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2758968
Ano: 2016
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNRIO
Orgão: Pref. Nilópolis-RJ
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNRIO
Orgão: Pref. Nilópolis-RJ
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As Olimpíadas ocorrem de 4 em 4 anos. Este ano foi a 31ª edição das Olimpíadas modernas e aconteceu no Brasil. Participaram países de todos os continentes e as Américas ficaram com 22% do total de medalhas. Se foram distribuídas 2102 medalhas, as Américas ficaram aproximadamente com o seguinte número de medalhas:
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Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
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Atualmente, Ana Maria Machado, atuando como escritora há mais de quarenta anos, ocupa a cadeira número
um da Academia Brasileira de Letras. Sua biografia nos informa o seguinte:
Uma das coisas que dão mais alegria à Ana é ficar sabendo das atividades feitas com as histórias dela nas escolas pelo mundo
afora. Principalmente quando são as turmas de alfabetização, tendo os primeiros contatos com a leitura através da “Coleção
Mico Maneco” Ana Maria sempre lembra que começou a escrever essas histórias para ajudar seu filho a aprender a ler,
quando moravam longe do Brasil e ele estava sendo alfabetizado em outra língua. Agora, ela fica feliz em ver que, além de ter
dado certo com ele, funciona até hoje com muita gente mais.
Disponível em:http://www.anamariamachado.com/curiosidades. Acesso em: 15 out.2016.
Os métodos de alfabetização que partem do texto para posterior análise das partes (frases, palavras, sílabas e
fonemas) são conhecidos como
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Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
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MAR PORTUGUÊS
Fernando Pessoa
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, tantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
Deus ao mar o perigo e o abismo deu.
Mas nele espelhou o céu.
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Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Ser deficiente é privilégio de ser diferente
Uma cena usual no dia a dia de um parampa (que é
como os paraplégicos paulistas se denominam,
melhorzinho que o metálico chumbado, termo
preferido pelos cariocas): num estacionamento,
esperando o manobrista número um trazer o carro.
Se aproxima o manobrista número dois, olha minha
cadeira de rodas, o horizonte, e pergunta na lata: Foi
acidente? Olho rápido para a rua e devolvo: Onde?
Algum ferido? Melhor chamar uma ambulância! Vocês
têm telefone?
Outra cena: numa fila de espera, se aproxima um
sujeito, aponta a cadeira de rodas e diz: É duro, né?
Minha resposta: Não, é até confortável. Quer
experimentar? Mais uma: uma criança brincando
pelos corredores de um shopping me vê na cadeira e
pergunta: Por que você está na cadeira de rodas?
Devolvo: Porque eu quero. E você, por que não está na
sua? Já vi crianças me apontando e dizendo para os
pais: Quero uma igual àquela! Quando o pai vem se
desculpar (e não sei por quê, sempre se
desculpar), eu logo interrompo: Compre logo uma
para ele. Sem contar os incontáveis comentários tipo
Tem que se conformar, O que se pode fazer?, A vida tem
dessas coisas...
Peculiar curiosidade essa de saber se um
paraplégico é um acidentado ou de nascença. beira
da piscina de um hotel, lá vem o hóspede. Para ao
meu lado e solta um Foi acidente?. Antes que eu
vem
exibisse minha grosseria e impaciência, ele foi
avisando: Sou ortopedista. Costumo operar casos como o
seu. Aqui na região há muitos motoqueiros que se
acidentam... Entramos numa conversa técnica que
até poderia render se ele não dissesse, me olhando
nos olhos: Jesus cura isso aí.Antes que eu perguntasse
o endereço do consultório desse Jesus, ele
continuou: Você pode não acreditar, mas já o vi curando
muitos iguais a você. Eu não quero ser curado. Eu estou
bem assim costuma ser minha resposta que, se não
me engano, é verdadeira.
Aliás, Paulo Roberto, paraplégico, professor de
filosofia de Brasília, anunciou seu novo enunciado:
“Nós não devemos ser curados. Seria um trauma maior
que o próprio acidente. Não conseguiríamos reconstruir
uma terceira identidade. Não saberíamos administrar
nossa falta de diferença. O homem cultural, diferente do
homem natural, é aquele que constrói a si próprio, pelo
respeito ao que possa ter de igual e de diferente.” Foi
minha última e definitiva revelação nesses 13 anos
de paraplegia. Se alguém me ouvisse, um dia, nas
ruas do centro, dizendo a mim mesmo Que sorte ter
ficado paraplégico, não acreditaria. Mas eu disse:
Conheço um mundo que poucos conhecem. Sou diferente.
Sou um privilegiado.
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MAR PORTUGUÊS
Fernando Pessoa
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, tantas mães choraram
Quantos filhos em vão rezaram
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
Deus ao mar o perigo e o abismo deu.
Mas nele espelhou o céu.
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