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Os Amantes − Crônica de Rubem Braga
Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava,
um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem
vai atender. Mas o movimento era cortado no ar.
Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se
aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto
agudo nos apontando.
Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando
com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais
uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda
a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos
veículos dos quais nos chegava apenas um ruído
distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às
vezes o ruído do elevador.
Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso
andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os
passos na escada antes que eles se aproximassem. A
sala da frente estava sempre de luz apagada.
Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos
quietos. Um segundo, dois − e a campainha da porta
batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta
escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se
abríssemos, ele − fosse quem fosse − nos lançaria um
olhar, diria alguma coisa − e então o nosso mundo seria
invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar
que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido
por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia.
Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já
tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos
estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos
olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade
que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa
luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e
então era apenas uma pequena lâmpada no chão que
projetava nossas sombras nas paredes do quarto e
vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma
penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco
falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas
portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade
imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a
água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de
toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone
batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah,
nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita
hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós
dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos,
os outros, o resto da população do mundo nos esperava
para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou
tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que
ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo
trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão
louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós.
Que importa a uma grande cidade que haja um
apartamento fechado em alguns de seus milhares
edifícios − que importa que lá dentro não haja ninguém,
ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se
movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias
parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a
atacar.
O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se
alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro
vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a
campainha; esperava; apertava outra vez;
experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós
dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza
de que havia alguém lá dentro.
Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido
se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos
deixasse em nossa felicidade que fluía num
encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce,
essa espécie de saturação boa, como um veneno que
tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de
seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse
entrado na minha.
Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que
era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo
repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente
para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a
contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus
olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram
murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram
parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo
ensaio para que um movimento chamasse outro;
inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo
imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também
minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma
escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente,
calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que
horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um
vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu
nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti
vagamente que aquecia meus sapatos.
Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando
aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e
veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e
uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande
caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras;
comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho;
voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito,
como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas
absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para
compreender que o milagre se acabara; alguém viera e
batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e
então já havia também o carteiro querendo recibo de
uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi
preciso atender, e nosso mundo foi invadido,
atravessado, desfeito, perdido para sempre − senti que
ela me disse isto num instante, num olhar entretanto
lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que
não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de
tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil,
resignada esperança.
https://contobrasileiro.com.br/os-amantes-cronica-de-rubem-braga/
A partir desse trecho, é correto afirmar que o narrador quer mostrar que:
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Os Amantes − Crônica de Rubem Braga
Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava,
um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem
vai atender. Mas o movimento era cortado no ar.
Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se
aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto
agudo nos apontando.
Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando
com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais
uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda
a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos
veículos dos quais nos chegava apenas um ruído
distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às
vezes o ruído do elevador.
Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso
andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os
passos na escada antes que eles se aproximassem. A
sala da frente estava sempre de luz apagada.
Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos
quietos. Um segundo, dois − e a campainha da porta
batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta
escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se
abríssemos, ele − fosse quem fosse − nos lançaria um
olhar, diria alguma coisa − e então o nosso mundo seria
invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar
que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido
por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia.
Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já
tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos
estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos
olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade
que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa
luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e
então era apenas uma pequena lâmpada no chão que
projetava nossas sombras nas paredes do quarto e
vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma
penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco
falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas
portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade
imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a
água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de
toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone
batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah,
nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita
hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós
dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos,
os outros, o resto da população do mundo nos esperava
para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou
tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que
ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo
trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão
louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós.
Que importa a uma grande cidade que haja um
apartamento fechado em alguns de seus milhares
edifícios − que importa que lá dentro não haja ninguém,
ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se
movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias
parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a
atacar.
O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se
alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro
vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a
campainha; esperava; apertava outra vez;
experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós
dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza
de que havia alguém lá dentro.
Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido
se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos
deixasse em nossa felicidade que fluía num
encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce,
essa espécie de saturação boa, como um veneno que
tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de
seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse
entrado na minha.
Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que
era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo
repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente
para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a
contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus
olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram
murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram
parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo
ensaio para que um movimento chamasse outro;
inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo
imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também
minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma
escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente,
calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que
horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um
vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu
nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti
vagamente que aquecia meus sapatos.
Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando
aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e
veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e
uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande
caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras;
comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho;
voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito,
como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas
absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para
compreender que o milagre se acabara; alguém viera e
batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e
então já havia também o carteiro querendo recibo de
uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi
preciso atender, e nosso mundo foi invadido,
atravessado, desfeito, perdido para sempre − senti que
ela me disse isto num instante, num olhar entretanto
lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que
não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de
tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil,
resignada esperança.
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A partir do texto-base, analise as afirmativas a seguir:
I. O casal fica atento a cada som, campainha ou telefone, como se o mundo externo fosse uma ameaça ao seu espaço de intimidade.
II. O isolamento do casal faz com que eles se tornem incapazes de perceber a realidade externa.
III. A crônica mostra que momentos de amor absoluto e protegidos do mundo são intensos, mas temporários.
É correto o que se afirma em:
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Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava,
um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem
vai atender. Mas o movimento era cortado no ar.
Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se
aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto
agudo nos apontando.
Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando
com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais
uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda
a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos
veículos dos quais nos chegava apenas um ruído
distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às
vezes o ruído do elevador.
Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso
andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os
passos na escada antes que eles se aproximassem. A
sala da frente estava sempre de luz apagada.
Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos
quietos. Um segundo, dois − e a campainha da porta
batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta
escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se
abríssemos, ele − fosse quem fosse − nos lançaria um
olhar, diria alguma coisa − e então o nosso mundo seria
invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar
que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido
por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia.
Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já
tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos
estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos
olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade
que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa
luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e
então era apenas uma pequena lâmpada no chão que
projetava nossas sombras nas paredes do quarto e
vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma
penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco
falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas
portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade
imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a
água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de
toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone
batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah,
nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita
hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós
dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos,
os outros, o resto da população do mundo nos esperava
para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou
tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que
ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo
trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão
louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós.
Que importa a uma grande cidade que haja um
apartamento fechado em alguns de seus milhares
edifícios − que importa que lá dentro não haja ninguém,
ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se
movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias
parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a
atacar.
O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se
alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro
vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a
campainha; esperava; apertava outra vez;
experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós
dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza
de que havia alguém lá dentro.
Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido
se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos
deixasse em nossa felicidade que fluía num
encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce,
essa espécie de saturação boa, como um veneno que
tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de
seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse
entrado na minha.
Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que
era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo
repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente
para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a
contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus
olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram
murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram
parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo
ensaio para que um movimento chamasse outro;
inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo
imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também
minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma
escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente,
calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que
horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um
vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu
nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti
vagamente que aquecia meus sapatos.
Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando
aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e
veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e
uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande
caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras;
comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho;
voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito,
como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas
absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para
compreender que o milagre se acabara; alguém viera e
batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e
então já havia também o carteiro querendo recibo de
uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi
preciso atender, e nosso mundo foi invadido,
atravessado, desfeito, perdido para sempre − senti que
ela me disse isto num instante, num olhar entretanto
lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que
não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de
tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil,
resignada esperança.
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Assinale a alternativa CORRETA que, segundo o texto-base, revela o principal efeito do isolamento do casal.
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Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava,
um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem
vai atender. Mas o movimento era cortado no ar.
Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se
aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto
agudo nos apontando.
Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando
com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais
uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda
a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos
veículos dos quais nos chegava apenas um ruído
distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às
vezes o ruído do elevador.
Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso
andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os
passos na escada antes que eles se aproximassem. A
sala da frente estava sempre de luz apagada.
Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos
quietos. Um segundo, dois − e a campainha da porta
batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta
escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se
abríssemos, ele − fosse quem fosse − nos lançaria um
olhar, diria alguma coisa − e então o nosso mundo seria
invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar
que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido
por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia.
Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já
tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos
estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos
olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade
que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa
luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e
então era apenas uma pequena lâmpada no chão que
projetava nossas sombras nas paredes do quarto e
vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma
penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco
falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas
portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade
imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a
água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de
toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone
batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah,
nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita
hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós
dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos,
os outros, o resto da população do mundo nos esperava
para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou
tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que
ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo
trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão
louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós.
Que importa a uma grande cidade que haja um
apartamento fechado em alguns de seus milhares
edifícios − que importa que lá dentro não haja ninguém,
ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se
movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias
parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a
atacar.
O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se
alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro
vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a
campainha; esperava; apertava outra vez;
experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós
dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza
de que havia alguém lá dentro.
Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido
se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos
deixasse em nossa felicidade que fluía num
encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce,
essa espécie de saturação boa, como um veneno que
tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de
seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse
entrado na minha.
Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que
era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo
repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente
para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a
contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus
olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram
murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram
parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo
ensaio para que um movimento chamasse outro;
inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo
imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também
minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma
escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente,
calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que
horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um
vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu
nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti
vagamente que aquecia meus sapatos.
Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando
aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e
veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e
uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande
caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras;
comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho;
voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito,
como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas
absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para
compreender que o milagre se acabara; alguém viera e
batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e
então já havia também o carteiro querendo recibo de
uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi
preciso atender, e nosso mundo foi invadido,
atravessado, desfeito, perdido para sempre − senti que
ela me disse isto num instante, num olhar entretanto
lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que
não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de
tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil,
resignada esperança.
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É correto afirmar que essa passagem do texto indica:
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Nos dois primeiros dias, sempre que o telefone tocava,
um de nós esboçava um movimento, um gesto de quem
vai atender. Mas o movimento era cortado no ar.
Ficávamos imóveis, ouvindo a campainha bater,
silenciar, bater outra vez. Havia um certo susto, como se
aquele trinado repetido fosse uma acusação, um gesto
agudo nos apontando.
Era preciso que ficássemos imóveis, talvez respirando
com mais cuidado, até que o aparelho silenciasse. Então
tínhamos um suspiro de alívio. Havíamos vencido mais
uma vez os nossos inimigos. Nossos inimigos eram toda
a população da cidade imensa, que transitava lá fora nos
veículos dos quais nos chegava apenas um ruído
distante de motores, a sinfonia abafada das buzinas, às
vezes o ruído do elevador.
Sabíamos quando alguém parava o elevador em nosso
andar; tínhamos o ouvido apurado, pressentíamos os
passos na escada antes que eles se aproximassem. A
sala da frente estava sempre de luz apagada.
Sentíamos, lá fora, o emissário do inimigo. Esperávamos
quietos. Um segundo, dois − e a campainha da porta
batia, alto, rascante. Ali, a dois metros, atrás da porta
escura, estava respirando e esperando um inimigo. Se
abríssemos, ele − fosse quem fosse − nos lançaria um
olhar, diria alguma coisa − e então o nosso mundo seria
invadido.
No segundo dia ainda hesitamos; mas resolvemos deixar
que o pão e o leite ficassem lá fora; o jornal era remetido
por baixo da porta, mas nenhum de nós o recolhia.
Nossas provisões eram pequenas; no terceiro dia já
tomávamos café sem açúcar, no quarto a despensa estava praticamente vazia. No apartamento mal
iluminado íamos emagrecendo de felicidade. Devíamos
estar ficando pálidos, e às vezes, unidos, olhos nos
olhos, nos perguntávamos se tudo não era um sonho.
O relógio parara, havia apenas aquela tênue claridade
que vinha das janelas sempre fechadas. Mais tarde essa
luz do dia distante, do dia dos outros, ia se perdendo, e
então era apenas uma pequena lâmpada no chão que
projetava nossas sombras nas paredes do quarto e
vagamente escoava pelo corredor, lançava ainda uma
penumbra confusa na sala, onde não íamos mais. Pouco
falávamos: se o inimigo estivesse escutando às nossas
portas, mal ouviria vagos murmúrios; e a nossa felicidade
imensa era ponteada de alegrias menores e inocentes, a
água forte e grossa do chuveiro, a fartura festiva de
toalhas limpas, de lençóis de linho.
