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Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9.394/1996, que define e
regulariza a organização da educação brasileira com base nos princípios presentes na Constituição, o
Estado deve oferecer obrigatoriamente educação escolar pública e gratuita a todos os cidadãos brasileiros.
Assim, assinale abaixo a alternativa que correspondente às etapas da Educação Básica brasileira, que
segundo a referida Lei devem ser obrigatoriamente ofertadas pelo Estado:
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Sobre as diretrizes previstas no art. 2º do Plano Nacional de Educação (2014-2024), aprovado pela Lei nº
13.005, de 25 de junho de 2014, objetivando cumprir com o disposto do art. 214 da Constituição Federal
de 1988, assinale a alternativa que não está alinhada ao que pressupõe o plano:
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Considerando o direito à educação e o dever de educar, previstos na Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDBEN) nº 9.394/1996, o dever do Estado com a educação escolar pública será efetivado
mediante a garantia de:
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2711827
Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UniRV
Orgão: Pref. Rio Verde-GO
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UniRV
Orgão: Pref. Rio Verde-GO
O problema e sua definição
Todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem. Compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade
humana, o que, é claro, não contradiz a unidade nacional de uma língua. O emprego da língua efetua-se
em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele
campo da atividade humana. Esses enunciados refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos
recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua construção
composicional. Todos esses três elementos – o conteúdo temático, o estilo e a construção composicional –
estão indissoluvelmente ligados no todo do enunciado e são igualmente determinados pela especificidade
de um determinado campo da comunicação. Evidentemente, cada enunciado particular é individual, mas
cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais
denominamos gêneros do discurso.
A riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as
possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o
repertório de gênero do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e se complexifica
um determinado campo. Cabe salientar em especial a extrema heterogeneidade dos gêneros do discurso
(orais e escritos), nos quais devemos incluir as breves réplicas do diálogo do cotidiano (saliente-se que a
diversidade das modalidades de diálogo do cotidiano é extraordinariamente grande em função do seu tema,
da situação e da composição dos participantes), o relato do dia a dia, a carta (em todas as suas diversas
formas), o comando militar lacônico padronizado, a ordem desdobrada e detalhada, o repertório bastante
vário (padronizado na maioria dos casos) dos documentos oficiais e o diversificado universo das
manifestações publicísticas (no amplo sentido do termo: sociais, políticas): mas aí também devemos incluir
as variadas formas das manifestações científicas e todos os gêneros literários (do provérbio ao romance de
muitos volumes). [...]
BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: –––. Estética da criação verbal, 6 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011
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2711826
Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UniRV
Orgão: Pref. Rio Verde-GO
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UniRV
Orgão: Pref. Rio Verde-GO
Barcos de Papel
Quando a chuva cessava e um vento fino Franzia a tarde tímida e lavada, Eu saía a brincar, pela calçada, Nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada; E, estendendo o meu braço pequenino, Eu soltava os barquinhos, sem destino, Ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles, Que não são barcos de ouro os meus ideais: São feitos de papel, são como aqueles,
Perfeitamente, exatamente iguais... — Que os meus barquinhos, lá se foram eles! Foram-se embora e não voltaram mais!
ALMEIDA, Guilherme de. Disponível em: <https://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos escolhidos>.Acesso em: 24 mar. 2023.
No contexto literário, o gênero lírico apresenta diversas formas poéticas, numa combinação intrincada de subjetividade, musicalidade, sentimentos e emoções, evidenciando uma linguagem figurada e carregada de significados. No caso específico do poema acima, é possível afirmar que:
Quando a chuva cessava e um vento fino Franzia a tarde tímida e lavada, Eu saía a brincar, pela calçada, Nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada; E, estendendo o meu braço pequenino, Eu soltava os barquinhos, sem destino, Ao longo das sarjetas, na enxurrada...
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles, Que não são barcos de ouro os meus ideais: São feitos de papel, são como aqueles,
Perfeitamente, exatamente iguais... — Que os meus barquinhos, lá se foram eles! Foram-se embora e não voltaram mais!
ALMEIDA, Guilherme de. Disponível em: <https://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm%3Fsid%3D186/textos escolhidos>.Acesso em: 24 mar. 2023.
