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3619121 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
Orgão: Pref. Cubati-PB
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

Uma figura de linguagem denominada antítese está presente nos versos da alternativa:

 

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3619120 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
Orgão: Pref. Cubati-PB
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

Para o eu lírico, a voz que se expressa no poema de Cora Coralina, as visitas eram consideradas:

 

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3619119 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
Orgão: Pref. Cubati-PB
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

O sujeito do verbo destacado nos versos “Criança, no meu tempo de criança, / não valia mesmo nada. / A gente grande da casa / usava e abusava / de pretensos direitos / de educação.” está corretamente classificado na alternativa:

 

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3619118 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

O adjetivo destacado no verso “Puxava de uma perna e fazia crochê. / E, diziam dela línguas viperinas: / “- Lili é a bengala de D. Benedita”. equivale à locução adjetiva:

 

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3619117 Ano: 2024
Disciplina: Português
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

Analise os vocábulos abaixo e assinale a opção em que a há palavras com o mesmo número de letras e de fonemas:

 

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3619116 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
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Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

A linguagem usada no poema é a:

 

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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

Os parênteses empregados no verso “(Por sinal que muito ruim.)” justificam-se, pois isolam um (a):

 

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Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

O título do poema de Cora Coralina se justifica, pois:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3619113 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
Orgão: Pref. Cubati-PB
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ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

Essa obra literária de Cora Coralina centra-se em um elemento principal: o bolo. Tal bolo:

 

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3619112 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CONTEMAX
Orgão: Pref. Cubati-PB
Provas:

ANTIGUIDADES

Quando eu era menina

bem pequena,

em nossa casa,

certos dias da semana

se fazia um bolo,

assado na panela.

(...)

Era um bolo econômico,

como tudo, antigamente.

Pesado, grosso, pastoso.

(Por sinal que muito ruim.)

Eu era menina em crescimento.

Gulosa,

abria os olhos para aquele bolo

que me parecia tão bom

e tão gostoso.

A gente mandona lá de casa

cortava aquele bolo

com importância.

Com atenção. Seriamente.

Eu presente.

Com vontade de comer o bolo todo.

Era só olhos e boca e desejo

daquele bolo inteiro.

Minha irmã mais velha

governava. Regrava.

Me dava uma fatia,

tão fina, tão delgada…

E fatias iguais às outras manas.

E que ninguém pedisse mais!

E o bolo inteiro,

quase intangível,

se guardava bem guardado,

com cuidado,

num armário, alto, fechado,

impossível.

Era aquilo, uma coisa de respeito.

Não pra ser comido

assim, sem mais nem menos.

Destinava-se às visitas da noite,

certas ou imprevistas.

Detestadas da meninada.

Criança, no meu tempo de criança,

não valia mesmo nada.

A gente grande da casa

usava e abusava

de pretensos direitos

de educação.

(…)

Quando não,

sentada no canto de castigo

fazendo trancinhas,

amarrando abrolhos.

“Tomando propósito”.

Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela

gente antiga,

passadiça, era assim:

severa, ralhadeira.

Não poupava as crianças.

Mas, as visitas…

– Valha-me Deus!…

As visitas…

Como eram queridas,

recebidas, estimadas,

conceituadas, agradadas!

Era gente superenjoada.

Solene, empertigada.

De velhas conversas

que davam sono.

Antiguidades…

Até os nomes, que não se percam:

D. Aninha com Seu Quinquim.

D. Milécia, sempre às voltas

com receitas de bolo, assuntos

de licores e pudins.

D. Benedita com sua filha Lili.

D. Benedita – alta, magrinha.

Lili – baixota, gordinha.

Puxava de uma perna e fazia crochê.

E, diziam dela línguas viperinas:

“- Lili é a bengala de D. Benedita”.

Mestre Quina, D. Luisalves,

Saninha de Bili, Sá Mônica.

Gente do Cônego Padre Pio.

D. Joaquina Amâncio…

Dessa então me lembro bem.

Era amiga do peito de minha bisavó.

Aparecia em nossa casa

quando o relógio dos frades

tinha já marcado 9 horas

e a corneta do quartel, tocado silêncio.

E só se ia quando o galo cantava.

O pessoal da casa,

como era de bom-tom,

se revezava fazendo sala.

(…)

D. Joaquina era uma velha

grossa, rombuda, aparatosa.

Esquisita.

Demorona.

Cega de um olho.

Gostava de flores e de vestido novo.

Tinha seu dinheiro de contado.

Grossas contas de ouro

no pescoço.

Anéis pelos dedos.

Bichas nas orelhas.

Pitava na palha.

Cheirava rapé.

E era de Paracatu.

O sobrinho que a acompanhava,

enquanto a tia conversava

contando “causos” infindáveis,

dormia estirado

no banco da varanda.

Eu fazia força de ficar acordada

esperando a descida certa

do bolo

encerrado no armário alto.

E quando este aparecia,

vencida pelo sono já dormia.

E sonhava com o imenso armário

cheio de grandes bolos

ao meu alcance.

(…)

Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/cora-coralina-poemas/ (Adaptado)

O poema de Cora Coralina apresenta um tom:

 

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