Foram encontradas 20 questões.
O texto a seguir serve de base para a questão.
Por Bruno Vaiano. 9 ago. 2019.
Sim. Cientistas da Universidade Heriot-Watt, na Escócia, publicaram um estudo em 2018 mostrando que a soneca não só ajuda a fixar novas memórias como recupera detalhes que nem eram lembrados.a Além dela, várias outras pesquisas afirmam que o cochilo recarrega as energiasd, facilita a recepção de informações no cérebro, melhora o estado de alerta e até beneficia a pressão arterial.b
A sesta, contudo, não deve ser longa demaisc. Primeiro para não prejudicar o sono noturno – essencial para a memorização de longo prazo. Segundo, para evitar a inércia do sono, quando o sujeito acorda sonolento e demora a voltar ao normal. Soneca de 45 minutos ou uma hora é suficiente.
Disponível em: https://super.abril.com.br/
coluna/oraculo/tirar-uma-soneca-depois-de-estudar-ajuda-a-aprender/. Acesso em: 18 ago. 2022.
Do ponto de vista da análise linguística, é CORRETO afirmar que:
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O texto a seguir serve de base para a questão.
Por Bruno Vaiano. 9 ago. 2019.
Sim. Cientistas da Universidade Heriot-Watt, na Escócia, publicaram um estudo em 2018 mostrando que a soneca não só ajuda a fixar novas memórias como recupera detalhes que nem eram lembrados. Além dela, várias outras pesquisas afirmam que o cochilo recarrega as energias, facilita a recepção de informações no cérebro, melhora o estado de alerta e até beneficia a pressão arterial.
A sesta, contudo, não deve ser longa demais. Primeiro para não prejudicar o sono noturno – essencial para a memorização de longo prazo. Segundo, para evitar a inércia do sono, quando o sujeito acorda sonolento e demora a voltar ao normal. Soneca de 45 minutos ou uma hora é suficiente.
Disponível em: https://super.abril.com.br/
coluna/oraculo/tirar-uma-soneca-depois-de-estudar-ajuda-a-aprender/. Acesso em: 18 ago. 2022.
Acerca do texto, pode-se depreender CORRETAMENTE que:
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A partir da leitura da tira, pode-se afirmar CORRETAMENTE que:

Disponível em: https://www.folhadelondrina.com.br/folha-mais/quadrinho-na-tela-o-que-mudou-em-154-anos-de-historias-em-quadrinho-no-brasil-3056345e.html. Acesso em: 18 ago. 2022.
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Considere a leitura dos dois textos abaixo:
Texto 01:
Desconhecer a língua pátria é vergonhoso; desrespeitá-la é afrontoso.
O princípio da nacionalidade, do civismo e da própria cidadania começa com o respeito à língua pátria.
Ame-a, cultive-a quanto puder.
SACCONI, Luiz Antonio. Gramática Essencial Ilustrada. 19. ed. São Paulo: Atual, 2000.
Texto 02:

Disponível em: https://naomekahlo.com/o-que-e-preconceito-linguistico/. Acesso em: 18 ago. 2022.
A respeito desses dois pontos de vista em torno da língua, considere as alternativas como (V) verdadeiras ou (F) falsas
( ) O texto 01 mostra uma visão conservadora da língua.
( ) O texto 02 defende um ponto de vista oposto ao defendido no texto 01.
( ) De acordo com o texto 01, desconhecer a língua materna é motivo de vergonha.
( ) A autora do texto 02 discorda que escrever corretamente seja uma questão de inteligência.
( ) A expressão “jogo de cintura”, presente no texto 02, diz respeito à versatilidade que se deve ter para se comunicar em qualquer situação.
Está CORRETA a sequência:
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Acerca da charge abaixo, todas as alternativas estão corretas, EXCETO:

Disponível em: https://portalplena.com
/vamos-discutir/o-brasil-atual-retarato-por-charges/. Acesso em: 18 ago. 2022.
