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Leia o texto para responder às questões de números 61 a 66.
Inocência não aparecia.
Mal saía do quarto, pretextando recaída de sezões: entretanto, não era seu corpo o doente, não; a sua alma, sim, essa sofria morte e paixão; e amargas lágrimas, sobretudo à noite, lhe inundavam o rosto.
– Meu Deus, exclamava ela, que será de mim? Nossa Senhora da Guia me socorra. Que pode fazer uma infeliz rapariga dos sertões contra tanta desgraça? Eu vivia tão sossegada neste retiro, amparada por meu pai... que agora tanto medo me mete... Deus do céu, piedade, piedade.
E de joelhos, diante do tosco oratório alumiado por esguias velas de cera, orava com fervor, balbuciando as preces que costumava recitar antes de se deitar.
Uma noite, disse ela:
– Quisera uma reza que me enchesse mais o coração... que mais me aliviasse o peso da agonia de hoje...
E, como levada de inspiração, prostrou-se murmurando:
– Minha Nossa Senhora mãe da Virgem que nunca pecou, ide adiante de Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim... que não me deixe assim nesta dor cá dentro tão cruel. Estendei a vossa mão sobre mim. Se é crime amar a Cirino, mandai-me a morte. Que culpa tenho eu do que me sucede? Rezei tanto, para não gostar deste homem! Tudo... tudo... foi inútil! Por que então este suplício de todos os momentos? Nem sequer tem alívio no sono? Sempre ele... ele! (...)
Quando a lembrança de Cirino se lhe apresentava mais viva, estorcia-se de desespero. A paixão punha-lhe o peito em fogo...
(Visconde de Taunay, Inocência.)
O pretexto que Inocência usa para não sair de seu quarto é um problema de ordem
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Leia o texto para responder às questões de números 61 a 66.
Inocência não aparecia.
Mal saía do quarto, pretextando recaída de sezões: entretanto, não era seu corpo o doente, não; a sua alma, sim, essa sofria morte e paixão; e amargas lágrimas, sobretudo à noite, lhe inundavam o rosto.
– Meu Deus, exclamava ela, que será de mim? Nossa Senhora da Guia me socorra. Que pode fazer uma infeliz rapariga dos sertões contra tanta desgraça? Eu vivia tão sossegada neste retiro, amparada por meu pai... que agora tanto medo me mete... Deus do céu, piedade, piedade.
E de joelhos, diante do tosco oratório alumiado por esguias velas de cera, orava com fervor, balbuciando as preces que costumava recitar antes de se deitar.
Uma noite, disse ela:
– Quisera uma reza que me enchesse mais o coração... que mais me aliviasse o peso da agonia de hoje...
E, como levada de inspiração, prostrou-se murmurando:
– Minha Nossa Senhora mãe da Virgem que nunca pecou, ide adiante de Deus. Pedi-lhe que tenha pena de mim... que não me deixe assim nesta dor cá dentro tão cruel. Estendei a vossa mão sobre mim. Se é crime amar a Cirino, mandai-me a morte. Que culpa tenho eu do que me sucede? Rezei tanto, para não gostar deste homem! Tudo... tudo... foi inútil! Por que então este suplício de todos os momentos? Nem sequer tem alívio no sono? Sempre ele... ele! (...)
Quando a lembrança de Cirino se lhe apresentava mais viva, estorcia-se de desespero. A paixão punha-lhe o peito em fogo...
(Visconde de Taunay, Inocência.)
Sobre o texto, afirma-se:
I. A protagonista apresenta características românticas, tais como a religiosidade e a disposição para o sacrifício em nome do amor.
II. A personagem principal não consegue realizar suas aspirações, tendo em vista que está submetida a um ambiente de estrutura conservadora e patriarcalista.
III. O narrador incorpora, em seu discurso, a linguagem coloquial com que as personagens se comunicam.
Está correto o que se afirma em
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Leia o texto, extraído de uma entrevista concedida a Clarice Lispector por Lygia Fagundes Telles, para responder às questões de números 58 a 60.
