Foram encontradas 80 questões.
Seja f (x) = (x + 2)3 − 10. O valor de f (2) é:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
O módulo do número complexo z = 3 − √7i é igual
a:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Três irmãos dividiram uma herança em partes
diretamente proporcionais a 2, 3 e 4. Sabendo que o
valor total da herança foi R$ 180.000,00, quanto
recebeu o segundo irmão?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Em um grupo de 400 pessoas, 250 gostam de futebol,
180 gostam de vôlei, 100 gostam dos dois esportes e
70 não gostam de nenhum dos dois esportes. Quantas
pessoas gostam apenas de futebol?
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Considere a função f (x) = 2x2 + 4x − 10. O valor
mínimo que a função assume é igual a
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Por que câncer colorretal, que matou Preta Gil, cresce
'assustadoramente' em pessoas de até 50 anos
Por André Biernath da BBC News Brasil em Londres
“Assustador”. “Preocupante”. “Problema global”.
“Alerta mundial”. Esses foram alguns dos termos usados
por médicos entrevistados pela BBC News Brasil para
descrever o crescimento dos casos de câncer colorretal na
população mais jovem, com menos de 50 anos. No domingo
(20), a cantora e apresentadora Preta Gil morreu aos 50 anos
após complicações de câncer colorretal. No caso dela, o tumor
foi descoberto em janeiro de 2023, quando tinha 48 anos. Esse
tipo de câncer, que afeta o intestino grosso (o cólon) e o reto,
está entre os mais impactantes na saúde e na qualidade de vida.
E, nas últimas décadas, uma tendência estranha chamou a
atenção dos especialistas.
Em várias partes do mundo, os casos de câncer colorretal
permaneceram relativamente estáveis entre os mais velhos —
que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos
acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos
desse tumor começaram a subir com rapidez entre indivíduos
com menos de 50 anos. “Se você comparar os números atuais
com a taxa que tínhamos há 30 anos, alguns trabalhos chegam
a apontar um aumento de 70% na incidência de câncer
colorretal em pacientes jovens”, resume o oncologista clínico
Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or.
Essa diferença nas estatísticas já provocou algumas
mudanças de saúde pública: nos Estados Unidos, um dos
primeiros países a detectar o fenômeno, a idade mínima para a
realização de exames preventivos que flagram o tumor
colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu
de 50 para 45 anos. No Brasil, alguns dados preliminares
obtidos pela reportagem também apontam para um crescimento
da doença numa idade precoce.
O que dizem os números
Um relatório da Sociedade Americana de
Câncer divulgado no início de 2023 calculou que 20% dos
diagnósticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019
aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Essa taxa é
o dobro do que era observado em 1995. Os autores do
documento calculam que as taxas de detecção dessa
enfermidade em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao
ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Em
2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7
mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens.
Tendências parecidas foram observadas em diversos países
europeus, como o Reino Unido.
A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de
Câncer (Inca) para descobrir se um cenário parecido também
acontece no país. Para responder os questionamentos da
reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, pesquisadora
titular da Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de
Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca, analisou as taxas
ajustadas por idade da incidência de câncer colorretal no Brasil
entre 2000 e 2017. “No caso do câncer colorretal, é verdade que
há um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as
faixas etárias”, diz ela. “A gente observa que, no ano 2000,
havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes
entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6
casos. Isso é algo estatisticamente significativo”, calcula a
especialista. “Entre as mulheres mais jovens, também observamos essa tendência de aumento, mas ela ainda não é
significativa do ponto de vista estatístico.”
Em outras faixas etárias — entre 50 e 59 anos e acima
dos 60 anos — também há um crescimento, numa magnitude
maior (uma vez que a doença se torna mais comum conforme
envelhecemos). Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela
publicou recentemente sobre o tema. Numa delas, o grupo de
cientistas analisou se o Brasil será capaz de cumprir as metas
da ONU de redução das mortes prematuras por câncer. Embora
em nenhum dos tumores o Brasil deva alcançar os objetivos
traçados pelas Nações Unidas, a maioria deles terá uma redução
significativa na mortalidade quando comparados os períodos de
2011-2015 e 2026-2030. A única exceção da lista é justamente
o câncer colorretal, que possui uma previsão de crescimento nos
óbitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.
