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O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin
Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos,
que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio
de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente
considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no
início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal
graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando
o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do
seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da
democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois
Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia
acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.
Expulso dos EUA
Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava
determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora
sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas.
Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados
soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas
amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram
na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados
Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial
ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas
e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente,
em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi
praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o
cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio
com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados
Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às
acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das
autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas
antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do
dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes
em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma
cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos
no título, não foi o fim da história.
“Ridículo”
Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários
meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de
1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras
(equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie
teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos
mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários
rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma
operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado.
Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A
família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]
Inspiração italiana
Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado
polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família
do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um
emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso
semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38
anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin
morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte
não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite,
não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original,
desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.
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O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin
Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos,
que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio
de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente
considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no
início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal
graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando
o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do
seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da
democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois
Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia
acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.
Expulso dos EUA
Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava
determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora
sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas.
Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados
soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas
amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram
na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados
Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial
ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas
e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente,
em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi
praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o
cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio
com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados
Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às
acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das
autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas
antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do
dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes
em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma
cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos
no título, não foi o fim da história.
“Ridículo”
Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários
meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de
1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras
(equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie
teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos
mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários
rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma
operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado.
Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A
família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]
Inspiração italiana
Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado
polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família
do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um
emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso
semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38
anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin
morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte
não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite,
não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original,
desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.
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O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin
Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos,
que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio
de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente
considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no
início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal
graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando
o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do
seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da
democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois
Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia
acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.
Expulso dos EUA
Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava
determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora
sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas.
Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados
soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas
amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram
na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados
Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial
ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas
e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente,
em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi
praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o
cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio
com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados
Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às
acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das
autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas
antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do
dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes
em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma
cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos
no título, não foi o fim da história.
“Ridículo”
Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários
meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de
1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras
(equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie
teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos
mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários
rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma
operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado.
Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A
família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]
Inspiração italiana
Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado
polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família
do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um
emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso
semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38
anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin
morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte
não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite,
não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original,
desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.
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O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin
Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos,
que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio
de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente
considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no
início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal
graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando
o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do
seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da
democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois
Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia
acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.
Expulso dos EUA
Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava
determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora
sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas.
Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados
soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas
amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram
na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados
Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial
ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas
e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente,
em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi
praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o
cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio
com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados
Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às
acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das
autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas
antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do
dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes
em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma
cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos
no título, não foi o fim da história.
“Ridículo”
Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários
meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de
1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras
(equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie
teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos
mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários
rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma
operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado.
Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A
família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]
Inspiração italiana
Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado
polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família
do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um
emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso
semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38
anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin
morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte
não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite,
não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original,
desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.
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Questão presente nas seguintes provas
O extraordinário (e esquecido) caso do sequestro do caixão de Charles Chaplin
Há 45 anos, em 25 de dezembro de 1977, o mundo se despedia do grande criador do icônico Carlitos,
que com a mesma bengala com que enfrentou os caprichosos flagelos da vida transformou o novo meio
de entretenimento do cinema em arte. O lendário Charles Spencer Chaplin (1889-1977), amplamente
considerado o maior comediante e uma das figuras mais importantes da história do cinema, morreu no
início da manhã "de velhice", segundo seu médico. Nascido na pobreza, ele se tornou um artista imortal
graças à sua brilhante humanização dos conflitos tragicômicos do homem com o destino. […] Quando
o som chegou à sétima arte, a estrela silenciosa mostrou que tinha muito a dizer. O discurso final do
seu primeiro filme falado "O Grande Ditador" (1940) foi uma admirável e progressista defesa da
democracia, que não se ouvia nos domínios do Terceiro Reich, nem na Itália nem na Espanha, pois
Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco proibiram o filme, provando que Chaplin havia
acertado em cheio. Sua vida, porém, também foi marcada por polêmicas.
Expulso dos EUA
Fazer uma comédia sobre um líder nazista foi uma delas. Mais tarde, ele escreveria que estava
determinado a fazê-lo porque era essencial rir de Hitler. Mas ele havia se metido na política e, embora
sua vida privada também alimentasse os tabloides, seria a política que lhe causaria mais problemas.
Seus discursos durante a 2ª Guerra Mundial, pedindo uma segunda Frente Ocidental com aliados
soviéticos para derrotar Hitler, irritaram muitos conservadores. Com o advento da Guerra Fria, suas
amizades com figuras artísticas de destaque acusadas de simpatizar com a causa comunista o colocaram
na mira das autoridades. O deputado John E. Rankin, um legislador de direita do Mississippi (Estados
Unidos), estava entre os que o denunciaram e exigiram sua deportação. A vida de Chaplin “é prejudicial
ao tecido moral da América”, disse Rankin, pedindo que ele fosse mantido “fora das telas americanas
e que suas imagens repugnantes sejam mantidas fora dos olhos da juventude americana”. Finalmente,
em 1952, o ator, súdito britânico e em 1975 nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth 2ª, foi
praticamente expulso dos Estados Unidos. De nada valeu seu “efeito incalculável em transformar o
cinema na forma de arte do século 20”, reconhecida pela Academia de Artes e Ciências
Cinematográficas daquele país 20 anos depois com um Oscar Honorário. Embarcando em um navio
com destino à Inglaterra, ele foi informado pelo Serviço de Imigração e Naturalização dos Estados
Unidos que sua reentrada naquele país seria negada a menos que estivesse disposto a responder às
acusações "de natureza política e torpeza moral". Indignado e farto do assédio implacável das
autoridades, os Chaplins se mudaram para a Suíça. Foi lá que ele morreu aos 88 anos, poucas horas
antes do início da tradicional festa de Natal de sua família. Sua quarta esposa, Oona, filha do
dramaturgo Eugene O'Neill, e sete de seus 11 filhos estavam com ele. O andarilho que fez 81 filmes
em uma vida cinematográfica que começou em 1914 e terminou em 1967 foi enterrado em uma
cerimônia privada dois dias depois nas colinas acima do Lago de Genebra. Mas isso, como antecipamos
no título, não foi o fim da história.