– Como nasce um conto? Um romance? Qual é a raiz
de um texto seu?
– São perguntas que ouço com frequência. Procuro
então simplificar essa matéria que nada tem de simples.
5 Lembro que algumas ideias podem nascer de uma simples
imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. A ideia
do enredo pode ainda se originar de um sonho. Tentativa
vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode
ser esclarecido no ato da criação. A gente exagera (...) no
10 fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Misté-
rio. O artista é um visionário. Um vidente. Tem passe livre
no tempo que ele percorre de alto a baixo em seu trapézio
voador que avança e recua no espaço: tanta luta, tanto em-
penho que não exclui a disciplina. A paciência. A vontade
15 do escritor de se comunicar com o seu próximo, de seduzir
esse público que olha e julga. Vontade de ser amado. De
permanecer. Nesse jogo ele acaba por arriscar tudo. Vale o
risco? Vale se a vontade for cumprida com amor, é preciso
se apaixonar pelo ofício, ser feliz nesse ofício. Se em outros
20 aspectos as coisas falham (tantas falham) que ao menos fi-
que a alegria de criar.
(Clarice Lispector. Entrevistas, 2007.)
O pronome relativo que exerce a função de objeto direto, e não de sujeito, apenas no trecho
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Leia o texto, extraído de uma entrevista concedida a Clarice Lispector por Lygia Fagundes Telles, para responder às questões de números 58 a 60.
– Como nasce um conto? Um romance? Qual é a raiz
de um texto seu?
– São perguntas que ouço com frequência. Procuro
então simplificar essa matéria que nada tem de simples.
5 Lembro que algumas ideias podem nascer de uma simples
imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. A ideia
do enredo pode ainda se originar de um sonho. Tentativa
vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode
ser esclarecido no ato da criação. A gente exagera (...) no
10 fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Misté-
rio. O artista é um visionário. Um vidente. Tem passe livre
no tempo que ele percorre de alto a baixo em seu trapézio
voador que avança e recua no espaço: tanta luta, tanto em-
penho que não exclui a disciplina. A paciência. A vontade
15 do escritor de se comunicar com o seu próximo, de seduzir
esse público que olha e julga. Vontade de ser amado. De
permanecer. Nesse jogo ele acaba por arriscar tudo. Vale o
risco? Vale se a vontade for cumprida com amor, é preciso
se apaixonar pelo ofício, ser feliz nesse ofício. Se em outros
20 aspectos as coisas falham (tantas falham) que ao menos fi-
que a alegria de criar.
(Clarice Lispector. Entrevistas, 2007.)
Ao usar a expressão trapézio voador para representar o ofício de escritor, a entrevistada lança mão de uma figura de linguagem denominada
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Leia o texto, extraído de uma entrevista concedida a Clarice Lispector por Lygia Fagundes Telles, para responder às questões de números 58 a 60.
– Como nasce um conto? Um romance? Qual é a raiz
de um texto seu?
– São perguntas que ouço com frequência. Procuro
então simplificar essa matéria que nada tem de simples.
5 Lembro que algumas ideias podem nascer de uma simples
imagem. Ou de uma frase que se ouve por acaso. A ideia
do enredo pode ainda se originar de um sonho. Tentativa
vã de explicar o inexplicável, de esclarecer o que não pode
ser esclarecido no ato da criação. A gente exagera (...) no
10 fundo sabemos disso perfeitamente – tudo é sombra. Misté-
rio. O artista é um visionário. Um vidente. Tem passe livre
no tempo que ele percorre de alto a baixo em seu trapézio
voador que avança e recua no espaço: tanta luta, tanto em-
penho que não exclui a disciplina. A paciência. A vontade
15 do escritor de se comunicar com o seu próximo, de seduzir
esse público que olha e julga. Vontade de ser amado. De
permanecer. Nesse jogo ele acaba por arriscar tudo. Vale o
risco? Vale se a vontade for cumprida com amor, é preciso
se apaixonar pelo ofício, ser feliz nesse ofício. Se em outros
20 aspectos as coisas falham (tantas falham) que ao menos fi-
que a alegria de criar.
