda oficial fazia supor. Acho que seria exagero afirmar que a fofoca derrubou o Muro de Berlim, mas acho que dá para dizer que, sem o livre fluxo de informação por ela canalizado, os controles dos burocratas teriam funcionado melhor. Não é à toa que a fofoca, definida como "má língua" ("lashon hara" em hebraico), é condenada primeiro pelo judaísmo (Levítico 19:16) e, a seguir, pelo cristianismo e pelo islamismo --o que me fez ficar simpático a ela.

Antes, porém, de lançarmos a Internacional Revolucionária das Comadres vale lembrar que estamos diante de um poder ambíguo. A tagarelice também pode ser extremamente reacionária. Se o senso comum já tende a ser conservador, dotá-lo de canais de propagação informais e pouco afeitos à responsabilização individual equivale a massacrar a opinião minoritária e inovadora, que só subsiste através do registro escrito (uma novidade bem recente em termos evolutivos) ou em grupos muito grandes. Hoje, com o auxílio da internet, encontramos comunidades inteiras centradas em torno de idéias muitas vezes esdrúxulas. Assim, quando nos apanhamos lendo as últimas do Daniel ou da Flávia Alessandra, e mesmo quando nos queixamos do baixo nível do público, que só quer saber de fofocas, estamos dando vazão a um dos traços que nos distinguem de outros primatas. Podemos e devemos apreciar tal característica de forma crítica, até para que possamos compreendê-la melhor, mas é tolice achar que conseguiremos eliminá-la. Assim como a religião, o tabu do incesto e as piadas de português (todo povo elege um vizinho para fazer troça.), a fofoca é um universal humano ao qual, como humanos, devemos nos sujeitar. Paro um pouco antes de concluir que é nosso interesse pelos ditos e feitos da Daniela Cicarelli que nos torna humanos.

Disponível em: <http://www.1.folha.uol.com.br/folha/pensata/helioschwartsman/ult510u349451.shtml>

Marque a alternativa CORRETA quanto aos superlativos absolutos irregulares ou eruditos dos adjetivos destacados:

 

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Questão presente nas seguintes provas
1004959 Ano: 2008
Disciplina: História
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Em 1963 o eleitorado brasileiro foi convocado para um plebiscito para se manifestar a favor ou contra uma proposta do governo. A proposta que foi descartada no plebiscito foi:

 

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Questão presente nas seguintes provas
1004941 Ano: 2008
Disciplina: Geografia
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Marque a alternativa CORRETA:

Até o início do século XX, a economia brasileira dependia quase totalmente do comércio externo. Essa extrema dependência econômica em relação ao comércio externo só começou a se modificar a partir da década de 1930, com o surgimento, no Brasil, de um novo padrão de desenvolvimento econômico, voltado para o mercado interno.

Estamos nos referindo a qual processo?

 

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Questão presente nas seguintes provas
1004939 Ano: 2008
Disciplina: História
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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A frase: “UDN está de porre !” foi dita quando houve o apoio da UDN a qual candidato a presidente do Brasil que saiu vitorioso e tentou fazer uma política independente em relação as potências :

 

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Questão presente nas seguintes provas
1004783 Ano: 2008
Disciplina: Matemática
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Um policial sai em perseguição a um assaltante. A velocidade do assaltante é !$ {\large 1 \over 10} !$ da velocidade do policial. A distância que os separa é de 100 metros. Nessas condições, quando o policial vencer os 100 metros, o assaltante terá percorrido !$ {\large 1 \over 10} !$ do que percorreu o policial e ficará 10 metros a sua frente. Quando o policial correr esses 10 metros, o assaltante terá percorrido !$ {\large 1 \over 10} !$ dessa distância e estará 1 metro a sua frente. Quando o policial correr esse metro, o assaltante terá corrido 10 centímetros, e assim por diante. Para capturar o assaltante, o policial deverá percorrer:

 

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Questão presente nas seguintes provas
1004779 Ano: 2008
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: PM-MG
Orgão: PM-MG
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Teaching the Dance of Life

The girl was 11 a child of the street of Fortaleza, Brazil whose future seemed as bleak as the slums in which she lived.

Then Carla Nisiane Anacleto da Costa saw a ballet performance by students from a dance school called EDISCA , a troupe that included other impoverished girls from her street . EDISCA (the letters stand for the Portuguese name of the School of Dance and Social Integration for Children and Adolescents) was not your average ballet company, and this was no Swan Lake. It portrayed Fortaleza's poorest kids begging at traffic lights and living on the street.

“That really affected me,” says Da Costa. “ The reality in the ballet was just like mine. I hadn't begged, but the lives I saw were very close to the life I was living.”

Da Costa enrolled in EDISCA , and the school changed her life, as it has the lives of 800 other girls ages 6 to 19 and a few boys from Fortaleza, a coastal city in Brazil's poverty-racked northeast. The school was founded in 1992 by Dora Andrade, 42, a dancer who cut short her career in the U.S., to come home and teach girls to dance their way out of the slums. Most of the children who enter EDISCA can't read and wrtie. Many have health problems and are close to running away from violent homes or being lured into child prostitution. Andrade and a staff of 36 teach them about nutrition and health care as well as art, theater and music. But only one course is compulsory.“ Dance is the pillar of the school, “ says Andrade.

Through dance, “a seven-year-old learns about vision and order, about creativity.“ A child with seven years of education “ will never be poor again.”

Schools modeled on EDISCA are now open in five other Brazilian cities. Andrade's students sell out the local theater and put on shows as far as Italy. They attract funding sources like the Washington – based Ashoka organization, a nonprofit group that identifies and supports 1.100 “social entrepreneurs” in 41 countries. Last year a $ 550.000 loan from the Brazilian government let EDISCA move into building.

“EDISCA doesn’t form dancers, it forms people”, says Da Costa, now 19 and heading for college . She plants to start a dance school of her own “to pass on everything I learned from Dora.”

Dora Andrade is a teacher dance and literacy, and life skills to impoverished kids in Fortaleza, Brazil. Her school, a lifesaver for many kids, has become the model for five others.

By Andrew Downie / Fortaleza

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