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Paciente de 55 anos, sem comorbidades, durante cirurgia de blefaroplastia, sob anestesia local e sedação, evolui com bradicardia severa (FC: 29bpm). Nesse contexto, é CORRETO afirmar:
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Paciente de 32 anos, feminino, com quadro de hemorragia subaracnoidea por ruptura de aneurisma em artéria cerebral anterior, apresenta cefaleia severa e paralisia de par craniano. Pela classificação de Hunt e Hess, pode ser classificado como:
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No modo de ventilação mandatória por pressão controlada (PCV), a variável de deflagração (trigger) é:
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Paciente de 65 anos, 70Kg, irá submeter-se à osteossíntese de fratura de tíbia direita, ocorrida há 7 dias. Internado desde então e em uso de heparina não-fracionada 5.000UI subcutânea uma vez por dia. Nesse contexto, é CORRETO afirmar:
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Voltando à vida
Vida é assim. Um dia de manhã você pega seu carro, na praia, para ir a Porto Alegre, onde tem alguns assuntos a resolver. À tarde você estará de volta; como muitos, como todos, você acredita que a vida pode ser planejada e que as coisas acontecerão conforme o previsto.
Você então vai dirigindo seu carro, conversando com uma amiga, nesta manhã agradável. E então um estrondo, e um segundo depois você está atirado no chão, o sangue escorrendo de vários ferimentos, dores lancinantes pelo corpo. Você não acredita. Não, não pode ser verdade, isto é um pesadelo, eu ainda não acordei, estou sonhando, daqui a pouco despertarei e começarei uma viagem a Porto Alegre, e aí sim, tudo dará certo. Mas a realidade se impõe, brutal: você acabou de sofrer um acidente, e você sente o tênue sopro de sua vida vacilando, prestes a se extinguir.
Sou médico. Sofri um acidente, mas sou médico, continuo médico. Muitas vezes atendi pessoas em situação igual à que me encontro, aprendi algo com isso, aprendi a pensar sobre o trauma grave. É de minha lucidez médica que preciso agora, nesta desesperada tentativa de enfrentar o caos que, eu sei, precede o fim.
Não enxergo. Por alguma razão — trauma craniano, acho — perdi a visão. Mas ouço vozes. Confusas, alarmadas. Querem me levar. E eis o primeiro perigo: ―levar‖ significa que me agarrarão pelos braços e pelas pernas, me colocarão num carro e assim serei transportado. Mas sei que tenho fraturas e o alarme soa dentro de mim: não, eles não podem me levar, eles me colocarão em risco ainda maior. Com o que resta da minha autoridade médica, comando: não me mobilizem, deixem-me aqui, chamem uma ambulância.
Neste momento, a sorte decide a meu favor. Há um sargento da Brigada Militar no local e também, como me contaram depois, um auxiliar de enfermagem. E são eles que organizam minha remoção: pedem emprestado a um chofer de caminhão uma porta de madeira, do carregamento que ele leva, e é nesta maca — improvisada, mas segura — que sou transportado numa ambulância da Secretaria da Saúde — a mesma Secretaria para a qual trabalho.
E aqui estou eu, em outro cenário que não me é desconhecido: no Pronto Socorro muitas vezes fiz plantão, muitas vezes recebi pacientes que, como eu, chegavam com o rótulo temível: politraumatizado.
Sou colocado numa maca e rapidamente examinado. As suspeitas se confirmam: há várias fraturas, preciso ser radiografado, tomografado. E então começa a corrida da maca pelo corredor: é o teto que eu vejo, o teto passando rápido, e faces ansiosas, e luzes, e aparelhos.
Cada movimento desperta dores lancinantes. Há um só momento em que tenho descanso: quando me introduzem dentro do tomógrafo. Esta experiência, que em outros se acompanha de claustrofobia, me proporciona um bem-estar incrível: ali estou, imobilizado, sem dor, quieto, no escuro. Deixem-me aqui, é o que eu tenho vontade de pedir, mas sei que é impossível. Levam-me para a Unidade de Tratamento Intensivo.
Ali obtenho o primeiro alívio: com grande habilidade, o anestesista introduz-me na coluna vertebral um cateter que pinga morfina diretamente nas raízes nervosas. Tão grande é o bem-estar que chego a ficar eufórico. Uma euforia que, contudo, não durará muito.
