Foram encontradas 354 questões.
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.
O termo serenidade costuma estar associado a mais de um significado, sendo que o primeiro deles tem a ver com a capacidade de lidar com docilidade e tolerância com as situações mais adversas. Muitas vezes perdemos a serenidade quando nos sentimos pressionados por expectativas que nós mesmos produzimos em relação aos nossos projetos; é preciso cautela para que nossos planos não se transformem em fontes de tensão. Os que fazem planos mais realistas sofrem menos e se aproximam mais da serenidade.
A serenidade corresponde a um estado de espírito no qual nos encontramos razoavelmente em paz, conciliados com o que somos e temos, com nossa condição de humanos falíveis e mortais. É claro que isso depende de termos atingido uma razoável evolução emocional e mesmo moral: não convém nos compararmos com as outras pessoas, não é bom nos revoltarmos com o fato de não sermos exatamente como gostaríamos; conformados com nossas limitações, podemos usufruir das potencialidades que temos.
O momento presente é sempre uma ficção: vivemos entre as lembranças do passado e a esperança de acontecimentos futuros que buscamos alcançar. A regra é que estejamos indo atrás de objetivos, perseguindo-os com mais ou menos determinação. A maior parte das pessoas sente-se mal quando está sem projetos, apenas usufruindo dos prazeres momentâneos que suas vidas oferecem. Somos pouco competentes para vivenciar o ócio. Essa condição emocional que os filósofos antigos consideravam como muito criativa é algo gerador de um estado de alma que chamamos de tédio.
De certa forma, fazemos tudo o que fazemos a fim de fugir do ócio e do tédio que o acompanha. Mesmo nos períodos de férias temos que nos ocupar. Por outro lado, perseguir objetivos com obstinação e aflição de alcançá-los o quanto antes também subtrai a serenidade. Assim, perdemos a serenidade quando andamos muito devagar, perto da condição do ócio − que traz o tédio e a depressão −, e também quando nos tornamos angustiados pela pressa de atingirmos nossas metas. Mais uma vez, a sabedoria, a virtude, está no meio, naquilo que Aristóteles chamava de temperança: cada um de nós parece ter uma velocidade ideal, de modo que, se andar abaixo dela, tenderá a se deprimir, ao passo que, se andar acima dela, tenderá a ficar ansioso. Interessa pouco comparar nossa velocidade com a dos outros, visto que só estaremos bem quando estivermos em nosso ritmo, qualquer que seja ele.
(Adaptado de Flávio Gikovate. Disponível em: flaviogikovate.com.br. Acesso em: 23/10/15)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A Áustria entrou para a história da inteligência do século
20 como fonte de gênios − Sigmund Freud, o criador da
psicanálise, e o pintor expressionista Egon Schiele são alguns
deles. Em outra face, menos vistosa, foi também um dos berços
mentais do nazismo. Numa perspectiva mais amena, vastas
regiões do país são conhecidas pela sua beleza inóspita, altas
montanhas, desfiladeiros e precipícios onde a neve e o verde
competem, sob a proteção de hospedarias pitorescas, para
atrair turistas ao som da música típica do Tirol.
Lá viveu, também, Thomas Bernhard (1931-1989), um dos mais agressivos escritores do século passado − e alguém que, radicado na Áustria desde criança, dedicou sua vida a falar mal do país, a ponto de tornar esse mal-estar um dos pontos centrais de sua arte. Um dos itens de seu testamento foi a proibição expressa de que peças suas fossem representadas e seus textos inéditos fossem publicados no país − o mesmo país que, hoje, subsidia a tradução de seus livros para o resto do mundo. Podemos nos perguntar como um projeto aparentemente tão limitado − que um leigo creditaria a uma mera expressão de ressentimento confessional − possa de fato se transformar em grande literatura. Em livros como O náufrago, Árvores abatidas e Extinção, um narrador exasperado e aparentemente sem rumo, que se realiza em frases a um tempo irresistíveis e intermináveis, vai como que destruindo a golpes de medida impaciência qualquer possibilidade de remissão humana.