Um segundo artigo publicado por Cancela mostra como
esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou
a quantidade de anos de vida produtiva que são perdidos para
vários tipos de câncer. Entre 2001 e 2005, o câncer colorretal
era o sétimo tumor mais impactante para os homens, seguindo
esse critério — atrás de pulmão/traqueia; estômago;
cérebro/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta;
esôfago. Já em 2026-2030, ele ocupará a terceira posição do
ranking, perdendo apenas para estômago e pulmão/traqueia.
Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta
posição em 2001-2005 (atrás de mama; colo de útero; cérebro;
pulmão; leucemia). Em 2026-2030, a doença estará no terceiro
lugar (atrás apenas de mama e colo de útero).
Paulo Hoff observou uma tendência parecida do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do qual ele
é diretor. “Em 2019, publicamos um trabalho em que
mostramos claramente um aumento substancial na chegada de
pacientes mais jovens com câncer colorretal”, diz o médico, que
também é professor titular de Oncologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Num
período de 10 anos, essa elevação tinha sido na ordem de 15%.
Mas é muito provável que esse número esteja subestimado”,
calcula o oncologista. O médico Alexandre Jácome também
realizou um levantamento sobre o tema na Oncoclínicas, onde
ele atua como líder nacional de oncologia gastrointestinal. “Nós
não encontramos um aumento significativo da incidência desse
tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabilização
entre os mais velhos, como acontece nos EUA”, destaca ele.
Os especialistas trabalham agora para analisar com mais
profundidade todas as estatísticas disponíveis no Brasil — e
avaliar se é necessário tomar alguma atitude para proteger essa
população mais jovem contra o câncer colorretal.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cglvdv78dk6o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Por que câncer colorretal, que matou Preta Gil, cresce
'assustadoramente' em pessoas de até 50 anos
Por André Biernath da BBC News Brasil em Londres
“Assustador”. “Preocupante”. “Problema global”.
“Alerta mundial”. Esses foram alguns dos termos usados
por médicos entrevistados pela BBC News Brasil para
descrever o crescimento dos casos de câncer colorretal na
população mais jovem, com menos de 50 anos. No domingo
(20), a cantora e apresentadora Preta Gil morreu aos 50 anos
após complicações de câncer colorretal. No caso dela, o tumor
foi descoberto em janeiro de 2023, quando tinha 48 anos. Esse
tipo de câncer, que afeta o intestino grosso (o cólon) e o reto,
está entre os mais impactantes na saúde e na qualidade de vida.
E, nas últimas décadas, uma tendência estranha chamou a
atenção dos especialistas.
Em várias partes do mundo, os casos de câncer colorretal
permaneceram relativamente estáveis entre os mais velhos —
que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos
acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos
desse tumor começaram a subir com rapidez entre indivíduos
com menos de 50 anos. “Se você comparar os números atuais
com a taxa que tínhamos há 30 anos, alguns trabalhos chegam
a apontar um aumento de 70% na incidência de câncer
colorretal em pacientes jovens”, resume o oncologista clínico
Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or.
Essa diferença nas estatísticas já provocou algumas
mudanças de saúde pública: nos Estados Unidos, um dos
primeiros países a detectar o fenômeno, a idade mínima para a
realização de exames preventivos que flagram o tumor
colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu
de 50 para 45 anos. No Brasil, alguns dados preliminares
obtidos pela reportagem também apontam para um crescimento
da doença numa idade precoce.
O que dizem os números
Um relatório da Sociedade Americana de
Câncer divulgado no início de 2023 calculou que 20% dos
diagnósticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019
aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Essa taxa é
o dobro do que era observado em 1995. Os autores do
documento calculam que as taxas de detecção dessa
enfermidade em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao
ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Em
2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7
mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens.