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Considere a tira a seguir e assinale a alternativa CORRETA:

Disponível em:
https://escolaeducacao.com.br/tirinhas-humor-nas-aulas/. Acesso em: 18 ago. 2022.
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A reportagem a seguir se refere à questão.
BRASIL VIVE “2ª PANDEMIA” NA SAÚDE MENTAL, COM MULTIDÃO DE DEPRIMIDOS E ANSIOSOS
Suicídios sobem sem parar, segundo Datasus, e matam mais que acidente de moto, na contramão do resto do mundo.
Júlia Barbon
Adriano Vizoni
PORTO ALEGRE E VENÂNCIO AIRES (RS)
"É tristeza o nome da doença, a pior que tem", diz Gerson Hein, 48, secando a testa com o antebraço numa manhã ensolarada de inverno. Enquanto segura uma muda verde de fumo, as botas sujas de terra, ele aponta para os cinco bois do outro lado da cerca.
"Eles tão tudo assim felizes pastando, mas tem que estar sempre prestando atenção. Se um se isolar do bando, arriar as orelhas
e murchar o rabo, tem alguma coisa de errado." O agricultor fala dos bichos, mas o assunto é gente: "Dá igual no ser humano, dá e
mata".
Gerson felizmente nunca viu de perto, mas sua propriedade fica numa região onde casos de enforcamento já não chocam mais.b A cidade é Venâncio Aires (RS), a uma hora de Porto Alegre, que historicamente tem uma das mais altas taxas de suicídios do Brasil.
Foram nove óbitos e 38 tentativas só nos seis primeiros meses deste ano, sendo agricultores como ele as vítimas mais comuns. O município gaúcho de 72 mil habitantes reflete um país que adoece mentalmente e acumula uma multidão de deprimidos e ansiosos e,
consequentemente, de mortos.a
O total de óbitos no país por lesões autoprovocadas dobrou de cerca de 7.000 para 14 mil nos últimos 20 anos, segundo o Datasus, sem considerar a subnotificação.d Isso equivale a mais de um óbito por hora, superando as mortes em acidentes de moto ou por HIV.
A curva vai na contramão do resto do mundo, mas segue a tendência da América Latina, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), que atribui a piora à pobreza, à desigualdade, à exposição a situações de violência e à ineficiência de planos de prevenção.
O Rio Grande do Sul ocupa sempre o topo do ranking brasileiro, por motivos que até o comitê estadual de prevenção do suicídio tem dificuldades de entender. As hipóteses passam pela cultura herdada da colonização alemã: "No Sul, saúde mental é vista como besteira, como se a pessoa não quisesse trabalhar", diz a coordenadora do comitê, Andréia Volkmer.
No Vale do Rio Pardo, onde fica Venâncio Aires, soma-se ainda o fator econômico de uma região que depende essencialmente do tabacoe e, portanto, do clima e da qualidade da safra. Muitas vítimas ali são homens acima dos 50 anos, fumicultores que não se sentem mais produtivos.
Os motivos são complexos e múltiplos, mas "a palavra mais perigosa que tem é quando a pessoa diz 'cansei', aí tem que correr", afirma o psiquiatra Ricardo Nogueira, docente da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e autor de dois livros e de um manual sobre prevenção ao suicídio no estado.
Ele descreve o ato como o ponto final "dos seis Ds": desesperança, depressão, desemprego, desamor, desamparo e desespero. Prevenir o suicídio é, então, prevenir o sofrimento mental em suas diversas formas. E não são poucas.
Os efeitos do luto, do medo e do isolamento pela Covid-19 foram explosivos nos últimos dois anos (apesar de o período não ter influenciado de forma significativa nos suicídios, especificamente).
[...]
Enquanto os bares fechavam, o mesmo acontecia com serviços de saúde mental, o que reprimiu a demanda e fez os pacientes em crise aumentarem. No CAPS da Restinga, extremo sul de Porto Alegre, por exemplo, os 3.000 atendimentos mensais de dependentes químicos viraram 14 mil, incluindo mais mulheres e pessoas da classe média.