Um exemplo: “Num hotel do centro de Viena, cidade que sempre tratou pensadores e artistas com a maior falta de consideração e desfaçatez possíveis e que poderia com certeza ser chamada de o grande cemitério de fantasias e das ideias, porque dilapidou, desperdiçou e aniquilou um número mil vezes maior de gênios do que aqueles aos quais de fato emprestou fama e renome mundial, foi encontrado morto um homem que, com absoluta clareza de pensamento, deixou registrado num bilhete o verdadeiro motivo de seu suicídio, bilhete que, então, prendeu ao paletó." O trecho é de um dos textos que compõem O imitador de vozes.
Distinta de suas narrativas mais conhecidas, a obra mantém intactas a linguagem e a verve de Thomas Bernhard. Há um humor sombrio em todas as páginas, mas nada se reduz a uma anedota − o leitor ri de algo que não consegue controlar ou definir.
Este meticuloso painel do desespero se compõe de breves relatos aparentemente jornalísticos, casos curiosos ou inexplicáveis. O narrador dessas histórias, em que não há quase nada de onírico ou alegórico, frequentemente é uma representação coletiva: “chamou-nos a atenção", “conhecemos um homem". Esse “nós", que nunca se apresenta, é a representação de um coro, uma voz coletiva, o temível “senso comum" − ou a voz da Áustria, que Thomas Bernhard transformou numa província asfixiante e opressiva e numa das obras mais desconcertantes da literatura ocidental.
Considere os segmentos sublinhados:Lá viveu, também, Thomas Bernhard (1931-1989), um dos mais agressivos escritores do século passado − e alguém que, radicado na Áustria desde criança, dedicou sua vida a falar mal do país, a ponto de tornar esse mal-estar um dos pontos centrais de sua arte. Um dos itens de seu testamento foi a proibição expressa de que peças suas fossem representadas e seus textos inéditos fossem publicados no país − o mesmo país que, hoje, subsidia a tradução de seus livros para o resto do mundo. Podemos nos perguntar como um projeto aparentemente tão limitado − que um leigo creditaria a uma mera expressão de ressentimento confessional − possa de fato se transformar em grande literatura. Em livros como O náufrago, Árvores abatidas e Extinção, um narrador exasperado e aparentemente sem rumo, que se realiza em frases a um tempo irresistíveis e intermináveis, vai como que destruindo a golpes de medida impaciência qualquer possibilidade de remissão humana.
Um exemplo: “Num hotel do centro de Viena, cidade que sempre tratou pensadores e artistas com a maior falta de consideração e desfaçatez possíveis e que poderia com certeza ser chamada de o grande cemitério de fantasias e das ideias, porque dilapidou, desperdiçou e aniquilou um número mil vezes maior de gênios do que aqueles aos quais de fato emprestou fama e renome mundial, foi encontrado morto um homem que, com absoluta clareza de pensamento, deixou registrado num bilhete o verdadeiro motivo de seu suicídio, bilhete que, então, prendeu ao paletó." O trecho é de um dos textos que compõem O imitador de vozes.
Distinta de suas narrativas mais conhecidas, a obra mantém intactas a linguagem e a verve de Thomas Bernhard. Há um humor sombrio em todas as páginas, mas nada se reduz a uma anedota − o leitor ri de algo que não consegue controlar ou definir.
Este meticuloso painel do desespero se compõe de breves relatos aparentemente jornalísticos, casos curiosos ou inexplicáveis. O narrador dessas histórias, em que não há quase nada de onírico ou alegórico, frequentemente é uma representação coletiva: “chamou-nos a atenção", “conhecemos um homem". Esse “nós", que nunca se apresenta, é a representação de um coro, uma voz coletiva, o temível “senso comum" − ou a voz da Áustria, que Thomas Bernhard transformou numa província asfixiante e opressiva e numa das obras mais desconcertantes da literatura ocidental.
