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2437534 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O meu guri

Quando, seu moço

Nasceu meu rebento

Não era o momento

Dele rebentar

Já foi nascendo

Com cara de fome

E eu não tinha nem nome

Pra lhe dar

Como fui levando

Não sei lhe explicar

Fui assim levando

Ele a me levar

E na sua meninice

Ele um dia me disse

Que chegava lá

Olha aí! Olha aí! Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega suado

E veloz do batente

Traz sempre um presente

Pra me encabular

Tanta corrente de ouro

Seu moço!

Que haja pescoço

Pra enfiar

Me trouxe uma bolsa

Já com tudo dentro

Chave, caderneta Terço e patuá

Um lenço e uma penca

De documentos

Pra finalmente

Eu me identificar

Olha aí!

Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega no morro

Com carregamento

Pulseira, cimento

Relógio, pneu, gravador

Rezo até ele chegar

Cá no alto

Essa onda de assaltos

Tá um horror

Eu consolo ele

Ele me consola

Boto ele no colo

Pra ele me ninar

De repente acordo

Olho pro lado

E o danado já foi trabalhar

Olha aí!

Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega estampado Manchete, retrato

Com venda nos olhos

Legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente

Seu moço!

Fazendo alvoroço demais

O guri no mato

Acho que tá rindo

Acho que tá lindo

De papo pro ar

Desde o começo eu não disse

Seu moço!

Ele disse que chegava lá

Olha aí! Olha aí! Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí

Olha aí!

É o meu guri!...(3x)

(Chico Buarque)

Considere o que se diz abaixo:

I. O sujeito que fala o faz tendo em vista a existência de um interlocutor, embora este não se manifeste linguisticamente

II. Não se poderia chamar de sujeito da enunciação à personagem que não fala.

III. A narrativa que o sujeito da enunciação faz desenvolve-se em uma sequência temporal.

Está correto o que se diz em

 

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2437533 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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O meu guri

Quando, seu moço

Nasceu meu rebento

Não era o momento

Dele rebentar

Já foi nascendo

Com cara de fome

E eu não tinha nem nome

Pra lhe dar

Como fui levando

Não sei lhe explicar

Fui assim levando

Ele a me levar

E na sua meninice

Ele um dia me disse

Que chegava lá

Olha aí! Olha aí! Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega suado

E veloz do batente

Traz sempre um presente

Pra me encabular

Tanta corrente de ouro

Seu moço!

Que haja pescoço

Pra enfiar

Me trouxe uma bolsa

Já com tudo dentro

Chave, caderneta Terço e patuá

Um lenço e uma penca

De documentos

Pra finalmente

Eu me identificar

Olha aí!

Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega no morro

Com carregamento

Pulseira, cimento

Relógio, pneu, gravador

Rezo até ele chegar

Cá no alto

Essa onda de assaltos

Tá um horror

Eu consolo ele

Ele me consola

Boto ele no colo

Pra ele me ninar

De repente acordo

Olho pro lado

E o danado já foi trabalhar

Olha aí!

Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí!

Olha aí!

É o meu guri e ele chega!

Chega estampado Manchete, retrato

Com venda nos olhos

Legenda e as iniciais

Eu não entendo essa gente

Seu moço!

Fazendo alvoroço demais

O guri no mato

Acho que tá rindo

Acho que tá lindo

De papo pro ar

Desde o começo eu não disse

Seu moço!

Ele disse que chegava lá

Olha aí! Olha aí! Olha aí!

Ai o meu guri, olha aí

Olha aí!

É o meu guri!...(3x)

(Chico Buarque)

Todo texto constrói uma cena enunciativa, que envolve tempo, lugar e sujeitos da enunciação. No texto artístico-ficcional, essa cena, embora pareça, não é a cópia, mas a reinvenção de uma realidade que é a soma do que está dentro do artista e do que o rodeia. Alguns elementos dessa cena podem vir implícitos, nesse caso, o texto apresenta, quase sempre, indícios para que o leitor os determine. Assinale a opção correta sobre o que se diz da provável cena enunciativa do texto “O meu guri”.

