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703840 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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“Unde Malum”

Os sapatinhos sem meias, a roupa encharcada, o rosto suavemente deitado sobre a areia da praia em Bodrum, na Turquia. Aylan Shenu, o refugiado sírio de 3 anos, parecia adormecido, em uma daquelas imagens de desconcertante inocência que só uma criança subitamente vencida pelo cansaço é capaz de produzir. A sensação boa dura pouco. Logo se percebe que Aylan está morto. Seu corpo inerte foi jogado na areia pelas ondas do Mediterrâneo. A legenda da foto informa que Aylan morreu afogado com a mãe, Rehan, e o irmão de 5 anos, Galip, quando o barco precário que os transportava afundou. Só Abdullah, o pai do menino, sobreviveu. Como dezenas de milhares de outros sírios vêm fazendo em desespero, os Shenu lançaram-se ao mar para fugir da guerra civil insana que arrasa o seu país.

As cenas do corpo de Aylan na areia – e, em outra foto, carregado nos braços por um policial turco – foram fortes demais mesmo para um mundo anestesiado por desgraças que chegam sem parar a bilhões de pessoas instantaneamente pela internet. A mente humana só tem a fé e a arte para não perder a razão diante de imagens como as de Aylan. Santo Agostinho, um portento da inteligência cristã, nunca conseguiu conciliar a ideia de um Deus onipotente, soberanamente bom, com a existência do mal no mundo. Sua indagação em latim “Unde malum” (“De onde vem o mal?”) atravessa os séculos sem resposta inteiramente satisfatória. No poema com esse título, o polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Nobel de literatura em 1980, responde que o bem e o mal só existem no homem – e se a espécie humana deixar de existir eles também desaparecerão.

“El pie del niño aún no sabe que es pie” – assim o poeta chileno Pablo Neruda descreveu sua perplexidade metafísica ante os mistérios da caminhada humana. O escritor americano Ernest Hemingway famosamente venceu os amigos em uma disputa literária para ver quem conseguiria comover os demais com a história mais curta: “Vendo sapatinho de bebê. Nunca usado”. Pendendo solto dos braços do policial turco em Bodrum, os pezinhos de Aylan, dentro dos sapatos sem serventia, ainda não sabiam que eram pés. Isso é que mais dói.

(Carta ao Leitor. Veja. 9/09/2015. p. 12)

Atente à indagação de Santo Agostinho, um dos doutores da Igreja Católica: “Unde malum” (“De onde vem o mal?”) e aos comentários I, II e III, relacionados a esse questionamento.

I. Essa indagação feita por Santo Agostinho (354-430), nos primeiros séculos da era cristã, ainda não teve uma resposta que convencesse a todos.

II. O que atormentava Agostinho era a ideia de que um Deus criador de tudo, “um Deus onipotente, soberanamente bom”, pudesse haver criado o mal.

III. Em poema intitulado “Unde malum”, o poeta polonês Czeslaw Milosz responde à questão: ”o bem e o mal só existem no homem – e, se a espécie humana deixar de existir, eles também desaparecerão”. Essa resposta parece haver satisfeito muitas pessoas, uma vez que o poeta ganhou um Oscar.

Está correto o que se diz apenas em

 

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703839 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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“Unde Malum”

Os sapatinhos sem meias, a roupa encharcada, o rosto suavemente deitado sobre a areia da praia em Bodrum, na Turquia. Aylan Shenu, o refugiado sírio de 3 anos, parecia adormecido, em uma daquelas imagens de desconcertante inocência que só uma criança subitamente vencida pelo cansaço é capaz de produzir. A sensação boa dura pouco. Logo se percebe que Aylan está morto. Seu corpo inerte foi jogado na areia pelas ondas do Mediterrâneo. A legenda da foto informa que Aylan morreu afogado com a mãe, Rehan, e o irmão de 5 anos, Galip, quando o barco precário que os transportava afundou. Só Abdullah, o pai do menino, sobreviveu. Como dezenas de milhares de outros sírios vêm fazendo em desespero, os Shenu lançaram-se ao mar para fugir da guerra civil insana que arrasa o seu país.