(Adaptado de: TEZZA, Cristovao. Disponível em: http://www.cristovaotezza.com.br/textos/p_resenhas.htm)
atrair turistas
que compõem “O imitador de vozes".
a obra mantém intactas a linguagem e a verve
Fazendo-se as alterações necessárias, os segmentos sublinhados acima foram corretamente substituídos por um pronome em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A questão refere-se ao texto
abaixo.
#PARTIU VIVER?
Sabe o que eu mais acho incrível nas redes sociais?
Como as pessoas acabam se tornando diferentes do que são.
Diferentes mesmo. Todo mundo é bonito, sai de casa
maquiado, com o cabelo certinho, come um prato digno de chef
e leva essa vida de comercial de margarina. Eu tenho perfil em
quase tudo o que é rede, mas também tenho uma teoria que
funciona, pra mim pelo menos: quanto mais ativo você está na
internet, mais chato está seu dia a dia. Sério, eu acredito nisso.
Boa parte das pessoas, nas redes sociais, vive a vida
que queria viver. Dá a impressão de que a internet se
transformou em um trailer do seu dia a dia. Mas qualquer trailer
no cinema parece interessante. Mais do que o filme em si. É só
editar e apagar os defeitinhos com um filtro poderoso.
Eu mesma não vou curtir sair com o cabelo arrepiado em
foto, o problema é acreditar que a vida alheia é assim, 100%
irretocável e divertida. Qualquer pessoa viva experimenta
momentos de tristeza, tédio, preguiça, falta de inspiração,
comida feia no prato, cabelo rebelde, olheira, dúvida sobre um
tema... Supernormal não ser perfeito, não ter uma opinião
formada sobre algo. Anormal mesmo é essa vida plástica que a
gente nota pelo Snapchat, Facebook e Instagram.
(Adaptado de Scherma, Mariana, 01/10/2015. Disponível em: <www.cronicadodia.com.br/2015/10/partiu-viver-mariana-scherma.html>.
Acessado em: 01/10/2015)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.
Questão de ênfase
A ênfase é um modo suspeito de expressão. Se há casos em que ela se torna indispensável, como nas tragédias ou na comicidade extrema, na maioria das vezes é um artifício do superficial que se deseja profundo, do lateral que aspira ao centro, do insignificante que se pretende substancial. É a fala em voz gritada, o gargalhar sistemático, a cadeia de interjeições, a produção de caretas, o insistente franzir do cenho, o repetitivo arquear de sobrancelhas, a pronúncia caprichosa de palavras e frases que se querem sentenciosas e inesquecíveis.
Na escrita, a ênfase acusa-se na profusão de exclamações, na sistemática caixa alta, nos grafismos espaçosos. Na expressão oral, a ênfase compromete a verdade de um sentimento já de si enfático: despeja risadas antecipando o final da própria piada, força o tom compungido antes de dar a má notícia e se marca no uso indiscriminado de termos como “com certeza" e “literalmente", por exemplo: “Esse aluno está literalmente dando o sangue na prova de Física." Com a ênfase, todos os gestos compõem uma dramaturgia descontrolada.
A ênfase também parece desconfiar do alcance de nossa percepção usual, e nos acusa, se reclamamos do enfático. Este sempre acha que ficaremos encantados com a medida do seu exagero, e nos atribui insensibilidade se não o admiramos. Em suma: o enfático é um chato que se vê a si mesmo como um superlativo. Machado de Assis, por exemplo, não suportava gente que dissesse “Morro por doce de abóbora!". Por sua vez, o poeta Manuel Bandeira enaltecia a “paixão dos suicidas que se matam sem explicação". Já o enfático vive exclamando o quão decisivo é ele ser muito mais vital do que todos os outros seres humanos.
(Augusto Tolentino, inédito)
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se corretamente os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Número
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Pessoa
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo
- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de Texto
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.