 

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2437532 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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(O texto 2 foi extraído da obra Capitães da areia, de Jorge Amado, que conta a triste história de um grupo de crianças e adolescentes que vivem na rua, conhecidos como “capitães da areia”. À noite, recolhem-se para dormir num velho trapiche abandonado. O grupo pratica pequenos furtos para sobreviver, e seus membros se unem para defender-se da perseguição da polícia. Quando presos, são encaminhados para reformatórios, onde sofrem toda sorte de abusos.

O grupo, formado somente de meninos, recebeu, um dia, uma menina chamada Dora, de treze para catorze anos, cuja mãe morrera. Com o irmão, Zé Fuinha, ela foi para a rua, onde conheceu a turma dos Capitães da Areia e nela se integrou. Dora, uma menina loura e bonita, disposta para o trabalho, acabou conquistando todos: era mãe para os pequenos, e amiga e irmã para os mais velhos, alguns dos quais se apaixonaram por ela. Mas ela amava mesmo era o chefe dos Capitães, o valente Pedro Bala. Presa e recolhida a um orfanato, até que o namorado a resgatasse e a levasse para o velho trapiche, adoeceu e morreu. Horas antes de morrer, pediu a Pedro Bala que a fizesse mulher. Ele hesitou porque a via muito doente, mas, por fim, atendeu ao seu pedido. Na manhã seguinte, ela estava morta.

O capítulo que você vai ler narra a reação desesperada de Pedro Bala logo depois que levam o corpo de sua amada para alto mar, onde finalmente repousará.) Contam no cais da Bahia que quando morre um homem valente vira estrela no céu. Assim foi com Zumbi, com Lucas da Feira, com Besouro, todos os negros valentes. Mas nunca se viu o caso de uma mulher, por mais valente que fosse, virar estrela depois de morta. Algumas, como Rosa Palmeirão, como Maria Cabaçu, viraram santas nos candomblés de caboclo. Nunca nenhuma virou estrela.

Pedro Bala se joga na água. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem Fim de Yemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Boia, então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela, do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera?

Que importa tampouco que os astrônomos afirmem que foi um cometa que passou sobre a Bahia naquela noite? O que Pedro Bala viu foi Dora feita estrela, indo para o céu. Fora mais valente que todas as mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu. Tão valente que antes de morrer, mesmo sendo uma menina, se dera ao seu amor. Por isso virou uma estrela no céu. Uma estrela de longa cabeleira loira, uma estrela como nunca tivera nenhuma na noite de paz da Bahia.

A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite. Porque agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

O saveiro do Querido-de-Deus o recolhe.

(AMADO, Jorge. Capitães da areia. 15 ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1967. p. 250-251.)

A locução “por isso” relaciona-se sintática e semanticamente

 

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2437531 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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(O texto 2 foi extraído da obra Capitães da areia, de Jorge Amado, que conta a triste história de um grupo de crianças e adolescentes que vivem na rua, conhecidos como “capitães da areia”. À noite, recolhem-se para dormir num velho trapiche abandonado. O grupo pratica pequenos furtos para sobreviver, e seus membros se unem para defender-se da perseguição da polícia. Quando presos, são encaminhados para reformatórios, onde sofrem toda sorte de abusos.

O grupo, formado somente de meninos, recebeu, um dia, uma menina chamada Dora, de treze para catorze anos, cuja mãe morrera. Com o irmão, Zé Fuinha, ela foi para a rua, onde conheceu a turma dos Capitães da Areia e nela se integrou. Dora, uma menina loura e bonita, disposta para o trabalho, acabou conquistando todos: era mãe para os pequenos, e amiga e irmã para os mais velhos, alguns dos quais se apaixonaram por ela. Mas ela amava mesmo era o chefe dos Capitães, o valente Pedro Bala. Presa e recolhida a um orfanato, até que o namorado a resgatasse e a levasse para o velho trapiche, adoeceu e morreu. Horas antes de morrer, pediu a Pedro Bala que a fizesse mulher. Ele hesitou porque a via muito doente, mas, por fim, atendeu ao seu pedido. Na manhã seguinte, ela estava morta.

