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CAMINHO DAS TROPAS
O lote derradeiro desembocou num chouto sopitado do fundo da vargem, e veio a trouxe-mouxe enfileirar-se, sob o estalo do relho, na outra aba do rancho, poucas braças adiante da barraca do patrão. O Joaquim Culatreiro, atravessando sem parar o piraí na faixa encarnada da cinta, entre a espera da garrucha e a niquelaria da franqueira, desatou com presteza as bridas das cabresteiras, foi prendendo às estacas a mulada, e afrouxou os cambitos, deitando abaixo arrochos e ligais, enquanto um camarada serviçal dava a mão de ajuda na descarga dos surrões. O tropeiro empilhou a carregação fronteira aos fardos do dianteiro, e recolheu depois uma a uma as cangalhas suadas ao alpendre. Abriu após um couro largo no terreiro, despejou por cima meia quarta de milho, ao tempo que o resto da tropa ruminava em embornais a ração daquela tarde. O cabra, atentando na lombeira da burrada, tirou dum surrãozito de ferramentas, metido nas bruacas da cozinha, o chifre de tutano de boi, e armado duma dedada percorreu todo o lote, curando aqui uma pisadura antiga, ali raspando, com a aspereza dum sabuco, o dolorido dum inchaço em princípio, aparando além com o gume do freme os rebordos das feridas de mau caráter. Só então tornou à roda dos camaradas, ao pé do fogo do cozinheiro, no interior do rancho, onde chiava atupida a chocolateira aromatizada do café. A tarde morria nuns visos de crepúsculo pelas bandas da baixada. A mulada remoía nas estacas, e junto ao couro de milho um ou outro animal mais arteiro e manhoso escoucinhava e mordia os demais no afã do maior quinhão. Assentados sobre os calcanhares, os primeiros chegados – cujos lotes arraçoados se coçavam impacientes aos varais – espicaçavam pachorrentamente na concha da mão o fumo dos cornimboques, picavam miúdo no corte do caxerenguengue as rodelinhas finas, esfrangalhando entre os dedos os resíduos, palha grossa de cigarro encarapitada na orelha. [...]
Hugo de Carvalho Ramos
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Para responder à questão, leia atenciosamente o Texto I, que se constitui de um excerto do artigo de opinião intitulado “A alma da fome é política”, de autoria do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, publicado no Jornal do Brasil, em setembro de 1993.
Texto I
“A fome é exclusão. Da terra, da renda, do emprego, do salário, da educação, da economia, da vida e da cidadania. Quando uma pessoa chega a não ter o que comer é porque tudo o mais já lhe foi negado. É uma espécie de cerceamento moderno ou de exílio. A morte em vida. O exílio da Terra. Mas a alma da fome é política. A fome é a realidade, o efeito e o sintoma. O ponto de partida e de chegada. A síntese, a ponta do novelo a partir da qual tudo se explica e se resolve. Porque não é episódica, nem superficial, revela fundo o quanto uma pessoa está sendo excluída de tudo e com que frieza seu drama é ignorado pelos outros. [...] Mas a fome é também o atestado de miséria absoluta e o grito de alarme que sinaliza o desastre social de um país, que mostra a cara do Brasil. [...] É assustador perceber com que naturalidade fomos virando um país de miseráveis, com que tranquilidade fomos produzindo milhões de indigentes. Acabar com essa naturalidade, recuperar o sentido da indignação diante da degradação humana, reabsolutizar a pessoa como centro e eixo da vida e da ação política é essencial para transformar a luta contra a fome e a miséria num imenso processo de reconstrução do Brasil e de nossa própria dignidade. Por isso é que acabar com a fome não é só dar comida, e acabar com a miséria não é só gerar emprego, mas é reconstruir radicalmente toda a sociedade.”
