Magna Concursos

Foram encontradas 260 questões.

Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
    Mas o grande perigo da crítica é um dedutivismo ingênuo que, partindo de uma pré-noção, acha no seu campo de pesquisas apenas aquilo que procura. Veja-se, por exemplo, o caso de Taine. Já Edmond Schérer, num dos seus "estudos" mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana da arte ou da história literária. Em vez de proceder por indução, Taine deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formar o caráter de uma época ou o espírito de uma literatura.

   Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista, para abrir uma picada no mato virgem dos fatos. Mas também não deve esquecer que, além da clareira mensurável, começa a exuberância das probabilidades, como uma floresta de interrogações. Respeitar o outro lado provável das coisas, admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática para quem não gosta de tropeçar em surpresas irônicas.
(Adaptado de: MEYER, Augusto, "Mas...", Machado de Assis (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008, p. 65)
Considere o seguinte trecho da Ética a Nicômacos, de Aristóteles:

Nossa discussão será apropriada se tiver tanta clareza quanto comporta o assunto, pois não se deve exigir a precisão em todos os raciocínios por igual [...]. E é dentro do mesmo espírito que cada proposição deverá ser recebida, pois é próprio do hoтeт culto buscar a precisão, em cada gênero de coisas, apenas na medida em que a admite a natureza do assunto.

(Adaptado de: Aristóteles. Ética a Nicômacos. Brasília: Editora UnB, 3.ed., 1992, p.18)

Confrontando o trecho acima com o texto de Augusto Meyer, considere as seguintes afirmativas:

I. Enquanto Aristóteles demonstra conhecer seu objeto o suficiente para estimar o teor de suas proposições, Augusto Meyer considera, em sua abordagem, a possibilidade do novo.
II. Em ambos os textos, busca-se uma adequação entre método e objeto a ser analisado, a qual tem como ponto de partida a consideração das características do objeto.
III. Aristóteles, ao dizer que não se deve exigir a precisão em todos os raciocínios por igual assemelha-se, quanto ao método, a Taine, que, segundo Augusto Meyer, deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formaro caráter de uma época.

Está correto o que se afirma em
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
    Mas o grande perigo da crítica é um dedutivismo ingênuo que, partindo de uma pré-noção, acha no seu campo de pesquisas apenas aquilo que procura. Veja-se, por exemplo, o caso de Taine. Já Edmond Schérer, num dos seus "estudos" mais felizes, apontava os lados fracos da interpretação tainiana da arte ou da história literária. Em vez de proceder por indução, Taine deduz forçosamente de uma ideia preconcebida as componentes que deverão formar o caráter de uma época ou o espírito de uma literatura.

   Sem dúvida, o crítico não pode prescindir de uma hipótese, como o cientista, para abrir uma picada no mato virgem dos fatos. Mas também não deve esquecer que, além da clareira mensurável, começa a exuberância das probabilidades, como uma floresta de interrogações. Respeitar o outro lado provável das coisas, admitir em tudo a parte do indeterminado é uma boa tática para quem não gosta de tropeçar em surpresas irônicas.
(Adaptado de: MEYER, Augusto, "Mas...", Machado de Assis (1935-1958). Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 2008, p. 65)
Acerca das estratégias de argumentação no texto,
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Como é possível, pergunta La Boétie, que a maioria obedeça a um só, não apenas lhe obedeça, mas o sirva, não apenas o sirva mas queira servi-lo?

   A natureza e o alcance de tal questão excluem de saída que se possa reduzi-la a essa ou àquela situação histórica concreta. A possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária. Heroísmo e liberdade de La Boétie: basta essa ligeira e fácil passagem da história à lógica, basta essa abertura no que é o mais naturalmente evidente, basta essa brecha na convicção geral de que não se poderia pensar a sociedade sem sua divisão entre dominantes e dominados. Ao espantar-se com isso, ao recusar a evidência natural, o jovem La Boétie transcende toda a história conhecida para dizer: outra coisa é possível.
(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: CosacNaify, 2004, p. 147-8)
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Se para os olhos de um leigo a floresta amazônica é uma floresta virgem e intocada, o que pesquisas têm demonstrado é que a Amazônia é um grande jardim, plantado por povos indígenas por meio da influência de diferentes aspectos socioculturais.

   Na Amazônia, aquilo que não indígenas entendem como "natureza" (a floresta, os animais, os rios etc.), muitos povos indígenas entendem como ambientes culturais onde relações sociais, incluindo entre humanos e não humanos, ocorrem. Tais relações se refletem em transformações da paisagem que têm gerado biodiversidade na região há milhares de anos.

