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Texto I

Repórter Policial

[...] O repórter policial, tal como o locutor esportivo, é um camarada que fala uma língua especial, imposta pela contingência: quanto mais cocoroca, melhor. Assim como o locutor esportivo jamais chamou nada pelo nome comum, assim também o repórter policial é um entortado literário. Nessa classe, os que se prezam nunca chamariam um hospital de hospital. De jeito nenhum. É nosocômio. Nunca, em tempo algum, qualquer vítima de atropelamento, tentativa de morte, conflito, briga ou simples indisposição intestinal foi parar num hospital. Só vai pro nosocômio.

E assim sucessivamente. Qualquer cidadão que vai à polícia prestar declarações que possam ajudá-la numa diligência (apelido que eles puseram no ato de investigar), é logo apelidado de testemunha-chave. Suspeito é "Mister X", advogado é causídico, soldado é militar, marinheiro é naval, copeira é doméstica e, conforme esteja deitada a vítima de um crime — de costas ou de barriga pra baixo — fica numa destas duas incômodas posições: decúbito dorsal ou decúbito ventral.

Num crime descrito pela imprensa sangrenta a vítima nunca se vestiu. A vítima trajava. Todo mundo se veste, tirante a Luz del Fuego, mas basta virar vítima de crime, que a rapaziada sadia ignora o verbo comum e mete lá: "A vítima trajava terno azul e gravata do mesmo tom". Eis, portanto, que é preciso estar acostumado ao métier para morar no noticiário policial. Como os locutores esportivos, a Delegacia do Imposto de Renda, os guardas de trânsito, as mulheres dos outros, os repórteres policiais nasceram para complicar a vida da gente. Se um porco morde a perna de um caixeiro de uma dessas casas da banha, por exemplo, é batata... a manchete no dia seguinte tá lá: "Suíno atacou comerciário" [...].

(PONTE PRETA, Stanislaw. Dois amigos e um chato. São Paulo: Moderna, 1986. p. 43-44.)

No excerto “Eis, portanto, que é preciso estar acostumado ao métier para morar no noticiário policial”, o verbo “morar” é empregado no sentido

 

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182378 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UFES
Orgão: UFES
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Texto I

enunciado 182378-1

Analise as afirmativas a seguir, considerando os recursos referenciais empregados no texto.

I. O termo “que” (linha 4) refere-se a “os” (linha 4).

II. O termo “-la” (linha 8) refere-se a “polícia” (linha 7).

III. O termo “destas” (linha 11) refere-se a “declarações” (linha 7).

IV. O termo “lá” (linha 15) refere-se a “vítima” (linha 14).

É CORRETO o que se afirma em

 

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Texto II

enunciado 182377-1

Na peça publicitária acima, o uso da intertextualidade é evidenciado pela presença de uma
 

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Texto I

Repórter Policial

[...] O repórter policial, tal como o locutor esportivo, é um camarada que fala uma língua especial, imposta pela contingência: quanto mais cocoroca, melhor. Assim como o locutor esportivo jamais chamou nada pelo nome comum, assim também o repórter policial é um entortado literário. Nessa classe, os que se prezam nunca chamariam um hospital de hospital. De jeito nenhum. É nosocômio. Nunca, em tempo algum, qualquer vítima de atropelamento, tentativa de morte, conflito, briga ou simples indisposição intestinal foi parar num hospital. Só vai pro nosocômio.

E assim sucessivamente. Qualquer cidadão que vai à polícia prestar declarações que possam ajudá-la numa diligência (apelido que eles puseram no ato de investigar), é logo apelidado de testemunha-chave. Suspeito é "Mister X", advogado é causídico, soldado é militar, marinheiro é naval, copeira é doméstica e, conforme esteja deitada a vítima de um crime — de costas ou de barriga pra baixo — fica numa destas duas incômodas posições: decúbito dorsal ou decúbito ventral.

Num crime descrito pela imprensa sangrenta a vítima nunca se vestiu. A vítima trajava. Todo mundo se veste, tirante a Luz del Fuego, mas basta virar vítima de crime, que a rapaziada sadia ignora o verbo comum e mete: "A vítima trajava terno azul e gravata do mesmo tom". Eis, portanto, que é preciso estar acostumado ao métier para morar no noticiário policial. Como os locutores esportivos, a Delegacia do Imposto de Renda, os guardas de trânsito, as mulheres dos outros, os repórteres policiais nasceram para complicar a vida da gente. Se um porco morde a perna de um caixeiro de uma dessas casas da banha, por exemplo, é batata... a manchete no dia seguinte tá lá: "Suíno atacou comerciário" [...].

(PONTE PRETA, Stanislaw. Dois amigos e um chato. São Paulo: Moderna, 1986. p. 43-44.)

No excerto “Num crime descrito pela imprensa sangrenta a vítima nunca se vestiu”, a expressão “pela imprensa sangrenta” exerce a mesma função sintático-semântica do trecho destacado em:

 

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182375 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UFES
Orgão: UFES

Texto I

A moça em prantos

RIO DE JANEIRO – O poeta encontrou uma pedra no meio do caminho, nunca esqueceu dessa pedra, que lhe deu assunto para o seu poema mais conhecido. Não sendo poeta, encontrei não uma, mas infinitas pedras no meio do caminho, e não só no meio, mas no início e no fim de cada caminho. Não me renderam um único poema, nem mesmo uma modesta crônica.

Mas jamais esqueci a primeira moça que vi chorando. Eu devia ter seis ou sete anos, achava que só as crianças podiam e deviam chorar, tinham motivos bastante para isso, desde as fraldas molhadas nos primeiros meses de existência até a inexpugnável barreira dos "não pode", que emparedam a infância e criam neuras para o resto da vida.