(Clarice Lispector. Entrevistas, 2007.)
A pergunta feita pela entrevistadora liga-se a um aspecto da criação literária que pode ser expresso pela palavra
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Para responder às questões de números 55 a 57, leia a estrofe, que faz parte de um poema de Camões.
O prado, as flores brancas e vermelhas
Está suavemente apresentando;
As doces e solícitas abelhas,
Com um brando sussurro vão voando;
As mansas e pacíficas ovelhas,
Do comer esquecidas, inclinando
As cabeças estão ao som divino
Que faz, passando, o Tejo cristalino.
(Luís Vaz de Camões. Obra completa, 1988.)
Um caso de posposição do sujeito em relação ao verbo ocorre no verso
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Para responder às questões de números 55 a 57, leia a estrofe, que faz parte de um poema de Camões.
O prado, as flores brancas e vermelhas
Está suavemente apresentando;
As doces e solícitas abelhas,
Com um brando sussurro vão voando;
As mansas e pacíficas ovelhas,
Do comer esquecidas, inclinando
As cabeças estão ao som divino
Que faz, passando, o Tejo cristalino.
(Luís Vaz de Camões. Obra completa, 1988.)
Considere as seguintes explicações para o recurso da inversão que ocorre no texto:
I. É uma característica do Classicismo renascentista que resulta da tentativa de imitar a sintaxe do Latim clássico.
II. Prende-se à necessidade de preservar as rimas, revelando uma preocupação com a perfeição formal.
III. Contribui de maneira decisiva para se alcançar a pretendida regularidade rítmica.
Está correto o que se afirma em
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Para responder às questões de números 55 a 57, leia a estrofe, que faz parte de um poema de Camões.
O prado, as flores brancas e vermelhas
Está suavemente apresentando;
As doces e solícitas abelhas,
Com um brando sussurro vão voando;
As mansas e pacíficas ovelhas,
Do comer esquecidas, inclinando
As cabeças estão ao som divino
Que faz, passando, o Tejo cristalino.
(Luís Vaz de Camões. Obra completa, 1988.)
A estrofe exemplifica a lírica clássica portuguesa, na qual
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Leia o texto para responder às questões de números 52 a 54.
Meu benzinho adorado (...) eu te peço por tudo o que há de mais sagrado que você me escreva uma cartinha sim dizendo como é que você vai que eu não sei eu ando tão zaranza por causa do teu abandono eu choro e um dia pego tomo um porre danado que você vai ver e aí nunca mais mesmo que você me quer e sabe o que eu faço eu vou-me embora para sempre e nunca mais vejo esse rosto lindo que eu adoro porque você é toda a minha vida e eu só escrevo por tua causa ingrata (...) do teu definitivo e sempre amigo...
(Vinícius de Moraes. Antologia poética, 1981.)
A correta pontuação de uma das frases do texto é:
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Leia o texto para responder às questões de números 52 a 54.
Meu benzinho adorado (...) eu te peço por tudo o que há de mais sagrado que você me escreva uma cartinha sim dizendo como é que você vai que eu não sei eu ando tão zaranza por causa do teu abandono eu choro e um dia pego tomo um porre danado que você vai ver e aí nunca mais mesmo que você me quer e sabe o que eu faço eu vou-me embora para sempre e nunca mais vejo esse rosto lindo que eu adoro porque você é toda a minha vida e eu só escrevo por tua causa ingrata (...) do teu definitivo e sempre amigo...
(Vinícius de Moraes. Antologia poética, 1981.)
O substantivo porre pertence à variante popular da língua, assim como, tendo em vista o contexto, a forma verbal
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