Nos últimos meses, a equipe da unidade teve que dar atenção especial à aldeia indígena Van-Ká, da etnia Kaingang, a alguns quilômetros dali. Um de seus líderes, Eli Fidelis, 51, suicidou-se depois de anos de uma depressão profunda.
“Aqui a gente faz nossas festas. Menos velório, que não é para acontecer mais”, diz Nerlei, 38, o caçula dos oito irmãos, indicando um espaço coberto e circular. “Um tempo atrás a gente nem sabia o que era depressão”, afirma outro irmão, o cacique Odirlei, 40.
Eli é um exemplo de uma parcela da população que carrega o triplo da taxa de suicídio brasileira, diretamente relacionada, entre outros fatores, ao alcoolismo. O fenômeno não é generalizado, mas localizado em comunidades e etnias específicas e concentrado nos adolescentes, segundo o Ministério da Saúde.
Outros estratos que acendem alertas são policiais e pessoas LGBTQIA+. As chances de um jovem desse segundo grupo ter um transtorno mental é três vezes maior para ansiedade, duas vezes maior para depressão e cinco vezes maior para estresse pós traumático,
mostrou um estudo feito em escolas de São Paulo e Porto Alegre em 2019.
[...]
FIQUE ATENTO SE ALGUÉM PRÓXIMO DE VOCÊ...
• Mostrar falta de esperança ou muita preocupação com sua própria morte.
• Expressar ideias ou intenções suicidas.
• Se isolar de suas atividades sociais e cortar o contato com outras pessoas.
• Além disso: perder o emprego, sofrer discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, sofrer agressões psicológicas
ou físicas, diminuir práticas de autocuidado. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/07/brasil-vive-2a-pandemia-na-saude-mental-com-multidao-de-deprimidos-eansiosos. shtml?origin=folha. Acesso em: 08 ago. 2022.
Do ponto de vista sintático-semântico, depreende-se CORRETAMENTE que:
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A reportagem a seguir se refere à questão.
BRASIL VIVE “2ª PANDEMIA” NA SAÚDE MENTAL, COM MULTIDÃO DE DEPRIMIDOS E ANSIOSOS
Suicídios sobem sem parar, segundo Datasus, e matam mais que acidente de moto, na contramão do resto do mundo.
Júlia Barbon
Adriano Vizoni
PORTO ALEGRE E VENÂNCIO AIRES (RS)
"É tristeza o nome da doença, a pior que tem", diz Gerson Hein, 48, secando a testa com o antebraço numa manhã ensolarada de inverno. Enquanto segura uma muda verde de fumo, as botas sujas de terra, ele aponta para os cinco bois do outro lado da cerca.
"Eles tão tudo assim felizes pastando, mas tem que estar sempre prestando atenção. Se um se isolar do bando, arriar as orelhas
e murchar o rabo, tem alguma coisa de errado." O agricultor fala dos bichos, mas o assunto é gente: "Dá igual no ser humano, dá e
mata".
Gerson felizmente nunca viu de perto, mas sua propriedade fica numa região onde casos de enforcamento já não chocam mais. A cidade é Venâncio Aires (RS), a uma hora de Porto Alegre, que historicamente tem uma das mais altas taxas de suicídios do Brasil.
Foram nove óbitos e 38 tentativas só nos seis primeiros meses deste ano, sendo agricultores como ele as vítimas mais comuns. O município gaúcho de 72 mil habitantes reflete um país que adoece mentalmente e acumula uma multidão de deprimidos e ansiosos e,
consequentemente, de mortos.