O capítulo que você vai ler narra a reação desesperada de Pedro Bala logo depois que levam o corpo de sua amada para alto mar, onde finalmente repousará.) Contam no cais da Bahia que quando morre um homem valente vira estrela no céu. Assim foi com Zumbi, com Lucas da Feira, com Besouro, todos os negros valentes. Mas nunca se viu o caso de uma mulher, por mais valente que fosse, virar estrela depois de morta. Algumas, como Rosa Palmeirão, como Maria Cabaçu, viraram santas nos candomblés de caboclo. Nunca nenhuma virou estrela.

Pedro Bala se joga na água. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem Fim de Yemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Boia, então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela, do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera?

Que importa tampouco que os astrônomos afirmem que foi um cometa que passou sobre a Bahia naquela noite? O que Pedro Bala viu foi Dora feita estrela, indo para o céu. Fora mais valente que todas as mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu. Tão valente que antes de morrer, mesmo sendo uma menina, se dera ao seu amor. Por isso virou uma estrela no céu. Uma estrela de longa cabeleira loira, uma estrela como nunca tivera nenhuma na noite de paz da Bahia.

A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite. Porque agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

O saveiro do Querido-de-Deus o recolhe.

(AMADO, Jorge. Capitães da areia. 15 ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1967. p. 250-251.)

Atente para o que se diz sobre o seguinte excerto e alguns de seus elementos: “A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite”.

I. A partícula “também”, no trecho transcrito, indica que alguém sentira aquela paz antes dele, sugere, portanto, inclusão.

II. O pronome “ele” refere-se a “o rosto de Pedro Bala”.

III. O verbo “iluminar” foi empregado no sentido de tornar claro.

Está correto o que se diz apenas em

 

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2437529 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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(O texto 2 foi extraído da obra Capitães da areia, de Jorge Amado, que conta a triste história de um grupo de crianças e adolescentes que vivem na rua, conhecidos como “capitães da areia”. À noite, recolhem-se para dormir num velho trapiche abandonado. O grupo pratica pequenos furtos para sobreviver, e seus membros se unem para defender-se da perseguição da polícia. Quando presos, são encaminhados para reformatórios, onde sofrem toda sorte de abusos.

O grupo, formado somente de meninos, recebeu, um dia, uma menina chamada Dora, de treze para catorze anos, cuja mãe morrera. Com o irmão, Zé Fuinha, ela foi para a rua, onde conheceu a turma dos Capitães da Areia e nela se integrou. Dora, uma menina loura e bonita, disposta para o trabalho, acabou conquistando todos: era mãe para os pequenos, e amiga e irmã para os mais velhos, alguns dos quais se apaixonaram por ela. Mas ela amava mesmo era o chefe dos Capitães, o valente Pedro Bala. Presa e recolhida a um orfanato, até que o namorado a resgatasse e a levasse para o velho trapiche, adoeceu e morreu. Horas antes de morrer, pediu a Pedro Bala que a fizesse mulher. Ele hesitou porque a via muito doente, mas, por fim, atendeu ao seu pedido. Na manhã seguinte, ela estava morta.

O capítulo que você vai ler narra a reação desesperada de Pedro Bala logo depois que levam o corpo de sua amada para alto mar, onde finalmente repousará.) Contam no cais da Bahia que quando morre um homem valente vira estrela no céu. Assim foi com Zumbi, com Lucas da Feira, com Besouro, todos os negros valentes. Mas nunca se viu o caso de uma mulher, por mais valente que fosse, virar estrela depois de morta. Algumas, como Rosa Palmeirão, como Maria Cabaçu, viraram santas nos candomblés de caboclo. Nunca nenhuma virou estrela.

Pedro Bala se joga na água. Não pode ficar no trapiche, entre os soluços e as lamentações. Quer acompanhar Dora, quer ir com ela, se reunir a ela nas Terras do Sem Fim de Yemanjá. Nada para diante sempre. Segue a rota do saveiro do Querido-de-Deus. Nada, nada sempre. Vê Dora em sua frente, Dora, sua esposa, os braços estendidos para ele. Nada até já não ter forças. Boia, então, os olhos voltados para as estrelas e a grande lua amarela, do céu. Que importa morrer quando se vai em busca da amada, quando o amor nos espera?