“Ridículo”
Em uma coda que parecia ter sido escrita por ele para um de seus primeiros curtas de comédia, vários
meses após sua morte, seu corpo foi apreendido por uma dupla de ladrões trapalhões. Em março de
1978, eles desenterraram o caixão para forçar a viúva de Chaplin, Oona, a pagar 400 mil libras
(equivalente a cerca de R$ 12 milhões em valores atuais). […] Ela se recusou a pagar dizendo "Charlie
teria achado ridículo". Em ligações subsequentes, os sequestradores ameaçaram ferir seus dois filhos
mais novos. A família manteve silêncio sobre os pedidos de resgate, mas isso não impediu que vários
rumores circulassem sobre o caixão desaparecido. [...] Enquanto isso, a polícia suíça montou uma
operação na qual 200 quiosques telefônicos foram monitorados e o telefone dos Chaplins, grampeado.
Cinco semanas depois, os autores do sequestro foram localizados e presos. O caixão foi encontrado mais tarde, enterrado em um milharal no Lago de Genebra. Um porta-voz dos Chaplins disse: “A
família está muito feliz e aliviada por esta provação ter acabado”. [...]
Inspiração italiana
Quase um ano após a morte de Chaplin, em seu julgamento em 11 de dezembro de 1978, um refugiado
polonês confessou a um tribunal suíço que desenterrou o corpo e tentou extorquir dinheiro da família
do comediante. Roman Wardas, um mecânico de automóveis de 24 anos, disse que não conseguiu um
emprego e estava passando por momentos difíceis quando leu um artigo de jornal sobre um caso
semelhante na Itália. […] Ele acrescentou que pediu a seu amigo Gantscho Ganev, um búlgaro de 38
anos, que o ajudasse a desenterrar o caixão em Corsier-sur-Vevey, perto da mansão onde Chaplin
morou por 23 anos. […] O co-réu disse ao tribunal: “Não me importei em levantar o caixão. A morte
não é tão importante de onde eu venho.” Ganev esclareceu que depois de ajudar Wardas naquela noite,
não se envolveu mais no assunto. [...] O caixão de Charlie Chaplin foi reenterrado no cemitério original,
desta vez em uma cova de concreto à prova de roubo.
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A misteriosa caverna britânica com desenhos que intrigam historiadores há 3 séculos
O administrador da caverna, Nicky Paton, indicou para mim as figuras, uma a uma. “Aquela é Santa
Catarina, na roda de execução. […] “E aquele é São Lourenço. Ele foi queimado até a morte sobre uma
grelha.” Em meio a essas aterradoras cenas cristãs, havia também imagens pagãs - um grande cavalo
entalhado e um símbolo de fertilidade conhecido como sheela na gig - uma mulher com órgãos sexuais
exagerados. Outra imagem retratava uma pessoa segurando um crânio na mão direita e uma vela na
esquerda, teoricamente representando uma cerimônia de iniciação. […] E, para tornar os entalhes ainda
mais assustadores, havia sua execução rudimentar, quase infantil. Imagine qual terá sido a surpresa das
pessoas que redescobriram por acaso a caverna de Royston, no verão de 1742. Escavando as fundações
para uma nova bancada no mercado de manteiga da cidade, um trabalhador encontrou uma pedra de
moinho enterrada e descobriu que ela escondia a entrada de um poço profundo na terra. Como ainda
não havia normas de saúde e segurança, um garoto que passava recebeu rapidamente uma vela e foi
baixado ao poço em uma corda para investigar. […] O que se descobriu no poço foi menos lucrativo,
mas muito mais misterioso: uma xícara quebrada e algumas joias, um crânio, ossos humanos e paredes
gravadas, de cima a baixo, com estranhas figuras sem expressão facial. Três séculos depois, a caverna
de Royston continua sendo um dos lugares mais misteriosos do Reino Unido. Cada vez surgem mais
teorias sobre o seu propósito, sem sequer chegar perto de uma resposta.