O termo serenidade costuma estar associado a mais de um significado, sendo que o primeiro deles tem a ver com a capacidade de lidar com docilidade e tolerância com as situações mais adversas. Muitas vezes perdemos a serenidade quando nos sentimos pressionados por expectativas que nós mesmos produzimos em relação aos nossos projetos; é preciso cautela para que nossos planos não se transformem em fontes de tensão. Os que fazem planos mais realistas sofrem menos e se aproximam mais da serenidade.
A serenidade corresponde a um estado de espírito no qual nos encontramos razoavelmente em paz, conciliados com o que somos e temos, com nossa condição de humanos falíveis e mortais. É claro que isso depende de termos atingido uma razoável evolução emocional e mesmo moral: não convém nos compararmos com as outras pessoas, não é bom nos revoltarmos com o fato de não sermos exatamente como gostaríamos; conformados com nossas limitações, podemos usufruir das potencialidades que temos.
O momento presente é sempre uma ficção: vivemos entre as lembranças do passado e a esperança de acontecimentos futuros que buscamos alcançar. A regra é que estejamos indo atrás de objetivos, perseguindo-os com mais ou menos determinação. A maior parte das pessoas sente-se mal quando está sem projetos, apenas usufruindo dos prazeres momentâneos que suas vidas oferecem. Somos pouco competentes para vivenciar o ócio. Essa condição emocional que os filósofos antigos consideravam como muito criativa é algo gerador de um estado de alma que chamamos de tédio.
De certa forma, fazemos tudo o que fazemos a fim de fugir do ócio e do tédio que o acompanha. Mesmo nos períodos de férias temos que nos ocupar. Por outro lado, perseguir objetivos com obstinação e aflição de alcançá-los o quanto antes também subtrai a serenidade. Assim, perdemos a serenidade quando andamos muito devagar, perto da condição do ócio − que traz o tédio e a depressão −, e também quando nos tornamos angustiados pela pressa de atingirmos nossas metas. Mais uma vez, a sabedoria, a virtude, está no meio, naquilo que Aristóteles chamava de temperança: cada um de nós parece ter uma velocidade ideal, de modo que, se andar abaixo dela, tenderá a se deprimir, ao passo que, se andar acima dela, tenderá a ficar ansioso. Interessa pouco comparar nossa velocidade com a dos outros, visto que só estaremos bem quando estivermos em nosso ritmo, qualquer que seja ele.
(Adaptado de Flávio Gikovate. Disponível em: flaviogikovate.com.br. Acesso em: 23/10/15)
Alterando-se as formas verbais da frase acima, a correlação entre as novas formas, considerando a norma culta, está correta em:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
As questão refere-se ao texto
abaixo.
É verdade que as mulheres não
são engraçadas?
Em ensaio de 2007 na revista Vanity Fair, o escritor
Christopher Hitchens perguntou: "Por que as mulheres não são
engraçadas?" Suas duas respostas: a mulher e o humor seriam
"opostos" e "a tarefa mais importante que o homem precisa
desempenhar na vida é impressionar o sexo oposto. As
mulheres não têm a menor necessidade correspondente de
atrair os homens dessa maneira. Elas já os atraem".
Eu acho que os homens fazem graça para atrair mulheres
porque as mulheres consideram o humor um sinal de inteligência
e o valorizam num companheiro muito mais que os homens.
Também penso que nem sempre os homens conseguem
seduzir as mulheres pelo riso.
Elas são ensinadas desde a infância a sorrir, ser
educadas e gentis. Não fazem tanta força quanto os homens
para ser engraçadas, porque o humor pode ofender. Mas as
que rompem com essa convenção social podem nos levar a
gargalhar tanto quanto eles.
Hitchens também pergunta: se as mulheres são tão
divertidas quanto os homens, por que existem muito mais
humoristas e roteiristas cômicos homens que mulheres? Uma
resposta: o humor tem sido tradicionalmente uma profissão
dominada pelos homens.
No Brasil há menos comediantes mulheres porque o
machismo retardou os avanços feministas. Mesmo assim, a
peça de teatro Cócegas, escrita e representada por Heloísa
Périssé e Ingrid Guimarães, ficou em cartaz por dez anos
porque suas personagens enfrentam o cotidiano da mulher
moderna de modo cômico.