Que importa tampouco que os astrônomos afirmem que foi um cometa que passou sobre a Bahia naquela noite? O que Pedro Bala viu foi Dora feita estrela, indo para o céu. Fora mais valente que todas as mulheres, mais valente que Rosa Palmeirão, que Maria Cabaçu. Tão valente que antes de morrer, mesmo sendo uma menina, se dera ao seu amor. Por isso virou uma estrela no céu. Uma estrela de longa cabeleira loira, uma estrela como nunca tivera nenhuma na noite de paz da Bahia.

A felicidade ilumina o rosto de Pedro Bala. Para ele veio também a paz da noite. Porque agora sabe que ela brilhará para ele entre mil estrelas no céu sem igual da cidade negra.

O saveiro do Querido-de-Deus o recolhe.

(AMADO, Jorge. Capitães da areia. 15 ed. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1967. p. 250-251.)

Marque V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se diz sobre o texto.

( ) O primeiro parágrafo é independente em relação ao restante do texto, no entanto os outros parágrafos retomam direta ou indiretamente as informações por ele passadas.

( ) O primeiro parágrafo é importante na medida em que oferece elementos que indiretamente irão valorizar Dora.

( ) A narrativa é feita em terceira pessoa, mas, entre as linhas 106 e 120, encontra-se o discurso indireto livre — uma forma de valorizar a posição da personagem e dar mais credibilidade à palavra que revela o interior dela.

( ) Dora teve o direito de virar estrela apenas porque muito amou Pedro Bala, que era para ela um herói. Era como se ela ocupasse o lugar dele.

( ) Pedro Bala estava determinado a buscar a morte, mas não teve coragem de ir até o fim.

Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:

 

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2437528 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Cem anos de Jorge Amado, o contador de histórias

Por Rachel Bertol, no Valor Econômico

Houve um tempo em que os escritores brasileiros de ficção costumavam despertar paixão entre os leitores. Jorge Amado era um deles, possivelmente o que mais paixão provocava no grande público. Esse tempo acabou. Hoje, a relação dos brasileiros com seus autores contemporâneos é de outra ordem. ”Assistimos a um momento em que não há mais a mesma paixão”.

Um escritor de ficção só atinge seu grande momento junto ao público quando cria grandes personagens, observa Costa e Silva (ABL): “Jorge Amado foi mestre nisso, com personagens inesquecíveis”.

“É um autor extraordinariamente importante para nossa história. Iniciou muita gente na leitura e ajudou um país inteiro a aprender a ler. Foi o escritor brasileiro mais popular do século XX, e com qualidade literária”, destaca João Ubaldo Ribeiro.

Mesmo com a popularidade e elogios como esses, não se deve esperar unanimidade nas discussões em torno de seu legado. Os livros de Amado sempre foram alvo de fortes ressalvas. A severidade no julgamento – seus personagens seriam rasos, estereotipados, o português descuidado, etc. – fez com que fosse menosprezado nas análises universitárias de letras, apesar de sempre apreciado por antropólogos e sociólogos.

A escritora Myriam Fraga, diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, no cargo desde quando a Fundação foi criada, há 25 anos, diz que a máquina do Partido Comunista do Brasil, do qual o escritor foi dirigente, ajudava na sua projeção, mas não explicava o arrebatamento. “Muitos autores comunistas não chegaram a lugar nenhum”, constata Myriam. O mesmo tipo de fenômeno ocorria no exterior.

Na opinião de Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras, o escritor combinava boa literatura com apelo popular. “Atualmente, existe um certo pudor em relação a isso, como se tudo que fosse popular fosse menor. Mas, para Jorge Amado, o povo era a matéria-prima. Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros.

O mergulho no universo popular, como o do candomblé, foi motivo de crítica e preconceito, lembra Myriam.

Os escritores, hoje, não dão prioridade à opção de contar histórias, analisa Musa. “É como se fosse algo inferior, que relacionam talvez ao modelo narrativo do cinema. A literatura verdadeira estaria, então, em outro lugar.”

Sem histórias interessantes, corre-se o risco de tornar os leitores arredios, comenta Costa e Silva. “Jorge Amado se propôs ser um contador de histórias, e logrou sua proposta. Ele escolheu por assunto a vida cotidiana, com seus dramas e alegrias, e não lida com grandes angústias.”

“Sua obra encerra uma utopia. E ele sentia muito orgulho em ser reconhecido como contador de histórias. Jorge queria fazer uma obra acessível, acreditava que a literatura poderia ser um meio de libertação”, diz Myriam.