Tendências parecidas foram observadas em diversos países
europeus, como o Reino Unido.
A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de
Câncer (Inca) para descobrir se um cenário parecido também
acontece no país. Para responder os questionamentos da
reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, pesquisadora
titular da Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de
Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca, analisou as taxas
ajustadas por idade da incidência de câncer colorretal no Brasil
entre 2000 e 2017. “No caso do câncer colorretal, é verdade que
há um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as
faixas etárias”, diz ela. “A gente observa que, no ano 2000,
havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes
entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6
casos. Isso é algo estatisticamente significativo”, calcula a
especialista. “Entre as mulheres mais jovens, também observamos essa tendência de aumento, mas ela ainda não é
significativa do ponto de vista estatístico.”
Em outras faixas etárias — entre 50 e 59 anos e acima
dos 60 anos — também há um crescimento, numa magnitude
maior (uma vez que a doença se torna mais comum conforme
envelhecemos). Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela
publicou recentemente sobre o tema. Numa delas, o grupo de
cientistas analisou se o Brasil será capaz de cumprir as metas
da ONU de redução das mortes prematuras por câncer. Embora
em nenhum dos tumores o Brasil deva alcançar os objetivos
traçados pelas Nações Unidas, a maioria deles terá uma redução
significativa na mortalidade quando comparados os períodos de
2011-2015 e 2026-2030. A única exceção da lista é justamente
o câncer colorretal, que possui uma previsão de crescimento nos
óbitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.
Um segundo artigo publicado por Cancela mostra como
esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou
a quantidade de anos de vida produtiva que são perdidos para
vários tipos de câncer. Entre 2001 e 2005, o câncer colorretal
era o sétimo tumor mais impactante para os homens, seguindo
esse critério — atrás de pulmão/traqueia; estômago;
cérebro/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta;
esôfago. Já em 2026-2030, ele ocupará a terceira posição do
ranking, perdendo apenas para estômago e pulmão/traqueia.
Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta
posição em 2001-2005 (atrás de mama; colo de útero; cérebro;
pulmão; leucemia). Em 2026-2030, a doença estará no terceiro
lugar (atrás apenas de mama e colo de útero).
Paulo Hoff observou uma tendência parecida do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do qual ele
é diretor. “Em 2019, publicamos um trabalho em que
mostramos claramente um aumento substancial na chegada de
pacientes mais jovens com câncer colorretal”, diz o médico, que
também é professor titular de Oncologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Num
período de 10 anos, essa elevação tinha sido na ordem de 15%.
Mas é muito provável que esse número esteja subestimado”,
calcula o oncologista. O médico Alexandre Jácome também
realizou um levantamento sobre o tema na Oncoclínicas, onde
ele atua como líder nacional de oncologia gastrointestinal. “Nós
não encontramos um aumento significativo da incidência desse
tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabilização
entre os mais velhos, como acontece nos EUA”, destaca ele.
Os especialistas trabalham agora para analisar com mais
profundidade todas as estatísticas disponíveis no Brasil — e
avaliar se é necessário tomar alguma atitude para proteger essa
população mais jovem contra o câncer colorretal.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cglvdv78dk6o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Por que câncer colorretal, que matou Preta Gil, cresce
'assustadoramente' em pessoas de até 50 anos
Por André Biernath da BBC News Brasil em Londres
“Assustador”. “Preocupante”. “Problema global”.
“Alerta mundial”. Esses foram alguns dos termos usados
por médicos entrevistados pela BBC News Brasil para
descrever o crescimento dos casos de câncer colorretal na
população mais jovem, com menos de 50 anos. No domingo
(20), a cantora e apresentadora Preta Gil morreu aos 50 anos
após complicações de câncer colorretal. No caso dela, o tumor
foi descoberto em janeiro de 2023, quando tinha 48 anos. Esse
tipo de câncer, que afeta o intestino grosso (o cólon) e o reto,
está entre os mais impactantes na saúde e na qualidade de vida.