As cenas do corpo de Aylan na areia – e, em outra foto, carregado nos braços por um policial turco – foram fortes demais mesmo para um mundo anestesiado por desgraças que chegam sem parar a bilhões de pessoas instantaneamente pela internet. A mente humana só tem a fé e a arte para não perder a razão diante de imagens como as de Aylan. Santo Agostinho, um portento da inteligência cristã, nunca conseguiu conciliar a ideia de um Deus onipotente, soberanamente bom, com a existência do mal no mundo. Sua indagação em latim “Unde malum” (“De onde vem o mal?”) atravessa os séculos sem resposta inteiramente satisfatória. No poema com esse título, o polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Nobel de literatura em 1980, responde que o bem e o mal só existem no homem – e se a espécie humana deixar de existir eles também desaparecerão.

“El pie del niño aún no sabe que es pie” – assim o poeta chileno Pablo Neruda descreveu sua perplexidade metafísica ante os mistérios da caminhada humana. O escritor americano Ernest Hemingway famosamente venceu os amigos em uma disputa literária para ver quem conseguiria comover os demais com a história mais curta: “Vendo sapatinho de bebê. Nunca usado”. Pendendo solto dos braços do policial turco em Bodrum, os pezinhos de Aylan, dentro dos sapatos sem serventia, ainda não sabiam que eram pés. Isso é que mais dói.

(Carta ao Leitor. Veja. 9/09/2015. p. 12)

Quando o enunciador fala de “um mundo anestesiado por desgraças que chegam sem parar a bilhões de pessoas instantaneamente pela internet”, pode-se chegar a algumas conclusões. Dentre as conclusões a seguir, assinale a que NÃO é autorizada pelo texto.

 

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703838 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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“Unde Malum”

Os sapatinhos sem meias, a roupa encharcada, o rosto suavemente deitado sobre a areia da praia em Bodrum, na Turquia. Aylan Shenu, o refugiado sírio de 3 anos, parecia adormecido, em uma daquelas imagens de desconcertante inocência que só uma criança subitamente vencida pelo cansaço é capaz de produzir. A sensação boa dura pouco. Logo se percebe que Aylan está morto. Seu corpo inerte foi jogado na areia pelas ondas do Mediterrâneo. A legenda da foto informa que Aylan morreu afogado com a mãe, Rehan, e o irmão de 5 anos, Galip, quando o barco precário que os transportava afundou. Só Abdullah, o pai do menino, sobreviveu. Como dezenas de milhares de outros sírios vêm fazendo em desespero, os Shenu lançaram-se ao mar para fugir da guerra civil insana que arrasa o seu país.

As cenas do corpo de Aylan na areia – e, em outra foto, carregado nos braços por um policial turco – foram fortes demais mesmo para um mundo anestesiado por desgraças que chegam sem parar a bilhões de pessoas instantaneamente pela internet. A mente humana só tem a fé e a arte para não perder a razão diante de imagens como as de Aylan. Santo Agostinho, um portento da inteligência cristã, nunca conseguiu conciliar a ideia de um Deus onipotente, soberanamente bom, com a existência do mal no mundo. Sua indagação em latim “Unde malum” (“De onde vem o mal?”) atravessa os séculos sem resposta inteiramente satisfatória. No poema com esse título, o polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Nobel de literatura em 1980, responde que o bem e o mal só existem no homem – e se a espécie humana deixar de existir eles também desaparecerão.

“El pie del niño aún no sabe que es pie” – assim o poeta chileno Pablo Neruda descreveu sua perplexidade metafísica ante os mistérios da caminhada humana. O escritor americano Ernest Hemingway famosamente venceu os amigos em uma disputa literária para ver quem conseguiria comover os demais com a história mais curta: “Vendo sapatinho de bebê. Nunca usado”. Pendendo solto dos braços do policial turco em Bodrum, os pezinhos de Aylan, dentro dos sapatos sem serventia, ainda não sabiam que eram pés. Isso é que mais dói.

