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Durante as atividades laborais em um documento do Word, é de suma importância salvar as modificações realizadas no documento; para isso, o Word possui as opções “Salvar” e “Salvar como”. A escolha entre essas opções depende das necessidades e do que se deseja fazer com o documento. Sobre a opção “Salvar como” do Microsoft Word 2019 (Configuração Padrão – Idioma Português Brasil), analise as afirmativas a seguir.
I. A opção serve somente para atualizar e gravar as alterações feitas em um documento existente.
II. A opção auxilia na criação de versões alternativas do mesmo documento com pequenas ou significativas modificações, sem afetar o original, salvando-o com outro nome.
III. A opção serve para converter o documento para um formato de arquivo diferente, como PDF, RTF, HTML, ou outros formatos suportados.
Está correto o que se afirma apenas em
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Um Sistema Operacional (SO) é um software que atua como intermediário entre os usuários e o hardware de um computador. Ele é um componente fundamental de qualquer computador e desempenha várias funções essenciais para a operação e o gerenciamento do sistema. Um exemplo é o Windows, um SO desenvolvido pela Microsoft presente em boa parte dos PCs e Laptops. Assim como o Windows, assinale a alternativa que representa um SO (Sistema Operacional):
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“____________ é uma linguagem de programação de banco de dados projetada para gerenciar, consultar e manipular dados em Sistemas de Gerenciamento de Banco de Dados Relacionais (SGBDR).” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.
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“É um componente de hardware projetado, especificamente, para lidar com tarefas relacionadas a vídeo e processamento visual. Sua função principal é processar dados relacionados a imagens, gráficos 2D e 3D, vídeo e renderização.” As informações referem-se a qual componente?
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O Google é, de longe, o “motor de busca” mais popular e amplamente usado em todo mundo. Ele é conhecido por sua eficácia na entrega de resultados de pesquisa e oferece uma variedade de serviços. Assim como o Google, refere-se a um “motor de busca”
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Bolinho de feijão
(Paulo Mendes Campos.)
Uma vez, ao sair dum labirinto burocrático, psiquicamente entorpecido, reparei que eram onze horas de manhã limpa e amena. Suspirei para a mulher que estava a meu lado: Que pena!
Que pena, sim, pois é bem ridículo renascer às onze horas de manhã limpa e amena, e não existir um só antro na cidade, no qual uma alma leve possa comer um bolinho de feijão! É uma das contradições da civilização! Intolerável que uma cidade devore oceanos de peixes, rebanhos de bifes, enxurradas de cereais e hortaliças, sem poder ofertar ao consumidor um pratinho de bolinhos de feijão. Fazendo minhas as palavras sombrias de um russo, no banho de luz da Praça Marechal Âncora, ameacei a humanidade: Mundo louco, feliz em tua loucura, o teu despertar será terrível!
Mas a mulher que andava a meu lado era gringa, e perguntou-me: What is a bolinho de feijão?
Well... um bolinho de feijão! Um bolinho de feijão é feito de feijão-fradinho. Parece com acarajé, mas não é bem acarajé. Um bolinho de feijão é uma coisa que você come muito na infância, e mais ainda na adolescência, quando descobre a cerveja, e depois fica a procurar, em vão, por todos os cantos do mundo. Um bolinho de feijão às vezes é a joie de vivre, para mim é le temps retrouvé, e era o que a Gioconda queria quando sorriu. Um bolinho de feijão é quase o que os germanos chamam de Gesamtkunstwerk, ou seja, uma perfeita e orgânica obra de arte. Um bolinho de feijão é o maná (o quente) que este céu agora nos promete, mas não encontraremos jamais!
Dessa vez, a estrangeira que ia a meu lado também suspirou: Que pena! E a seguir: Poor little thing! (Pobrezinho!)
Mas eu não sou um quadro de Leonardo e, por isso mesmo, tomei a mulher pela mão: Vou te mostrar o que é um bolinho de feijão!