O mundo ia pouco a pouco desistindo de nós; o telefone
batia menos e a campainha da porta quase nunca. Ah,
nós tínhamos vindo de muito e muito amargor, muita
hesitação, longa tortura e remorso; agora a vida era nós
dois apenas. Sabíamos estar condenados; os inimigos,
os outros, o resto da população do mundo nos esperava
para lançar olhares, dizer coisas, ferir com maldade ou
tristeza o nosso mundo, nosso pequeno mundo que
ainda podíamos defender um dia ou dois, nosso mundo
trêmulo de felicidade, sonâmbulo, irreal, fechado, e tão
louco e tão bobo e tão bom como nunca mais haverá.
No sexto dia sentimos que tudo conspirava contra nós.
Que importa a uma grande cidade que haja um
apartamento fechado em alguns de seus milhares
edifícios − que importa que lá dentro não haja ninguém,
ou que um homem e uma mulher ali estejam, pálidos, se
movendo na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns dois ou três dias
parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a
atacar.
O telefone tocava, batia dez, quinze vezes, calava-se
alguns minutos, voltava a chamar: e assim três, quatro
vezes sucessivas. Alguém vinha e apertava a
campainha; esperava; apertava outra vez;
experimentava a maçaneta da porta; batia com os nós
dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza
de que havia alguém lá dentro.
Ficávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido
se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida, nos
deixasse em nossa felicidade que fluía num
encantamento constante. Eu sentia dentro de mim, doce,
essa espécie de saturação boa, como um veneno que
tonteia, como se os meus cabelos já tivesse o cheiro de
seus cabelos, como se o cheiro de sua pele tivesse
entrado na minha.
Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que
era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo
repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado de frente
para a janela, por onde filtrava um eco pálido de luz, eu a
contemplava tão pura e nua, ela disse: "Meu Deus, seus
olhos estão esverdeando".
Nossas palavras baixas eram
murmuradas pela mesma voz, nossos gestos eram
parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo
ensaio para que um movimento chamasse outro;
inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo
imperceptível como um lento bailado.
Mas naquela manhã ela se sentiu tonta, e senti também
minha fraqueza; resolvi sair, era preciso dar uma
escapada para obter víveres; vesti-me, lentamente,
calcei os sapatos como quem faz algo de estranho; que
horas seriam? Quando cheguei à rua e olhei, com um
vago temor, um sol extraordinariamente claro me bateu
nos olhos, na cara, desceu pela minha roupa, senti
vagamente que aquecia meus sapatos.
Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando
aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e
veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira, e
uma sensação dolorosa no estômago. Havia um grande
caminhão vendendo uvas, pequenas uvas escuras;
comprei cinco quilos, o homem fez um grande embrulho;
voltei, carregando aquele embrulho de encontro ao peito,
como se fosse a minha salvação.
E levei dois, três minutos, na sala de janelas
absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para
compreender que o milagre se acabara; alguém viera e
batera à porta e ela abrira pensando que fosse eu, e
então já havia também o carteiro querendo recibo de
uma carta registrada e, quando o telefone bateu, foi
preciso atender, e nosso mundo foi invadido,
atravessado, desfeito, perdido para sempre − senti que
ela me disse isto num instante, num olhar entretanto
lento (achei seus olhos muito claros, há muito tempo que
não os via assim, em plena luz) um olhar de apelo e de
tristeza, onde, entretanto, ainda havia uma inútil,
resignada esperança.
https://contobrasileiro.com.br/os-amantes-cronica-de-rubem-braga/
Assinale a alternativa CORRETA que apresenta melhor o significado de "inimigos" no texto.
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Questão presente nas seguintes provas
O pequeno mamífero que pode guardar o segredo
genético para a vida longa
Eles são roedores subterrâneos estranhos e sem pelos,
que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de
revelar um segredo genético para a longevidade.
Um novo estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu
que estes animais evoluíram para criar um mecanismo
de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem
tanto tempo.
Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um
período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se
do roedor com maior expectativa de vida longa do
planeta.
As novas descobertas foram publicadas pela revista
Science. Elas podem também esclarecer por que o
rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de
doenças relativas à idade avançada.
Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à
deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso,
muitos cientistas querem saber como o corpo deles
funciona.