(Carta ao Leitor. Veja. 9/09/2015. p. 12)

Tendo em vista o dualismo que, sabe-se, estrutura o mundo, se, em um texto, fala-se em uma “sensação boa”, deve haver algo que preencha o espaço de uma “sensação má”. Assinale a oposição básica que se pode depreender desse texto.

 

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703837 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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“Unde Malum”

Os sapatinhos sem meias, a roupa encharcada, o rosto suavemente deitado sobre a areia da praia em Bodrum, na Turquia. Aylan Shenu, o refugiado sírio de 3 anos, parecia(b) adormecido, em uma daquelas imagens de desconcertante inocência que só uma criança subitamente vencida pelo cansaço é capaz de produzir. A sensação boa dura pouco. Logo se percebe que Aylan está morto. Seu corpo inerte foi jogado na areia pelas ondas do Mediterrâneo. A legenda da foto informa que Aylan morreu afogado(d) com a mãe, Rehan, e o irmão de 5 anos, Galip, quando o barco precário que os transportava afundou. Só Abdullah, o pai do menino, sobreviveu. Como dezenas de milhares de outros sírios vêm fazendo em desespero, os Shenu lançaram-se ao mar para fugir da guerra civil insana que arrasa o seu país.

As cenas do corpo de Aylan na areia – e, em outra foto, carregado nos braços por um policial turco – foram fortes demais(d) mesmo para um mundo anestesiado por desgraças que chegam sem parar a bilhões de pessoas instantaneamente pela internet. A mente humana só tem a fé e a arte para não perder a razão diante de imagens como as de Aylan. Santo Agostinho, um portento da inteligência cristã, nunca conseguiu conciliar a ideia de um Deus onipotente, soberanamente bom, com a existência do mal no mundo. Sua indagação em latim “Unde malum” (“De onde vem o mal?”) atravessa os séculos sem resposta inteiramente satisfatória. No poema com esse título, o polonês Czeslaw Milosz, ganhador do Nobel de literatura em 1980, responde que o bem e o mal só existem no homem – e se a espécie humana deixar de existir eles também desaparecerão.

“El pie del niño aún no sabe que es pie” – assim o poeta chileno Pablo Neruda descreveu sua perplexidade metafísica ante os mistérios da caminhada humana. O escritor americano Ernest Hemingway famosamente venceu os amigos em uma disputa literária para ver quem conseguiria comover os demais com a história mais curta: “Vendo sapatinho de bebê. Nunca usado”. Pendendo solto dos braços do policial turco em Bodrum, os pezinhos de Aylan, dentro dos sapatos sem serventia, ainda não sabiam que eram pés. Isso é que mais dói.

(Carta ao Leitor. Veja. 9/09/2015. p. 12)

O texto inicia-se com uma sequência descritiva, toda linha grifada. Assinale o que está INCORRETO no que se diz a respeito desse trecho do texto.

 

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703835 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso em relação ao que se diz sobre o excerto transcrito: “Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência”.

( ) Ser confiável, gentil, carinhoso e simpático são qualidades desejáveis para todo ser humano, mas são qualidades que não bastam para que alguém seja “uma pessoa habitada”.

( ) Entenda-se, neste contexto, que colocar rapidinho os outros para dormir significa ser enfadonho, não ter nada de interessante para dizer.

( ) Quando se diz que alguém é uma pessoa possuída ou uma pessoa que está possuída, pensa-se logo na possessão demoníaca, algo extremamente indesejável. Há, no entanto, uma quebra de expectativa: a possessão de que se fala não é a demoníaca. O fato de não se tratar desse tipo de possessão não invalida a possibilidade de que a de satanás possa ser uma boa referência desse fenômeno.

( ) O raciocínio exposto acima configura um raciocínio que leva à noção gramatical de concessão.