O total de óbitos no país por lesões autoprovocadas dobrou de cerca de 7.000 para 14 mil nos últimos 20 anos, segundo o Datasus, sem considerar a subnotificação. Isso equivale a mais de um óbito por hora, superando as mortes em acidentes de moto ou por HIV.e
A curva vai na contramão do resto do mundo, mas segue a tendência da América Latina, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), que atribui a piora à pobreza, à desigualdade, à exposição a situações de violência e à ineficiência de planos de prevenção.a
O Rio Grande do Sul ocupa sempre o topo do ranking brasileiro, por motivos que até o comitê estadual de prevenção do suicídio tem dificuldades de entender. As hipóteses passam pela cultura herdada da colonização alemã: "No Sul, saúde mental é vista como besteira, como se a pessoa não quisesse trabalhar", diz a coordenadora do comitê, Andréia Volkmer.
No Vale do Rio Pardo, onde fica Venâncio Aires, soma-se ainda o fator econômico de uma região que depende essencialmente do tabaco e, portanto, do clima e da qualidade da safra. Muitas vítimas ali são homens acima dos 50 anos, fumicultores que não se sentem mais produtivos.
Os motivos são complexos e múltiplos, mas "a palavra mais perigosa que tem é quando a pessoa diz 'cansei', aí tem que correr", afirma o psiquiatra Ricardo Nogueira, docente da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e autor de dois livros e de um manual sobre prevenção ao suicídio no estado.
Ele descreve o ato como o ponto final "dos seis Ds": desesperança, depressão, desemprego, desamor, desamparo e desespero. Prevenir o suicídio é, então, prevenir o sofrimento mental em suas diversas formas. E não são poucas.
Os efeitos do luto, do medo e do isolamento pela Covid-19 foram explosivos nos últimos dois anos (apesar de o período não ter influenciado de forma significativa nos suicídios, especificamente).
[...]
Enquanto os bares fechavam, o mesmo acontecia com serviços de saúde mentalc, o que reprimiu a demanda e fez os pacientes em crise aumentarem. No CAPS da Restinga, extremo sul de Porto Alegre, por exemplo, os 3.000 atendimentos mensais de dependentes químicos viraram 14 mil, incluindo mais mulheres e pessoas da classe média.
Nos últimos meses, a equipe da unidade teve que dar atenção especial à aldeia indígena Van-Ká, da etnia Kaingang, a alguns quilômetros dali. Um de seus líderes, Eli Fidelis, 51, suicidou-se depois de anos de uma depressão profunda.
“Aqui a gente faz nossas festas. Menos velório, que não é para acontecer mais”, diz Nerlei, 38, o caçula dos oito irmãos, indicando um espaço coberto e circular. “Um tempo atrás a gente nem sabia o que era depressão”, afirma outro irmão, o cacique Odirlei, 40.
Eli é um exemplo de uma parcela da população que carrega o triplo da taxa de suicídio brasileira, diretamente relacionada, entre outros fatores, ao alcoolismo. O fenômeno não é generalizado, mas localizado em comunidades e etnias específicas e concentrado nos adolescentes, segundo o Ministério da Saúde.
Outros estratos que acendem alertas são policiais e pessoas LGBTQIA+. As chances de um jovem desse segundo grupo ter um transtorno mental é três vezes maior para ansiedade, duas vezes maior para depressão e cinco vezes maior para estresse pós traumático,
mostrou um estudo feito em escolas de São Paulo e Porto Alegre em 2019.
[...]
FIQUE ATENTO SE ALGUÉM PRÓXIMO DE VOCÊ...
• Mostrar falta de esperança ou muita preocupação com sua própria morte.
• Expressar ideias ou intenções suicidas.
• Se isolar de suas atividades sociais e cortar o contato com outras pessoas.
• Além disso: perder o emprego, sofrer discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, sofrer agressões psicológicas
ou físicas, diminuir práticas de autocuidado. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/07/brasil-vive-2a-pandemia-na-saude-mental-com-multidao-de-deprimidos-eansiosos. shtml?origin=folha. Acesso em: 08 ago. 2022.
Considerando o registro linguístico da reportagem, assinale a alternativa CORRETA:
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A reportagem a seguir se refere à questão.