Portanto, eu diria a Hitchens: dê às mulheres mais tempo
para desafiar as convenções sociais, e seus clichês sobre elas
se tornarão risíveis.
(Adaptado de: KEPP, Michael. Trad. Clara Allain, 13/10/2014.
Disponível em:<www.folha.uol.com.br/opiniao/2014/10/1530898-michael-kepp-e-verdade-que-as-mulheres-nao-sao-engracadas.
shtml>. Acessado em: 01/10/2015).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue.
Saudade de Waterloo
É famosa a história da mulher que se queixava de um dia particularmente agitado nas redondezas da sua casa e do que o movimento constante de cavaleiros e carroças fizera à sua roupa estendida para secar, sem saber que estava falando da batalha de Waterloo, que mudaria a história da Europa. Contam que famílias inteiras da sociedade de Washington pegaram suas cestas de piquenique e foram, de carruagem, assistir à primeira batalha da Guerra Civil americana, em Richmond, e não tiveram baixas. A Primeira Grande Guerra, ou a primeira guerra moderna, mutilou uma geração inteira, mas uma geração de homens em uniformes de combate. Mulheres e crianças foram poupadas. Só 5 por cento das mortes na Primeira Guerra foram de civis. Na Segunda Guerra Mundial, a proporção foi de 65 por cento.
Os estragos colaterais da Segunda Guerra se deveram ao crescimento simultâneo de duas técnicas mortais, a do bombardeio aéreo e a da guerra psicológica. Bombardear populações civis foi adotado como uma “legítima" tática militar, para atingir o moral do inimigo. Os alemães começaram, devastando Londres, que tinha importância simbólica como coração da Inglaterra mas nenhuma importância estratégica. Mas ingleses e americanos também se dedicaram com entusiasmo ao bombardeio indiscriminado, como o que arrasou a cidade de Dresden. E os “estragos colaterais" chegaram à sua apoteose tétrica, claro, em Hiroshima e Nagasaki.
Hoje a guerra psicológica é o pretexto legitimador para quem usa o terror por qualquer causa. E cada vez que vemos uma das vítimas do terror, como o último cadáver de uma criança judia ou palestina sacrificada naquela guerra especialmente insensata, pensamos de novo nos tempos em que só os soldados morriam nas guerras, e ainda era possível ser um espectador, mesmo distraído como a dona de casa de Waterloo, da história. Ou ser inocente.
(Adaptado de: VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, pp. 123/124)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
As questão refere-se ao texto
abaixo.
É verdade que as mulheres não
são engraçadas?
Em ensaio de 2007 na revista Vanity Fair, o escritor
Christopher Hitchens perguntou: "Por que as mulheres não são
engraçadas?" Suas duas respostas: a mulher e o humor seriam
"opostos" e "a tarefa mais importante que o homem precisa
desempenhar na vida é impressionar o sexo oposto. As
mulheres não têm a menor necessidade correspondente de
atrair os homens dessa maneira. Elas já os atraem".
Eu acho que os homens fazem graça para atrair mulheres
porque as mulheres consideram o humor um sinal de inteligência
e o valorizam num companheiro muito mais que os homens.
Também penso que nem sempre os homens conseguem
seduzir as mulheres pelo riso.
Elas são ensinadas desde a infância a sorrir, ser
educadas e gentis. Não fazem tanta força quanto os homens
para ser engraçadas, porque o humor pode ofender. Mas as
que rompem com essa convenção social podem nos levar a
gargalhar tanto quanto eles.
Hitchens também pergunta: se as mulheres são tão
divertidas quanto os homens, por que existem muito mais
humoristas e roteiristas cômicos homens que mulheres? Uma
resposta: o humor tem sido tradicionalmente uma profissão
dominada pelos homens.