O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade
Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA,
um processo natural nas células do corpo.
Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção
genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo
que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos
seja usada como modelo para reparar o estrago.
A pesquisa se concentrou em uma proteína específica,
envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos.
Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma
proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas
funções. Mas o interessante para os cientistas é que,
nos seres humanos, esta substância interrompe o
processo de reparo do DNA.
Os cientistas acreditam que esta interferência pode
promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida.
Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores
descobriram que a mesma proteína faz exatamente o
contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e
mantém intacto o código genético em cada célula.
O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e
envelhecimento na Universidade de Cambridge, no
Reino Unido.
Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele,
esta é "a ponta do iceberg" para compreendermos por
que esses animais vivem por períodos tão longos.
"Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego
biológica", compara ele, "o mesmo formato básico em
seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no
rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que
permite que eles montem uma estrutura e função
completamente diferentes."
Balmus explica que, depois de milhões de anos de
evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente
reprogramou o mesmo processo e "o usou em seu
benefício".
"Esta descoberta levanta questões fundamentais: como
a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de
forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado
ou faz parte de um padrão evolutivo maior?
E, o mais importante, os cientistas querem saber o que
eles podem aprender com estes roedores para melhorar
a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida
com o avanço da idade.
"Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à
biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas
terapias necessárias para uma sociedade que está
envelhecendo", conclui o professor.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg43yv49qv7o
(__) O vocábulo 'evoluíram' obedece à mesma regra de acentuação que a palavra 'miúdo'.
(__) O vocábulo 'proteína' é acentuado por ser uma paroxítona terminada em 'a', enquanto 'espécie' é acentuado por ser uma paroxítona terminada em 'e'.
(__) vocábulo 'pelos' antes do Novo Acordo Ortográfico era acentuado em 'pêlos'.
(__) Os vocábulos 'células' e 'mamífero' são acentuados pela mesma regra, diferentemente do vocábulo 'específica', que segue outra regra de acentuação.
A sequência que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
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O pequeno mamífero que pode guardar o segredo
genético para a vida longa
Eles são roedores subterrâneos estranhos e sem pelos,
que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de
revelar um segredo genético para a longevidade.
Um novo estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu
que estes animais evoluíram para criar um mecanismo
de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem
tanto tempo.
Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um
período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se
do roedor com maior expectativa de vida longa do
planeta.
As novas descobertas foram publicadas pela revista
Science. Elas podem também esclarecer por que o
rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de
doenças relativas à idade avançada.
Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à
deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso,
muitos cientistas querem saber como o corpo deles
funciona.
O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade
Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA,
um processo natural nas células do corpo.
Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção
genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo
que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos
seja usada como modelo para reparar o estrago.
A pesquisa se concentrou em uma proteína específica,
envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos.
Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma
proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas
funções. Mas o interessante para os cientistas é que,
nos seres humanos, esta substância interrompe o
processo de reparo do DNA.
Os cientistas acreditam que esta interferência pode
promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida.
Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores
descobriram que a mesma proteína faz exatamente o
contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e
mantém intacto o código genético em cada célula.
O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e
envelhecimento na Universidade de Cambridge, no
Reino Unido.
Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele,
esta é "a ponta do iceberg" para compreendermos por
que esses animais vivem por períodos tão longos.
"Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego
biológica", compara ele, "o mesmo formato básico em
seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no
rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que
permite que eles montem uma estrutura e função
completamente diferentes."
Balmus explica que, depois de milhões de anos de
evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente
reprogramou o mesmo processo e "o usou em seu
benefício".
"Esta descoberta levanta questões fundamentais: como
a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de
forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado
ou faz parte de um padrão evolutivo maior?
E, o mais importante, os cientistas querem saber o que
eles podem aprender com estes roedores para melhorar
a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida
com o avanço da idade.
"Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à
biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas
terapias necessárias para uma sociedade que está
envelhecendo", conclui o professor.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg43yv49qv7o
Considerando o texto-base, identifique a afirmativa INCORRETA:
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O pequeno mamífero que pode guardar o segredo
genético para a vida longa
Eles são roedores subterrâneos estranhos e sem pelos,
que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de
revelar um segredo genético para a longevidade.