O mistério das origens
“O que torna a caverna tão curiosa para os visitantes e historiadores é que ela ainda é um enigma” […]
afirma Paton. “Principalmente porque não existe documentação sobre a sua existência antes daquela
descoberta acidental. […] Mas existem muitas teorias. Pessoas com tendências esotéricas afirmam que
a caverna fica na interseção de duas linhas de ley - caminhos antigos que, segundo se acredita, conectam
lugares com poder espiritual. Uma dessas linhas, a chamada Linha de Michael, também atravessa os
círculos de pedra de Stonehenge e Avebury. O que se pode verificar com mais facilidade é que a
caverna fica exatamente abaixo do entroncamento de duas estradas antigas muito importantes. […]
Hoje, uma grande lápide é tudo o que resta de uma cruz que ficava na junção das duas estradas. […] O
antiquário William Stukeley […] escreveu um estudo inicial sobre o seu propósito. Ele observou que
essas cruzes [...] tinham dois propósitos naquela era de alta religiosidade e baixos índices de
alfabetização: “relembrar as pessoas de fazer suas orações e guiá-las para o caminho a que elas queriam
ir”. As pessoas religiosas, segundo ele, construíam “celas e grutas em rochas, cavernas e ao lado das
estradas” […]. Existe na caverna um grande entalhe ilustrando São Cristóvão, o santo padroeiro dos
viajantes, o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função. Mas a teoria que
capturou a imaginação do público, mais do que qualquer outra, é que a caverna de Royston foi um
esconderijo subterrâneo dos cavaleiros templários - […] ordem de monges guerreiros que acumulou
vasta riqueza e influência em toda a Europa, até ser violentamente eliminada em 1307. Os templários
fundaram a cidade próxima de Baldock nos anos 1140 e existem documentos que comprovam que eles
faziam comércio semanalmente no mercado de manteiga de Royston entre 1149 e 1254. A historiadora
local Sylvia Beamon acredita que [...] “Uma capela templária provavelmente se tornou uma
necessidade maior do que qualquer outra coisa […] “Ela fornecia um refúgio noturno para os
comerciantes templários e... um armazém para os produtos do mercado.”
Como datar as gravuras?
Beamon interpreta o formato circular da caverna como referência à Igreja do Santo Sepulcro em
Jerusalém e sugeriu que os entalhes contêm símbolos da arte templária […]. Embora se acredite que a caverna tenha sido pintada com cores brilhantes, muito pouco pigmento ainda permanece […]. Não
existe outro material orgânico na caverna que possa ser datado. Os restos humanos […] foram perdidos
há muito tempo. De forma que a maneira mais confiável de datar os entalhes é um exame estilístico,
que foi conduzido em 2012 pelo Museu Real de Armas de Leeds, no Reino Unido. A análise concluiu
que as roupas curtas dos homens e os penteados e chapéus das mulheres indicam uma época entre 1360
e 1390 e a imagem de São Cristóvão foi datada da mesma época. O relatório concluiu ser improvável
que algum dos entalhes tenha sido feito antes de cerca de 1350 - um século depois da atividade dos
templários em Royston […]. Além disso, os entalhes apresentam iconografia cristã, sem o simbolismo
tipicamente associado aos templários […]. Os cavaleiros templários eram conhecidos pela construção
de igrejas redondas, mas a forma circular da caverna não é necessariamente uma ligação com os
templários. […] Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa. A mesma
imagem aparece em igrejas medievais no Reino Unido e no continente europeu. Então, por que essa
suposta conexão com os templários? [...] “O risco é que as pessoas tenham tentado contar histórias
desde o primeiro dia” […] afirma Tobit Curteis, responsável pela conservação da caverna. [...] A
professora Helen Nicholson, historiadora medieval […] concorda. “As pessoas na Inglaterra são
fascinadas pelos templários desde que eles foram proibidos, no século 14”, afirma ela. Os julgamentos
dos templários incluíram acusações de que eles conduziam cerimônias ocultas em lugares secretos
subterrâneos. “Na verdade, são histórias de terror góticas”, segundo Nicholson. [...]
'Incrivelmente especial'
O fascínio real da caverna, segundo Curteis, é sua sobrevivência e redescoberta. “Nós perdemos 99%
das outras obras de arte daquele período, de forma que a caverna é incrivelmente especial”, afirma ele.
[...] Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições e a mais
impressionante delas - a figura que segura um crânio em uma mão e uma vela na outra - permanece
sem explicação. Poderíamos facilmente reduzi-la a um grafite mistificador acrescentado pouco depois
da descoberta da caverna para atrair turistas, não fosse pela forma como ela se harmoniza com o crânio
humano, a cerâmica cerimonial e as joias também encontradas no local. Em uma era em que a maioria
dos mistérios é resolvida, a caverna de Royston continua a trazer mais perguntas do que respostas. Isso
inclui a questão mais fascinante de todas: o que mais permanece abaixo dos nossos pés, esperando para
ser encontrado?