A radiografia mostra que tenho várias costelas quebradas e hemotórax: um derrame de sangue na cavidade torácica. A função respiratória está em risco, é conveniente que eu seja transportado para um serviço especializado, o Pavilhão Pereira Filho, da Santa Casa de Porto Alegre. Ali também estou em casa: frequentei esse serviço quando, no começo de minha carreira médica, trabalhava com tuberculose. A equipe que José Fernando Carneiro, Nelson Porto e Bruno Palombini formaram aqui está. Este grupo, um dos melhores do país, cuidará de mim.
De imediato sou transportado à UTI. E aí viverei uma experiência, para dizer o mínimo, insólita. Na UTI a vida está em suspenso. O tempo ali não passa — aliás, não há relógios nas paredes. A luz nunca se apaga; não é dia, não é noite, reina uma claridade fixa, imutável. Mas o movimento é contínuo; médicos, enfermeiras, auxiliares circulam sem parar, examinando, manipulando os doentes, sempre em estado grave.
Pequenos detalhes passam a adquirir uma importância desmesurada. Com nove costelas fraturadas eu não podia sequer mover-me; estava reduzido ao mais completo estado de desamparo. Que me recusava a aceitar. Durante horas pensei num esquema que me permitiria deitar de lado. Para isso, eu tinha de alcançar a grade da cama com os dedos, avançar milímetro a milímetro até que, auxiliado pela gravidade, pudesse rotar sobre mim mesmo. O problema é que meus dedos não chegavam à grade. Poucos centímetros me separavam dela — mas era como se a maldita grade estivesse em outro planeta. Claro, poderia pedir auxílio. Mas era exatamente este detalhe que tornava ainda mais penosa a situação. Pedir auxílio para virar na cama — e para comer, para evacuar... Dolorosa depressão.
Um dia — acho que sob o efeito dos sedantes — tive uma alucinação. Acordei e vi um grupo de médicos reunidos em torno ao monitor de um paciente, desses monitores que mostram o traçado eletrocardiográfico. Por uns momentos fiquei me perguntando, absolutamente intrigado, o que estariam fazendo. E aí achei uma resposta: aquilo era um curso. Mais: era um curso a que eu deveria estar presente. Em vez disso, estava deitado. Pouca vergonha.
Com tremendo esforço, levantei-me. A sonda e o equipamento de soro tolhiam-me os movimentos e eu já ia arrancá-los, quando uma enfermeira me viu e convenceu-me a voltar para o leito. Voltei. Mas com muita raiva por ter perdido aquela aula.
Eu tinha que assumir a realidade do meu estado, bastante grave em alguns momentos. E isso foi possível sobretudo graças aos médicos que me trataram. Depois de muitos anos às voltas com a saúde pública, quase tinha esquecido este fato fundamental: a luta contra a doença e a morte tem como cenário principal o corpo enfermo. E deste corpo enfermo cuidavam meus colegas, com extraordinária dedicação e carinho: Jacques, Felicetti, Camargo, Sergio Zylberztein, Maria Eunice, e mais os residentes, os plantonistas, os enfermeiros, os auxiliares, as fisioterapeutas. Nós sempre devemos nossa vida a muita gente, mas no hospital isso fica ainda mais claro.
Lições? Muitas. O cinto de segurança. A precariedade de nossos carros: falam-nos em ―velocidade‖, em ―sedução‖, não nos falam em proteção. A necessidade de um esquema rápido de remoção nas estradas. Mas, sobretudo, esta surpresa que é a recuperação de tradicionais hospitais: o Pronto Socorro, a Santa Casa.
Saí de um episódio sombrio não apenas com a saúde preservada, mas com a confiança restaurada. E isso, para quem está há anos no ramo, não é pouco. Garanto: não é pouco.
(SCLIAR, Moacyr. Voltando à vida. In: A
face oculta: inusitadas e reveladoras histórias da medicina. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001)
Sobre a utilização de crases no texto e as regras que regem sua utilização, indique a afirmação INCORRETA.
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Voltando à vida
Vida é assim. Um dia de manhã você pega seu carro, na praia, para ir a Porto Alegre, onde tem alguns assuntos a resolver. À tarde você estará de volta; como muitos, como todos, você acredita que a vida pode ser planejada e que as coisas acontecerão conforme o previsto.
Você então vai dirigindo seu carro, conversando com uma amiga, nesta manhã agradável. E então um estrondo, e um segundo depois você está atirado no chão, o sangue escorrendo de vários ferimentos, dores lancinantes pelo corpo. Você não acredita. Não, não pode ser verdade, isto é um pesadelo, eu ainda não acordei, estou sonhando, daqui a pouco despertarei e começarei uma viagem a Porto Alegre, e aí sim, tudo dará certo. Mas a realidade se impõe, brutal: você acabou de sofrer um acidente, e você sente o tênue sopro de sua vida vacilando, prestes a se extinguir.