Costa e Silva destaca outro aspecto positivo: “É algo curioso, uma de suas grandes qualidades, apreciada pelo leitor. Todo livro de Jorge Amado que se leia, seja ‘Capitães da “Areia’ [1937] ou ‘Tocaia Grande’ [1984], apesar da violência e das indignidades que apresentam, sempre nos deixa de cabeça alta. Ninguém sai acabrunhado de um livro de Jorge. É um autor que destila esperança”.

http://ponto.outraspalavras.net/2012/01/10/centenario-de-jorge-amado-contador-de-historias/

Atente para o excerto - “Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros” - e considere, em seguida, os comentários interpretativos de expressões retiradas deste fragmento textual, assim como de algumas ideias nele contidas. Assinale a única opção que apresenta interpretação INCORRETA.

 

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2437527 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Cem anos de Jorge Amado, o contador de histórias

Por Rachel Bertol, no Valor Econômico

Houve um tempo em que os escritores brasileiros de ficção costumavam despertar paixão entre os leitores. Jorge Amado era um deles, possivelmente o que mais paixão provocava no grande público. Esse tempo acabou. Hoje, a relação dos brasileiros com seus autores contemporâneos é de outra ordem. ”Assistimos a um momento em que não há mais a mesma paixão”.

Um escritor de ficção só atinge seu grande momento junto ao público quando cria grandes personagens, observa Costa e Silva (ABL): “Jorge Amado foi mestre nisso, com personagens inesquecíveis”.

“É um autor extraordinariamente importante para nossa história. Iniciou muita gente na leitura e ajudou um país inteiro a aprender a ler. Foi o escritor brasileiro mais popular do século XX, e com qualidade literária”, destaca João Ubaldo Ribeiro.

Mesmo com a popularidade e elogios como esses, não se deve esperar unanimidade nas discussões em torno de seu legado. Os livros de Amado sempre foram alvo de fortes ressalvas. A severidade no julgamento – seus personagens seriam rasos, estereotipados, o português descuidado, etc. – fez com que fosse menosprezado nas análises universitárias de letras, apesar de sempre apreciado por antropólogos e sociólogos.

A escritora Myriam Fraga, diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, no cargo desde quando a Fundação foi criada, há 25 anos, diz que a máquina do Partido Comunista do Brasil, do qual o escritor foi dirigente, ajudava na sua projeção, mas não explicava o arrebatamento. “Muitos autores comunistas não chegaram a lugar nenhum”, constata Myriam. O mesmo tipo de fenômeno ocorria no exterior.

Na opinião de Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras, o escritor combinava boa literatura com apelo popular. “Atualmente, existe um certo pudor em relação a isso, como se tudo que fosse popular fosse menor. Mas, para Jorge Amado, o povo era a matéria-prima. Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros.

O mergulho no universo popular, como o do candomblé, foi motivo de crítica e preconceito, lembra Myriam.

Os escritores, hoje, não dão prioridade à opção de contar histórias, analisa Musa. “É como se fosse algo inferior, que relacionam talvez ao modelo narrativo do cinema. A literatura verdadeira estaria, então, em outro lugar.”

Sem histórias interessantes, corre-se o risco de tornar os leitores arredios, comenta Costa e Silva. “Jorge Amado se propôs ser um contador de histórias, e logrou sua proposta. Ele escolheu por assunto a vida cotidiana, com seus dramas e alegrias, e não lida com grandes angústias.”

“Sua obra encerra uma utopia. E ele sentia muito orgulho em ser reconhecido como contador de histórias. Jorge queria fazer uma obra acessível, acreditava que a literatura poderia ser um meio de libertação”, diz Myriam.

Costa e Silva destaca outro aspecto positivo: “É algo curioso, uma de suas grandes qualidades, apreciada pelo leitor. Todo livro de Jorge Amado que se leia, seja ‘Capitães da “Areia’ [1937] ou ‘Tocaia Grande’ [1984], apesar da violência e das indignidades que apresentam, sempre nos deixa de cabeça alta. Ninguém sai acabrunhado de um livro de Jorge. É um autor que destila esperança”.

http://ponto.outraspalavras.net/2012/01/10/centenario-de-jorge-amado-contador-de-historias/

Atente aos comentários feitos entre as linhas destacadas, e ao que se pode concluir deles.

I. O cinema é uma arte menor.

II. Foi perniciosa a influência do cinema sobre a literatura.

III. O cinema enfatiza a história.

Está correto o que se diz em

 

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2437526 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Cem anos de Jorge Amado, o contador de histórias

Por Rachel Bertol, no Valor Econômico

Houve um tempo em que os escritores brasileiros de ficção costumavam despertar paixão entre os leitores. Jorge Amado era um deles, possivelmente o que mais paixão provocava no grande público. Esse tempo acabou. Hoje, a relação dos brasileiros com seus autores contemporâneos é de outra ordem. ”Assistimos a um momento em que não há mais a mesma paixão”.

Um escritor de ficção só atinge seu grande momento junto ao público quando cria grandes personagens, observa Costa e Silva (ABL): “Jorge Amado foi mestre nisso, com personagens inesquecíveis”.

“É um autor extraordinariamente importante para nossa história. Iniciou muita gente na leitura e ajudou um país inteiro a aprender a ler. Foi o escritor brasileiro mais popular do século XX, e com qualidade literária”, destaca João Ubaldo Ribeiro.

Mesmo com a popularidade e elogios como esses, não se deve esperar unanimidade nas discussões em torno de seu legado. Os livros de Amado sempre foram alvo de fortes ressalvas. A severidade no julgamento – seus personagens seriam rasos, estereotipados, o português descuidado, etc. – fez com que fosse menosprezado nas análises universitárias de letras, apesar de sempre apreciado por antropólogos e sociólogos.

A escritora Myriam Fraga, diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, no cargo desde quando a Fundação foi criada, há 25 anos, diz que a máquina do Partido Comunista do Brasil, do qual o escritor foi dirigente, ajudava na sua projeção, mas não explicava o arrebatamento. “Muitos autores comunistas não chegaram a lugar nenhum”, constata Myriam. O mesmo tipo de fenômeno ocorria no exterior.

Na opinião de Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras, o escritor combinava boa literatura com apelo popular. “Atualmente, existe um certo pudor em relação a isso, como se tudo que fosse popular fosse menor. Mas, para Jorge Amado, o povo era a matéria-prima. Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros.

O mergulho no universo popular, como o do candomblé, foi motivo de crítica e preconceito, lembra Myriam.

Os escritores, hoje, não dão prioridade à opção de contar histórias, analisa Musa. “É como se fosse algo inferior, que relacionam talvez ao modelo narrativo do cinema. A literatura verdadeira estaria, então, em outro lugar.”

Sem histórias interessantes, corre-se o risco de tornar os leitores arredios, comenta Costa e Silva. “Jorge Amado se propôs ser um contador de histórias, e logrou sua proposta. Ele escolheu por assunto a vida cotidiana, com seus dramas e alegrias, e não lida com grandes angústias.”

“Sua obra encerra uma utopia. E ele sentia muito orgulho em ser reconhecido como contador de histórias. Jorge queria fazer uma obra acessível, acreditava que a literatura poderia ser um meio de libertação”, diz Myriam.

Costa e Silva destaca outro aspecto positivo: “É algo curioso, uma de suas grandes qualidades, apreciada pelo leitor. Todo livro de Jorge Amado que se leia, seja ‘Capitães da “Areia’ [1937] ou ‘Tocaia Grande’ [1984], apesar da violência e das indignidades que apresentam, sempre nos deixa de cabeça alta. Ninguém sai acabrunhado de um livro de Jorge. É um autor que destila esperança”.

http://ponto.outraspalavras.net/2012/01/10/centenario-de-jorge-amado-contador-de-historias/

Considerando-se a abordagem do texto sobre os problemas enfrentados pela crítica literária, estabelecem-se as seguintes conclusões:

I. Determinar as consequências da centralização da literatura na história.

II. Mensurar a influência do partido comunista sobre o sucesso dos escritores a ele filiados.

III. Demarcar os limites entre a boa literatura que traz ingredientes populares e a literatura que peca pelo apelo ao popular.

