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3924267
Ano: 2025
Disciplina: TI - Redes de Computadores
Banca: EDUCA
Orgão: Pref. Brejo Cruz-PB
Disciplina: TI - Redes de Computadores
Banca: EDUCA
Orgão: Pref. Brejo Cruz-PB
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Analise as afirmativas a seguir sobre os protocolos da
camada de aplicação do modelo TCP/IP (com foco em
HTTP/HTTPS, FIP, SMIP e POP3/IMAP),
considerando suas funcionalidades, mecanismos de
segurança e modelos de interação (cliente-servidor):
I O protocolo HTTPS opera sobre a porta 443 e, ao contrário do HTTP (porta 80), utiliza o encapsulamento TLS/SSL para criptografar o payload da camada de aplicação. Contudo, o cabeçalho IP e o cabeçalho TCP (incluindo endereço IP de origem/destino e portas) permanecem visíveis em tráfego de rede não inspecionado.
II O FTP (File Transfer Protocol) emprega um modelo de controle de conexão out-of-band, estabelecendo uma conexão TCP na porta 21 para comandos (controle) e, tipicamente, uma conexão TCP efémera separada na porta 20 (ou outra porta em modo passivo) para a transferência de dados.
III Os protocolos SMTP, POP3 e IMAP são usados para correio eletrônico. O SMTP é um protocolo push (envio) que move mensagens do cliente para o servidor (ou entre servidores), enquanto POP3 e IMAP são protocolos pull (recebimento), sendo que o IMAP, por padrão, transfere a mensagem do servidor para o cliente e a exclui do servidor remoto.
IV. Uma característica comum a todos os protocolos listados (HTTP/HTTPS, FTP, SMTP, POP3/IMAP) é que eles operam em modo connection-oriented, utilizando o protocolo TCP (Transmission Control Protocol) como seu serviço de transporte subjacente para garantir a entrega confiável e ordenada dos dados da aplicação.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas CORRETAS:
I O protocolo HTTPS opera sobre a porta 443 e, ao contrário do HTTP (porta 80), utiliza o encapsulamento TLS/SSL para criptografar o payload da camada de aplicação. Contudo, o cabeçalho IP e o cabeçalho TCP (incluindo endereço IP de origem/destino e portas) permanecem visíveis em tráfego de rede não inspecionado.
II O FTP (File Transfer Protocol) emprega um modelo de controle de conexão out-of-band, estabelecendo uma conexão TCP na porta 21 para comandos (controle) e, tipicamente, uma conexão TCP efémera separada na porta 20 (ou outra porta em modo passivo) para a transferência de dados.
III Os protocolos SMTP, POP3 e IMAP são usados para correio eletrônico. O SMTP é um protocolo push (envio) que move mensagens do cliente para o servidor (ou entre servidores), enquanto POP3 e IMAP são protocolos pull (recebimento), sendo que o IMAP, por padrão, transfere a mensagem do servidor para o cliente e a exclui do servidor remoto.
IV. Uma característica comum a todos os protocolos listados (HTTP/HTTPS, FTP, SMTP, POP3/IMAP) é que eles operam em modo connection-oriented, utilizando o protocolo TCP (Transmission Control Protocol) como seu serviço de transporte subjacente para garantir a entrega confiável e ordenada dos dados da aplicação.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas CORRETAS:
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No contexto de análise e organização de dados, o
Microsoft Excel oferece ferramentas avançadas que
permitem automatizar cálculos, gerar relatórios
dinâmicos e controlar a integridade das informações.
Considerando —essas funcionalidades, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
Considerando —essas funcionalidades, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
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3924265
Ano: 2025
Disciplina: TI - Segurança da Informação
Banca: EDUCA
Orgão: Pref. Brejo Cruz-PB
Disciplina: TI - Segurança da Informação
Banca: EDUCA
Orgão: Pref. Brejo Cruz-PB
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A proteção de sistemas e dados depende da adoção de
boas práticas, incluindo criação de senhas seguras,
autenticação em dois fatores (2FA) e o uso de
softwares antivírus e antimalware.
A respeito dessas medidas, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
A respeito dessas medidas, analise as alternativas e assinale a CORRETA:
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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
Assinale a alternativa em que todas as palavras recebem acento gráfico pela mesma regra de acentuação, conforme a norma padrão.
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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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Questão presente nas seguintes provas
TEXTO 3
Insônia infeliz e feliz
De repente os olhos bem abertos. E a escuridão toda
escura. Deve ser noite alta. Acendo a luz da
cabeceira e para o meu desespero são duas horas da noite. E a cabeça clara e lúcida. Ainda arranjarei
alguém igual a quem eu possa telefonar às duas da
noite e que não me maldiga. Quem? Quem sofre de
insônia? E as horas não passam. Saio da cama, tomo café. E ainda por cima com um desses horríveis substitutos do açúcar porque Dr. José Carlos Cabral
de Almeida, dietista, acha que preciso perder os
quatro quilos que aumentei com a superalimentação
depois do incêndio. E o que se passa na luz acesa da
sala? Pensa-se uma escuridão clara. Não, não se pensa. Sente-se. Sente-se uma coisa que só tem um nome: solidão. Ler? Jamais. Escrever? Jamais. Passa-se um tempo, olha-se o relógio, quem sabe são
cinco horas. Nem quatro chegaram. Quem estará acordado agora? E nem posso pedir que me
telefonem no meio da noite pois posso estar
dormindo e não perdoar. Tomar uma pílula para
dormir? Mas e o vício que nos espreita? Ninguém me perdoaria o vício. Então fico sentada na sala, sentindo. Sentindo o quê? O nada. E o telefone à mão.
Mas quantas vezes a insônia é um dom. De repente
acordar no meio da noite e ter essa coisa rara:
solidão. Quase nenhum ruído. Só o das ondas do mar
batendo na praia. E tomo café com gosto, toda
sozinha no mundo. Ninguém me interrompe o nada.
É um nada a um tempo vazio e rico. E o telefone mudo, sem aquele toque súbito que sobressalta. Depois vai amanhecendo. As nuvens se clareando
sob um sol às vezes pálido como uma lua, às vezes
de fogo puro. Vou ao terraço e sou talvez a primeira
do dia a ver a espuma branca do mar. O mar é meu,
o sol é meu, a terra é minha. E sinto-me feliz por
nada, por tudo. Até que, como o sol subindo, a casa
vai acordando e há o reencontro com meus filhos
sonolentos.
Clarice Lispector. A descoberta do mundo. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 1984.
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
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TEXTO 2
A flor e a náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações
e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas
sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do
tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar,
galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o
nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade. A rosa do povo. 1a ed. — São
Paulo: Companhia das Letras, 2012.
No verso: “É feia. Mas é uma flor.”, a conjunção “mas” tem valor:
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