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703542 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O conhecimento

Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E, à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.

Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de ideias que hoje denominamos “Ciência”.

Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua época.

O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista dos nossos dias. Assim diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma “engole” o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o na sua mente.

O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não.

(Galliano. O método científico: teoria e prática. Editora Harper& Row do Brasil Ltda. São Paulo: 1979. p. 16-17.)

Assinale o que está de acordo com as ideias do texto.

 

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703541 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O conhecimento

Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E, à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.

Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de ideias que hoje denominamos “Ciência”.

Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua época.

O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista dos nossos dias. Assim diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma “engole” o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o na sua mente.

O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não.

(Galliano. O método científico: teoria e prática. Editora Harper& Row do Brasil Ltda. São Paulo: 1979. p. 16-17.)

Abaixo você encontrará quatro afirmações, três das quais estão implícitas no texto. Assinale a única ideia que está explicitada no texto.

 

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703540 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O conhecimento

Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E, à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.

Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de ideias que hoje denominamos “Ciência”.

Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua época.

O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista dos nossos dias. Assim diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma “engole” o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o na sua mente.

O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não.

(Galliano. O método científico: teoria e prática. Editora Harper& Row do Brasil Ltda. São Paulo: 1979. p. 16-17.)

Atente à passagem de um parágrafo para o outro e assinale o que está INCORRETO.

 

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703539 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O conhecimento

Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E, à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.

Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de ideias que hoje denominamos “Ciência”.

Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua época.

O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista dos nossos dias. Assim diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma “engole” o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o na sua mente.

O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não.

(Galliano. O método científico: teoria e prática. Editora Harper& Row do Brasil Ltda. São Paulo: 1979. p. 16-17.)

Abaixo, há algumas afirmações sobre o texto. Escreva V para o que for verdadeiro e F para o que for falso.

( ) No texto, o vocábulo inferiores foi usado como sinônimo de irracional.

( ) No processo do acúmulo do conhecimento, o homem prejudica a natureza.

( ) As necessidades do homem crescem à medida que aumentam seus conhecimentos.

( ) O conhecimento científico dispensa o experimento.

( ) O conhecimento científico é relativo; depende das condições da época em que se dá.

( ) Dizer que o conhecimento é um processo equivale a dizer que o conhecimento é histórico.

Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:

 

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703538 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto 2

O conhecimento

Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como os animais inferiores. Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas próprias necessidades. E, à medida que a domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas próprias necessidades.

Esse processo permanente de acúmulo de conhecimentos sobre a natureza e de ações racionais capazes de transformá-la compõe o universo de ideias que hoje denominamos “Ciência”.

Ciência é, pois, o conhecimento racional, sistemático, exato e verificável da realidade. Por meio da investigação científica o homem reconstitui artificialmente o universo real em sua própria mente. Mas essa reconstituição ainda não é definitiva. A descoberta e a compreensão de fatos quase sempre levam à necessidade de descobrir e compreender novos fatos. E como o resultado das investigações depende dos conhecimentos já adquiridos e de instrumentos capazes de aprofundar a observação, a Ciência está sempre limitada às condições de sua época.

O que era conhecimento verdadeiro para o sábio da Antiguidade já não o era para o cientista do Renascimento; e o que foi verdadeiro para o cientista do século XVIII pode já não o ser para o cientista dos nossos dias. Assim diz-se também que a ciência é falível, ou seja, pode ser exata apenas para determinado período. O conceito científico que o homem tem do mundo é cada vez mais amplo, mais profundo, mais detalhado e mais exato. Mas está ainda muito longe de ser completo. Assim, considerando-se o desenvolvimento histórico da ciência, é lógico pressupor que o cientista do final do século XXI disporá de conhecimentos muito mais desenvolvidos e exatos do que os de hoje.

Afinal, o que é conhecer?

Em linhas gerais, conhecer é estabelecer uma relação entre a pessoa que conhece e o objeto que passa a ser conhecido. No processo de conhecimento, quem conhece acaba por, de certo modo, apropriar-se do objeto que conheceu. De certa forma “engole” o objeto que conheceu. Ou seja, transforma em conceito esse objeto, reconstitui-o na sua mente.

O conceito, no entanto, não é o objeto real, não é a realidade, mas apenas uma forma de conhecer (ou conceber, ou conceituar) a realidade. O objeto real continua existindo como tal, independentemente do fato de o conhecermos ou não.