Um novo estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu
que estes animais evoluíram para criar um mecanismo
de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem
tanto tempo.
Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um
período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se
do roedor com maior expectativa de vida longa do
planeta.
As novas descobertas foram publicadas pela revista
Science. Elas podem também esclarecer por que o
rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de
doenças relativas à idade avançada.
Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à
deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso,
muitos cientistas querem saber como o corpo deles
funciona.
O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade
Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA,
um processo natural nas células do corpo.
Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção
genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo
que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos
seja usada como modelo para reparar o estrago.
A pesquisa se concentrou em uma proteína específica,
envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos.
Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma
proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas
funções. Mas o interessante para os cientistas é que,
nos seres humanos, esta substância interrompe o
processo de reparo do DNA.
Os cientistas acreditam que esta interferência pode
promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida.
Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores
descobriram que a mesma proteína faz exatamente o
contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e
mantém intacto o código genético em cada célula.
O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e
envelhecimento na Universidade de Cambridge, no
Reino Unido.
Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele,
esta é "a ponta do iceberg" para compreendermos por
que esses animais vivem por períodos tão longos.
"Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego
biológica", compara ele, "o mesmo formato básico em
seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no
rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que
permite que eles montem uma estrutura e função
completamente diferentes."
Balmus explica que, depois de milhões de anos de
evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente
reprogramou o mesmo processo e "o usou em seu
benefício".
"Esta descoberta levanta questões fundamentais: como
a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de
forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado
ou faz parte de um padrão evolutivo maior?
E, o mais importante, os cientistas querem saber o que
eles podem aprender com estes roedores para melhorar
a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida
com o avanço da idade.
"Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à
biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas
terapias necessárias para uma sociedade que está
envelhecendo", conclui o professor.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg43yv49qv7o
Com base na concordância verbal analise as afirmativas a seguir:
I. O verbo 'morar' está flexionado no singular para concordar corretamente com o sujeito 'mamífero' , que também está no singular.
II. Como 'espécie' indica um coletivo, o verbo 'morar' poderia também ser flexionado no plural em 'moram', conforme permite a gramática normativa.
III. O verbo 'tratar' está no singular porque concorda com 'roedor', que é o sujeito da oração.
IV. O verbo 'tratar' está no singular devido a uma regra distinta da que rege a concordância em "Aluga-se casa de praia".
É correto o que se afirma em:
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que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de
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Um novo estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu
que estes animais evoluíram para criar um mecanismo
de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem
tanto tempo.
Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um
período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se
do roedor com maior expectativa de vida longa do
planeta.
As novas descobertas foram publicadas pela revista
Science. Elas podem também esclarecer por que o
rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de
doenças relativas à idade avançada.
Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à
deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso,
muitos cientistas querem saber como o corpo deles
funciona.
O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade
Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA,
um processo natural nas células do corpo.
Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção
genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo
que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos
seja usada como modelo para reparar o estrago.
A pesquisa se concentrou em uma proteína específica,
envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos.
Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma
proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas
funções. Mas o interessante para os cientistas é que,
nos seres humanos, esta substância interrompe o
processo de reparo do DNA.
Os cientistas acreditam que esta interferência pode
promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida.
Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores
descobriram que a mesma proteína faz exatamente o
contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e
mantém intacto o código genético em cada célula.
O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e
envelhecimento na Universidade de Cambridge, no
Reino Unido.
Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele,
esta é "a ponta do iceberg" para compreendermos por
que esses animais vivem por períodos tão longos.
"Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego
biológica", compara ele, "o mesmo formato básico em
seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no
rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que
permite que eles montem uma estrutura e função
completamente diferentes."
Balmus explica que, depois de milhões de anos de
evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente
reprogramou o mesmo processo e "o usou em seu
benefício".
"Esta descoberta levanta questões fundamentais: como
a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de
forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado
ou faz parte de um padrão evolutivo maior?
E, o mais importante, os cientistas querem saber o que
eles podem aprender com estes roedores para melhorar
a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida
com o avanço da idade.
"Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à
biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas
terapias necessárias para uma sociedade que está
envelhecendo", conclui o professor.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg43yv49qv7o
(__) O mamífero possui resistência a doenças relacionadas à idade.