BRASIL VIVE “2ª PANDEMIA” NA SAÚDE MENTAL, COM MULTIDÃO DE DEPRIMIDOS E ANSIOSOS
Suicídios sobem sem parar, segundo Datasus, e matam mais que acidente de moto, na contramão do resto do mundo.
Júlia Barbon
Adriano Vizoni
PORTO ALEGRE E VENÂNCIO AIRES (RS)
"É tristeza o nome da doença, a pior que tem", diz Gerson Hein, 48, secando a testa com o antebraço numa manhã ensolarada de inverno. Enquanto segura uma muda verde de fumo, as botas sujas de terra, ele aponta para os cinco bois do outro lado da cerca.
"Eles tão tudo assim felizes pastando, mas tem que estar sempre prestando atenção. Se um se isolar do bando, arriar as orelhas
e murchar o rabo, tem alguma coisa de errado." O agricultor fala dos bichos, mas o assunto é gente: "Dá igual no ser humano, dá e
mata".
Gerson felizmente nunca viu de perto, mas sua propriedade fica numa região onde casos de enforcamento já não chocam mais. A cidade é Venâncio Aires (RS), a uma hora de Porto Alegre, que historicamente tem uma das mais altas taxas de suicídios do Brasil.
Foram nove óbitos e 38 tentativas só nos seis primeiros meses deste ano, sendo agricultores como ele as vítimas mais comuns. O município gaúcho de 72 mil habitantes reflete um país que adoece mentalmente e acumula uma multidão de deprimidos e ansiosos e,
consequentemente, de mortos.
O total de óbitos no país por lesões autoprovocadas dobrou de cerca de 7.000 para 14 mil nos últimos 20 anos, segundo o Datasus, sem considerar a subnotificação. Isso equivale a mais de um óbito por hora, superando as mortes em acidentes de moto ou por HIV.
A curva vai na contramão do resto do mundo, mas segue a tendência da América Latina, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), que atribui a piora à pobreza, à desigualdade, à exposição a situações de violência e à ineficiência de planos de prevenção.
O Rio Grande do Sul ocupa sempre o topo do ranking brasileiro, por motivos que até o comitê estadual de prevenção do suicídio tem dificuldades de entender. As hipóteses passam pela cultura herdada da colonização alemã: "No Sul, saúde mental é vista como besteira, como se a pessoa não quisesse trabalhar", diz a coordenadora do comitê, Andréia Volkmer.
No Vale do Rio Pardo, onde fica Venâncio Aires, soma-se ainda o fator econômico de uma região que depende essencialmente do tabaco e, portanto, do clima e da qualidade da safra. Muitas vítimas ali são homens acima dos 50 anos, fumicultores que não se sentem mais produtivos.
Os motivos são complexos e múltiplos, mas "a palavra mais perigosa que tem é quando a pessoa diz 'cansei', aí tem que correr", afirma o psiquiatra Ricardo Nogueira, docente da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e autor de dois livros e de um manual sobre prevenção ao suicídio no estado.
Ele descreve o ato como o ponto final "dos seis Ds": desesperança, depressão, desemprego, desamor, desamparo e desespero. Prevenir o suicídio é, então, prevenir o sofrimento mental em suas diversas formas. E não são poucas.
Os efeitos do luto, do medo e do isolamento pela Covid-19 foram explosivos nos últimos dois anos (apesar de o período não ter influenciado de forma significativa nos suicídios, especificamente).
[...]
Enquanto os bares fechavam, o mesmo acontecia com serviços de saúde mental, o que reprimiu a demanda e fez os pacientes em crise aumentarem. No CAPS da Restinga, extremo sul de Porto Alegre, por exemplo, os 3.000 atendimentos mensais de dependentes químicos viraram 14 mil, incluindo mais mulheres e pessoas da classe média.
Nos últimos meses, a equipe da unidade teve que dar atenção especial à aldeia indígena Van-Ká, da etnia Kaingang, a alguns quilômetros dali. Um de seus líderes, Eli Fidelis, 51, suicidou-se depois de anos de uma depressão profunda.
“Aqui a gente faz nossas festas. Menos velório, que não é para acontecer mais”, diz Nerlei, 38, o caçula dos oito irmãos, indicando um espaço coberto e circular. “Um tempo atrás a gente nem sabia o que era depressão”, afirma outro irmão, o cacique Odirlei, 40.
Eli é um exemplo de uma parcela da população que carrega o triplo da taxa de suicídio brasileira, diretamente relacionada, entre outros fatores, ao alcoolismo. O fenômeno não é generalizado, mas localizado em comunidades e etnias específicas e concentrado nos adolescentes, segundo o Ministério da Saúde.
Outros estratos que acendem alertas são policiais e pessoas LGBTQIA+. As chances de um jovem desse segundo grupo ter um transtorno mental é três vezes maior para ansiedade, duas vezes maior para depressão e cinco vezes maior para estresse pós traumático,
mostrou um estudo feito em escolas de São Paulo e Porto Alegre em 2019.
[...]
FIQUE ATENTO SE ALGUÉM PRÓXIMO DE VOCÊ...
• Mostrar falta de esperança ou muita preocupação com sua própria morte.
• Expressar ideias ou intenções suicidas.
• Se isolar de suas atividades sociais e cortar o contato com outras pessoas.
• Além disso: perder o emprego, sofrer discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, sofrer agressões psicológicas
ou físicas, diminuir práticas de autocuidado. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/07/brasil-vive-2a-pandemia-na-saude-mental-com-multidao-de-deprimidos-eansiosos. shtml?origin=folha. Acesso em: 08 ago. 2022.
De acordo com o texto, é CORRETO afirmar que:
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A reportagem a seguir se refere à questão.
BRASIL VIVE “2ª PANDEMIA” NA SAÚDE MENTAL, COM MULTIDÃO DE DEPRIMIDOS E ANSIOSOS
Suicídios sobem sem parar, segundo Datasus, e matam mais que acidente de moto, na contramão do resto do mundo.
Júlia Barbon
Adriano Vizoni
PORTO ALEGRE E VENÂNCIO AIRES (RS)
"É tristeza o nome da doença, a pior que tem", diz Gerson Hein, 48, secando a testa com o antebraço numa manhã ensolarada de inverno. Enquanto segura uma muda verde de fumo, as botas sujas de terra, ele aponta para os cinco bois do outro lado da cerca.
"Eles tão tudo assim felizes pastando, mas tem que estar sempre prestando atenção. Se um se isolar do bando, arriar as orelhas
e murchar o rabo, tem alguma coisa de errado." O agricultor fala dos bichos, mas o assunto é gente: "Dá igual no ser humano, dá e
mata".
Gerson felizmente nunca viu de perto, mas sua propriedade fica numa região onde casos de enforcamento já não chocam mais. A cidade é Venâncio Aires (RS), a uma hora de Porto Alegre, que historicamente tem uma das mais altas taxas de suicídios do Brasil.
Foram nove óbitos e 38 tentativas só nos seis primeiros meses deste ano, sendo agricultores como ele as vítimas mais comuns. O município gaúcho de 72 mil habitantes reflete um país que adoece mentalmente e acumula uma multidão de deprimidos e ansiosos e,
consequentemente, de mortos.
O total de óbitos no país por lesões autoprovocadas dobrou de cerca de 7.000 para 14 mil nos últimos 20 anos, segundo o Datasus, sem considerar a subnotificação. Isso equivale a mais de um óbito por hora, superando as mortes em acidentes de moto ou por HIV.
A curva vai na contramão do resto do mundo, mas segue a tendência da América Latina, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), que atribui a piora à pobreza, à desigualdade, à exposição a situações de violência e à ineficiência de planos de prevenção.
O Rio Grande do Sul ocupa sempre o topo do ranking brasileiro, por motivos que até o comitê estadual de prevenção do suicídio tem dificuldades de entender. As hipóteses passam pela cultura herdada da colonização alemã: "No Sul, saúde mental é vista como besteira, como se a pessoa não quisesse trabalhar", diz a coordenadora do comitê, Andréia Volkmer.
