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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Crônicas de uma infância
Eu já fiz uma coleção de pedras. Parece um pouco idiota, eu sei, mas quem não teve suas fases? (o que não exclui, de maneira alguma, a possibilidade, e até a certeza, de que possa estar sendo tolo nesse exato momento, mas a tendência é percebermos posteriormente).
Para minha coleção, pegava todas as pedrinhas e pedregulhos que encontrava pelo caminho. Muitas eram bem parecidas, cinzas, restos de calçadas e de asfalto. Um ou outro torrão de terra mais enrijecido acabava passando pela coleção também. Não sei se é pela modificação da paisagem urbana ou pela mudança da paisagem da minha memória, mas a sensação que tenho é a de que tínhamos mais praças, árvores e calçadas de terra naquela época. (...)
Até que um dia, caminhando pela calçada, encontrei uma pedra linda! Ela era verde, brilhante, levemente translúcida, encantadora.
Peguei-a rapidamente, quase como que a escondendo de outro passante, como se fosse desejada por outras pessoas e eu um privilegiado por achá-la primeiro. Guardei-a junto das outras, inicialmente, mas ela era tão linda que eu não suportava o fato de apenas tê-la guardada; comecei a abrir a gaveta e brincar com ela constantemente. Colocava na palma, virava-a, admirava-a de todos os ângulos, girando nas mãos. Era o item raro da minha coleção.
Pouco tempo depois, quando percebi, eu estava com uma coceira estranha nos dedos, quase uma dor.
Quando reparei com cuidado, estava com a mão toda cortada. A minha pedra mais linda não era uma pedra, era um caco de vidro, talvez de uma garrafa esquecida que teve uma noite incrível e foi atirada longe em algum momento ou algo tipo. Linda e perigosa...
Decidi acabar com minha coleção de pedra depois disso...
E passei a ter mais cuidado com aquilo que me encanta os olhos. Sem saber, aquilo pode te ferir... Às vezes, tão profundamente que pode ser tarde demais.
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