Sou médico. Sofri um acidente, mas sou médico, continuo médico. Muitas vezes atendi pessoas em situação igual à que me encontro, aprendi algo com isso, aprendi a pensar sobre o trauma grave. É de minha lucidez médica que preciso agora, nesta desesperada tentativa de enfrentar o caos que, eu sei, precede o fim.
Não enxergo. Por alguma razão — trauma craniano, acho — perdi a visão. Mas ouço vozes. Confusas, alarmadas. Querem me levar. E eis o primeiro perigo: ―levar‖ significa que me agarrarão pelos braços e pelas pernas, me colocarão num carro e assim serei transportado. Mas sei que tenho fraturas e o alarme soa dentro de mim: não, eles não podem me levar, eles me colocarão em risco ainda maior. Com o que resta da minha autoridade médica, comando: não me mobilizem, deixem-me aqui, chamem uma ambulância.
Neste momento, a sorte decide a meu favor. Há um sargento da Brigada Militar no local e também, como me contaram depois, um auxiliar de enfermagem. E são eles que organizam minha remoção: pedem emprestado a um chofer de caminhão uma porta de madeira, do carregamento que ele leva, e é nesta maca — improvisada, mas segura — que sou transportado numa ambulância da Secretaria da Saúde — a mesma Secretaria para a qual trabalho.
E aqui estou eu, em outro cenário que não me é desconhecido: no Pronto Socorro muitas vezes fiz plantão, muitas vezes recebi pacientes que, como eu, chegavam com o rótulo temível: politraumatizado.
Sou colocado numa maca e rapidamente examinado. As suspeitas se confirmam: há várias fraturas, preciso ser radiografado, tomografado. E então começa a corrida da maca pelo corredor: é o teto que eu vejo, o teto passando rápido, e faces ansiosas, e luzes, e aparelhos.
Cada movimento desperta dores lancinantes. Há um só momento em que tenho descanso: quando me introduzem dentro do tomógrafo. Esta experiência, que em outros se acompanha de claustrofobia, me proporciona um bem-estar incrível: ali estou, imobilizado, sem dor, quieto, no escuro. Deixem-me aqui, é o que eu tenho vontade de pedir, mas sei que é impossível. Levam-me para a Unidade de Tratamento Intensivo.
Ali obtenho o primeiro alívio: com grande habilidade, o anestesista introduz-me na coluna vertebral um cateter que pinga morfina diretamente nas raízes nervosas. Tão grande é o bem-estar que chego a ficar eufórico. Uma euforia que, contudo, não durará muito.
A radiografia mostra que tenho várias costelas quebradas e hemotórax: um derrame de sangue na cavidade torácica. A função respiratória está em risco, é conveniente que eu seja transportado para um serviço especializado, o Pavilhão Pereira Filho, da Santa Casa de Porto Alegre. Ali também estou em casa: frequentei esse serviço quando, no começo de minha carreira médica, trabalhava com tuberculose. A equipe que José Fernando Carneiro, Nelson Porto e Bruno Palombini formaram aqui está. Este grupo, um dos melhores do país, cuidará de mim.
De imediato sou transportado à UTI. E aí viverei uma experiência, para dizer o mínimo, insólita. Na UTI a vida está em suspenso. O tempo ali não passa — aliás, não há relógios nas paredes. A luz nunca se apaga; não é dia, não é noite, reina uma claridade fixa, imutável. Mas o movimento é contínuo; médicos, enfermeiras, auxiliares circulam sem parar, examinando, manipulando os doentes, sempre em estado grave.
Pequenos detalhes passam a adquirir uma importância desmesurada. Com nove costelas fraturadas eu não podia sequer mover-me; estava reduzido ao mais completo estado de desamparo. Que me recusava a aceitar. Durante horas pensei num esquema que me permitiria deitar de lado. Para isso, eu tinha de alcançar a grade da cama com os dedos, avançar milímetro a milímetro até que, auxiliado pela gravidade, pudesse rotar sobre mim mesmo. O problema é que meus dedos não chegavam à grade. Poucos centímetros me separavam dela — mas era como se a maldita grade estivesse em outro planeta. Claro, poderia pedir auxílio. Mas era exatamente este detalhe que tornava ainda mais penosa a situação. Pedir auxílio para virar na cama — e para comer, para evacuar... Dolorosa depressão.