E, nas últimas décadas, uma tendência estranha chamou a
atenção dos especialistas.
Em várias partes do mundo, os casos de câncer colorretal
permaneceram relativamente estáveis entre os mais velhos —
que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos
acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos
desse tumor começaram a subir com rapidez entre indivíduos
com menos de 50 anos. “Se você comparar os números atuais
com a taxa que tínhamos há 30 anos, alguns trabalhos chegam
a apontar um aumento de 70% na incidência de câncer
colorretal em pacientes jovens”, resume o oncologista clínico
Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or.
Essa diferença nas estatísticas já provocou algumas
mudanças de saúde pública: nos Estados Unidos, um dos
primeiros países a detectar o fenômeno, a idade mínima para a
realização de exames preventivos que flagram o tumor
colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu
de 50 para 45 anos. No Brasil, alguns dados preliminares
obtidos pela reportagem também apontam para um crescimento
da doença numa idade precoce.
O que dizem os números
Um relatório da Sociedade Americana de
Câncer divulgado no início de 2023 calculou que 20% dos
diagnósticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019
aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Essa taxa é
o dobro do que era observado em 1995. Os autores do
documento calculam que as taxas de detecção dessa
enfermidade em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao
ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Em
2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7
mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens.
Tendências parecidas foram observadas em diversos países
europeus, como o Reino Unido.
A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de
Câncer (Inca) para descobrir se um cenário parecido também
acontece no país. Para responder os questionamentos da
reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, pesquisadora
titular da Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de
Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca, analisou as taxas
ajustadas por idade da incidência de câncer colorretal no Brasil
entre 2000 e 2017. “No caso do câncer colorretal, é verdade que
há um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as
faixas etárias”, diz ela. “A gente observa que, no ano 2000,
havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes
entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6
casos. Isso é algo estatisticamente significativo”, calcula a
especialista. “Entre as mulheres mais jovens, também observamos essa tendência de aumento, mas ela ainda não é
significativa do ponto de vista estatístico.”
Em outras faixas etárias — entre 50 e 59 anos e acima
dos 60 anos — também há um crescimento, numa magnitude
maior (uma vez que a doença se torna mais comum conforme
envelhecemos). Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela
publicou recentemente sobre o tema. Numa delas, o grupo de
cientistas analisou se o Brasil será capaz de cumprir as metas
da ONU de redução das mortes prematuras por câncer. Embora
em nenhum dos tumores o Brasil deva alcançar os objetivos
traçados pelas Nações Unidas, a maioria deles terá uma redução
significativa na mortalidade quando comparados os períodos de
2011-2015 e 2026-2030. A única exceção da lista é justamente
o câncer colorretal, que possui uma previsão de crescimento nos
óbitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.
Um segundo artigo publicado por Cancela mostra como
esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou
a quantidade de anos de vida produtiva que são perdidos para
vários tipos de câncer. Entre 2001 e 2005, o câncer colorretal
era o sétimo tumor mais impactante para os homens, seguindo
esse critério — atrás de pulmão/traqueia; estômago;
cérebro/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta;
esôfago. Já em 2026-2030, ele ocupará a terceira posição do
ranking, perdendo apenas para estômago e pulmão/traqueia.
Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta
posição em 2001-2005 (atrás de mama; colo de útero; cérebro;
pulmão; leucemia). Em 2026-2030, a doença estará no terceiro
lugar (atrás apenas de mama e colo de útero).
Paulo Hoff observou uma tendência parecida do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do qual ele
é diretor. “Em 2019, publicamos um trabalho em que
mostramos claramente um aumento substancial na chegada de
pacientes mais jovens com câncer colorretal”, diz o médico, que
também é professor titular de Oncologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Num
período de 10 anos, essa elevação tinha sido na ordem de 15%.
Mas é muito provável que esse número esteja subestimado”,
calcula o oncologista. O médico Alexandre Jácome também
realizou um levantamento sobre o tema na Oncoclínicas, onde
ele atua como líder nacional de oncologia gastrointestinal. “Nós
não encontramos um aumento significativo da incidência desse
tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabilização
entre os mais velhos, como acontece nos EUA”, destaca ele.
