Foram encontradas 40 questões.
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
TEXTO
ÁGUA CONTAMINADA COM ANSIOLÍTICO
DEIXA SALMÃO MAIS DESTEMIDO
Usado para tratar a ansiedade, um
medicamento comum que vem poluindo os cursos
d’água mundo afora parece agora estar influenciando
o comportamento migratório do salmão selvagem do
Atlântico, concluiu um estudo realizado na Suécia.
Publicado na revista Science, o estudo descobriu que
o salmão selvagem se tornou menos avesso a riscos
quando exposto ao medicamento psicoativo
clobazam (nomes comerciais: Frisium, Urbanil). Isso,
por sua vez, teria mudado a forma como os peixes
migram.
“Os salmões expostos ao clobazam tiveram
maior probabilidade de completar sua migração para
o mar e passaram por barreiras artificiais, como
represas hidrelétricas, mais rápido do que os peixes
não expostos”, disse Jack Brand, da Universidade
Sueca de Ciências Agrícolas em Uppsala e principal
autor do estudo.
“Embora um aumento no sucesso da migração
possa inicialmente parecer algo positivo, qualquer
disrupção nos comportamentos naturais pode ter
consequências negativas que se alastram pelos
ecossistemas”, ponderou Brand.
Pesquisas em rios do mundo inteiro
encontraram contaminação por fármacos em cursos
d’água de todos os continentes da Terra – até mesmo
na Antártida. Quase mil medicamentos ativos
distintos foram detectados no meio ambiente,
prejudicando desde a biodiversidade e o
funcionamento dos ecossistemas até a saúde pública.
Para estudar os efeitos do clobazam no
comportamento do salmão, os pesquisadores
conduziram amplos estudos de campo e experimentos
controlados em laboratório. Em experimentos de
campo, os pesquisadores implantaram um dispositivo
de rastreamento telemétrico em 279 salmões
selvagens, juntamente com um implante que liberava
lentamente pequenas quantidades de clobazam.
Os salmões tiveram seu trajeto rastreado
enquanto migravam pelo Rio Dal, na Suécia,
passando por duas represas hidrelétricas e, em
seguida, para o Mar Báltico. Os pesquisadores
descobriram que um grupo de controle, que não havia
sido exposto ao clobazam, atravessou as barragens
hidrelétricas mais lentamente do que os peixes
expostos à droga.
“Suspeitamos que essas mudanças observadas
na migração podem resultar de mudanças induzidas
pela droga na dinâmica social e no aumento do
comportamento de risco – efeitos que podem ser
explicados pela natureza ansiolítica da droga”, disse
Brand.
Experimentos de laboratório também
descobriram que o clobazam alterou a maneira como
o salmão se movimentava em cardumes: eles criaram
cardumes menos compactos, principalmente na
presença de predadores, o que poderia aumentar os
riscos que eles enfrentavam na natureza.
“Alterações no ritmo da migração podem
fazer com que os peixes cheguem ao mar em
condições abaixo do ideal ou aumentar sua exposição
a predadores e outros perigos. Com o tempo, essas
mudanças sutis podem alterar a dinâmica
populacional e até mesmo perturbar o equilíbrio do
ecossistema”, alerta Brand.
O estudo não revelou quaisquer efeitos a
longo prazo da poluição farmacêutica em cursos
d’água sobre as populações de salmão. “Os
pesquisadores acompanharam os peixes durante o
período de migração, que foi de aproximadamente 10
dias”, disse Josefin Sundin, ecologista do Instituto de
Pesquisa de Água Doce em Drottningholm, Suécia, e
que não teve participação no estudo.
“Não sabemos se ou como os salmões jovens
foram afetados durante sua vida no Mar Báltico, ou
se haveria efeitos quando eles retornassem ao rio
quando adultos para acasalar”, disse Sundin. O estudo
é o mais recente a destacar o impacto ecológico da
poluição farmacêutica.
Pesquisadores já investigaram os efeitos de
mais de 400 compostos farmacêuticos distintos em
quase 200 espécies diferentes de animais aquáticos.
Os fármacos entram no meio ambiente por meio de
águas residuais tratadas ou não tratadas e de efluentes
de gado ou veterinários. Dessa forma, acabam se
acumulando nos corpos e cérebros de animais
selvagens.
Em 2006, experimentos realizados no Canadá
revelaram que populações de peixes estavam sendo
expostas a um estrogênio sintético comum, usado em
pílulas anticoncepcionais. O acúmulo do hormônio em peixes selvagens levou à feminização dos machos
e ao quase colapso das populações locais de peixes.
“Muitos estudos, mas não todos, constataram
que o medicamento testado teve efeito no
comportamento animal”, disse Sundin. Dada a ampla
presença de substâncias farmacêuticas em cursos
d’água em todo o mundo, Brand suspeita que muitas
espécies diferentes possam estar vulneráveis aos seus
efeitos. Estudos mostram que os fármacos podem
circular por toda a cadeia alimentar.
“Isso pode afetar não apenas a vida aquática,
mas também os animais terrestres que se alimentam
de insetos ou peixes de cursos d’água contaminados,
mostrando o quão abrangente esses efeitos podem
ser”, disse Brand.
Os métodos convencionais de tratamento de
água nem sempre são eficazes na remoção de
produtos farmacêuticos, o que explica, em parte, o
vazamento de vestígios desses compostos em águas
naturais. Alguns métodos avançados de tratamento de
águas residuais, como novos processos de filtração
por membrana e oxidação, têm se mostrado eficazes
na redução da contaminação farmacêutica.
No entanto, eles permanecem inacessíveis em
muitas partes do mundo devido à infraestrutura
insuficiente e aos custos associados. É por isso que a
modernização dos sistemas de tratamento de águas
residuais é parte da solução, mas não é a única,
afirmou Brand.
Cientistas destacaram o potencial da “química
verde” na redução da poluição causada por
medicamentos. Isso envolve o desenvolvimento de
medicamentos que se biodegradem mais rapidamente
no meio ambiente ou se tornem menos tóxicos após o
uso.
“Do ponto de vista político, regulamentações
mais rigorosas e práticas aprimoradas de descarte
podem ajudar a limitar a quantidade de poluição
farmacêutica que acaba na água”, disse Brand.
“Nenhuma solução isolada será suficiente,
mas ao combinar esforços entre ciência, política e
tecnologia, podemos reduzir os riscos que a poluição
farmacêutica representa para a vida selvagem”,
acrescentou.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/poluiçao-da-águacom-ansiolítico-torna-peixes-mais-destemidos/a-72242630>.
Adaptado. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container