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A tabela a seguir apresenta o registro do valor de conta de água de uma unidade habitacional ao longo de doze meses. Veja:
| Mês | Janeiro | Fevereiro | Março |
| Valor | R$ 42,60 | R$ 45,80 | R$ 48,00 |
| Mês | Abril | Maio | Junho |
| Valor | R$ 44,40 | R$ 41,50 | R$ 39,80 |
| Mês | Julho | Agosto | Setembro |
| Valor | R$ 35,60 | R$ 42,00 | R$ 44,30 |
| Mês | Outubro | Novembro | Dezembro |
| Valor | R$ 44,30 | R$ 49,00 | R$ 50,46 |
Qual das alternativas apresenta, respectivamente, a mediana e a média aritmética do valor da conta de água dessa unidade ao longo do ano?
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Considere que existe um reservatório cheio em formato piramidal de base quadrada, sendo que o lado da base mede 4,5 metros de comprimento, e a altura do reservatório é igual a 6 metros. Para transportar toda a água desse reservatório para um cilindro de base com raio igual a 1,5 metros, qual deve ser a altura mínima aproximada desse reservatório com formato de cilindro? (Seja π = 3).
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É importante fazer o acompanhamento do quão estão cheias represas de água, para evitar que cheguem a níveis críticos de segurança. A tabela a seguir apresenta a evolução do quão preenchidas estão três represas ao longo de seis meses de um ano:
| Represa | JUN | JUL | AGO | SET | OUT | NOV |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 98% | 96% | 95% | 95% | 97% | 99% |
| 2 | 84% | 87% | 88% | 88% | 90% | 95% |
| 3 | 91% | 93% | 94% | 94% | 96% | 98% |
Acerca dos dados da tabela acima, é CORRETO afirmar:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Analise as assertivas abaixo, acerca da análise sintática de orações do texto:
I. Na frase Estudava o suficiente para passar de ano (l.3-4), o sujeito é simples, cujo núcleo é Eu.
II. Na frase as matérias me pareciam tão inúteis (l.50-51), os termos sublinhados cumprem a função de objeto indireto da oração.
III. Na frase A escola era como um país estrangeiro (l.34-35), os termos sublinhados exercem a função de predicado.
Está(ão) CORRETA(S):
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Na frase Havia um pátio, havia um bar, havia um portão fechado, havia os banheiros e a biblioteca (l.44-45), a repetição da expressão havia pode ser analisada sob a perspectiva da semântica. Essa repetição é um exemplo de:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
No trecho em que a autora menciona que a escola era como um país estrangeiro (l.34-35), a expressão país estrangeiro é utilizada em um sentido conotativo. Assinale a alternativa que melhor explica essa escolha da expressão.
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Considere o vocábulo hierarquia (l.49) e analise as assertivas que seguem:
I. O vocábulo possui oito fonemas.
II. O vocábulo possui dois dígrafos.
III. O vocábulo possui um encontro consonantal perfeito.
Está(ão) CORRETA(S):
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Na frase Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e hierarquia (I.48-49), a palavra entre exerce a função de:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Na frase Estudava o suficiente para passar de ano, mas não aprendia de verdade (I.3-4), 0 emprego da virgula entre as orações tem a função de:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
A intertextualidade ocorre quando um texto faz referência a outro, criando uma rede de significados. No texto de Martha Medeiros, a intertextualidade com a obra Carta ao pai, de Franz Kafka, cumpre a função de:
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