No Brasil há menos comediantes mulheres porque o
machismo retardou os avanços feministas. Mesmo assim, a
peça de teatro Cócegas, escrita e representada por Heloísa
Périssé e Ingrid Guimarães, ficou em cartaz por dez anos
porque suas personagens enfrentam o cotidiano da mulher
moderna de modo cômico.
Portanto, eu diria a Hitchens: dê às mulheres mais tempo
para desafiar as convenções sociais, e seus clichês sobre elas
se tornarão risíveis.
(Adaptado de: KEPP, Michael. Trad. Clara Allain, 13/10/2014.
Disponível em:<www.folha.uol.com.br/opiniao/2014/10/1530898-michael-kepp-e-verdade-que-as-mulheres-nao-sao-engracadas.
shtml>. Acessado em: 01/10/2015).
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A Áustria entrou para a história da inteligência do século
20 como fonte de gênios − Sigmund Freud, o criador da
psicanálise, e o pintor expressionista Egon Schiele são alguns
deles. Em outra face, menos vistosa, foi também um dos berços
mentais do nazismo. Numa perspectiva mais amena, vastas
regiões do país são conhecidas pela sua beleza inóspita, altas
montanhas, desfiladeiros e precipícios onde a neve e o verde
competem, sob a proteção de hospedarias pitorescas, para
atrair turistas ao som da música típica do Tirol.
Lá viveu, também, Thomas Bernhard (1931-1989), um dos mais agressivos escritores do século passado − e alguém que, radicado na Áustria desde criança, dedicou sua vida a falar mal do país, a ponto de tornar esse mal-estar um dos pontos centrais de sua arte. Um dos itens de seu testamento foi a proibição expressa de que peças suas fossem representadas e seus textos inéditos fossem publicados no país − o mesmo país que, hoje, subsidia a tradução de seus livros para o resto do mundo. Podemos nos perguntar como um projeto aparentemente tão limitado − que um leigo creditaria a uma mera expressão de ressentimento confessional − possa de fato se transformar em grande literatura. Em livros como O náufrago, Árvores abatidas e Extinção, um narrador exasperado e aparentemente sem rumo, que se realiza em frases a um tempo irresistíveis e intermináveis, vai como que destruindo a golpes de medida impaciência qualquer possibilidade de remissão humana.
Um exemplo: “Num hotel do centro de Viena, cidade que sempre tratou pensadores e artistas com a maior falta de consideração e desfaçatez possíveis e que poderia com certeza ser chamada de o grande cemitério de fantasias e das ideias, porque dilapidou, desperdiçou e aniquilou um número mil vezes maior de gênios do que aqueles aos quais de fato emprestou fama e renome mundial, foi encontrado morto um homem que, com absoluta clareza de pensamento, deixou registrado num bilhete o verdadeiro motivo de seu suicídio, bilhete que, então, prendeu ao paletó." O trecho é de um dos textos que compõem O imitador de vozes.
Distinta de suas narrativas mais conhecidas, a obra mantém intactas a linguagem e a verve de Thomas Bernhard. Há um humor sombrio em todas as páginas, mas nada se reduz a uma anedota − o leitor ri de algo que não consegue controlar ou definir.
Este meticuloso painel do desespero se compõe de breves relatos aparentemente jornalísticos, casos curiosos ou inexplicáveis. O narrador dessas histórias, em que não há quase nada de onírico ou alegórico, frequentemente é uma representação coletiva: “chamou-nos a atenção", “conhecemos um homem". Esse “nós", que nunca se apresenta, é a representação de um coro, uma voz coletiva, o temível “senso comum" − ou a voz da Áustria, que Thomas Bernhard transformou numa província asfixiante e opressiva e numa das obras mais desconcertantes da literatura ocidental.