Os especialistas trabalham agora para analisar com mais
profundidade todas as estatísticas disponíveis no Brasil — e
avaliar se é necessário tomar alguma atitude para proteger essa
população mais jovem contra o câncer colorretal.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cglvdv78dk6o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Por que câncer colorretal, que matou Preta Gil, cresce
'assustadoramente' em pessoas de até 50 anos
Por André Biernath da BBC News Brasil em Londres
“Assustador”. “Preocupante”. “Problema global”.
“Alerta mundial”. Esses foram alguns dos termos usados
por médicos entrevistados pela BBC News Brasil para
descrever o crescimento dos casos de câncer colorretal na
população mais jovem, com menos de 50 anos. No domingo
(20), a cantora e apresentadora Preta Gil morreu aos 50 anos
após complicações de câncer colorretal. No caso dela, o tumor
foi descoberto em janeiro de 2023, quando tinha 48 anos. Esse
tipo de câncer, que afeta o intestino grosso (o cólon) e o reto,
está entre os mais impactantes na saúde e na qualidade de vida.
E, nas últimas décadas, uma tendência estranha chamou a
atenção dos especialistas.
Em várias partes do mundo, os casos de câncer colorretal
permaneceram relativamente estáveis entre os mais velhos —
que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos
acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos
desse tumor começaram a subir com rapidez entre indivíduos
com menos de 50 anos. “Se você comparar os números atuais
com a taxa que tínhamos há 30 anos, alguns trabalhos chegam
a apontar um aumento de 70% na incidência de câncer
colorretal em pacientes jovens”, resume o oncologista clínico
Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or.
Essa diferença nas estatísticas já provocou algumas
mudanças de saúde pública: nos Estados Unidos, um dos
primeiros países a detectar o fenômeno, a idade mínima para a
realização de exames preventivos que flagram o tumor
colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu
de 50 para 45 anos. No Brasil, alguns dados preliminares
obtidos pela reportagem também apontam para um crescimento
da doença numa idade precoce.
O que dizem os números
Um relatório da Sociedade Americana de
Câncer divulgado no início de 2023 calculou que 20% dos
diagnósticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019
aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Essa taxa é
o dobro do que era observado em 1995. Os autores do
documento calculam que as taxas de detecção dessa
enfermidade em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao
ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Em
2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7
mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens.
Tendências parecidas foram observadas em diversos países
europeus, como o Reino Unido.
A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de
Câncer (Inca) para descobrir se um cenário parecido também
acontece no país. Para responder os questionamentos da
reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, pesquisadora
titular da Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de
Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca, analisou as taxas
ajustadas por idade da incidência de câncer colorretal no Brasil
entre 2000 e 2017. “No caso do câncer colorretal, é verdade que
há um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as
faixas etárias”, diz ela. “A gente observa que, no ano 2000,
havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes
entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6
casos. Isso é algo estatisticamente significativo”, calcula a
especialista. “Entre as mulheres mais jovens, também observamos essa tendência de aumento, mas ela ainda não é
significativa do ponto de vista estatístico.”
Em outras faixas etárias — entre 50 e 59 anos e acima
dos 60 anos — também há um crescimento, numa magnitude
maior (uma vez que a doença se torna mais comum conforme
envelhecemos). Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela
publicou recentemente sobre o tema. Numa delas, o grupo de
cientistas analisou se o Brasil será capaz de cumprir as metas
da ONU de redução das mortes prematuras por câncer. Embora
em nenhum dos tumores o Brasil deva alcançar os objetivos
traçados pelas Nações Unidas, a maioria deles terá uma redução
significativa na mortalidade quando comparados os períodos de
2011-2015 e 2026-2030. A única exceção da lista é justamente
o câncer colorretal, que possui uma previsão de crescimento nos
óbitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.
