Foram encontradas 314 questões.
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
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Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
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Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
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Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
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Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
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Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
Considere as seguintes afirmações:
1. A justiça restaurativa é fundamentalmente conciliatória.
2. Ela é conciliatória ao pretender mediar os conflitos.
Essas afirmações articulam-se com clareza, coerência e correção neste período:
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Os caminhos para a reconciliação
Existe um setor do nosso sistema de justiça que trabalha em nome de reconciliação. Ele atua mediando conflitos de todo tipo.
Ele busca uma sociedade reconciliada, livre e madura. Eu não sabia de sua existência até ser convidada para palestrar num encontro
de mulheres sobre o tema da Justiça Restaurativa, realizado em Brasília. Quando me dediquei a estudar o assunto, fiquei
absolutamente perplexa e emocionada.
Qualquer pessoa que já se propôs a enfrentar um processo de reconciliação na vida, em qualquer escala, sabe que a
empreitada não é fácil. Muitas vezes, ao encarar "o outro lado", a gente se dá conta de estar olhando no espelho e essa revelação é
perturbadora.
Não se trata aqui de diminuir a gravidade de crimes cometidos e a responsabilidade do criminoso. Muito pelo contrário. Trata se de uma tentativa honesta de reconciliar um país e de compreender que estruturas de poder segregacionistas produzem
segregação e autorizam comportamentos. Como disse Nelson Mandela: se sabemos como ensinar pessoas a odiar umas às outras
também podemos ensiná-las a amar.
A justiça restaurativa é um conjunto ordenado e sistêmico de princípios, métodos, técnicas e atividades próprias, que visa à
conscientização sobre os fatores relacionais, institucionais e sociais motivadores de conflitos. É um conceito que implica a sociedade
na formação das pessoas que nela vivem. É a ideia de que a sociedade é corresponsável pelos crimes que seus membros cometem.
Como poderia ser diferente? Uma sociedade que se quer inocente dos horrores que dentro dela operam não é uma sociedade justa e
igualitária.
A luta pela reconciliação encontra abrigo nesse setor da justiça, e acredita que a reconciliação se faz por restauração do
diálogo e não por cancelamentos ou prisões. O poder da transformação positiva de pessoas e de comunidades não será o que temos
de mais humano?
(Adaptado de: LACOMBE, Milly. São Paulo: Folha de S. Paulo, 27/03/25)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas
as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras,
de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computadora tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o
escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que
traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta específica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas
insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série; estou pensando
numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos
atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as
iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio
programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede de prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se
insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Barni. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)
A redação da frase acima permanecerá coerente e correta na seguinte reconstrução:
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[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas
as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras,
de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computadora tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o
escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que
traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta específica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas
insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série; estou pensando
numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos
atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as
iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio
programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede de prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se
insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Barni. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)
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[A máquina funcional e a arte literária]
O homem está começando a entender como se desmonta e como se torna a montar a mais complicada e imprevisível de todas
as suas máquinas: a linguagem. O mundo de hoje, em relação àquele que cercava o homem primitivo, é muito mais rico de palavras,
de conceitos e de signos. Mas é sobretudo mais rico em operações computacionais.
Entregue-se a um computadora tarefa de realizar operações de fato criativas: será a máquina capaz de substituir o poeta e o
escritor? Assim como já temos máquinas que leem, máquinas que executam análises linguísticas de textos literários, máquinas que
traduzem, máquinas que resumem, teríamos, então, máquinas capazes de criar e compor poemas e romances?
O que interessa nem tanto é essa pergunta específica, mas sua viabilidade teórica, que poderia abrir uma série de conjecturas
insólitas. Nesse momento, não estou pensando numa máquina capaz apenas de uma produção literária em série; estou pensando
numa máquina que escreva e ponha em jogo, na página, todos aqueles elementos que costumamos considerar como os mais ciosos
atributos da intimidade psicológica, da experiência, da imprevisibilidade das mudanças de humor, os sobressaltos, as aflições e as
iluminações interiores. E o que seriam eles, senão um número correspondente de campos linguísticos, dos quais podemos tranquilamente chegar a estabelecer léxico, gramática, sintaxe e propriedades permutativas?
Com efeito, já que os desenvolvimentos da cibernética têm por alvo máquinas capazes de aprender, de mudar o próprio
programa, de desenvolver suas próprias necessidades, nada nos impede de prever uma máquina literária que, a certa altura, sinta-se
insatisfeita com o próprio tradicionalismo de suas funções e comece a propor novas maneiras de entender a escritura e a desorganizar completamente os próprios códigos, na busca não apenas de uma nova linguagem, mas de novas percepções do mundo.
(Adaptado de: CALVINO, Italo. Assunto encerrado. Trad. Roberta Barni. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 203-204)
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante deverá ser
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