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A SEREIA DOS PENSADORES
O fascínio pelo poder é uma armadilha para os intelectuais.
Platão, na República, imaginou como seria um Estado | (Que governado exclusivamente pelos sábios: somente os iluminados pela Razão poderiam adentrar os círculos do poder, & o resto da sociedade deveria obedecer à aristocracia intelectual, Nessa obra exuberante, a utopia da intelligentsia conduz o gênero humano à prosperidade eterna: o mundo real, no entanto, foi menos gentil com o platonismo.
No século V a.C., Dionísio I, governante de Siracusa, convidou o filósofo ateniense a tomar-se seu conselheiro. Déspota refinado, Dionísio apreciava cercar-se de poetas e pensadores (não foi o primeiro nem o último tirano a cultivar mascotes eruditas). Platão, contudo, insistiu em aplicar suas ideias ao governo da cidade-Estado. Segundo o historiador Diogénes Laércio, Dionísio acabou se irritando com suas censuras e ordenou que Platão fosse vendido como escravo. O : grande pensador foi parar em um mercado na Ilha de Egina, . entre prisioneiros de guerra. Por sorte, um benfeitor o reconheceu, comprou-o e o mandou de volta a Atenas. Diógenes Laércio calcula que o preço da transação tenha sido uns 200 dracmas.
Embora Platão tivesse inclinações autoritárias como bem demonstra a leitura da República, sua aproximação ao poder não se deu por ambição pessoal, mas por uma espécie de pudor. Em uma carta, assim justificou seu envolvimento com o governo de Siracusa: “Eu o fiz, principalmente, por um sentimento de vergonha em relação a mim mesmo; não queria que a humanidade me considerasse um homem somente dedicado às palavras e incapaz de agir.”,
Eu detestaria viver na República de Platão — lugar onde poetas e escultores seriam banidos, e onde a única música permitida seriam canções de ninar e marchinha militares. Mesmo assim, há algo de admirável na tentativa de aprimorar o . mundo com a força das ideias.
Ao longo dos tempos, contudo, a relação dos grandes intelectuais com o poder político nem sempre obedeceu a motivos tão nobres. A vaidade ilustrada levou muitas mentes agudas a se associarem a regimes nefastos: a sensação de moldar a história em tempo real exerce efeito tóxico sobre mentes acostumadas à abstração.
Esse ópio não age apenas sob governos totalitários: mesmo em sociedades democráticas o fascínio pelo poder é uma armadilha que pode arrastar ou embotar os mais argutos intelectos.
Antípoda de Platão, Heráclito (540-470 a.C.) foi o protótipo do intelectual desengajado. Quando os habitantes de Corinto o convidaram a redigir as leis da cidade, respondeu: “Prefiro brincar com crianças a ajudar esses perversos a governar a república”. Não proponho que Heráclito nos sirva de modelo, e espero que um dia os sábios governem o mundo. Mas quem traçará a linha precisa entre os sábios e os tolos? Ante a sereia do poder, é salutar que os seres “dedicados às palavras” nem fujam nem se deslumbrem; que mantenham uma certa rabugice, uma certa desconfiança, um certo pudor, enfim. Pois, como diz o adágio, o poder corrompe - e a corrupção da sabedoria não é inatividade, mas a loucura.
(BOTELHO, José Francisco. Revista Veja: 3 de julho de 2019. p. 95)
Observe as estruturas e assinale a alternativa correta:
"(...) o resto da sociedade deveria obedecer à aristocracia intelectual . " (1)
"(...) o poder político nem sempre obedeceu a motivos tão nobres. " (2)
Sobre o emprego do verbo obedecer, é INCORRETO afirmar:
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“Baby boomers”
De repente o mundo descobriu que a geração baby boom está em idade de se aposentar. Os baby boomers, você sabe, foram as crianças nascidas logo a seguir à Segunda Guerra, quando milhões de soldados voltaram para seus países e começaram a casar e a procriar em massa. Os que tinham ficado em casa, de ouvido na BBC, fizeram o mesmo, talvez por uma sensação de alívio, diante do apocalipse que não aconteceu, mas poderia ter acontecido — e, então, mais do que nunca, pela súbita existência da bomba atômica.
Curioso é que, em vez de partir para a esbómia em face do possível fim do mundo, os jovens do pós-guerra adotaram a singela atitude de casar e “constituir família”. Pode ser que, depois de anos em trincheiras, reais ou metafóricas, o lar lhes parecesse um casulo protetor. Dal tantos casamentos e, em meses, milhões de novos cidadãozinhos no mundo. Um deles, eu — porque, nascido em 1948, sou um legitimo baby boomer.
Bem, passaram-se décadas, e, nós, os baby boomers já podemos ser avaliados, Em vários departamentos não; fizemos feio. Ativos desde os anos 1960, revolucionamos a tecnologia, avançamos espetacularmente a medicina e as comunicações, implantamos o sexo sem culpa, a consciência ecológica, os direitos das mulheres, das minorias e dos animais, etc.
Em compensação, tornamos as cidades impraticáveis, disseminamos as drogas, destruímos o cinema e a música popular, triplicamos a pobreza, intoxicamos o planeta com publicidade, carros e agrotóxicos, compramos e vendemos armas, políticos e tudo que pudesse ser negociado — enfim, vamos deixar também uma bela lambança.
E pensar que nossos pais, quando nos conceberam, só queriam um pouco de sossego, Seleções, Ovomaltine, discos de Carlos Galhardo, uma cama quente, um pijama e, para eles, sim uma merecida aposentadoria.
(CASTRO, Ruy, A Arte de Querer Bem. p. 23/24)
A palavra acentuada pelo mesmo motivo de “países" é:
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As radiografias interproximais ou bitewing foram descritas pela primeira vez por Howard Riley Raper, em 1925, com o objetivo de detectar cáries proximais. Em qual das alternativas não encontramos uma indicação desta técnica?
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