(__) O mamífero possui mecanismo de reparo de DNA eficiente.
(__) No mamífero, houve evolução adaptativa da proteína c-GAS.
(__) O rato-toupeira-pelado é o roedor com maior expectativa de vida conhecida.
A sequência de itens que preenche corretamente os itens acima, de cima para baixo, é:
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genético para a vida longa
Eles são roedores subterrâneos estranhos e sem pelos,
que parecem linguiças com dentes. Mas acabaram de
revelar um segredo genético para a longevidade.
Um novo estudo do bizarro rato-toupeira-pelado concluiu
que estes animais evoluíram para criar um mecanismo
de reparo de DNA que pode explicar por que eles vivem
tanto tempo.
Esta espécie de mamífero mora em tocas e tem um
período de vida máximo de cerca de 40 anos. Trata-se
do roedor com maior expectativa de vida longa do
planeta.
As novas descobertas foram publicadas pela revista
Science. Elas podem também esclarecer por que o
rato-toupeira-pelado é resistente a uma vasta série de
doenças relativas à idade avançada.
Estes animais são resistentes ao câncer, à artrite e à
deterioração do cérebro e da medula espinhal. Por isso,
muitos cientistas querem saber como o corpo deles
funciona.
O estudo foi liderado por uma equipe da Universidade
Tonji em Xangai, na China. O foco foi o reparo do DNA,
um processo natural nas células do corpo.
Quando fitas de DNA (os nosso blocos de construção
genética) são danificados, o corpo aciona um mecanismo
que faz com que outra fita de DNA que não sofreu danos
seja usada como modelo para reparar o estrago.
A pesquisa se concentrou em uma proteína específica,
envolvida nesse sistema de detecção e reparo de danos.
Quando uma célula identifica o dano, ela produz uma
proteína chamada c-GAS, que desempenha diversas
funções. Mas o interessante para os cientistas é que,
nos seres humanos, esta substância interrompe o
processo de reparo do DNA.
Os cientistas acreditam que esta interferência pode
promover o câncer e reduzir nosso tempo de vida.
Mas, no rato-toupeira-pelado, os pesquisadores
descobriram que a mesma proteína faz exatamente o
contrário. Ela ajuda o corpo a corrigir fitas de DNA e
mantém intacto o código genético em cada célula.
O professor Gabriel Balmus estuda o reparo de DNA e
envelhecimento na Universidade de Cambridge, no
Reino Unido.
Ele declarou que a descoberta é animadora. Para ele,
esta é "a ponta do iceberg" para compreendermos por
que esses animais vivem por períodos tão longos.
"Você pode pensar no cGAS como uma peça de Lego
biológica", compara ele, "o mesmo formato básico em
seres humanos e ratos-toupeiras-pelados. Mas, no
rato-toupeira, alguns conectores são invertidos, o que
permite que eles montem uma estrutura e função
completamente diferentes."
Balmus explica que, depois de milhões de anos de
evolução, o rato-toupeira-pelado aparentemente
reprogramou o mesmo processo e "o usou em seu
benefício".
"Esta descoberta levanta questões fundamentais: como
a evolução reprogramou a mesma proteína para agir de
forma contrária? O que mudou? Este é um caso isolado
ou faz parte de um padrão evolutivo maior?
E, o mais importante, os cientistas querem saber o que
eles podem aprender com estes roedores para melhorar
a saúde humana e ampliar a nossa qualidade de vida
com o avanço da idade.
"Acho que, se pudermos aplicar a engenharia reversa à
biologia do rato-toupeira-pelado, podemos criar muitas
terapias necessárias para uma sociedade que está
envelhecendo", conclui o professor.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cg43yv49qv7o
Os vocábulos 'novas' e 'publicadas' estão flexionados adequadamente no plural para concordar com 'descobertas'. Agora, analise as concordâncias nominais nos enunciados a seguir:
I. Consideraram falsa a pulseira e o anel.
II. Os alunos mesmos definiram o tema do trabalho
III. Muito obrigado, retrucou a moça.
IV. melancia estava meia estragada.
Quanto à concordância nominal, estão corretas:
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