Um segundo artigo publicado por Cancela mostra como
esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou
a quantidade de anos de vida produtiva que são perdidos para
vários tipos de câncer. Entre 2001 e 2005, o câncer colorretal
era o sétimo tumor mais impactante para os homens, seguindo
esse critério — atrás de pulmão/traqueia; estômago;
cérebro/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta;
esôfago. Já em 2026-2030, ele ocupará a terceira posição do
ranking, perdendo apenas para estômago e pulmão/traqueia.
Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta
posição em 2001-2005 (atrás de mama; colo de útero; cérebro;
pulmão; leucemia). Em 2026-2030, a doença estará no terceiro
lugar (atrás apenas de mama e colo de útero).
Paulo Hoff observou uma tendência parecida do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do qual ele
é diretor. “Em 2019, publicamos um trabalho em que
mostramos claramente um aumento substancial na chegada de
pacientes mais jovens com câncer colorretal”, diz o médico, que
também é professor titular de Oncologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Num
período de 10 anos, essa elevação tinha sido na ordem de 15%.
Mas é muito provável que esse número esteja subestimado”,
calcula o oncologista. O médico Alexandre Jácome também
realizou um levantamento sobre o tema na Oncoclínicas, onde
ele atua como líder nacional de oncologia gastrointestinal. “Nós
não encontramos um aumento significativo da incidência desse
tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabilização
entre os mais velhos, como acontece nos EUA”, destaca ele.
Os especialistas trabalham agora para analisar com mais
profundidade todas as estatísticas disponíveis no Brasil — e
avaliar se é necessário tomar alguma atitude para proteger essa
população mais jovem contra o câncer colorretal.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cglvdv78dk6o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder a questão.
Por que câncer colorretal, que matou Preta Gil, cresce
'assustadoramente' em pessoas de até 50 anos
Por André Biernath da BBC News Brasil em Londres
“Assustador”. “Preocupante”. “Problema global”.
“Alerta mundial”. Esses foram alguns dos termos usados
por médicos entrevistados pela BBC News Brasil para
descrever o crescimento dos casos de câncer colorretal na
população mais jovem, com menos de 50 anos. No domingo
(20), a cantora e apresentadora Preta Gil morreu aos 50 anos
após complicações de câncer colorretal. No caso dela, o tumor
foi descoberto em janeiro de 2023, quando tinha 48 anos. Esse
tipo de câncer, que afeta o intestino grosso (o cólon) e o reto,
está entre os mais impactantes na saúde e na qualidade de vida.
E, nas últimas décadas, uma tendência estranha chamou a
atenção dos especialistas.
Em várias partes do mundo, os casos de câncer colorretal
permaneceram relativamente estáveis entre os mais velhos —
que proporcionalmente continuam a representar a maioria dos
acometidos pela enfermidade. No entanto, as taxas de casos
desse tumor começaram a subir com rapidez entre indivíduos
com menos de 50 anos. “Se você comparar os números atuais
com a taxa que tínhamos há 30 anos, alguns trabalhos chegam
a apontar um aumento de 70% na incidência de câncer
colorretal em pacientes jovens”, resume o oncologista clínico
Paulo Hoff, presidente da Oncologia D’Or.
Essa diferença nas estatísticas já provocou algumas
mudanças de saúde pública: nos Estados Unidos, um dos
primeiros países a detectar o fenômeno, a idade mínima para a
realização de exames preventivos que flagram o tumor
colorretal precocemente (sobre os quais falaremos adiante) caiu
de 50 para 45 anos. No Brasil, alguns dados preliminares
obtidos pela reportagem também apontam para um crescimento
da doença numa idade precoce.
O que dizem os números
Um relatório da Sociedade Americana de
Câncer divulgado no início de 2023 calculou que 20% dos
diagnósticos de tumor colorretal realizados nos EUA em 2019
aconteceram em pacientes com menos de 55 anos. Essa taxa é
o dobro do que era observado em 1995. Os autores do
documento calculam que as taxas de detecção dessa
enfermidade em estágio avançado cresceram cerca de 3% ao
ano entre indivíduos que ainda não completaram 50 anos. Em
2023, as estimativas americanas apontam 19,5 mil casos e 3,7
mil mortes por câncer colorretal entre os mais jovens.
Tendências parecidas foram observadas em diversos países
europeus, como o Reino Unido.
A BBC News Brasil consultou o Instituto Nacional de
Câncer (Inca) para descobrir se um cenário parecido também
acontece no país. Para responder os questionamentos da
reportagem, a epidemiologista Marianna Cancela, pesquisadora
titular da Vigilância e Análise de Situação da Coordenação de
Prevenção e Vigilância (Conprev) do Inca, analisou as taxas
ajustadas por idade da incidência de câncer colorretal no Brasil
entre 2000 e 2017. “No caso do câncer colorretal, é verdade que
há um aumento no Brasil, mas isso ainda ocorre em todas as
faixas etárias”, diz ela. “A gente observa que, no ano 2000,
havia em torno de 5 casos desse tumor por 100 mil habitantes
entre homens de 20 a 49 anos. Em 2017, tivemos cerca de 6
casos. Isso é algo estatisticamente significativo”, calcula a
especialista. “Entre as mulheres mais jovens, também observamos essa tendência de aumento, mas ela ainda não é
significativa do ponto de vista estatístico.”
Em outras faixas etárias — entre 50 e 59 anos e acima
dos 60 anos — também há um crescimento, numa magnitude
maior (uma vez que a doença se torna mais comum conforme
envelhecemos). Cancela ainda destacou duas pesquisas que ela
publicou recentemente sobre o tema. Numa delas, o grupo de
cientistas analisou se o Brasil será capaz de cumprir as metas
da ONU de redução das mortes prematuras por câncer. Embora
em nenhum dos tumores o Brasil deva alcançar os objetivos
traçados pelas Nações Unidas, a maioria deles terá uma redução
significativa na mortalidade quando comparados os períodos de
2011-2015 e 2026-2030. A única exceção da lista é justamente
o câncer colorretal, que possui uma previsão de crescimento nos
óbitos no futuro, tanto para homens como para mulheres.
Um segundo artigo publicado por Cancela mostra como
esse tumor vem ganhando protagonismo no Brasil. Ela analisou
a quantidade de anos de vida produtiva que são perdidos para
vários tipos de câncer. Entre 2001 e 2005, o câncer colorretal
era o sétimo tumor mais impactante para os homens, seguindo
esse critério — atrás de pulmão/traqueia; estômago;
cérebro/sistema nervoso central; leucemia; boca e garganta;
esôfago. Já em 2026-2030, ele ocupará a terceira posição do
ranking, perdendo apenas para estômago e pulmão/traqueia.
Entre as mulheres, os tumores colorretais estavam na sexta
posição em 2001-2005 (atrás de mama; colo de útero; cérebro;
pulmão; leucemia). Em 2026-2030, a doença estará no terceiro
lugar (atrás apenas de mama e colo de útero).
Paulo Hoff observou uma tendência parecida do
Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), do qual ele
é diretor. “Em 2019, publicamos um trabalho em que
mostramos claramente um aumento substancial na chegada de
pacientes mais jovens com câncer colorretal”, diz o médico, que
também é professor titular de Oncologia da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). “Num
período de 10 anos, essa elevação tinha sido na ordem de 15%.
Mas é muito provável que esse número esteja subestimado”,
calcula o oncologista. O médico Alexandre Jácome também
realizou um levantamento sobre o tema na Oncoclínicas, onde
ele atua como líder nacional de oncologia gastrointestinal. “Nós
não encontramos um aumento significativo da incidência desse
tumor nos pacientes jovens em paralelo a uma estabilização
entre os mais velhos, como acontece nos EUA”, destaca ele.
Os especialistas trabalham agora para analisar com mais
profundidade todas as estatísticas disponíveis no Brasil — e
avaliar se é necessário tomar alguma atitude para proteger essa
população mais jovem contra o câncer colorretal.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cglvdv78dk6o
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container