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- MorfologiaVerbosElementos Estruturais
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo
A misteriosa caverna britânica com desenhos que intrigam historiadores há 3 séculos
O administrador da caverna, Nicky Paton, indicou para mim as figuras, uma a uma. “Aquela é Santa
Catarina, na roda de execução. […] “E aquele é São Lourenço. Ele foi queimado até a morte sobre uma
grelha.” Em meio a essas aterradoras cenas cristãs, havia também imagens pagãs - um grande cavalo
entalhado e um símbolo de fertilidade conhecido como sheela na gig - uma mulher com órgãos sexuais
exagerados. Outra imagem retratava uma pessoa segurando um crânio na mão direita e uma vela na
esquerda, teoricamente representando uma cerimônia de iniciação. […] E, para tornar os entalhes ainda
mais assustadores, havia sua execução rudimentar, quase infantil. Imagine qual terá sido a surpresa das
pessoas que redescobriram por acaso a caverna de Royston, no verão de 1742. Escavando as fundações
para uma nova bancada no mercado de manteiga da cidade, um trabalhador encontrou uma pedra de
moinho enterrada e descobriu que ela escondia a entrada de um poço profundo na terra. Como ainda
não havia normas de saúde e segurança, um garoto que passava recebeu rapidamente uma vela e foi
baixado ao poço em uma corda para investigar. […] O que se descobriu no poço foi menos lucrativo,
mas muito mais misterioso: uma xícara quebrada e algumas joias, um crânio, ossos humanos e paredes
gravadas, de cima a baixo, com estranhas figuras sem expressão facial. Três séculos depois, a caverna
de Royston continua sendo um dos lugares mais misteriosos do Reino Unido. Cada vez surgem mais
teorias sobre o seu propósito, sem sequer chegar perto de uma resposta.
O mistério das origens
“O que torna a caverna tão curiosa para os visitantes e historiadores é que ela ainda é um enigma” […]
afirma Paton. “Principalmente porque não existe documentação sobre a sua existência antes daquela
descoberta acidental. […] Mas existem muitas teorias. Pessoas com tendências esotéricas afirmam que
a caverna fica na interseção de duas linhas de ley - caminhos antigos que, segundo se acredita, conectam
lugares com poder espiritual. Uma dessas linhas, a chamada Linha de Michael, também atravessa os
círculos de pedra de Stonehenge e Avebury. O que se pode verificar com mais facilidade é que a
caverna fica exatamente abaixo do entroncamento de duas estradas antigas muito importantes. […]
Hoje, uma grande lápide é tudo o que resta de uma cruz que ficava na junção das duas estradas. […] O
antiquário William Stukeley […] escreveu um estudo inicial sobre o seu propósito. Ele observou que
essas cruzes [...] tinham dois propósitos naquela era de alta religiosidade e baixos índices de
alfabetização: “relembrar as pessoas de fazer suas orações e guiá-las para o caminho a que elas queriam
ir”. As pessoas religiosas, segundo ele, construíam “celas e grutas em rochas, cavernas e ao lado das
estradas” […]. Existe na caverna um grande entalhe ilustrando São Cristóvão, o santo padroeiro dos
viajantes, o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função. Mas a teoria que
capturou a imaginação do público, mais do que qualquer outra, é que a caverna de Royston foi um
esconderijo subterrâneo dos cavaleiros templários - […] ordem de monges guerreiros que acumulou
vasta riqueza e influência em toda a Europa, até ser violentamente eliminada em 1307. Os templários
fundaram a cidade próxima de Baldock nos anos 1140 e existem documentos que comprovam que eles
faziam comércio semanalmente no mercado de manteiga de Royston entre 1149 e 1254. A historiadora
local Sylvia Beamon acredita que [...] “Uma capela templária provavelmente se tornou uma
necessidade maior do que qualquer outra coisa […] “Ela fornecia um refúgio noturno para os
comerciantes templários e... um armazém para os produtos do mercado.”
Como datar as gravuras?
Beamon interpreta o formato circular da caverna como referência à Igreja do Santo Sepulcro em
Jerusalém e sugeriu que os entalhes contêm símbolos da arte templária […]. Embora se acredite que a caverna tenha sido pintada com cores brilhantes, muito pouco pigmento ainda permanece […]. Não
existe outro material orgânico na caverna que possa ser datado. Os restos humanos […] foram perdidos
há muito tempo. De forma que a maneira mais confiável de datar os entalhes é um exame estilístico,
que foi conduzido em 2012 pelo Museu Real de Armas de Leeds, no Reino Unido. A análise concluiu
que as roupas curtas dos homens e os penteados e chapéus das mulheres indicam uma época entre 1360
e 1390 e a imagem de São Cristóvão foi datada da mesma época. O relatório concluiu ser improvável
que algum dos entalhes tenha sido feito antes de cerca de 1350 - um século depois da atividade dos
templários em Royston […]. Além disso, os entalhes apresentam iconografia cristã, sem o simbolismo
tipicamente associado aos templários […]. Os cavaleiros templários eram conhecidos pela construção
de igrejas redondas, mas a forma circular da caverna não é necessariamente uma ligação com os
templários. […] Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa. A mesma
imagem aparece em igrejas medievais no Reino Unido e no continente europeu. Então, por que essa
suposta conexão com os templários? [...] “O risco é que as pessoas tenham tentado contar histórias
desde o primeiro dia” […] afirma Tobit Curteis, responsável pela conservação da caverna. [...] A
professora Helen Nicholson, historiadora medieval […] concorda. “As pessoas na Inglaterra são
fascinadas pelos templários desde que eles foram proibidos, no século 14”, afirma ela. Os julgamentos
dos templários incluíram acusações de que eles conduziam cerimônias ocultas em lugares secretos
subterrâneos. “Na verdade, são histórias de terror góticas”, segundo Nicholson. [...]
'Incrivelmente especial'
O fascínio real da caverna, segundo Curteis, é sua sobrevivência e redescoberta. “Nós perdemos 99%
das outras obras de arte daquele período, de forma que a caverna é incrivelmente especial”, afirma ele.