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Segundo Borges (2006), com o intuito de superar a crise capitalista da década de 1930, o Brasil incentiva a industrialização com forte ligação entre indústria e agropecuária, com investimento industrial tanto na produção de bens de consumo, como também nos de produção e de capital, objetivando a exportação. Sobre este período, é correto afirmar que:
I) Como incentivo à industrialização brasileira, nas décadas de 1930 e 1940, foram criadas infraestrutura e indústrias de base, como por exemplo a siderúrgica Companhia Vale do Rio Doce e a Companhia Siderúrgica Volta Redonda.
II) O Estado de Goiás intensificou seu processo de industrialização nas décadas de 1930 e 1940, com forte intervenção estatal, através de políticas de incentivo à vinda de empresas e empreendimentos industriais para Goiás.
III) O processo de industrialização no estado de Goiás, acarretou significativas mudanças na configuração espacial e na dinâmica socioeconômica do Estado, caracterizado, até então, pelo predomínio da atividade agropecuária e pela concentração da população na zona rural.
IV) As décadas de 1950 e 1960 foram marcadas por políticas industriais, agrícolas e de ocupação territorial, com auxílio financeiro exclusivo do governo federal, visando dotar o país de infraestrutura para rápido crescimento econômico.
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Otimizar os recursos caseiros é uma boa oportunidade para melhorar a produção rural. Na criação de galos e galinhas, é possível usar o esterco das aves para melhorar a saúde de pequenas hortas e plantações.
Simples de ser produzido, este insumo biológico é indicado para ser feito pelos criadores e fornecedores de frango caipira. Ou seja, para quem alimenta os animais apenas com alimentos naturais e orgânicos. Além disso, só pode ser feito na zona rural, visto que algumas cidades brasileiras proíbem a criação de aves em ambientes urbanos.
Disponível em:<https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Criacao/Aves/noticia/2018/11/adubo-organico-como-fazer-um-produto-biologico-com-esterco-de-galinha.html> .
O texto da reportagem possui algumas ambiguidades e incoerências. Assinale a alternativa ERRADA quanto à leitura do texto:
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No século XVIII deu-se início à produção do ouro em Goiás, nesse período, “Grande importância é conferida ao sistema administrativo e fiscal das Minas; nota-se a preocupação de resguardar os descaminhos do ouro, mas também a de controlar a distribuição dos gêneros”. (SALLES, 1992, p.133). Sobre a exploração do ouro em Goiás, é correto afirmar que:
I) Com o intuito de conter o contrabando da produção do ouro em Goiás, várias medidas foram tomadas, como: o isolamento de minas de extração, a criação de casas de fundição, a proibição de utilizar caminhos não oficiais, revistas rigorosas, e aplicação de severos castigos às pessoas pegas desviando a produção;
II) Vários arraiais foram formados na medida em que aconteciam novas descobertas de ouro, que deveria ser levado, em pó, pelos mineiros para a Capitania Santana, onde era fundido e, em seguida, descontado o quinto destinado à Inglaterra.
III) Apesar do empenho em impedir o contrabando do outro produzido em Goiás, o transporte desse metal seguiu por caminhos obscuros, como florestas e portos, o que impediu a mensuração da real produção em Goiás.
IV) A baixa na produtividade do ouro em Goiás foi causada pelo esgotamento do sistema de exploração de veios auríferos superficiais; pela mão de obra desqualificada; pelo uso de equipamentos inapropriados, pelo não surgimento de novas técnicas capazes de reinventar tal sistema, pela cobrança descabida de impostos, taxas e contribuições, que desanimavam minerador.
V) O governo Português, ao identificar o inevitável esgotamento do sistema econômico baseado na extração do ouro, no final do século XVIII, implanta medidas com o intuito de reerguer a economia no território, dentre elas o incentivo à extração no subsolo.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde, a definição clássica de zoonoses é a de doenças que são transmitidas de animais para humanos, ou de humanos para os animais, ou seja, são “Doenças ou infecções naturalmente transmissíveis entre animais vertebrados e seres humanos” (OMS, 2016).
Sobre as zoonoses, assinale a opção incorreta.
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