Foram encontradas 609 questões.
Em uma campanha de arrecadação para revitalizar a
praça central de uma cidade, quatro comerciantes (X, Y,
Z e W) decidiram contribuir com um total de R$
80.000,00.
As contribuições foram feitas da seguinte forma:
“X” doou (1/2) do valor total. “Y” doou (8/32) do valor que “X” doou. “Z” doou 1,5 vezes o valor que “Y” doou. “W” completou o restante necessário para atingir os R$ 80.000,00.
Assinale a assertiva que apresenta 30% do valor doado por “W”.
As contribuições foram feitas da seguinte forma:
“X” doou (1/2) do valor total. “Y” doou (8/32) do valor que “X” doou. “Z” doou 1,5 vezes o valor que “Y” doou. “W” completou o restante necessário para atingir os R$ 80.000,00.
Assinale a assertiva que apresenta 30% do valor doado por “W”.
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4027705
Ano: 2026
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Funatec
Orgão: Pref. Vitória Mearim-MA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Funatec
Orgão: Pref. Vitória Mearim-MA
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Durante uma atividade avaliativa, uma professora
propôs aos alunos o seguinte desafio lógico, valendo
pontos extras:
“Qual expressão lógica é logicamente equivalente à expressão: (¬p) → q)?”
Um de seus alunos respondeu prontamente de forma correta o desafio.
Assinale a alternativa que apresenta a resposta que esse apresentou.
“Qual expressão lógica é logicamente equivalente à expressão: (¬p) → q)?”
Um de seus alunos respondeu prontamente de forma correta o desafio.
Assinale a alternativa que apresenta a resposta que esse apresentou.
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4027704
Ano: 2026
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Funatec
Orgão: Pref. Vitória Mearim-MA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Funatec
Orgão: Pref. Vitória Mearim-MA
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Em um sistema de segurança digital, uma regra foi
definida da seguinte forma:
"Se o usuário digitar a senha correta, então o acesso será concedido."
Com base no ponto de vista lógico, assinale a assertiva que nega corretamente a regra citada.
"Se o usuário digitar a senha correta, então o acesso será concedido."
Com base no ponto de vista lógico, assinale a assertiva que nega corretamente a regra citada.
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
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Uma breve história da violência
“Ninguém que se tenha dedicado a pensar a história e a política pode permanecer alheio ao enorme papel que a violência sempre
desempenhou nos negócios humanos, e, à primeira vista, é surpreendente que a violência tenha sido raramente escolhida como
objeto de consideração especial. (Na última edição da Enciclopédia de Ciências Sociais, “violência” nem sequer merece
menção.) Isso indica quanto a violência e sua arbitrariedade foram consideradas corriqueiras e, portanto, negligenciadas;
ninguém questiona ou examina o que é óbvio para todos. Aqueles que viram apenas violência nos assuntos humanos,
convencidos de que eles eram “sempre fortuitos, nem sérios nem precisos” (Renan), ou de que Deus sempre esteve com os
maiores batalhões, nada mais tinham a dizer a respeito da violência ou da história. Quem quer que tenha procurado algum sentido
nos registros do passado viu-se quase obrigado a enxergar a violência como um fenômeno marginal. Seja Clausewitz
denominando a guerra como a “continuação da política por outros meios”, seja Engels definindo a violência como o acelerador
do desenvolvimento econômico, a ênfase recai sobre a continuidade política ou econômica” (Hannah Arendt).
Como constatou Hannah Arendt, no fragmento que constitui a epígrafe deste livro, não é possível compreender a história humana
sem a violência. Essa sentença não exprime apenas um juízo de valor ou uma condenação moral, mas uma constatação
estrutural, que exige ser enfrentada em suas múltiplas dimensões filosóficas, econômicas, políticas e culturais. A violência não
constitui mera exceção ao curso da história, um desvio ocasional em tempos de guerra ou instabilidade, mas uma condição
constitutiva das formas sociais.
Longe de se limitar a episódios de repressão estatal, conflitos armados ou convulsões sociais visíveis, a violência se manifesta
de maneira difusa, institucional e legitimada, organizando a vida coletiva desde seus alicerces.
Ela funda ordens políticas ao definir quem governa e quem obedece, legitima instituições ao silenciar os vencidos em nome da
estabilidade, molda culturas ao determinar o que pode ser lembrado e o que será esquecido, desloca populações inteiras por
meio da guerra, do colonialismo ou da especulação urbana, estabelece direitos ao mesmo tempo em que os nega a outros, produz
riqueza expropriando corpos, terras e saberes, impõe fronteiras simbólicas e geopolíticas que distinguem os “civilizados” dos
“bárbaros”, os incluídos dos descartáveis.
Nesse sentido, a violência é mais do que um ato: é uma lógica, um dispositivo histórico de organização da desigualdade, que
atravessa as instituições e opera sob a aparência de normalidade. Ao compreender isso, não se trata de naturalizar a violência,
mas de reconhecê-la como motor oculto de muitos processos que costumamos celebrar como progresso, civilização ou ordem.
Ignorar esse traço estrutural é perpetuar sua invisibilidade e dificultar qualquer tentativa efetiva de transformação social. Como
advertiu Arendt, o desafio não é apenas denunciar a violência, mas desmascarar sua banalidade, sua presença silenciosa e
reiterada no tecido ordinário da história humana.
Nesse contexto, a guerra também não se apresenta como um desvio da racionalidade política, mas a sua expressão concentrada,
como sugerem diversas leituras críticas da tradição realista. Invertendo a célebre máxima de Carl Clausewitz (2014), pode-se
afirmar que a paz não é o contrário da guerra, mas sua forma administrada, sua continuidade sob outros meios e disfarces. Os
períodos considerados pacíficos, na verdade, muitas vezes representam apenas momentos de dominação estabilizada, nos quais
os mecanismos de coerção física, simbólica e econômica operam de forma eficiente e naturalizada.
Essa perspectiva desestabiliza a noção moderna de progresso como trajetória ascendente da razão, da moral ou da técnica.
Progresso e destruição caminham juntos. O desenvolvimento de tecnologias de transporte, comunicação e produção esteve
frequentemente atrelado à lógica bélica, à exploração colonial, à escravização de povos inteiros e à apropriação forçada de
territórios e recursos. A racionalidade técnica que hoje celebramos como inovação surgiu, muitas vezes, em laboratórios
militares, campos de batalha ou regimes de vigilância.
As grandes obras da civilização como as pirâmides, impérios, muralhas, cidades monumentais, foram erguidas sobre os
escombros da barbárie, sustentadas pelo sofrimento anônimo dos vencidos, escravizados ou silenciados. Talvez a diferença
entre civilização e barbárie não resida tanto nas práticas, mas nos discursos que as legitimam.
Chamamos de civilização quando a violência é institucionalizada, eficaz e reconhecida como necessária. Chamamos de barbárie
quando ela nos escapa ao controle, nos ameaça ou nos expõe. Nesse sentido, a linguagem é cúmplice da dominação: nomear,
ocultar, eufemizar são formas de continuar a guerra sob o signo da razão.
Compreender isso exige não a negação das conquistas humanas, mas uma crítica radical à sua genealogia. Por isso, a história da
humanidade não pode ser escrita como epopeia do progresso, mas como uma crônica tensa entre violência e sentido, dominação
e resistência, memória e esquecimento.
(Texto de autoria de José Micaelson Lacerda Morais. Uma breve história da violência: poder, progresso e o motor bélico da humanidade. Independently Published, 2025).
“Experimente agora o novo sabor que vai conquistar você.”
Aqui predomina a função:
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