  Embora a Amazônia seja habitada há cerca de 13 mil anos, quando pensamos em antigas civilizações, pensamos nos incas, astecas, maias ou egípcios, provavelmente por essas civilizações terem modificado suas paisagens por meio de grandes arquiteturas, como as pirâmides. Entretanto, modificações milenares nas paisagens amazônicas têm sido descobertas nas últimas décadas, colocando a região, suas antigas populações humanas, no mesmo patamar dessas que aprendemos a cultuar como grandes civilizações.
(Adaptado de: FRANCO-MORAES, Juliano. "A Amazônia não é uma floresta virgem, mas um jardim plantado pelos povos indígenas". Disponível em: https://esginsights.com.br)
Acerca dos textos de Pierre Clastres e de Franco-Moraes, considere:

I. Se, em Clastres, o que motiva a hipótese contrária às provas materiais é o uso da lógica, em Franco-Moraes, são provas materiais que subsidiam a percepção de diferenças em concepções de mundo.
II. Em Clastres, a lógica de La Boétie se contrapõe ao seguinte raciocínio indutivo: há dominantes e dominados em todas as sociedades observadas, logo, a hierarquia é imanente à sociedade.
III. Em Franco-Moraes, o fato de os indígenas terem permanecido na floresta como extrativistas e coletores corrobora o argumento de que a consideram como um ambiente cultural.

Está correto o que se afirma em
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Se para os olhos de um leigo a floresta amazônica é uma floresta virgem e intocada, o que pesquisas têm demonstrado é que a Amazônia é um grande jardim, plantado por povos indígenas por meio da influência de diferentes aspectos socioculturais.

    Na Amazônia, aquilo que não indigenas entendem como "natureza" (a floresta, os animais, os rios etc.), muitos povos indigenas entendem como ambientes culturais onde relações sociais, incluindo entre humanos e não humanos, ocorrem. Tais relações se refletem em transformações da paisagem que têm gerado biodiversidade na região há milhares de anos.

  Embora a Amazônia seja habitada há cerca de 13 mil anos, quando pensamos em antigas civilizações, pensamos nos incas, astecas, maias ou egípcios, provavelmente por essas civilizações terem modificado suas paisagens por meio de grandes arquiteturas, como as pirâmides. Entretanto, modificações milenares nas paisagens amazônicas têm sido descobertas nas últimas décadas, colocando a região, suas antigas populações humanas, no mesmo patamar dessas que aprendemos a cultuar como grandes civilizações.
(Adaptado de: FRANCO-MORAES, Juliano. "A Amazônia não é uma floresta virgem, mas um jardim plantado pelos povos indígenas". Disponível em: https://esginsights.com.br
Considerar a Amazônia como mata virgem, isto é, intocada e sem interferência humana, implica
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Se para os olhos de um leigo a floresta amazônica é uma floresta virgem e intocada, o que pesquisas têm demonstrado é que a Amazônia é um grande jardim, plantado por povos indígenas por meio da influência de diferentes aspectos socioculturais.

   Na Amazônia, aquilo que não indígenas entendem como "natureza" (a floresta, os animais, os rios etc.), muitos povos indígenas entendem como ambientes culturais onde relações sociais, incluindo entre humanos e não humanos, ocorrem. Tais relações se refletem em transformações da paisagem que têm gerado biodiversidade na região há milhares de anos.

  Embora a Amazônia seja habitada há cerca de 13 mil anos, quando pensamos em antigas civilizações, pensamos nos incas, astecas, maias ou egípcios, provavelmente por essas civilizações terem modificado suas paisagens por meio de grandes arquiteturas, como as pirâmides. Entretanto, modificações milenares nas paisagens amazônicas têm sido descobertas nas últimas décadas, colocando a região, suas antigas populações humanas, no mesmo patamar dessas que aprendemos a cultuar como grandes civilizações.
(Adaptado de: FRANCO-MORAES, Juliano. "A Amazônia não é uma floresta virgem, mas um jardim plantado pelos povos indígenas". Disponível em: https://esginsights.com.br)
Uma decorrência da descoberta de que a Amazônia é um imenso jardim cultivado é a
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Como é possível, pergunta La Boétie, que a maioria obedeça a um só, não apenas lhe obedeça, mas o sirva, não apenas o sirva mas queira servi-lo?

   A natureza e o alcance de tal questão excluem de saída que se possa reduzi-la a essa ou àquela situação histórica concreta. A possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária. Heroísmo e liberdade de La Boétie: basta essa ligeira e fácil passagem da história à lógica, basta essa abertura no que é o mais naturalmente evidente, basta essa brecha na convicção geral de que não se poderia pensar a sociedade sem sua divisão entre dominantes e dominados. Ao espantar-se com isso, ao recusar a evidência natural, o jovem La Boétie transcende toda a história conhecida para dizer: outra coisa é possível.
(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: CosacNaify, 2004, p. 147-8)
Em consonância com a argumentação do texto, questionar a naturalidade de algo significa
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere o texto a seguir para responder à questão.
   Como é possível, pergunta La Boétie, que a maioria obedeça a um só, não apenas lhe obedeça, mas o sirva, não apenas o sirva mas queira servi-lo?

