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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida que ela trazia em si (3° parágrafo) Na frase acima, o que retoma o termo
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. (2º parágrafo) A palavra sublinhada pode ser substituída se prejuízo do sentido global do texto por.
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
A palavra que foi acentuada pelo mesmo motivo de "dinâmica" é:
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
O texto trabalhado nos mostra uma mulher que sente, desde criança, a necessidade da rapidez e da velocidade. Tal necessidade se dá em função de uma sensação de vazio, que ela procura preencher ao estar sempre em atividade ou à procura de uma atividade. A alternativa que contém trecho do texto que justifique a afirmação anterior é:
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. (2° parágrafo) No trecho acima, percebe-se que a narrativa funde, em uma só noção, o tempo e o espaço. Isso é possível de ser percebido porque:
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. (3° parágrafo) As palavras sublinhadas no trecho acima são verbos no gerúndio. O efeito de sentido que a autora procurou estabelecer ao usar esses verbos foi:
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. (2° parágrafo) Entre o primeiro e o segundo períodos do trecho acima se estabelece uma relação de:
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O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. (1º parágrafo) O significado que o verbo ganhar tem no trecho acima é:
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O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. (1° parágrafo) A alternativa que contém todas as palavras e expressões com mesma classificação gramatical da palavra sublinhada no trecho acima é:
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Texto: O COOPER DE CIDA (trecho)
O sol vinha nascendo molhado na praia de Copacabana. A indecisão do tempo, a manhã vagabunda nos olhos sonolentos dos moradores de rua, o trabalho inconsequente das ondas em seu fazer e desfazer, tudo isto comprometia o cooper de Cida. A moça foi diminuindo o passo. Ela era uma desportista natural. Corria o tempo todo querendo talvez vazar o minguado tempo de viver. Era preciso buscar sempre. O que tinha ficado para trás, o agora e o que estava para vir. De manhã, depois da corrida, ia à padaria, passava pela banca de jornal e trazia entre os dedos as noticias do dia que eram mal lidas. Rapidamente, graças ao curso de leitura dinâmica que fizera uns anos atrás, corria os olhos pelas manchetes tentando apreender OS acontecimentos. Em casa, corria ao banho, ao quarto, à sala, à cozinha. Fervia o leite, arrumava a mesa, voltava ao quarto, avançava sobre o guarda-roupa e atracava-se ao uniforme de trabalho; logo depois já estava na sala fechando a porta e indo. Voava pelas escadas, pois o elevador era lento e no constante cooper ganhava a rua. Corria sobre a corda bamba invisível e opressora do tempo. Era preciso avançar sempre e sempre.
Ela era vencedora de outras distâncias. Já saltara montanhas e divisas de um tempo- espaço que ficara para trás. Como era mesmo a sua cidade natal? Não sabia bem. Lembrava-se, entretanto, de que as pessoas eram lentas. Andavam, falavam e viviam de-va-gar-zi-nho. A vida era de uma lerdeza tal, que algumas mulheres esqueciam-se de parir seus rebentos. A barriga crescia até aos onze meses. As crianças nasciam moles, desesperadamente calmas e adiavam indefinidamente o exercício de crescer. Cida desde pequena guardava um sentimento de urgência. Seu corpo aos nove anos maturou-se no sangue mensal de mulher. As suas brincadeiras prediletas, ainda nessa época, eram a de apostar corrida com as crianças e a de desafiar grandes e pequenas, no tempo gasto para a execução de qualquer tarefa. Vencia sempre, utilizando um tempo diminuto em relação a todos.
Aos onze anos, Cida foi pela primeira vez ao Rio com a mãe, em viagens de negócios. A mãe reclamava da velocidade dos carros, do amontoado e da correria das pessoas, do vai e vem de todos. Cida bebeu enlouquecida o zigue-zague dos carros, das pessoas, dos pés quase voantes dos pedestres desafiando, vencendo e encontrando a morte. Descobriu no turbilhão da cidade um jogo de caleidoscópio formado por peças, gente-máquinas se cruzando entrecortando braços, rodas, cabeças, buzinas, motos, pés, pernas e corpos aromatizados pela essência da gasolina. Cida descobriu outras pessoas também portadoras da urgência de vida. que ela trazia em si. Naquele momento optou por retornar um dia para ficar ali. Tinham razão, a cidade era maravilhosa.
CONCEIÇÃO EVARISTO In: Olhos d'água. 1. ed. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016.
O trecho do conto acima, de Conceição Evaristo, nos mostra dois momentos da experiência de vida da personagem Cida que se opõem, no que diz respeito a:
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