Foram encontradas 40 questões.
Morte
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando
os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava
tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
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Morte
Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando
os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava
tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
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desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
(PMLM/URCA 2025) Marque o item que completa as lacunas corretamente.
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desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
você mora que não veio despedir-se do amigo?
A morte é cruel . São afazes para vida de menos!
O momento é de fala e riso.
Essa é uma atitude de pessoas maduras.
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tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
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Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando
os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava
tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
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os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava
tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
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desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a
matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
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Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando
os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava
tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a
desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era
só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em
todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma pada pronta. Morrer
é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em
pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no
carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que
você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema
que você prometeu dar à tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.
A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de
um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra
nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou
muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular
mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio
de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir,
então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra
outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria
entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do
seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de
ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido
tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em
casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no
varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser
obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a
apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não
almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima
esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe
de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num
sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios,
morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode
ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não
acompanha a mente, e amente também já rateia, sem falar que
há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em
paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das
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matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.
(Pedro Bial. Junho de 2006)
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(PMLM/URCA 2025) As mulheres são a maioria da
população brasileira e as principais usuárias do Sistema Único de Saúde. A Atenção Primária à Saúde
(APS) é, sem dúvidas, a porta de entrada da mulher
no Sistema Unico de Saúde, portanto a equipe de saúde
deve estar preparada para acolher essa mulher. Quanto
a atenção à saúde da mulher marque a alternativa
CORREТA:
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