[...] Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições e a mais
impressionante delas - a figura que segura um crânio em uma mão e uma vela na outra - permanece
sem explicação. Poderíamos facilmente reduzi-la a um grafite mistificador acrescentado pouco depois
da descoberta da caverna para atrair turistas, não fosse pela forma como ela se harmoniza com o crânio
humano, a cerâmica cerimonial e as joias também encontradas no local. Em uma era em que a maioria
dos mistérios é resolvida, a caverna de Royston continua a trazer mais perguntas do que respostas. Isso
inclui a questão mais fascinante de todas: o que mais permanece abaixo dos nossos pés, esperando para
ser encontrado?
BBC News
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A misteriosa caverna britânica com desenhos que intrigam historiadores há 3 séculos
O administrador da caverna, Nicky Paton, indicou para mim as figuras, uma a uma. “Aquela é Santa
Catarina, na roda de execução. […] “E aquele é São Lourenço. Ele foi queimado até a morte sobre uma
grelha.” Em meio a essas aterradoras cenas cristãs, havia também imagens pagãs - um grande cavalo
entalhado e um símbolo de fertilidade conhecido como sheela na gig - uma mulher com órgãos sexuais
exagerados. Outra imagem retratava uma pessoa segurando um crânio na mão direita e uma vela na
esquerda, teoricamente representando uma cerimônia de iniciação. […] E, para tornar os entalhes ainda
mais assustadores, havia sua execução rudimentar, quase infantil. Imagine qual terá sido a surpresa das
pessoas que redescobriram por acaso a caverna de Royston, no verão de 1742. Escavando as fundações
para uma nova bancada no mercado de manteiga da cidade, um trabalhador encontrou uma pedra de
moinho enterrada e descobriu que ela escondia a entrada de um poço profundo na terra. Como ainda
não havia normas de saúde e segurança, um garoto que passava recebeu rapidamente uma vela e foi
baixado ao poço em uma corda para investigar. […] O que se descobriu no poço foi menos lucrativo,
mas muito mais misterioso: uma xícara quebrada e algumas joias, um crânio, ossos humanos e paredes
gravadas, de cima a baixo, com estranhas figuras sem expressão facial. Três séculos depois, a caverna
de Royston continua sendo um dos lugares mais misteriosos do Reino Unido. Cada vez surgem mais
teorias sobre o seu propósito, sem sequer chegar perto de uma resposta.
O mistério das origens
“O que torna a caverna tão curiosa para os visitantes e historiadores é que ela ainda é um enigma” […]
afirma Paton. “Principalmente porque não existe documentação sobre a sua existência antes daquela
descoberta acidental. […] Mas existem muitas teorias. Pessoas com tendências esotéricas afirmam que
a caverna fica na interseção de duas linhas de ley - caminhos antigos que, segundo se acredita, conectam
lugares com poder espiritual. Uma dessas linhas, a chamada Linha de Michael, também atravessa os
círculos de pedra de Stonehenge e Avebury. O que se pode verificar com mais facilidade é que a
caverna fica exatamente abaixo do entroncamento de duas estradas antigas muito importantes. […]
Hoje, uma grande lápide é tudo o que resta de uma cruz que ficava na junção das duas estradas. […] O
antiquário William Stukeley […] escreveu um estudo inicial sobre o seu propósito. Ele observou que
essas cruzes [...] tinham dois propósitos naquela era de alta religiosidade e baixos índices de
alfabetização: “relembrar as pessoas de fazer suas orações e guiá-las para o caminho a que elas queriam
ir”. As pessoas religiosas, segundo ele, construíam “celas e grutas em rochas, cavernas e ao lado das
estradas” […]. Existe na caverna um grande entalhe ilustrando São Cristóvão, o santo padroeiro dos
viajantes, o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função. Mas a teoria que
capturou a imaginação do público, mais do que qualquer outra, é que a caverna de Royston foi um
esconderijo subterrâneo dos cavaleiros templários - […] ordem de monges guerreiros que acumulou
vasta riqueza e influência em toda a Europa, até ser violentamente eliminada em 1307. Os templários
fundaram a cidade próxima de Baldock nos anos 1140 e existem documentos que comprovam que eles
faziam comércio semanalmente no mercado de manteiga de Royston entre 1149 e 1254. A historiadora
local Sylvia Beamon acredita que [...] “Uma capela templária provavelmente se tornou uma
necessidade maior do que qualquer outra coisa […] “Ela fornecia um refúgio noturno para os
comerciantes templários e... um armazém para os produtos do mercado.”
Como datar as gravuras?
Beamon interpreta o formato circular da caverna como referência à Igreja do Santo Sepulcro em
Jerusalém e sugeriu que os entalhes contêm símbolos da arte templária […]. Embora se acredite que a caverna tenha sido pintada com cores brilhantes, muito pouco pigmento ainda permanece […]. Não
existe outro material orgânico na caverna que possa ser datado. Os restos humanos […] foram perdidos
há muito tempo. De forma que a maneira mais confiável de datar os entalhes é um exame estilístico,
que foi conduzido em 2012 pelo Museu Real de Armas de Leeds, no Reino Unido. A análise concluiu
que as roupas curtas dos homens e os penteados e chapéus das mulheres indicam uma época entre 1360
e 1390 e a imagem de São Cristóvão foi datada da mesma época. O relatório concluiu ser improvável
que algum dos entalhes tenha sido feito antes de cerca de 1350 - um século depois da atividade dos
templários em Royston […]. Além disso, os entalhes apresentam iconografia cristã, sem o simbolismo
tipicamente associado aos templários […]. Os cavaleiros templários eram conhecidos pela construção
de igrejas redondas, mas a forma circular da caverna não é necessariamente uma ligação com os
templários. […] Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa. A mesma
imagem aparece em igrejas medievais no Reino Unido e no continente europeu. Então, por que essa
suposta conexão com os templários? [...] “O risco é que as pessoas tenham tentado contar histórias
desde o primeiro dia” […] afirma Tobit Curteis, responsável pela conservação da caverna. [...] A
professora Helen Nicholson, historiadora medieval […] concorda. “As pessoas na Inglaterra são
fascinadas pelos templários desde que eles foram proibidos, no século 14”, afirma ela. Os julgamentos
dos templários incluíram acusações de que eles conduziam cerimônias ocultas em lugares secretos
subterrâneos. “Na verdade, são histórias de terror góticas”, segundo Nicholson. [...]
'Incrivelmente especial'
O fascínio real da caverna, segundo Curteis, é sua sobrevivência e redescoberta. “Nós perdemos 99%
das outras obras de arte daquele período, de forma que a caverna é incrivelmente especial”, afirma ele.
[...] Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições e a mais
impressionante delas - a figura que segura um crânio em uma mão e uma vela na outra - permanece
sem explicação. Poderíamos facilmente reduzi-la a um grafite mistificador acrescentado pouco depois
da descoberta da caverna para atrair turistas, não fosse pela forma como ela se harmoniza com o crânio
humano, a cerâmica cerimonial e as joias também encontradas no local. Em uma era em que a maioria
dos mistérios é resolvida, a caverna de Royston continua a trazer mais perguntas do que respostas. Isso
inclui a questão mais fascinante de todas: o que mais permanece abaixo dos nossos pés, esperando para
ser encontrado?
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I. incrivelmente e II. desobstrução e assinale a alternativa que apresenta todos os afixos que foram incorporados às respectivas palavras primitivas em seus processos de derivação.
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A misteriosa caverna britânica com desenhos que intrigam historiadores há 3 séculos
O administrador da caverna, Nicky Paton, indicou para mim as figuras, uma a uma. “Aquela é Santa
Catarina, na roda de execução. […] “E aquele é São Lourenço. Ele foi queimado até a morte sobre uma
grelha.” Em meio a essas aterradoras cenas cristãs, havia também imagens pagãs - um grande cavalo
entalhado e um símbolo de fertilidade conhecido como sheela na gig - uma mulher com órgãos sexuais
exagerados. Outra imagem retratava uma pessoa segurando um crânio na mão direita e uma vela na
esquerda, teoricamente representando uma cerimônia de iniciação. […] E, para tornar os entalhes ainda
mais assustadores, havia sua execução rudimentar, quase infantil. Imagine qual terá sido a surpresa das
pessoas que redescobriram por acaso a caverna de Royston, no verão de 1742. Escavando as fundações
para uma nova bancada no mercado de manteiga da cidade, um trabalhador encontrou uma pedra de
moinho enterrada e descobriu que ela escondia a entrada de um poço profundo na terra. Como ainda
não havia normas de saúde e segurança, um garoto que passava recebeu rapidamente uma vela e foi
baixado ao poço em uma corda para investigar. […] O que se descobriu no poço foi menos lucrativo,
mas muito mais misterioso: uma xícara quebrada e algumas joias, um crânio, ossos humanos e paredes
gravadas, de cima a baixo, com estranhas figuras sem expressão facial. Três séculos depois, a caverna
de Royston continua sendo um dos lugares mais misteriosos do Reino Unido. Cada vez surgem mais
teorias sobre o seu propósito, sem sequer chegar perto de uma resposta.
O mistério das origens
“O que torna a caverna tão curiosa para os visitantes e historiadores é que ela ainda é um enigma” […]
afirma Paton. “Principalmente porque não existe documentação sobre a sua existência antes daquela
descoberta acidental. […] Mas existem muitas teorias. Pessoas com tendências esotéricas afirmam que
a caverna fica na interseção de duas linhas de ley - caminhos antigos que, segundo se acredita, conectam
lugares com poder espiritual. Uma dessas linhas, a chamada Linha de Michael, também atravessa os
círculos de pedra de Stonehenge e Avebury. O que se pode verificar com mais facilidade é que a
caverna fica exatamente abaixo do entroncamento de duas estradas antigas muito importantes. […]
Hoje, uma grande lápide é tudo o que resta de uma cruz que ficava na junção das duas estradas. […] O
antiquário William Stukeley […] escreveu um estudo inicial sobre o seu propósito. Ele observou que
essas cruzes [...] tinham dois propósitos naquela era de alta religiosidade e baixos índices de
alfabetização: “relembrar as pessoas de fazer suas orações e guiá-las para o caminho a que elas queriam
ir”. As pessoas religiosas, segundo ele, construíam “celas e grutas em rochas, cavernas e ao lado das
estradas” […]. Existe na caverna um grande entalhe ilustrando São Cristóvão, o santo padroeiro dos
viajantes, o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função. Mas a teoria que
capturou a imaginação do público, mais do que qualquer outra, é que a caverna de Royston foi um
esconderijo subterrâneo dos cavaleiros templários - […] ordem de monges guerreiros que acumulou
vasta riqueza e influência em toda a Europa, até ser violentamente eliminada em 1307. Os templários
fundaram a cidade próxima de Baldock nos anos 1140 e existem documentos que comprovam que eles
faziam comércio semanalmente no mercado de manteiga de Royston entre 1149 e 1254. A historiadora
local Sylvia Beamon acredita que [...] “Uma capela templária provavelmente se tornou uma
necessidade maior do que qualquer outra coisa […] “Ela fornecia um refúgio noturno para os
comerciantes templários e... um armazém para os produtos do mercado.”
