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3306554 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

Lya Luft, com relação ao mesmo fato, acrescenta ao seu comentário: “Há coisas muito mais importantes a fazer neste país, como estimular o cuidado com a educação, melhorar o atendimento à saúde, promover e preservar a dignidade de todos nós” (Veja, 14 mar. 2012, p. 22).

A reescrita da enumeração dessas ações desejáveis mantém coerência de forma e de sentido em:

 

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3306553 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

Apresentam-se sugestões de reescrita de algumas frases, mas apenas uma se mantém coerente com o texto.

 

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3306552 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

As orações iniciadas por pronome relativo são classificadas, segundo a gramática tradicional, como adjetivas, que podem ser restritivas e explicativas. As primeiras determinam o substantivo, ou seja, determinam um ou alguns entre muitos e as segundas apenas “acrescentam um pormenor”, apenas apresentam uma característica do ser, razão pela qual são marcadas por pausa representada graficamente por vírgula. Assim, identifica-se uma oração adjetiva restritiva em “Alcione deve registrar apenas modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos”.

Sem considerar a presença da vírgula, que foi omitida, identifica-se oração adjetiva explicativa em:

 

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3306551 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

“Há maior vexame?” A frase curta que conclui a crônica é muito enfática, por apresentar uma atitude incoerente em relação à língua, “a mais fantástica criação humana”. A falta de coerência pode ser caracterizada em:

 

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3306550 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

O segundo parágrafo permite concluir:

 

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3306549 Ano: 2012
Disciplina: Português
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

A expressão atento defensor do interesse público, usada no primeiro parágrafo, é, segundo a gramática tradicional, aposto, caracterizado pela Gramática Brasileira da Língua Portuguesa (M. dos Santos, FTD, p. 237) desta maneira: “É um termo de natureza substantiva que se justapõe a um núcleo substantivo, explicando-o, resumindo-o ou dando-lhe um equivalente mais claro”. Evanildo Bechara, na Gramática Brasileira da Língua Portuguesa (Lucerna, 2002, p. 456), explica: “a sua missão é tão somente explicar o conceito do termo fundamental, razão pela qual é em geral marcado por pausa indicada por vírgula ou por sinal equivalente (travessão e parêntese)”. O aposto, portanto, amplia, explica, desenvolve, caracteriza ou resume o conteúdo de outro termo, segundo outras gramáticas.

As informações dadas permitem identificar aposto em:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306548 Ano: 2012
Disciplina: Radiologia
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Na realização do estudo radiográfico da parte nasal da faringe (cavum), utilizam-se as seguintes incidências, exceto:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306547 Ano: 2012
Disciplina: Radiologia
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Em uma radiografia digital do tipo RC (Radiografia Computadorizada), o sistema de armazenamento é composto por:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306546 Ano: 2012
Disciplina: Radiologia
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Assinale a alternativa incorreta.

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306545 Ano: 2012
Disciplina: Radiologia
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Na incidência AP com boca aberta de C1 e C2, qual estrutura não pode ser visualizada?

 

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