Está correta a sequência

 

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703834 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Sobre o excerto “A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo”, é INCORRETO fazer a seguinte afirmação:

 

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703833 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Sobre o seguinte enunciado interrogativo: “Então são as criaturas mais incríveis do universo?”, é INCORRETO dizer que

 

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703832 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
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Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Considerando as expressões “por causa disso” e “Além disso”, é correto afirmar que

 

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703831 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: UECE
Orgão: UECE
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Pessoas habitadas

Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate. Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá, Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida. Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Considere o excerto “Estava conversando com uma amiga, dia desses”, e o que se diz sobre ele.

I. Tem-se uma locução verbal de gerúndio – estava conversando –, em que estava é o verbo auxiliar e conversando é o verbo principal.

II. O verbo auxiliar, no presente exemplo, empresta um matiz semântico novo ao verbo principal.

III. Do ponto de vista aspectual, estava conversando não é o mesmo que conversava. Em estava conversando, a ideia de ação verbal em curso é mais forte do que em conversava.

Essa constatação é importante principalmente na leitura de um texto literário, que pode ter em cada elemento uma carga expressiva a mais.

Está correto o que se diz em

 

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Estava conversando com uma amiga, dia desses. Ela comentava sobre uma terceira pessoa, que eu não conhecia. Descreveu-a como sendo boa gente, esforçada, ótimo caráter. "Só tem um probleminha: não é habitada". Rimos. Uma expressão coloquial na França - habité, - mas nunca tinha escutado por estas paragens e com este sentido. Lembrei-me de uma outra amiga que, de forma parecida, também costuma dizer "aquela ali tem gente em casa" quando se refere a pessoas que fazem diferença.

Uma pessoa pode ser altamente confiável, gentil, carinhosa, simpática, mas, se não é habitada, rapidinho coloca os outros pra dormir. Uma pessoa habitada é uma pessoa possuída, não necessariamente pelo demo, ainda que satanás esteja longe de ser má referência. Clarice Lispector certa vez escreveu uma carta a Fernando Sabino dizendo que faltava demônio em Berna, onde morava na ocasião. A Suíça, de fato, é um país de contos de fada onde tudo funciona, onde todos são belos, onde a vida parece uma pintura, um rótulo de chocolate(b). Mas falta uma ebulição que a salve do marasmo.

Retornando ao assunto: pessoas habitadas são aquelas possuídas por si mesmas, em diversas versões. Os habitados estão preenchidos de indagações, angústias, incertezas, mas não são menos felizes por causa disso. Não transformam suas "inadequações" em doença, mas em força e curiosidade. Não recuam diante de encruzilhadas, não se amedrontam com transgressões, não adotam as opiniões dos outros para facilitar o diálogo. São pessoas que surpreendem com um gesto ou uma fala fora do script, sem nenhuma disposição para serem bonecos de ventríloquos. Ao contrário, encantam pela verdade pessoal que defendem. Além disso, mantêm com a solidão uma relação mais do que cordial.

Então são as criaturas mais incríveis do universo? Não necessariamente. Entre os habitados há de tudo, gente fenomenal e também assassinos, pervertidos e demais malucos que não merecem abrandamento de pena pelo fato de serem, em certos aspectos, bastante interessantes. Interessam, mas assustam. Interessam, mas causam dano. Eu não gostaria de repartir a mesa de um restaurante com Hannibal Lecter, "The Cannibal", ainda que eu não tenha dúvida(c) de que o personagem imortalizado por Anthony Hopkins renderia um papo mais estimulante do que uma conversa com, sei lá(d), Britney Spears, que só tem gente em casa porque está grávida(a, c). Que tenhamos a sorte de esbarrar com seres habitados e ao mesmo tempo inofensivos, cujo único mal que possam fazer seja nos fascinar e nos manter acordados uma madrugada inteira. Ou a vida inteira, o que é melhor ainda.

MEDEIROS, Martha. In: Org. e Int. SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As Cem Melhores
Crônicas Brasileiras. Objetiva, 324-325.

Observe a postura da enunciadora do texto ao falar sobre o assunto em foco e assinale a opção INCORRETA.

 

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