Como datar as gravuras?
Beamon interpreta o formato circular da caverna como referência à Igreja do Santo Sepulcro em
Jerusalém e sugeriu que os entalhes contêm símbolos da arte templária […]. Embora se acredite que a caverna tenha sido pintada com cores brilhantes, muito pouco pigmento ainda permanece […]. Não
existe outro material orgânico na caverna que possa ser datado. Os restos humanos […] foram perdidos
há muito tempo. De forma que a maneira mais confiável de datar os entalhes é um exame estilístico,
que foi conduzido em 2012 pelo Museu Real de Armas de Leeds, no Reino Unido. A análise concluiu
que as roupas curtas dos homens e os penteados e chapéus das mulheres indicam uma época entre 1360
e 1390 e a imagem de São Cristóvão foi datada da mesma época. O relatório concluiu ser improvável
que algum dos entalhes tenha sido feito antes de cerca de 1350 - um século depois da atividade dos
templários em Royston […]. Além disso, os entalhes apresentam iconografia cristã, sem o simbolismo
tipicamente associado aos templários […]. Os cavaleiros templários eram conhecidos pela construção
de igrejas redondas, mas a forma circular da caverna não é necessariamente uma ligação com os
templários. […] Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa. A mesma
imagem aparece em igrejas medievais no Reino Unido e no continente europeu. Então, por que essa
suposta conexão com os templários? [...] “O risco é que as pessoas tenham tentado contar histórias
desde o primeiro dia” […] afirma Tobit Curteis, responsável pela conservação da caverna. [...] A
professora Helen Nicholson, historiadora medieval […] concorda. “As pessoas na Inglaterra são
fascinadas pelos templários desde que eles foram proibidos, no século 14”, afirma ela. Os julgamentos
dos templários incluíram acusações de que eles conduziam cerimônias ocultas em lugares secretos
subterrâneos. “Na verdade, são histórias de terror góticas”, segundo Nicholson. [...]
'Incrivelmente especial'
O fascínio real da caverna, segundo Curteis, é sua sobrevivência e redescoberta. “Nós perdemos 99%
das outras obras de arte daquele período, de forma que a caverna é incrivelmente especial”, afirma ele.
[...] Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições e a mais
impressionante delas - a figura que segura um crânio em uma mão e uma vela na outra - permanece
sem explicação. Poderíamos facilmente reduzi-la a um grafite mistificador acrescentado pouco depois
da descoberta da caverna para atrair turistas, não fosse pela forma como ela se harmoniza com o crânio
humano, a cerâmica cerimonial e as joias também encontradas no local. Em uma era em que a maioria
dos mistérios é resolvida, a caverna de Royston continua a trazer mais perguntas do que respostas. Isso
inclui a questão mais fascinante de todas: o que mais permanece abaixo dos nossos pés, esperando para
ser encontrado?
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Considere os excertos:
I. “Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições”
II. “o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função.”
As palavras “alguém” e “este” nas sentenças dadas são, respectivamente:
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A misteriosa caverna britânica com desenhos que intrigam historiadores há 3 séculos
O administrador da caverna, Nicky Paton, indicou para mim as figuras, uma a uma. “Aquela é Santa
Catarina, na roda de execução. […] “E aquele é São Lourenço. Ele foi queimado até a morte sobre uma
grelha.” Em meio a essas aterradoras cenas cristãs, havia também imagens pagãs - um grande cavalo
entalhado e um símbolo de fertilidade conhecido como sheela na gig - uma mulher com órgãos sexuais
exagerados. Outra imagem retratava uma pessoa segurando um crânio na mão direita e uma vela na
esquerda, teoricamente representando uma cerimônia de iniciação. […] E, para tornar os entalhes ainda
mais assustadores, havia sua execução rudimentar, quase infantil. Imagine qual terá sido a surpresa das
pessoas que redescobriram por acaso a caverna de Royston, no verão de 1742. Escavando as fundações
para uma nova bancada no mercado de manteiga da cidade, um trabalhador encontrou uma pedra de
moinho enterrada e descobriu que ela escondia a entrada de um poço profundo na terra. Como ainda
não havia normas de saúde e segurança, um garoto que passava recebeu rapidamente uma vela e foi
baixado ao poço em uma corda para investigar. […] O que se descobriu no poço foi menos lucrativo,
mas muito mais misterioso: uma xícara quebrada e algumas joias, um crânio, ossos humanos e paredes
gravadas, de cima a baixo, com estranhas figuras sem expressão facial. Três séculos depois, a caverna
de Royston continua sendo um dos lugares mais misteriosos do Reino Unido. Cada vez surgem mais
teorias sobre o seu propósito, sem sequer chegar perto de uma resposta.