No contexto literário, o gênero lírico apresenta diversas formas poéticas, numa combinação intrincada de subjetividade, musicalidade, sentimentos e emoções, evidenciando uma linguagem figurada e carregada de significados. No caso específico do poema acima, é possível afirmar que:
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Assinale a alternativa em que o a deve receber acento indicativo de crase:
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As Maravilhas da Fazenda Paraíso
No terreiro rústico da Fazenda Paraíso, nos anos da minha adolescência, era certa e esperada aquela comunicação anual. [...] Vinha dos campos e da mangueira um cheiro fecundo de vegetais e de apojo, mugidos intercalados da vacada, que à tarde mansamente descia dos pastos, procurando a frente da fazenda. O terreiro rústico participava desses encantamentos. Naquela comunhão sagrada e rotineira, a gente se sentia feliz e nem se lembrava de que não havia nenhum dinheiro na casa. Pela manhã, muito cedo, meu avô ia verificar o moinho de fubá de milho, o rendimento da noite. O velho e pesado monjolo subia e descia compassado, escachoando água do cocho, cavado no madeirame pesado e bruto. [...] E partia das mangueiras e abacateiros frondosos o arrulho gemido da juriti. Às sete horas, vinha para cima da grande mesa familiar, rodeada de bancos pesados e rudes, a grande panela de mucilagem, mingau de fubá canjica, fino e adocicado, cozido no leite ainda morno do curral. [...] Comia-se com vontade e comida tão boa como aquela nunca houve em parte alguma. O arroz, fumaçando numa travessa imensa de louça antiga, rescendia a pimenta de cheiro. O frango ensopado em molho de açafrão e cebolinha verde, e mais coentro e salsa. O feijão saboroso, a couve com torresmos, enfarinhada ou rasgadinha à mineira, mandioca adocicada e farinha, ainda quentinha da torrada. Comia-se à moda velha. Repetia-se o bocado, rapava-se o prato. Depois, o quintal, os engenhos, o goiabal, os cajueiros, o rego-d’água. Tínhamos ali o nosso Universo. Vivia-se na Paz de Deus. Eram essas coisas na Fazenda Paraíso. E como todo paraíso, só valeu depois de perdido.
CORALINA, Cora. Melhores Poemas: Cora Coralina; seleção Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2017.
Nesse poema de Cora Coralina, nota-se que o leitor é naturalmente levado a deleitar-se no universo poético idílico, cujos versos representam a ativação da memória, utilizando formas imagéticas e linguísticas que evidenciam lembranças carregadas de afetividade, simplicidade e nostalgia. Assim, a figura de linguagem empregada como recurso expressivo, na construção estético-literária do poema, é:
No terreiro rústico da Fazenda Paraíso, nos anos da minha adolescência, era certa e esperada aquela comunicação anual. [...] Vinha dos campos e da mangueira um cheiro fecundo de vegetais e de apojo, mugidos intercalados da vacada, que à tarde mansamente descia dos pastos, procurando a frente da fazenda. O terreiro rústico participava desses encantamentos. Naquela comunhão sagrada e rotineira, a gente se sentia feliz e nem se lembrava de que não havia nenhum dinheiro na casa. Pela manhã, muito cedo, meu avô ia verificar o moinho de fubá de milho, o rendimento da noite. O velho e pesado monjolo subia e descia compassado, escachoando água do cocho, cavado no madeirame pesado e bruto. [...] E partia das mangueiras e abacateiros frondosos o arrulho gemido da juriti. Às sete horas, vinha para cima da grande mesa familiar, rodeada de bancos pesados e rudes, a grande panela de mucilagem, mingau de fubá canjica, fino e adocicado, cozido no leite ainda morno do curral. [...] Comia-se com vontade e comida tão boa como aquela nunca houve em parte alguma. O arroz, fumaçando numa travessa imensa de louça antiga, rescendia a pimenta de cheiro. O frango ensopado em molho de açafrão e cebolinha verde, e mais coentro e salsa. O feijão saboroso, a couve com torresmos, enfarinhada ou rasgadinha à mineira, mandioca adocicada e farinha, ainda quentinha da torrada. Comia-se à moda velha. Repetia-se o bocado, rapava-se o prato. Depois, o quintal, os engenhos, o goiabal, os cajueiros, o rego-d’água. Tínhamos ali o nosso Universo. Vivia-se na Paz de Deus. Eram essas coisas na Fazenda Paraíso. E como todo paraíso, só valeu depois de perdido.
CORALINA, Cora. Melhores Poemas: Cora Coralina; seleção Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2017.
Nesse poema de Cora Coralina, nota-se que o leitor é naturalmente levado a deleitar-se no universo poético idílico, cujos versos representam a ativação da memória, utilizando formas imagéticas e linguísticas que evidenciam lembranças carregadas de afetividade, simplicidade e nostalgia. Assim, a figura de linguagem empregada como recurso expressivo, na construção estético-literária do poema, é:
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A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)
A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de
Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de
seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente
confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura
são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e
(por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de
versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma
de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do
presente. [...]
Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada
um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada
estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito
crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William
vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho
representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis
professores.
Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se
não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes
pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos
leitores.
[...]
O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da
pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa.
A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem
dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores
competentes para o texto e para a vida.
[...]
BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
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A ESCOLA AINDA TEM LUGAR PARA A FORMAÇÃO DE LEITORES COMPETENTES?
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada.
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
(Fernando Pessoa)
A epígrafe deste texto, um fragmento do poema "Liberdade", incluído na obra Cancioneiro de
Fernando Pessoa, certamente daria aos adolescentes de hoje muito pano para manga. Visto assim, fora de
seu contexto poético, descolado do conjunto da produção do grande poeta português, poderia facilmente
confundir-se com a voz de um estudante, confirmando a imagem de que estudar, ler e conhecer literatura
são coisas sem sabor, ligadas ao universo da obrigação, distantes dos prazeres encontrados na natureza e
(por que não?) na vida. Mas poderia, também, dependendo do que o professor faz com esse conjunto de
versos, de como os faz chegar aos alunos, funcionar como elo entre as gerações "pós-modernas", sua forma
de sentir e se relacionar com o mundo, e essa fala viva que vem do passado, inteiramente impregnada do
presente. [...]
Penso que esta é a motivação do trabalho que William Cereja vem desenvolvendo há anos. Cada
um de seus livros revela a busca incessante de caminhos capazes de despertar o leitor adormecido em cada
estudante, de confrontá-lo com as linguagens que o cercam, de impulsioná-lo para a condição de sujeito
crítico. Entretanto, como autor participante e em permanente contato com professores e alunos, William
vivencia uma realidade brutal: os alunos estão cada vez mais despreparados para ler, apesar do empenho
representado pelas diretrizes curriculares, pelas normas institucionais, pelas escolas e pelos incansáveis
professores.
Esta constatação pode parecer desanimadora, uma vez que o despreparo dos estudantes revela-se
não apenas diante do texto literário, mas diante de qualquer tipo de texto, como confirmam diferentes
pesquisas. Foi ela, entretanto, que motivou William a esboçar mais um gesto em direção à leitura e aos
leitores.
[...]
O trabalho que está diante do leitor, portanto, é obra de um autor múltiplo, sujeito do ensino, da
pesquisa e da proposição de consistentes alternativas. [...]
Se terminasse aí, o trabalho não seria assinado por William Cereja e sua visão crítica e participativa.
A proposta de implementar o que ele denomina "perspectiva dialógica do texto literário" parece, sem
dúvida, uma saída possível para que a escola se afirme (re-afirme?) como um lugar de formação de leitores
competentes para o texto e para a vida.
[...]
BRAIT, Beth. A escola ainda tem lugar para a formação de leitores competentes? Prefácio. In: –––. CEREJA, William Roberto. Ensino de literatura: uma proposta dialógica para o trabalho com literatura. São Paulo: Atual, 2005.
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Hoje não escrevo
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos. Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário. O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. [...] E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? [...] Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. [...]
Disponível em: <https://www.blogderocha.com.br/hoje-nao-escrevo-carlos-drummond-de-andrade/>. Acesso em: 25 mar. 2023.
Carlos Drummond de Andrade, nome indispensável para a história da Literatura Brasileira, é autor do texto “Hoje não escrevo”, que se configura como sendo:
Chega um dia de falta de assunto. Ou, mais propriamente, de falta de apetite para os milhares de assuntos. Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário. O que você perde em viver, escrevinhando sobre a vida. Não apenas o sol, mas tudo que ele ilumina. [...] E então vem o tédio. De Senhor dos Assuntos, passar a espectador enfastiado de espetáculo. Tantos fatos simultâneos e entrechocantes, o absurdo promovido a regra de jogo, excesso de vibração, dificuldade em abranger a cena com o simples par de olhos e uma fatigada atenção. Tudo se repete na linha do imprevisto, pois ao imprevisto sucede outro, num mecanismo de monotonia explosiva. Na hora ingrata de escrever, como optar entre as variedades de insólito? E que dizer, que não seja invalidado pelo acontecimento de logo mais, ou de agora mesmo? [...] Entretanto, aí está você, casmurro e indisposto para a tarefa de encher o papel de sinaizinhos pretos. [...]
Disponível em: <https://www.blogderocha.com.br/hoje-nao-escrevo-carlos-drummond-de-andrade/>. Acesso em: 25 mar. 2023.
Carlos Drummond de Andrade, nome indispensável para a história da Literatura Brasileira, é autor do texto “Hoje não escrevo”, que se configura como sendo:
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