Um adulto chorando era incompreensível para mim, um acontecimento pasmoso, uma aberração da natureza, pois os adultos podiam tudo e tudo lhes era permitido. E a moça era um adulto, ao menos para mim, embora ela fosse realmente moça, aí pelos 15 anos ou pouco mais.

E chorava. Não abrindo o berreiro, como as crianças, mas dolorosamente, e na certa misturando motivos. Mesmo assim, fiquei imaginando a causa do seu pranto. Faltara à escola e por isso ficara sem sobremesa? Fora proibida de brincar na calçada? Queria ganhar uma bicicleta e fora convencida a continuar com o insípido velocípede?

Vi muita gente chorando depois, homens feitos, mulheres maduras. Eu mesmo, quando levo meus trancos, repito o menino que ia para debaixo da mesa de jantar para poder chorar sem passar recibo da minha dor. Hoje, ficaria feio esconder-me debaixo das mesas, mas sei que é um bom lugar para isso. Melhor do que a cama, onde devemos fazer outras coisas.

A moça que chorava não se escondera, chorava de mansinho, na verdade nem parecia estar chorando. Devia apenas estar muito triste porque misturava todos os motivos para a sua tristeza.

(CONY, Carlos Heitor. A moça em prantos. Folha de S. Paulo, São Paulo, 7 maio 2003. Primeiro Caderno, p. 2.)

O prefixo “in-”, geralmente, é anexado a uma palavra a fim de produzir um sentido de negação do seu significado, como ocorre em “inexpugnável”. Esse sentido de negação NÃO está presente em

 

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182374 Ano: 2017
Disciplina: Português
Banca: UFES
Orgão: UFES

Texto II

London is hot

[...]

Rolling Stones são definitivamente roqueiros. Há 50 anos oferecem mais do mesmo, e nenhum problema em não mudar. O mundo em volta é que mudou. Em 1969, quando tocaram no Hyde Park pela primeira vez, a plateia era formada por simpatizantes do flowerpower, todos curtindo paz e amor, muitos em viagem de ácido. Em julho de 2013, a plateia era formada por simpatizantes do Steve Jobs, todos assistindo ao show pelo monitor do seu iPad, iPhone, e tuitando com uma obsessão de viciado. Milhares de cinegrafistas amadores reunidos a fim de documentar o que estavam – estavam? – vendo.

Só o meu queixo tremido é que ninguém viu nem filmou. Ficou sem registro digital. Minha emoção segue totalmente analógica.

[...]

(MEDEIROS, Martha. Um lugar na janela 2: relatos de viagem. Porto Alegre: L&PM, 2016, p. 27-28.)

No excerto “Rolling Stones são definitivamente roqueiros”, o termo “definitivamente” pode ser substituído, sem prejuízo do sentido original do texto, por

 

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182373 Ano: 2017
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFES
Orgão: UFES
No regime de juros compostos, os juros em cada período de tempo são calculados sobre o montante do início do período. Um capital inicial C0 foi aplicado a juros compostos de 20% ao mês. Se Cn é o montante quando decorridos n meses, o menor valor inteiro para n, tal que Cn seja maior que o dobro de C0, é
 

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No regime de juros simples, os juros em cada período de tempo são calculados sobre o capital inicial. Um capital inicial C0 foi aplicado a juros simples de 3% ao mês. Se Cn é o montante quando decorridos n meses, o menor valor inteiro para n, tal que Cn seja maior que o dobro de C0, é
 

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2297482 Ano: 2017
Disciplina: Museologia
Banca: UFES
Orgão: UFES
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A deterioração de materiais pictóricos acarreta em problemas comuns a serem resolvidos pelo conservador de bens culturais. Sobre os tipos de deterioração de matérias pictóricos, analise as afirmativas a seguir:

I. O amarelecimento é causado pela oxidação, pela formação de cromóforos e por materiais aplicados, como vernizes, o que diminui a apreciação estética da obra.

II. A solubilidade varia de acordo com o grau de deterioração, já que a formação de espécies oxigenadas, como álcoois, aldeídos, ácidos carboxílicos, provoca o aumento da polaridade do material pictórico, o que o torna mais solúvel em solventes apolares, como álcoois e cetonas.

III. Os craquelês e o desprendimento da pintura, mais comuns de serem observados em tintas a óleo, são resultados da fragilidade das camadas de tinta e da movimentação do suporte.

IV. O gizamento é um fenômeno ocasionado pela perda de camadas de tinta que leva à alterações das

V. propriedades ópticas da obra de arte.

É CORRETO o que se afirma em

Questão Anulada

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2297481 Ano: 2017
Disciplina: Museologia
Banca: UFES
Orgão: UFES
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São conceitos que definem e determinam os momentos de preservação:

I. Manutenção: assistência diária de limpeza, de guarda, de uso correto, de manuseio, de transporte e de segurança dos objetos, observando-se seu estado de conservação e convocando um especialista quando ações restaurativas forem necessárias.

II. Preservação: manutenção dos bens culturais, a partir da aplicação de leis e da participação em projetos de grande porte destinados a preservar um objeto, um monumento ou uma cidade histórica.

III. Conservação: prevenção do processo de deterioração, por meio de controle do ambiente onde os objetos se encontram ou do tratamento básico em sua estrutura.

IV. Restauração: intervenção específica e cautelosa que exige conhecimento técnico especializado, sem alteração da obra em seu material de origem, seu aspecto original ou qualquer outra de suas características.

É CORRETO o que se afirma em

Questão Anulada

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