Mudando de rota (em Leblonema não há bolinho de feijão), cruzamos a praça, caímos à esquerda em General Justo, e comprei duas passagens no Aeroporto Santos Dumont.
Em Belo Horizonte – expliquei em voz baixa para a minha alienada – ainda há bolinhos de feijão. Não tanto quanto no meu tempo, é claro, pois a era dos enlatados corrompeu as paciências culinárias. Mas há! Sei de um bar na rua da Bahia – o Ignacio's – que, neste mesmo instante, está a frigir bolinhos de feijão da melhor qualidade. Daqui a uma hora de voo e 25 minutos de táxi, eu te apresentarei, mulher, ao bolinho de feijão.
Dei bom-dia ao proprietário e escolhi o melhor lugar. Expliquei a boa técnica para a companheira: a gente não deve ir chegando e pedindo logo um prato de bolinhos de feijão. Não. Deve tomar um ar de quem não quer nada, mas de quem pode subitamente ter uma ideia fabulosa. Como se os bolinhos nem existissem, pedir o melhor uísque escocês, para apanhar a boa boca. Ir bebendo com tranquilidade, falando de coisas sem importância, para distrair a ideia. Depois, no momento de pedir o segundo uísque...
Foi o que fizemos. Falamos sobre as guerras da Ásia e outras trivialidades, bebericando devagar, com aquele gosto das esperanças certas. Acendi um cigarrinho e chamei o garçom:
– O senhor agora, por favor, vai trazer mais dois uísques e um pratinho com aqueles bolinhos de feijão.
– O doutor vai desculpar, mas o bolinho de feijão está em falta.
Como Franz Kafka, não entendi mais nada. Passar duas horas numa repartição pública, descobrir de repente na luz da manhã que Deus existe, o avião existe, o bolinho de feijão existe... E o bolinho de feijão estava em falta! Meu primeiro ódio foi linguístico, contra aquela expressão idiota: nada do que a gente quer devia estar em falta. Em seguida, com a fleuma dos arruinados, perguntei ao rapaz:
– Por que o bolinho de feijão está em falta?
– Porque a cozinheira que sabia fazer bolinho de feijão partiu pra cima dum garçom, de faca na mão; o patrão mandou ela embora.
– Mas, meu amigo, não faz sentido: se a cozinheira, que sabe fazer bolinho de feijão, partiu de faca na mão pra cima do garçom, que não sabe fazer bolinho de feijão, quem devia ir embora é o garçom.
– Mas acontece, doutor, que a cozinheira não tinha razão.
– Meu caro, o bolinho de feijão tem razões que a própria razão desconhece... A prova disso é esta: acabamos de chegar do Rio para comer bolinho de feijão. Não é só isso: esta senhora nasceu na Europa para conhecer um dia o bolinho de feijão de Minas Gerais... Vê se quebra o galho, meu chapa.
O Inácio veio falar comigo e repeti para ele minha estupefação, no caso da cozinheira, e minha indeclinável urgência em comer alguns bolinhos de feijão. O homem comoveu-se, mandando um menino percorrer os botequins da capital. Aguardamos em silêncio.
Meia hora depois, três bolinhos de feijão, murchos e frios como as graças fanadas na véspera, eram colocados na mesa. Ela comeu um; eu comi outro; dividimos o último irmãmente. E voltamos para o Leblon.
(CAMPOS, Paulo Mendes. Os bares morrem numa quarta-feira: crônicas. Editora Ática, 1980.)
Falecido há mais de três décadas, em 1991, o escritor Paulo Mendes Campos não viveu o suficiente para presenciar a obrigatoriedade do último acordo ortográfico da língua portuguesa, que, embora tenha sido debatido desde 1990, apenas passou a vigorar em 2009, ao passo que sua obrigatoriedade data de sete anos depois, tendo se iniciado em 2016. Considere, portanto, o trecho “Dei bom-dia ao proprietário e escolhi o melhor lugar.” (9º§). É correto dizer que a grafia de “bom-dia” com hífen, no contexto do trecho, está em:
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Bolinho de feijão
(Paulo Mendes Campos.)