Está correto o que se diz apenas em

 

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Questão presente nas seguintes provas
2437525 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Cem anos de Jorge Amado, o contador de histórias

Por Rachel Bertol, no Valor Econômico

Houve um tempo em que os escritores brasileiros de ficção costumavam despertar paixão entre os leitores. Jorge Amado era um deles, possivelmente o que mais paixão provocava no grande público. Esse tempo acabou. Hoje, a relação dos brasileiros com seus autores contemporâneos é de outra ordem. ”Assistimos a um momento em que não há mais a mesma paixão”.

Um escritor de ficção só atinge seu grande momento junto ao público quando cria grandes personagens, observa Costa e Silva (ABL): “Jorge Amado foi mestre nisso, com personagens inesquecíveis”.

“É um autor extraordinariamente importante para nossa história. Iniciou muita gente na leitura e ajudou um país inteiro a aprender a ler. Foi o escritor brasileiro mais popular do século XX, e com qualidade literária”, destaca João Ubaldo Ribeiro.

Mesmo com a popularidade e elogios como esses, não se deve esperar unanimidade nas discussões em torno de seu legado. Os livros de Amado sempre foram alvo de fortes ressalvas. A severidade no julgamento – seus personagens seriam rasos, estereotipados, o português descuidado, etc. – fez com que fosse menosprezado nas análises universitárias de letras, apesar de sempre apreciado por antropólogos e sociólogos.

A escritora Myriam Fraga, diretora-executiva da Fundação Casa de Jorge Amado, no cargo desde quando a Fundação foi criada, há 25 anos, diz que a máquina do Partido Comunista do Brasil, do qual o escritor foi dirigente, ajudava na sua projeção, mas não explicava o arrebatamento. “Muitos autores comunistas não chegaram a lugar nenhum”, constata Myriam. O mesmo tipo de fenômeno ocorria no exterior.

Na opinião de Thyago Nogueira, editor da Companhia das Letras, o escritor combinava boa literatura com apelo popular. “Atualmente, existe um certo pudor em relação a isso, como se tudo que fosse popular fosse menor. Mas, para Jorge Amado, o povo era a matéria-prima. Ele tinha ouvido grande para o que acontecia nas ruas e fazia uma transposição interessante do ponto de vista literário. Sua escrita é oral, engraçada, irônica e incorpora uma série de registros.

O mergulho no universo popular, como o do candomblé, foi motivo de crítica e preconceito, lembra Myriam.

Os escritores, hoje, não dão prioridade à opção de contar histórias, analisa Musa. “É como se fosse algo inferior, que relacionam talvez ao modelo narrativo do cinema. A literatura verdadeira estaria, então, em outro lugar.”

Sem histórias interessantes, corre-se o risco de tornar os leitores arredios, comenta Costa e Silva. “Jorge Amado se propôs ser um contador de histórias, e logrou sua proposta. Ele escolheu por assunto a vida cotidiana, com seus dramas e alegrias, e não lida com grandes angústias.”

“Sua obra encerra uma utopia. E ele sentia muito orgulho em ser reconhecido como contador de histórias. Jorge queria fazer uma obra acessível, acreditava que a literatura poderia ser um meio de libertação”, diz Myriam.

Costa e Silva destaca outro aspecto positivo: “É algo curioso, uma de suas grandes qualidades, apreciada pelo leitor. Todo livro de Jorge Amado que se leia, seja ‘Capitães da “Areia’ [1937] ou ‘Tocaia Grande’ [1984], apesar da violência e das indignidades que apresentam, sempre nos deixa de cabeça alta. Ninguém sai acabrunhado de um livro de Jorge. É um autor que destila esperança”.

http://ponto.outraspalavras.net/2012/01/10/centenario-de-jorge-amado-contador-de-historias/

O texto trabalha com algumas bipolaridades. Escreva V ou F conforme a polaridade esteja ou não no texto.

( ) literatura realista vs. literatura não realista

( ) paixão vs. frieza dos leitores

( ) criação de personagens marcantes vs. não criação de personagens marcantes

( ) literatura popular vs. literatura não popular

( ) gosto popular vs. opinião da crítica

Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

 

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2437524 Ano: 2012
Disciplina: Matemática
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Se n rapazes e n garotas saem para dançar, de quantas maneiras todos eles podem dançar simultaneamente, formando duplas com pessoas de sexos opostos?

 

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