Um dia — acho que sob o efeito dos sedantes — tive uma alucinação. Acordei e vi um grupo de médicos reunidos em torno ao monitor de um paciente, desses monitores que mostram o traçado eletrocardiográfico. Por uns momentos fiquei me perguntando, absolutamente intrigado, o que estariam fazendo. E aí achei uma resposta: aquilo era um curso. Mais: era um curso a que eu deveria estar presente. Em vez disso, estava deitado. Pouca vergonha.
Com tremendo esforço, levantei-me. A sonda e o equipamento de soro tolhiam-me os movimentos e eu já ia arrancá-los, quando uma enfermeira me viu e convenceu-me a voltar para o leito. Voltei. Mas com muita raiva por ter perdido aquela aula.
Eu tinha que assumir a realidade do meu estado, bastante grave em alguns momentos. E isso foi possível sobretudo graças aos médicos que me trataram. Depois de muitos anos às voltas com a saúde pública, quase tinha esquecido este fato fundamental: a luta contra a doença e a morte tem como cenário principal o corpo enfermo. E deste corpo enfermo cuidavam meus colegas, com extraordinária dedicação e carinho: Jacques, Felicetti, Camargo, Sergio Zylberztein, Maria Eunice, e mais os residentes, os plantonistas, os enfermeiros, os auxiliares, as fisioterapeutas. Nós sempre devemos nossa vida a muita gente, mas no hospital isso fica ainda mais claro.
Lições? Muitas. O cinto de segurança. A precariedade de nossos carros: falam-nos em ―velocidade‖, em ―sedução‖, não nos falam em proteção. A necessidade de um esquema rápido de remoção nas estradas. Mas, sobretudo, esta surpresa que é a recuperação de tradicionais hospitais: o Pronto Socorro, a Santa Casa.
Saí de um episódio sombrio não apenas com a saúde preservada, mas com a confiança restaurada. E isso, para quem está há anos no ramo, não é pouco. Garanto: não é pouco.
(SCLIAR, Moacyr. Voltando à vida. In: A
face oculta: inusitadas e reveladoras histórias da medicina. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2001)
Na linha 10, o narrador constata: "Sou médico. Sofri um acidente, mas sou médico, continuo médico". Sobre as implicações da condição de ser médico para o modo como a narrativa é conduzida, julgue os itens a seguir:
I. O médico acidentado demonstra segurança sobre o tratamento que seus colegas médicos iriam conduzir, pois conhecia-os e sabia que eram competentes, como é evidenciado no trecho ―A equipe que José Fernando Carneiro, Nelson Porto e Bruno Palombini formaram aqui está. Este grupo, um dos melhores do país, cuidará de mim";
II. A condição de ser médico garantiu ao acidentado controle total da situação, como fica claro no trecho ―Com o que resta da minha autoridade médica, comando: não me mobilizem, deixem-me aqui, chamem uma ambulância";
III. Por ser um médico respeitado, fica claro que o acidentado recebeu tratamento diferenciado no hospital e podia fazer ali o que quisesse, como evidenciado no trecho ―Ali também estou em casa: frequentei esse serviço quando, no começo de minha carreira médica, trabalhava com tuberculose";
IV. O narrador percebe os procedimentos realizados em seu corpo não só como paciente, mas com o conhecimento técnico que é inerente à sua profissão, como explicitado no trecho ―com grande habilidade, o anestesista introduz-me na coluna vertebral um cateter que pinga morfina diretamente nas raízes nervosas".
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A estratégia que deve ser oferecida aos profissionais de saúde das equipes dos hospitais, baseada no aprendizado em serviço, no qual o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano dos hospitais e das equipes, está relacionada à:
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Provável distúrbio eletrolítico do paciente que apresenta o traçado eletrocardiográfico abaixo é:

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Paciente masculino, 12 anos, sabidamente portador de hemofilia A (deficiência do fator VIII), dá entrada em serviço de emergência com quadro de apendicite aguda. Durante o procedimento, apresenta sangramento aumentado que preocupa toda a equipe e o anestesiologista decide realizar exame de tromboelastograma. A figura que melhor representa o resultado desse paciente é:

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Paciente de 82 anos, masculino, no pós-operatório imediato de correção de aneurisma de aorta abdominal via endovascular, evolui com quadro de isquemia miocárdica. As alterações eletrocardiográficas resultantes da oclusão da artéria coronária direita podem ser observadas mais frequentemente nas derivações:
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