O mistério das origens
“O que torna a caverna tão curiosa para os visitantes e historiadores é que ela ainda é um enigma” […]
afirma Paton. “Principalmente porque não existe documentação sobre a sua existência antes daquela
descoberta acidental. […] Mas existem muitas teorias. Pessoas com tendências esotéricas afirmam que
a caverna fica na interseção de duas linhas de ley - caminhos antigos que, segundo se acredita, conectam
lugares com poder espiritual. Uma dessas linhas, a chamada Linha de Michael, também atravessa os
círculos de pedra de Stonehenge e Avebury. O que se pode verificar com mais facilidade é que a
caverna fica exatamente abaixo do entroncamento de duas estradas antigas muito importantes. […]
Hoje, uma grande lápide é tudo o que resta de uma cruz que ficava na junção das duas estradas. […] O
antiquário William Stukeley […] escreveu um estudo inicial sobre o seu propósito. Ele observou que
essas cruzes [...] tinham dois propósitos naquela era de alta religiosidade e baixos índices de
alfabetização: “relembrar as pessoas de fazer suas orações e guiá-las para o caminho a que elas queriam
ir”. As pessoas religiosas, segundo ele, construíam “celas e grutas em rochas, cavernas e ao lado das
estradas” […]. Existe na caverna um grande entalhe ilustrando São Cristóvão, o santo padroeiro dos
viajantes, o que dá credibilidade à teoria de que a caverna servia a este tipo de função. Mas a teoria que
capturou a imaginação do público, mais do que qualquer outra, é que a caverna de Royston foi um
esconderijo subterrâneo dos cavaleiros templários - […] ordem de monges guerreiros que acumulou
vasta riqueza e influência em toda a Europa, até ser violentamente eliminada em 1307. Os templários
fundaram a cidade próxima de Baldock nos anos 1140 e existem documentos que comprovam que eles
faziam comércio semanalmente no mercado de manteiga de Royston entre 1149 e 1254. A historiadora
local Sylvia Beamon acredita que [...] “Uma capela templária provavelmente se tornou uma
necessidade maior do que qualquer outra coisa […] “Ela fornecia um refúgio noturno para os
comerciantes templários e... um armazém para os produtos do mercado.”
Como datar as gravuras?
Beamon interpreta o formato circular da caverna como referência à Igreja do Santo Sepulcro em
Jerusalém e sugeriu que os entalhes contêm símbolos da arte templária […]. Embora se acredite que a caverna tenha sido pintada com cores brilhantes, muito pouco pigmento ainda permanece […]. Não
existe outro material orgânico na caverna que possa ser datado. Os restos humanos […] foram perdidos
há muito tempo. De forma que a maneira mais confiável de datar os entalhes é um exame estilístico,
que foi conduzido em 2012 pelo Museu Real de Armas de Leeds, no Reino Unido. A análise concluiu
que as roupas curtas dos homens e os penteados e chapéus das mulheres indicam uma época entre 1360
e 1390 e a imagem de São Cristóvão foi datada da mesma época. O relatório concluiu ser improvável
que algum dos entalhes tenha sido feito antes de cerca de 1350 - um século depois da atividade dos
templários em Royston […]. Além disso, os entalhes apresentam iconografia cristã, sem o simbolismo
tipicamente associado aos templários […]. Os cavaleiros templários eram conhecidos pela construção
de igrejas redondas, mas a forma circular da caverna não é necessariamente uma ligação com os
templários. […] Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa. A mesma
imagem aparece em igrejas medievais no Reino Unido e no continente europeu. Então, por que essa
suposta conexão com os templários? [...] “O risco é que as pessoas tenham tentado contar histórias
desde o primeiro dia” […] afirma Tobit Curteis, responsável pela conservação da caverna. [...] A
professora Helen Nicholson, historiadora medieval […] concorda. “As pessoas na Inglaterra são
fascinadas pelos templários desde que eles foram proibidos, no século 14”, afirma ela. Os julgamentos
dos templários incluíram acusações de que eles conduziam cerimônias ocultas em lugares secretos
subterrâneos. “Na verdade, são histórias de terror góticas”, segundo Nicholson. [...]
'Incrivelmente especial'
O fascínio real da caverna, segundo Curteis, é sua sobrevivência e redescoberta. “Nós perdemos 99%
das outras obras de arte daquele período, de forma que a caverna é incrivelmente especial”, afirma ele.
[...] Alguém, provavelmente em meados ou no final dos anos 1300, fez aquelas inscrições e a mais
impressionante delas - a figura que segura um crânio em uma mão e uma vela na outra - permanece
sem explicação. Poderíamos facilmente reduzi-la a um grafite mistificador acrescentado pouco depois
da descoberta da caverna para atrair turistas, não fosse pela forma como ela se harmoniza com o crânio
humano, a cerâmica cerimonial e as joias também encontradas no local. Em uma era em que a maioria
dos mistérios é resolvida, a caverna de Royston continua a trazer mais perguntas do que respostas. Isso
inclui a questão mais fascinante de todas: o que mais permanece abaixo dos nossos pés, esperando para
ser encontrado?
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Considere os excertos:
I. “Nem a presença de símbolos pagãos, como a sheela na gig, é tão misteriosa.”
II. “Cada vez surgem mais teorias sobre o seu propósito”
Nas sentenças dadas, os verbos “é” e “surgem” são, respectivamente:
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