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Vendedor de picolé de SC vira o “Rei do Ovo” e constrói um império no Brasil
Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
(Diário Catarinense -13/09/2023. Texto adaptado especialmente para essa prova).
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Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
(Diário Catarinense -13/09/2023. Texto adaptado especialmente para essa prova).
I. Nasceu em Santa Catarina e se mudou para o Rio de Janeiro. II. Começou como vendedor de picolé e hoje atua só no ramo do agro brasileiro. III. Respeita e tem cuidado com os horários dos funcionários.
Está(ao) correta(s):
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Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
(Diário Catarinense -13/09/2023. Texto adaptado especialmente para essa prova).
I. Não precisa de carteira assinada porque é empresário. II. Desde criança gostou da liberdade de ser empreendedor, trabalhando para si mesmo. III. Investe em um setor de “cauda longa”.
Está(ao) correta(s):
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Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
(Diário Catarinense -13/09/2023. Texto adaptado especialmente para essa prova).
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Vendedor de picolé de SC vira o “Rei do Ovo” e constrói um império no Brasil
Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
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Vendedor de picolé de SC vira o “Rei do Ovo” e constrói um império no Brasil
Empreendedor desde criança, quando, aos oito anos decidiu vender picolé na praia do Rincão, sul
de Santa Catarina, o empresário Ricardo Faria, 48 anos, hoje é acionista principal de negócios
bilionários no agro brasileiro. É fundador e presidente do conselho da Granja Faria, que tem sede
em Lauro Müller, SC, e atuação nacional, com produção de 16 milhões de ovos por dia.
O número significa a liderança nacional no setor e rendeu a Ricardo Faria o título informal de “Rei
do Ovo” do Brasil, que ele não simpatiza. [...] Ricardo Faria é um dos migrantes que vieram quando
criança para Santa Catarina. [...]. Nasceu em Niterói, Rio de Janeiro e mudou com a família para
Criciúma aos três anos de idade.
Um dos orgulhos de Ricardo Faria é nunca ter tido uma carteira de trabalho. Sentiu o gosto da
liberdade de ser empreendedor ainda criança, quando decidiu pilotar o carrinho de picolé sem pedir
autorização aos pais, na praia, durante as férias escolares. “[...] ganhava cerca de um salário mínimo
por final de semana. Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim. Não
tenho carteira de trabalho até hoje”.
[...] em busca de novas ideias em curso na Universidade de Harvard, nos EUA, [...] concluiu que
poderia seguir no agronegócio e investir em um setor de “cauda longa” (que significa venda de
várias coisas com baixa procura, ao invés de poucas coisas com alta procura).
[...] Estrategista e centrado no trabalho, ele disse que acorda às 4h da madrugada para fazer
academia e depois vai trabalhar cedo. Vai até perto das 20 horas e, depois, costuma dormir cedo [...]
Vale destacar que horário de trabalho na empresa tem recebido atenção. “A gente respeita os
horários de trabalho. Tínhamos uma equipe que trabalhava das 8h da manhã até as 4h da tarde. Aí, a
gente inverteu esses números. Passou a ser das 4h (da madrugada) às 8h da noite”, disse ele,
observando que era brincadeira.
(Diário Catarinense -13/09/2023. Texto adaptado especialmente para essa prova).
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A Beleza Total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam
diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não
ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do
banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes,
por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma
foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu
destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou
sem condições de vida e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou
pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de
Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
(https://www.cartasabertas.com.br/a-beleza-total-de-carlos-drummond-de-andrade/Carlos Drummond de
Andrade. Acesso em 11 set/2023)
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A Beleza Total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam
diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não
ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do
banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes,
por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma
foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu
destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou
sem condições de vida e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou
pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de
Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
(https://www.cartasabertas.com.br/a-beleza-total-de-carlos-drummond-de-andrade/Carlos Drummond de
Andrade. Acesso em 11 set/2023)
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A Beleza Total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam
diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não
ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do
banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes,
por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma
foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu
destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou
sem condições de vida e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou
pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de
Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
(https://www.cartasabertas.com.br/a-beleza-total-de-carlos-drummond-de-andrade/Carlos Drummond de
Andrade. Acesso em 11 set/2023)
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A Beleza Total
A beleza de Gertrudes fascinava todo mundo e a própria Gertrudes. Os espelhos pasmavam
diante de seu rosto, recusando-se a refletir as pessoas da casa e muito menos as visitas. Não
ousavam abranger o corpo inteiro de Gertrudes. Era impossível, de tão belo, e o espelho do
banheiro, que se atreveu a isto, partiu-se em mil estilhaços.
A moça já não podia sair à rua, pois os veículos paravam à revelia dos condutores, e estes,
por sua vez, perdiam toda capacidade de ação. Houve um engarrafamento monstro, que durou uma
semana, embora Gertrudes houvesse voltado logo para casa.
O Senado aprovou lei de emergência, proibindo Gertrudes de chegar à janela. A moça
vivia confinada num salão em que só penetrava sua mãe, pois o mordomo se suicidara com uma
foto de Gertrudes sobre o peito. Gertrudes não podia fazer nada. Nascera assim, este era o seu
destino fatal: a extrema beleza. E era feliz, sabendo-se incomparável. Por falta de ar puro, acabou
sem condições de vida e um dia cerrou os olhos para sempre. Sua beleza saiu do corpo e ficou
pairando, imortal. O corpo já então enfezado de Gertrudes foi recolhido ao jazigo, e a beleza de
Gertrudes continuou cintilando no salão fechado a sete chaves.
(https://www.cartasabertas.com.br/a-beleza-total-de-carlos-drummond-de-andrade/Carlos Drummond de
Andrade. Acesso em 11 set/2023)
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