Uma vez, ao sair dum labirinto burocrático, psiquicamente entorpecido, reparei que eram onze horas de manhã limpa e amena. Suspirei para a mulher que estava a meu lado: Que pena!
Que pena, sim, pois é bem ridículo renascer às onze horas de manhã limpa e amena, e não existir um só antro na cidade, no qual uma alma leve possa comer um bolinho de feijão! É uma das contradições da civilização! Intolerável que uma cidade devore oceanos de peixes, rebanhos de bifes, enxurradas de cereais e hortaliças, sem poder ofertar ao consumidor um pratinho de bolinhos de feijão. Fazendo minhas as palavras sombrias de um russo, no banho de luz da Praça Marechal Âncora, ameacei a humanidade: Mundo louco, feliz em tua loucura, o teu despertar será terrível!
Mas a mulher que andava a meu lado era gringa, e perguntou-me: What is a bolinho de feijão?
Well... um bolinho de feijão! Um bolinho de feijão é feito de feijão-fradinho. Parece com acarajé, mas não é bem acarajé. Um bolinho de feijão é uma coisa que você come muito na infância, e mais ainda na adolescência, quando descobre a cerveja, e depois fica a procurar, em vão, por todos os cantos do mundo. Um bolinho de feijão às vezes é a joie de vivre, para mim é le temps retrouvé, e era o que a Gioconda queria quando sorriu. Um bolinho de feijão é quase o que os germanos chamam de Gesamtkunstwerk, ou seja, uma perfeita e orgânica obra de arte. Um bolinho de feijão é o maná (o quente) que este céu agora nos promete, mas não encontraremos jamais!
Dessa vez, a estrangeira que ia a meu lado também suspirou: Que pena! E a seguir: Poor little thing! (Pobrezinho!)
Mas eu não sou um quadro de Leonardo e, por isso mesmo, tomei a mulher pela mão: Vou te mostrar o que é um bolinho de feijão!
Mudando de rota (em Leblonema não há bolinho de feijão), cruzamos a praça, caímos à esquerda em General Justo, e comprei duas passagens no Aeroporto Santos Dumont.
Em Belo Horizonte – expliquei em voz baixa para a minha alienada – ainda há bolinhos de feijão. Não tanto quanto no meu tempo, é claro, pois a era dos enlatados corrompeu as paciências culinárias. Mas há! Sei de um bar na rua da Bahia – o Ignacio's – que, neste mesmo instante, está a frigir bolinhos de feijão da melhor qualidade. Daqui a uma hora de voo e 25 minutos de táxi, eu te apresentarei, mulher, ao bolinho de feijão.
Dei bom-dia ao proprietário e escolhi o melhor lugar. Expliquei a boa técnica para a companheira: a gente não deve ir chegando e pedindo logo um prato de bolinhos de feijão. Não. Deve tomar um ar de quem não quer nada, mas de quem pode subitamente ter uma ideia fabulosa. Como se os bolinhos nem existissem, pedir o melhor uísque escocês, para apanhar a boa boca. Ir bebendo com tranquilidade, falando de coisas sem importância, para distrair a ideia. Depois, no momento de pedir o segundo uísque...
Foi o que fizemos. Falamos sobre as guerras da Ásia e outras trivialidades, bebericando devagar, com aquele gosto das esperanças certas. Acendi um cigarrinho e chamei o garçom:
– O senhor agora, por favor, vai trazer mais dois uísques e um pratinho com aqueles bolinhos de feijão.
– O doutor vai desculpar, mas o bolinho de feijão está em falta.
Como Franz Kafka, não entendi mais nada. Passar duas horas numa repartição pública, descobrir de repente na luz da manhã que Deus existe, o avião existe, o bolinho de feijão existe... E o bolinho de feijão estava em falta! Meu primeiro ódio foi linguístico, contra aquela expressão idiota: nada do que a gente quer devia estar em falta. Em seguida, com a fleuma dos arruinados, perguntei ao rapaz:
– Por que o bolinho de feijão está em falta?