De acordo com o texto, é atributo essencial da obra de
BernhardLá viveu, também, Thomas Bernhard (1931-1989), um dos mais agressivos escritores do século passado − e alguém que, radicado na Áustria desde criança, dedicou sua vida a falar mal do país, a ponto de tornar esse mal-estar um dos pontos centrais de sua arte. Um dos itens de seu testamento foi a proibição expressa de que peças suas fossem representadas e seus textos inéditos fossem publicados no país − o mesmo país que, hoje, subsidia a tradução de seus livros para o resto do mundo. Podemos nos perguntar como um projeto aparentemente tão limitado − que um leigo creditaria a uma mera expressão de ressentimento confessional − possa de fato se transformar em grande literatura. Em livros como O náufrago, Árvores abatidas e Extinção, um narrador exasperado e aparentemente sem rumo, que se realiza em frases a um tempo irresistíveis e intermináveis, vai como que destruindo a golpes de medida impaciência qualquer possibilidade de remissão humana.
Um exemplo: “Num hotel do centro de Viena, cidade que sempre tratou pensadores e artistas com a maior falta de consideração e desfaçatez possíveis e que poderia com certeza ser chamada de o grande cemitério de fantasias e das ideias, porque dilapidou, desperdiçou e aniquilou um número mil vezes maior de gênios do que aqueles aos quais de fato emprestou fama e renome mundial, foi encontrado morto um homem que, com absoluta clareza de pensamento, deixou registrado num bilhete o verdadeiro motivo de seu suicídio, bilhete que, então, prendeu ao paletó." O trecho é de um dos textos que compõem O imitador de vozes.
Distinta de suas narrativas mais conhecidas, a obra mantém intactas a linguagem e a verve de Thomas Bernhard. Há um humor sombrio em todas as páginas, mas nada se reduz a uma anedota − o leitor ri de algo que não consegue controlar ou definir.
Este meticuloso painel do desespero se compõe de breves relatos aparentemente jornalísticos, casos curiosos ou inexplicáveis. O narrador dessas histórias, em que não há quase nada de onírico ou alegórico, frequentemente é uma representação coletiva: “chamou-nos a atenção", “conhecemos um homem". Esse “nós", que nunca se apresenta, é a representação de um coro, uma voz coletiva, o temível “senso comum" − ou a voz da Áustria, que Thomas Bernhard transformou numa província asfixiante e opressiva e numa das obras mais desconcertantes da literatura ocidental.
(Adaptado de: TEZZA, Cristovao. Disponível em: http://www.cristovaotezza.com.br/textos/p_resenhas.htm)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
A questão refere-se ao texto
abaixo.
#PARTIU VIVER?
Sabe o que eu mais acho incrível nas redes sociais?
Como as pessoas acabam se tornando diferentes do que são.
Diferentes mesmo. Todo mundo é bonito, sai de casa
maquiado, com o cabelo certinho, come um prato digno de chef
e leva essa vida de comercial de margarina. Eu tenho perfil em
quase tudo o que é rede, mas também tenho uma teoria que
funciona, pra mim pelo menos: quanto mais ativo você está na
internet, mais chato está seu dia a dia. Sério, eu acredito nisso.
Boa parte das pessoas, nas redes sociais, vive a vida
que queria viver. Dá a impressão de que a internet se
transformou em um trailer do seu dia a dia. Mas qualquer trailer
no cinema parece interessante. Mais do que o filme em si. É só
editar e apagar os defeitinhos com um filtro poderoso.
Eu mesma não vou curtir sair com o cabelo arrepiado em
foto, o problema é acreditar que a vida alheia é assim, 100%
irretocável e divertida. Qualquer pessoa viva experimenta
momentos de tristeza, tédio, preguiça, falta de inspiração,
comida feia no prato, cabelo rebelde, olheira, dúvida sobre um
tema... Supernormal não ser perfeito, não ter uma opinião
formada sobre algo. Anormal mesmo é essa vida plástica que a
gente nota pelo Snapchat, Facebook e Instagram.
(Adaptado de Scherma, Mariana, 01/10/2015. Disponível em: <www.cronicadodia.com.br/2015/10/partiu-viver-mariana-scherma.html>.
Acessado em: 01/10/2015)
A relação de sentido estabelecida nesse enunciado é de
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container