(Galliano. O método científico: teoria e prática. Editora Harper& Row do Brasil Ltda. São Paulo: 1979. p. 16-17.)

Observe as relações entre os elementos do primeiro parágrafo.

I. O “Estes” aponta para “os animais inferiores”.

II. O “isso” de “além disso” refere-se à oração “Estes apenas esforçam-se pela vida” , resumindo-a.

III. O substantivo “realidade” não é retomado por nenhuma anáfora.

Está correto o que se diz apenas em

 

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703537 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto I

A garagem de casa

Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a garagem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indivíduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações admirou longamente, como denunciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compadecida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio.

(Chico Buarque. O irmão alemão. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras. 2014. p. 60-61. Texto adaptado com o acréscimo do título.)

A obra O irmão alemão, último livro de Chico Buarque de Holanda, tem como móvel da narrativa a existência de um desconhecido irmão alemão, fruto de uma aventura amorosa que o pai dele, Sérgio Buarque de Holanda, tivera com uma alemã, lá pelo final da década de 30 do século passado. Exatamente quando Hitler ascende ao poder na Alemanha. Esse fato é real: o jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na época, solteiro, deixou esse filho na Alemanha. Na família, no entanto, não se falava no assunto. Chico teve, por acaso, conhecimento dessa aventura do pai em uma reunião na casa de Manuel Bandeira, por comentário feito pelo próprio Bandeira.

Foi em torno da pretensa busca desse pretenso irmão que Chico Buarque desenvolveu sua narrativa ficcional, o seu romance.

Sobre a obra, diz Fernando de Barros e Silva: “o que o leitor tem em mãos [...] não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e ficção”.

Entre as linhas destacadas, lê-se “Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco”. Atente ao que se diz sobre a expressão “Já quando”.

I. Essa expressão dá, à oração que inicia, o valor semântico de tempo.

II. “Já” acrescenta à oração um caráter de comparação, cujo elemento comparado vem implícito no texto: (Os desocupados enchem o recinto de tal maneira que me impedem de aproximar-me das estantes). “ Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco”. Comparam-se duas situações: o que acontece quando os desocupados não dão espaço para o enunciador passar, e o que acontece quando lhe dão esse espaço. Quando não dão, ele não se aproxima das estantes; quando dão, ele entra “para olhar as estantes”.

III. Omitindo-se o “Já”, a oração nada perderia: nem no plano semântico nem no plano estilístico-expressivo.

Está correto o que se diz em

 

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703536 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto I

A garagem de casa

Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a garagem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indivíduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações admirou longamente, como denunciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compadecida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio.

(Chico Buarque. O irmão alemão. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras. 2014. p. 60-61. Texto adaptado com o acréscimo do título.)

A obra O irmão alemão, último livro de Chico Buarque de Holanda, tem como móvel da narrativa a existência de um desconhecido irmão alemão, fruto de uma aventura amorosa que o pai dele, Sérgio Buarque de Holanda, tivera com uma alemã, lá pelo final da década de 30 do século passado. Exatamente quando Hitler ascende ao poder na Alemanha. Esse fato é real: o jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na época, solteiro, deixou esse filho na Alemanha. Na família, no entanto, não se falava no assunto. Chico teve, por acaso, conhecimento dessa aventura do pai em uma reunião na casa de Manuel Bandeira, por comentário feito pelo próprio Bandeira.

Foi em torno da pretensa busca desse pretenso irmão que Chico Buarque desenvolveu sua narrativa ficcional, o seu romance.

Sobre a obra, diz Fernando de Barros e Silva: “o que o leitor tem em mãos [...] não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e ficção”.

“Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas.” Escreva V quando o que se disser do excerto for verdadeiro, e F quando for falso.

( ) Quando se lê o enunciado transcrito, não fica bem clara a relação sintática da oração “sentados nos degraus do escadote...” com os outros termos do enunciado: se ela se liga a “esses desocupados”, ou a “os jornais velhos que mamãe amontoa num canto”. A esse tipo de relação, que confunde o leitor, chama-se ambiguidade semântica.

( ) A vírgula usada depois do substantivo “canto” não diminui a confusão que ocorre no trecho.

( ) Somente o conhecimento dos traços semânticos (ou de significação) dos substantivos “desocupados” e “jornais” pode esclarecer o verdadeiro sentido do enunciado.