– Porque a cozinheira que sabia fazer bolinho de feijão partiu pra cima dum garçom, de faca na mão; o patrão mandou ela embora.
– Mas, meu amigo, não faz sentido: se a cozinheira, que sabe fazer bolinho de feijão, partiu de faca na mão pra cima do garçom, que não sabe fazer bolinho de feijão, quem devia ir embora é o garçom.
– Mas acontece, doutor, que a cozinheira não tinha razão.
– Meu caro, o bolinho de feijão tem razões que a própria razão desconhece... A prova disso é esta: acabamos de chegar do Rio para comer bolinho de feijão. Não é só isso: esta senhora nasceu na Europa para conhecer um dia o bolinho de feijão de Minas Gerais... Vê se quebra o galho, meu chapa.
O Inácio veio falar comigo e repeti para ele minha estupefação, no caso da cozinheira, e minha indeclinável urgência em comer alguns bolinhos de feijão. O homem comoveu-se, mandando um menino percorrer os botequins da capital. Aguardamos em silêncio.
Meia hora depois, três bolinhos de feijão, murchos e frios como as graças fanadas na véspera, eram colocados na mesa. Ela comeu um; eu comi outro; dividimos o último irmãmente. E voltamos para o Leblon.
(CAMPOS, Paulo Mendes. Os bares morrem numa quarta-feira: crônicas. Editora Ática, 1980.)
Considere o trecho: “Um bolinho de feijão às vezes é a joie de vivre, para mim é le temps retrouvé, e era o que a Gioconda queria quando sorriu” (4º§). Após referenciar expressões em francês, o autor evoca, a partir do termo sublinhado, uma das pinturas mais celebradas mundialmente, mais conhecida como:
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Bolinho de feijão
(Paulo Mendes Campos.)
Uma vez, ao sair dum labirinto burocrático, psiquicamente entorpecido, reparei que eram onze horas de manhã limpa e amena. Suspirei para a mulher que estava a meu lado: Que pena!
Que pena, sim, pois é bem ridículo renascer às onze horas de manhã limpa e amena, e não existir um só antro na cidade, no qual uma alma leve possa comer um bolinho de feijão! É uma das contradições da civilização! Intolerável que uma cidade devore oceanos de peixes, rebanhos de bifes, enxurradas de cereais e hortaliças, sem poder ofertar ao consumidor um pratinho de bolinhos de feijão. Fazendo minhas as palavras sombrias de um russo, no banho de luz da Praça Marechal Âncora, ameacei a humanidade: Mundo louco, feliz em tua loucura, o teu despertar será terrível!
Mas a mulher que andava a meu lado era gringa, e perguntou-me: What is a bolinho de feijão?
Well... um bolinho de feijão! Um bolinho de feijão é feito de feijão-fradinho. Parece com acarajé, mas não é bem acarajé. Um bolinho de feijão é uma coisa que você come muito na infância, e mais ainda na adolescência, quando descobre a cerveja, e depois fica a procurar, em vão, por todos os cantos do mundo. Um bolinho de feijão às vezes é a joie de vivre, para mim é le temps retrouvé, e era o que a Gioconda queria quando sorriu. Um bolinho de feijão é quase o que os germanos chamam de Gesamtkunstwerk, ou seja, uma perfeita e orgânica obra de arte. Um bolinho de feijão é o maná (o quente) que este céu agora nos promete, mas não encontraremos jamais!
Dessa vez, a estrangeira que ia a meu lado também suspirou: Que pena! E a seguir: Poor little thing! (Pobrezinho!)
Mas eu não sou um quadro de Leonardo e, por isso mesmo, tomei a mulher pela mão: Vou te mostrar o que é um bolinho de feijão!
Mudando de rota (em Leblonema não há bolinho de feijão), cruzamos a praça, caímos à esquerda em General Justo, e comprei duas passagens no Aeroporto Santos Dumont.
