Foram encontradas 40 questões.
Leia a tira.

(Disponível em: https://cultura.estadao.com.br/quadrinhos. Acesso em janeiro de 2019.)
O humor da tira se constrói com base no conhecimento de diversas expressões idiomáticas. Sobre a construção de sentido do texto, analise as afirmativas.
I - O contexto representado na tira é esportivo, no qual o técnico utiliza as expressões idiomáticas como forma de instrução ou incentivo ao time. Como em “o mar não está para peixe” é utilizada quando se quer expressar que o mar está poluído, não é aconselhável para banho.
II - A resposta dos interlocutores representa sucesso na comunicação proposta pelo técnico, visto que os jogadores também se utilizam de expressões idiomáticas, o que pode ser confirmado pela expressão “dar o pulo do gato” que indica que o time quer ganhar destaque ao executar determinado trabalho ou tarefa.
III - Em “vamos partir para cima”, o verbo partir assume o sentido de começar a se deslocar de repente, como em “Os carros partiram para a corrida”.
IV - As funções da linguagem são formas de utilização da linguagem de acordo com a intenção do falante; nessa tira, foi utilizada a função referencial.
Está correto o que se afirma em
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MEL, DOCE MEL. Conta a lenda que a índia Uniawamoni não quis subir ao céu junto de seu irmão, que se transformaria no Sol. Ela escolheu ficar na Terra para proteger o guaraná, assumindo a forma da abelha-canudo. Tem cumprido bem a missão, pois trabalha na polinização da flora da região e na produção de mel. O alimento continua adoçando os preparos mais ao interior dos estados. Em Manaus e outras capitais, o açúcar refinado vem tomando seu lugar. "Inclusive já notamos exagero no consumo", repara a nutricionista Dionisia Nagahama. A depender da abelha e da flora, os méis ofertam, além da doçura, minerais e compostos fitoquímicos bem-vindos (Revista Saúde é vital, setembro/2018).
Sobre recursos expressivos utilizados no texto, analise as afirmativas.
I - Seguem a mesma regra de uso do hífen de bem-vindo as palavras mal-humorado e bem-estar.
II - As aspas foram utilizadas no texto com a função de marcação de citação direta, reportando o discurso de outrem.
III - São sinônimos de preparos (linha 5) os termos “pratos, receitas, fórmulas”, considerando-se o contexto e as devidas adaptações.
IV - Em A depender da abelha e da flora (linha 7), tem-se estabelecida a relação de sentido de contradição para com o restante da oração.
Estão corretas as afirmativas
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As palavras da Língua Portuguesa podem ser formadas por diversos processos. Assinale a alternativa em que as palavras são formadas pelo mesmo processo.
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INSTRUÇÃO: Leia o texto e responda às questões de 01 a 07.
Os filhos dos nossos heróis
É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
Os advérbios podem acompanhar verbos, advérbios e adjetivos e possuem diversas classificações. A coluna da esquerda apresenta sentidos de advérbios e a da direita, trechos do texto cujos advérbios para análise estão sublinhados. Numere a coluna da direita de acordo com a da esquerda.
1- Tempo
2- Negação
3- Modo
4- Lugar
( ) Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana.
( ) Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração.
( ) eu percebi que não havia lugar seguro na Terra.
( ) não existia ninguém confiável.
( ) Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela.
( ) eu mal conseguia ouvir.
Assinale a sequência correta.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Substantiva
- MorfologiaAdvérbiosTipos dos Advérbios
- MorfologiaPronomesPronomes Indefinidos
- MorfologiaPronomesPronomes Possessivos
- MorfologiaSubstantivos
INSTRUÇÃO: Leia o texto e responda às questões de 01 a 07.
Os filhos dos nossos heróis
É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
Sobre os recursos linguísticos sublinhados, analise as afirmativas.
I - Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente → os itens destacados são exemplos de pronomes possessivo e indefinido, respectivamente.
II - aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária → ninar é um substantivo, neste contexto.
III - inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade → o termo destacado é um advérbio de inclusão.
IV - Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol → a oração destacada é uma oração subordinada substantiva.
V - sem muita esperança de jogarmos contra alguém → o termo destacado é um advérbio de intensidade.
Estão corretas as afirmativas
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- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções Coordenativas
- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções Subordinativas
INSTRUÇÃO: Leia o texto e responda às questões de 01 a 07.
Os filhos dos nossos heróis
É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
As conjunções exercem importante papel como recurso coesivo no texto. Sobre as relações de sentido estabelecidas pelas conjunções destacadas, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável → tempo
( ) Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol → condição
( ) No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir → causa.
( ) Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda → adição.
( ) Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco → comparação
Assinale a sequência correta.
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INSTRUÇÃO: Leia o texto e responda às questões de 01 a 07.
Os filhos dos nossos heróis
É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
Observe o tempo verbal utilizado em Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração. O mesmo tempo verbal está presente na sentença:
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É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
No trecho E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar, o termo espécie NÃO apresenta o mesmo sentido que em:
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É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
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Qual frase do texto ilustra o título: “Os filhos dos nossos heróis?”
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É ainda criança que se descobre que o mundo é um lugar hostil. Quando meu herói de infância Bebeto saiu do Flamengo para o Vasco sem nenhum motivo aparente, eu percebi que não havia lugar seguro na Terra, não existia ninguém confiável. Ainda hoje, às vezes estou no ônibus olhando pela janela e murmuro palavrões destinados a Bebeto. Mesmo sabendo que ele não pode me ouvir.
É na adolescência que as desilusões da infância são confirmadas. Eu adolescente, em 1994, perdoei Bebeto em meu coração para vibrar com o gol dele contra a Holanda, aquele comemorado com o ninar de uma criança imaginária. Anos depois, essa criança imaginária revelou-se o garoto Mattheus, que adulto tornou-se meia do Flamengo, possibilitando que a família Bebeto voltasse a me assombrar.
Se eu soubesse que o preço seria esse, não teria ficado feliz com aquele gol, inclusive, se for possível, gostaria de cancelar aquela felicidade.
Foi nessa época que passei a frequentar a escolinha do Zico. Treinávamos enfadonhamente três vezes por semana, sem muita esperança de jogarmos contra alguém, até que aconteceu: uns garotos japoneses viriam numa excursão e nos enfrentariam. Um jogo de verdade, contra outras pessoas. E internacional.
No dia da partida, o próprio Zico deu a preleção, mas, em êxtase, eu mal conseguia ouvir. Nos despedimos do nosso herói e eu já ia me dirigindo à minha ponta-esquerda quando o treinador me chamou num canto: um dos filhos do Zico (Só No Sapatinho) havia aparecido e queria jogar, mesmo nunca tendo participado de nenhum treino. E ele havia trazido uma espécie de amigo do condomínio, que naturalmente também queria jogar.
Como consequência das vontades do filho do Rei e seu amigo, eu e mais um infeliz fomos para o banco, de onde assistimos ao time perder de 4 a 2. Eu sorri. Nunca entendi jogadores reservas felizes pelas vitórias de seus times, comemorando saltitantes gols dos quais eles não participaram. Reserva tem que estar amargurado.
Mas, acima de tudo, sorri para a minha entrada na vida adulta, com uma derrota acachapante da qual eu nem pude participar, porém perdi igual, ou pior. Não há herói que sobreviva a um filho, nem mesmo ao amigo de condomínio do filho. Posso até estar errado, normalmente estou. De todo modo, foi-se o último herói.
(FURLAN, Daniel. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/. Acesso em janeiro de 2019.)
De acordo com a leitura do texto, para o autor:
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