( ) Poder-se-ia reestruturar o enunciado de modo a eliminar esse problema: Sentados nos degraus do escadote com que mamãe alcança as prateleiras altas, esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que ela amontoa num canto.

Está correta, de cima para baixo, a seguinte sequência:

 

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Questão presente nas seguintes provas
703535 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto I

A garagem de casa

Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a garagem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indivíduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações admirou longamente, como denunciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compadecida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio.

(Chico Buarque. O irmão alemão. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras. 2014. p. 60-61. Texto adaptado com o acréscimo do título.)

A obra O irmão alemão, último livro de Chico Buarque de Holanda, tem como móvel da narrativa a existência de um desconhecido irmão alemão, fruto de uma aventura amorosa que o pai dele, Sérgio Buarque de Holanda, tivera com uma alemã, lá pelo final da década de 30 do século passado. Exatamente quando Hitler ascende ao poder na Alemanha. Esse fato é real: o jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na época, solteiro, deixou esse filho na Alemanha. Na família, no entanto, não se falava no assunto. Chico teve, por acaso, conhecimento dessa aventura do pai em uma reunião na casa de Manuel Bandeira, por comentário feito pelo próprio Bandeira.

Foi em torno da pretensa busca desse pretenso irmão que Chico Buarque desenvolveu sua narrativa ficcional, o seu romance.

Sobre a obra, diz Fernando de Barros e Silva: “o que o leitor tem em mãos [...] não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e ficção”.

O verbo matar tem variadas acepções além daquela que foi empregada no texto. Na coluna I, estão enunciados construídos com o verbo matar em algumas de suas significações. Na coluna II, estão essas significações. Relacione as duas colunas numerando a segunda de acordo com a primeira.

Coluna I

Coluna II

1. “Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha”

( ) Levar à exaustão, ao esgotamento.

2. Ele foi preso porque matou o ladrão que lhe invadiu a casa.

( ) Fazer algo sem apuro ou cuidado.

3. Ela me trouxe cinco charadas, que matei em um piscar de olhos.

( ) Saciar-se.

4. A desnutrição causada pela fome mata milhões de pessoas na África.

( ) Causar grande prejuízo; arruinar.

5. Os desmandos das autoridades podem matar as pequenas empresas.

( ) Resolver, adivinhar, decifrar.

6. A má tradução mata livros que, em sua versão original, são verdadeiras obras primas.

( ) Deixar o tempo passar.

7. A palavra mata mais que o ato.

( ) Sacrificar-se, fazer tudo por alguém.

8. A traição mata o amor mais rápido do que um tiro certeiro.

( ) Tirar a vida de alguém, assassinar.

9. A exagerada disciplina do Exército o matava.

( ) Contribuir para que algo ou alguém morra; levar à morte.

10. Ela só matava a fome lá em casa.

( ) Causar sofrimento a; mortificar, afligir, ferir.

11. Os tios se mataram para ver o rapaz formado.

( ) No futebol, amortecer o impacto da bola a fim de dominá-la.

12. O craque matou a bola no peito e, em seguida, fez belíssimo gol.

( ) Fazer desaparecer, extinguir.

Está correta, de cima para baixo, a sequência seguinte:

 

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Questão presente nas seguintes provas
703534 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto I

A garagem de casa

Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a garagem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indivíduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações admirou longamente, como denunciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compadecida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio.

(Chico Buarque. O irmão alemão. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras. 2014. p. 60-61. Texto adaptado com o acréscimo do título.)

A obra O irmão alemão, último livro de Chico Buarque de Holanda, tem como móvel da narrativa a existência de um desconhecido irmão alemão, fruto de uma aventura amorosa que o pai dele, Sérgio Buarque de Holanda, tivera com uma alemã, lá pelo final da década de 30 do século passado. Exatamente quando Hitler ascende ao poder na Alemanha. Esse fato é real: o jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na época, solteiro, deixou esse filho na Alemanha. Na família, no entanto, não se falava no assunto. Chico teve, por acaso, conhecimento dessa aventura do pai em uma reunião na casa de Manuel Bandeira, por comentário feito pelo próprio Bandeira.

Foi em torno da pretensa busca desse pretenso irmão que Chico Buarque desenvolveu sua narrativa ficcional, o seu romance.

Sobre a obra, diz Fernando de Barros e Silva: “o que o leitor tem em mãos [...] não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e ficção”.

“Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda.” Leia o que se diz sobre o enunciado acima.

I. Estaria de acordo com os ensinamentos da gramática normativa o acréscimo de duas vírgulas ao enunciado: Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando, na caça a um tesouro, se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda.

II. A regra que ampara o emprego das vírgulas acrescentadas é a seguinte: Separa-se com vírgulas o adjunto adverbial deslocado ou intercalado.

III. Haveria diferença de sentido e de classe gramatical se mudássemos a posição da vírgula em “a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda”, que passaria a “felicidade de deparar com outro, bem mais precioso ainda”. Na estrutura do texto, bem é um substantivo, e a expressão tem o seguinte sentido: deparar com outra coisa que não é um tesouro, porém é mais precioso do que um tesouro. Na estrutura modificada – com outro, bem mais precioso ainda”, bem seria um advérbio, e a expressão teria o seguinte sentido: deparar com outro tesouro bem mais precioso do que aquele que se procurava.

Está correto o que se diz em

 

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703533 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Texto I

A garagem de casa

Com o portão enguiçado, e num convite a ladrões de livros, a garagem de casa lembra uma biblioteca pública permanentemente aberta para a rua. Mas não são adeptos de literatura os indivíduos que ali se abrigam da chuva ou do sol a pino de verão. Esses desocupados matam o tempo jogando porrinha, ou lendo os jornais velhos que mamãe amontoa num canto, sentados nos degraus do escadote com que ela alcança as prateleiras altas. Já quando fazem o obséquio de me liberar o espaço, de tempos em tempos entro para olhar as estantes onde há de tudo um pouco, em boa parte remessas de editores estrangeiros que têm apreço pelo meu pai. Num reduto de literatura tão sortida, como bem sabem os habitués de sebos, fascina a perspectiva de por puro acaso dar com um livro bom. Ou by serendipity, como dizem os ingleses quando na caça a um tesouro se tem a felicidade de deparar com outro bem, mais precioso ainda. Hoje revejo na mesma prateleira velhos conhecidos, algumas dezenas de livros turcos, ou búlgaros ou húngaros, que papai é capaz de um dia querer destrinchar. Também continua em evidência o livro do poeta romeno Eminescu, que papai ao menos tentou ler, como é fácil inferir das folhas cortadas a espátula. Há uma edição em alfabeto árabe das Mil e Uma Noites que ele não leu, mas cujas ilustrações admirou longamente, como denunciam os filetes de cinzas na junção das suas páginas coloridas. Hoje tenho experiência para saber quantas vezes meu pai leu um mesmo livro, posso quase medir quantos minutos ele se deteve em cada página. E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu, entre os quais uns poucos eleitos que mamãe teve o capricho de empilhar numa ponta de prateleira, confiando numa futura redenção. Muitas vezes a vi de manhãzinha compadecida dos livros estatelados no escritório, com especial carinho pelos que trazem a foto do autor na capa e que papai despreza: parece disco de cantor de rádio.

(Chico Buarque. O irmão alemão. 1 ed. São Paulo. Companhia das letras. 2014. p. 60-61. Texto adaptado com o acréscimo do título.)

A obra O irmão alemão, último livro de Chico Buarque de Holanda, tem como móvel da narrativa a existência de um desconhecido irmão alemão, fruto de uma aventura amorosa que o pai dele, Sérgio Buarque de Holanda, tivera com uma alemã, lá pelo final da década de 30 do século passado. Exatamente quando Hitler ascende ao poder na Alemanha. Esse fato é real: o jornalista, historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, na época, solteiro, deixou esse filho na Alemanha. Na família, no entanto, não se falava no assunto. Chico teve, por acaso, conhecimento dessa aventura do pai em uma reunião na casa de Manuel Bandeira, por comentário feito pelo próprio Bandeira.

Foi em torno da pretensa busca desse pretenso irmão que Chico Buarque desenvolveu sua narrativa ficcional, o seu romance.

Sobre a obra, diz Fernando de Barros e Silva: “o que o leitor tem em mãos [...] não é um relato histórico. Realidade e ficção estão aqui entranhadas numa narrativa que embaralha sem cessar memória biográfica e ficção”.

Considerando o texto como um todo, o enunciado “E não costumo perder tempo com livros que ele nem sequer abriu” indica que o enunciador

 

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