Em Belo Horizonte – expliquei em voz baixa para a minha alienada – ainda há bolinhos de feijão. Não tanto quanto no meu tempo, é claro, pois a era dos enlatados corrompeu as paciências culinárias. Mas há! Sei de um bar na rua da Bahia – o Ignacio's – que, neste mesmo instante, está a frigir bolinhos de feijão da melhor qualidade. Daqui a uma hora de voo e 25 minutos de táxi, eu te apresentarei, mulher, ao bolinho de feijão.
Dei bom-dia ao proprietário e escolhi o melhor lugar. Expliquei a boa técnica para a companheira: a gente não deve ir chegando e pedindo logo um prato de bolinhos de feijão. Não. Deve tomar um ar de quem não quer nada, mas de quem pode subitamente ter uma ideia fabulosa. Como se os bolinhos nem existissem, pedir o melhor uísque escocês, para apanhar a boa boca. Ir bebendo com tranquilidade, falando de coisas sem importância, para distrair a ideia. Depois, no momento de pedir o segundo uísque...
Foi o que fizemos. Falamos sobre as guerras da Ásia e outras trivialidades, bebericando devagar, com aquele gosto das esperanças certas. Acendi um cigarrinho e chamei o garçom:
– O senhor agora, por favor, vai trazer mais dois uísques e um pratinho com aqueles bolinhos de feijão.
– O doutor vai desculpar, mas o bolinho de feijão está em falta.
Como Franz Kafka, não entendi mais nada. Passar duas horas numa repartição pública, descobrir de repente na luz da manhã que Deus existe, o avião existe, o bolinho de feijão existe... E o bolinho de feijão estava em falta! Meu primeiro ódio foi linguístico, contra aquela expressão idiota: nada do que a gente quer devia estar em falta. Em seguida, com a fleuma dos arruinados, perguntei ao rapaz:
– Por que o bolinho de feijão está em falta?
– Porque a cozinheira que sabia fazer bolinho de feijão partiu pra cima dum garçom, de faca na mão; o patrão mandou ela embora.
– Mas, meu amigo, não faz sentido: se a cozinheira, que sabe fazer bolinho de feijão, partiu de faca na mão pra cima do garçom, que não sabe fazer bolinho de feijão, quem devia ir embora é o garçom.
– Mas acontece, doutor, que a cozinheira não tinha razão.
– Meu caro, o bolinho de feijão tem razões que a própria razão desconhece... A prova disso é esta: acabamos de chegar do Rio para comer bolinho de feijão. Não é só isso: esta senhora nasceu na Europa para conhecer um dia o bolinho de feijão de Minas Gerais... Vê se quebra o galho, meu chapa.
O Inácio veio falar comigo e repeti para ele minha estupefação, no caso da cozinheira, e minha indeclinável urgência em comer alguns bolinhos de feijão. O homem comoveu-se, mandando um menino percorrer os botequins da capital. Aguardamos em silêncio.
Meia hora depois, três bolinhos de feijão, murchos e frios como as graças fanadas na véspera, eram colocados na mesa. Ela comeu um; eu comi outro; dividimos o último irmãmente. E voltamos para o Leblon.
(CAMPOS, Paulo Mendes. Os bares morrem numa quarta-feira: crônicas. Editora Ática, 1980.)
Considere o trecho: “Que pena, sim, pois é bem ridículo renascer às onze horas de manhã limpa e amena, e não existir um só antro na cidade, no qual uma alma leve possa comer um bolinho de feijão!” (2º§). Ao queixar-se da falta de lugar na cidade que sirva bolinho de feijão, o autor dá preferência para o uso do termo sublinhado em vez de tão somente escrever “lugar” ou “local”. É correto dizer que essa escolha vocabular denota:
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A sordidez humana
Ando refletindo sobre nossa capacidade para o mal, a sordidez, a humilhação do outro. A tendência para a morte, não para a vida. Para a destruição, não para a criação. Para a mediocridade confortável, não para a audácia e o fervor que podem ser produtivos. Para a violência demente, não para a conciliação e a humanidade. E vi que isso daria livros e mais livros: se um santo filósofo disse que o ser humano é um anjo montado num porco, eu diria que o porco é desproporcionalmente grande para tal anjo.