   A natureza e o alcance de tal questão excluem de saída que se possa reduzi-la a essa ou àquela situação histórica concreta. A possibilidade de formular uma interrogação tão destrutiva remete, simples mas heroicamente, a uma lógica dos contrários: se sou capaz de me espantar que a servidão voluntária seja a invariante comum a todas as sociedades, a minha mas também aquelas sobre as quais me informam os livros, é evidentemente porque imagino o contrário de tal sociedade, é porque imagino a possibilidade lógica de uma sociedade que ignore a servidão voluntária. Heroísmo e liberdade de La Boétie: basta essa ligeira e fácil passagem da história à lógica, basta essa abertura no que é o mais naturalmente evidente, basta essa brecha na convicção geral de que não se poderia pensar a sociedade sem sua divisão entre dominantes e dominados. Ao espantar-se com isso, ao recusar a evidência natural, o jovem La Boétie transcende toda a história conhecida para dizer: outra coisa é possível.
(Adaptado de: CLASTRES, Pierre. Arqueologia da Violência. São Paulo: CosacNaify, 2004, p. 147-8)
Segundo Clastres, a passagem da história à lógica, na pergunta feita por La Boétie,
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Uma pessoa publicou, em uma rede social, uma análise procurando relacionar o grau de desenvolvimento dos países, medido pelo seu PIB per capita, com o nível de conhecimento matemático de seus jovens. Nessa análise, a pessoa fez as afirmações A1 e A2.

A1. Quanto melhor o desempenho em matemática dos jovens de um país, maior é seu PIB per capita. A correlação é clara e consistente.
A2. Se o Brasil quiser sair do grupo dos países subdesenvolvidos, o caminho é inequívoco: investir seriamente em educação matemática.

Para sustentar essas afirmações, a pessoa utilizou, entre outros elementos, o gráfico a seguir, fornecido pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o qual relaciona o PIB per capita dos países membros com as notas obtidas pelos jovens desses países no PISA, avaliação internacional de matemática realizada em 2022. Também é mostrada uma linha de tendência que resume essa relação.

Enunciado 4979244-1


PIB per capita (em dólares americanos) (Source: OECD, PISA 2022 Database, Tables I.B1.2.1 and I.B3.2.1)

A interpretação desse gráfico, de forma isolada,
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
O analfabetismo em matemática, uma incapacidade de lidar confortavelmente com as noções fundamentais de número e probabilidade, atormenta grande quantidade de cidadãos esclarecidos sob outros aspectos. As mesmas pessoas que têm arrepios quando palavras como "implicar" e “inferir” são confundidas, reagem sem o menor sinal de embaraço até aos mais egrégios solecismos numéricos. Lembro-me de que, certa noite, ouvi uma pessoa numa festa deitando falação sobre a diferença entre "continuamente" e "ininterruptamente". Mais tarde, naquela mesma noite, estávamos vendo o noticiário na tevê, e o serviço de previsão do tempo anunciou que havia uma probabilidade de 50% de chover no sábado e 50% de chover no domingo, concluindo que havia, portanto, 100% de probabilidade de chover no fim de semana. O comentário foi muito bem-aceito pelo pretenso gramático. Mesmo depois que lhe expliquei o erro, ele não ficou nem de longe tão indignado quanto teria ficado se o locutor tivesse cometido um erro com o sujeito de uma reduzida participial. De fato, ao contrário de outras deficiências, que são disfarçadas, o analfabetismo matemático é frequentemente alardeado: [...] "Gosto de pessoas, não de números." Ou: "Sempre odiei matemática.”
Parte da razão desse orgulho obstinado pelo analfabetismo em matemática é que, em geral, suas consequências não são tão óbvias como as de outra natureza. Por isso, e porque acredito firmemente que as pessoas reagem melhor a detalhes ilustrativos do que a uma exposição geral, este livro examinará muitos exemplos reais de analfabetismo em matemática - entre eles, trapaças com ações, escolha de uma esposa, psicologia de jornal, afirmações sobre dieta e medicina, o risco do terrorismo, astrologia, recordes esportivos, eleições, [...] loterias e testes de drogas.

(PAULOS, John Allen. Analfabetismo em matemática e suas consequências. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1994)

De acordo com a argumentação do autor, a causa do problema apresentado por ele no texto é
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Há dez anos, a Vila Renata era um bairro conhecido pelo intenso comércio. Lojas físicas de roupas, calçados, artigos esportivos, entre outras, voltadas para um público de classe média, espalhavam-se pelos quarteirões do bairro. Atualmente, porém, o cenário está bem diferente. Ao longo desses dez anos, a quantidade de lojas físicas no bairro foi reduzida para menos da metade. No mesmo período, o comércio eletrônico cresceu 65% em todo o país, com lojas virtuais sendo criadas e oferecendo os mais variados produtos aos seus clientes. Dessa forma, o comércio eletrônico foi o grande responsável pela queda vertiginosa do comércio de rua da Vila Renata observada nos últimos anos.

Qual dos fatos a seguir, se verdadeiro, enfraquecerá consideravelmente o argumento apresentado?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas