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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
Os elementos linguísticos “a” e “os” exemplificam o uso de pronomes em mecanismos de coesão textual, retomando, respectivamente, “ressalva de praxe” e “índices de criminalidade”.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
No período “Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado.” Há o registro da informalidade, da oralidade da língua.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
O fragmento “a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom.”, no contexto da frase, esclarece o termo “ressalva de praxe”.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
No fragmento “agimos quase como se se tratasse de marcianos”, a repetição do “se” é enfática.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro tem tais ou quais defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
A expressão “tais ou quais” denota comparação entre coisas que não são conhecidas no texto.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro tem tais ou quais defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
Segundo o texto, o povo é visto como uma entidade idealizada, sempre generosa e aviltada nos seus direitos.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro tem tais ou quais defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
Em síntese, o texto evidencia que, no Brasil, existe uma separação concreta entre a pessoa que se define como merecedora de um tratamento individualizado, separado, especial, e as outras pertencentes a um universo social diverso.
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Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
O sistema social brasileiro não permite uma identificação clara das classes dentro de um mundo social dominado pelo convencionalismo, segundo o enunciador do discurso.
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É comum que, quando estamos falando mal do Brasil, nos refiramos na terceira pessoa tanto ao país quanto a seu povo. Dizemos que o brasileiro tem tais ou quais defeitos graves, como se nós não fôssemos brasileiros iguais a quaisquer outros. Em relação aos políticos, agimos quase como se se tratasse de marcianos ou de uma espécie diferente da nossa, não de gente aqui nascida e criada, da mesma maneira que nós. Somos observadores e vítimas de fatos com cuja existência não temos nada a ver. Os corruptos são “eles”, os que desrespeitam a lei são “eles”, os que sujam as cidades são “eles”, os funcionários relapsos são “eles” – nunca nós.
Paralelamente, nos comprazemos em cultivar a noção de que o povo brasileiro é basicamente muito bom, de índole generosa, honesto, solidário, hospitaleiro, pacífico, cordial, alegre e assim por diante. Artigos, conferências e discursos que envolvam críticas negativas a alguma característica dos brasileiros contêm sempre uma ressalva de praxe, a de que o povo não pode ser acusado de nada, o povo é bom. Com isso, esquecemos que não há povo geneticamente bom ou ruim e que o comportamento e os valores prevalentes em qualquer sociedade se originam em elementos culturais, entendidos estes em seu sentido mais lato.
Há quem faça uso de estatísticas comparativas para mostrar que, em áreas como a segurança, por exemplo, algumas grandes cidades nossas apresentam índices de criminalidade comparáveis com os de cidades americanas do mesmo porte. Então não estaríamos tão mal assim. Mas não há como fazer uma comparação adequada. O número de infrações e de ocorrências policiais em cidades americanas é muito maior do que seria aqui, porque lá se recorre à polícia com muito mais frequência, relativamente. Aqui, tem gente que não dá queixa nem de carro furtado. Sem falar que as estatísticas geralmente não mostram assaltos organizados e sanguinários realizados desde São Paulo a cidadezinhas do interior do Nordeste, onde parece que está surgindo um cangaço modernizado, com os invasores intimidando a população, explodindo caixas de bancos, pilhando casas comerciais e invadindo fazendas. E existem ainda as vastas áreas onde não há polícia, ou a presença do estado é rarefeita e esporádica. No caso, as estatísticas, porque viciadas na origem, valem bem pouco.
RIBEIRO, J. U. Nós, os desordeiros. Veja. São Paulo: Abril, ed. 2333, ano 46, n. 32, 7 ago. 2013. p. 110.
O cidadão brasileiro age, em certas circunstâncias, como se fosse superior e diferente de seus semelhantes.
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Os atos, os comportamentos e as atitudes do servidor público refletirão o exercício da vocação do próprio poder estatal, primando por dignidade, decoro, zelo, eficácia e consciência dos princípios morais.
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