Que lado nosso é esse, feliz diante da desgraça alheia? Quem é esse em nós (eu não consigo fazer isso, mas nem por essa razão sou santa), que ri quando o outro cai na calçada? Quem é esse que aguarda a gafe alheia para se divertir? Ou se o outro é traído pela pessoa amada ainda aumenta o conto, exagera, e espalha isso aos quatro ventos – talvez correndo para consolar falsamente o atingido?
O que é essa coisa em nós, que dá mais ouvidos ao comentário maligno do que ao elogio, que sofre com o sucesso alheio e corre para cortar a cabeça de qualquer um, sobretudo próximo, que se destacar um pouco que seja da mediocridade geral? Quem é essa criatura em nós que não tem partido nem conhece lealdade, que ri dos honrados, debocha dos fiéis, mente e inventa para manchar a honra de alguém que está trabalhando pelo bem? Desgostamos tanto do outro que não lhe admitimos a alegria, algum tipo de sucesso ou reconhecimento? Quantas vezes ouvimos comentários como: “Ah, sim ele tem uma mulher carinhosa, mas eu já soube que ele continua muito galinha”. Ou: “Ela conseguiu um bom emprego, deve estar saindo com o chefe ou um assessor dele”. Mais ainda: “O filho deles passou de primeira no vestibular, mas parece que...”. Outras pérolas: “Ela é bem bonita, mas quanto preenchimento, Botox e quanta lipo...”.
Detestamos o bem do outro. O porco em nós exulta e sufoca o anjo, quando conseguimos despertar sobre alguém suspeitas e desconfianças, lançar alguma calúnia ou requentar calúnias que já estavam esquecidas: mas como pode o outro se dar bem, ver seu trabalho reconhecido, ter admiração e aplauso, quando nos refocilamos na nossa nulidade? Nada disso! Queremos provocar sangue, cheirar fezes, causar medo, queremos a fogueira.
Não todos nem sempre. Mas que em nós espreita esse monstro inimaginável e poderoso, ou simplesmente medíocre e covarde, como é a maioria de nós, ah!, espreita. Afia as unhas, palita os dentes, sacode o comprido rabo, ajeita os chifres, lustra os cascos e, quando pode, dá seu bote. Ainda que seja um comentário aparentemente simples e inócuo, uma pequena lembrança pérfida, como dizer “Ah! Sim, ele é um médico brilhante, um advogado competente, um político honrado, uma empresária capaz, uma boa mulher, mas eu soube que...”, e aí se lança o malcheiroso petardo.
A sordidez e a morte cochilam em nós, e nem todos conseguem domesticar isso. Ninguém me diga que o criminoso agiu apenas movido pelas circunstâncias, de resto é uma boa pessoa. Ninguém me diga que o caluniador é um bom pai, um filho amoroso, um profissional honesto, e apenas exala seu mortal veneno porque busca a verdade. Ninguém me diga que somos bonzinhos, e só por acaso lançamos o tiro fatal, feito de aço ou expresso em palavras. Ele nasce desse traço de perversão e sordidez que anima o porco, violento ou covarde, e faz chorar o anjo dentro de nós.
(LUFT, Lya. Veja. Em: maio de 2009. Adaptado.)
Assinale a alternativa em que o referente retoma coerentemente o termo indicado.
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A raiva é uma doença infecciosa viral aguda grave, que acomete mamíferos, inclusive o homem. É transmitida pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, arranhadura e/ou lambedura. Entre as ações de prevenção, estão a profilaxia da raiva humana, por meio da vacinação e aplicação de soro ou imunoglobulina antirrábica humana. Sobre a profilaxia da raiva humana, assinale a afirmativa correta.
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