No Vale do Rio Pardo, onde fica Venâncio Aires, soma-se ainda o fator econômico de uma região que depende essencialmente do tabaco e, portanto, do clima e da qualidade da safra. Muitas vítimas ali são homens acima dos 50 anos, fumicultores que não se sentem mais produtivos.
Os motivos são complexos e múltiplos, mas "a palavra mais perigosa que tem é quando a pessoa diz 'cansei', aí tem que correr", afirma o psiquiatra Ricardo Nogueira, docente da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) e autor de dois livros e de um manual sobre prevenção ao suicídio no estado.
Ele descreve o ato como o ponto final "dos seis Ds": desesperança, depressão, desemprego, desamor, desamparo e desespero. Prevenir o suicídio é, então, prevenir o sofrimento mental em suas diversas formas. E não são poucas.
Os efeitos do luto, do medo e do isolamento pela Covid-19 foram explosivos nos últimos dois anos (apesar de o período não ter influenciado de forma significativa nos suicídios, especificamente).
[...]
Enquanto os bares fechavam, o mesmo acontecia com serviços de saúde mental, o que reprimiu a demanda e fez os pacientes em crise aumentarem. No CAPS da Restinga, extremo sul de Porto Alegre, por exemplo, os 3.000 atendimentos mensais de dependentes químicos viraram 14 mil, incluindo mais mulheres e pessoas da classe média.
Nos últimos meses, a equipe da unidade teve que dar atenção especial à aldeia indígena Van-Ká, da etnia Kaingang, a alguns quilômetros dali. Um de seus líderes, Eli Fidelis, 51, suicidou-se depois de anos de uma depressão profunda.
“Aqui a gente faz nossas festas. Menos velório, que não é para acontecer mais”, diz Nerlei, 38, o caçula dos oito irmãos, indicando um espaço coberto e circular. “Um tempo atrás a gente nem sabia o que era depressão”, afirma outro irmão, o cacique Odirlei, 40.
Eli é um exemplo de uma parcela da população que carrega o triplo da taxa de suicídio brasileira, diretamente relacionada, entre outros fatores, ao alcoolismo. O fenômeno não é generalizado, mas localizado em comunidades e etnias específicas e concentrado nos adolescentes, segundo o Ministério da Saúde.
Outros estratos que acendem alertas são policiais e pessoas LGBTQIA+. As chances de um jovem desse segundo grupo ter um transtorno mental é três vezes maior para ansiedade, duas vezes maior para depressão e cinco vezes maior para estresse pós traumático,
mostrou um estudo feito em escolas de São Paulo e Porto Alegre em 2019.
[...]
FIQUE ATENTO SE ALGUÉM PRÓXIMO DE VOCÊ...
• Mostrar falta de esperança ou muita preocupação com sua própria morte.
• Expressar ideias ou intenções suicidas.
• Se isolar de suas atividades sociais e cortar o contato com outras pessoas.
• Além disso: perder o emprego, sofrer discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero, sofrer agressões psicológicas
ou físicas, diminuir práticas de autocuidado. [...]
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2022/07/brasil-vive-2a-pandemia-na-saude-mental-com-multidao-de-deprimidos-eansiosos. shtml?origin=folha. Acesso em: 08 ago. 2022.
Tomando por base a leitura do texto, analise as assertivas com (V) para as verdadeiras (F) para as falsas:
( ) O tema central abordado no texto é o aumento na taxa de automutilações na América Latina.
( ) Gerson Hein, de 48 anos, na verdade, está falando de depressão com o repórter.
( ) Em Venâncio Aires, a incidência de suicídios é comum entre os agricultores.
( ) Os povos indígenas em Venâncio Aires estão fora do grupo de risco de cometer suicídio.
( ) O número de dependentes químicos, especialmente de alcoolistas, no extremo sul de Porto Alegre aumentou significativamente por conta da Covid-19.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
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