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Foram encontradas 270 questões.

3306564 Ano: 2012
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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O Valor Presente Líquido (VPL) e a Taxa Interna de Retorno (TIR) são ferramentas decisivas no processo de tomadas de decisões de aceitar ou rejeitar um projeto. Sobre essa declaração, considere as seguintes afirmativas.

I. O VPL é encontrado somando-se o investimento inicial do projeto ao Valor Presente de suas entradas de caixa, descontada a taxa de custo de capital da empresa.

II. Quando se usa o VPL, tanto as entradas quanto as saídas de caixa são medidas em valores monetários atuais.

III. A TIR indica a “margem de segurança” que o projeto oferece ao investidor.

IV. A TIR consiste na taxa de desconto que faz com que o VPL de uma oportunidade de investimento seja igual a zero.

Assinale a alternativa correta.

 

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3306563 Ano: 2012
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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As técnicas de análise de investimentos são importantes ferramentas para auxiliar o administrador financeiro no processo de viabilidade econômica de um projeto.

Sobre essas técnicas, é incorreto afirmar:

 

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3306562 Ano: 2012
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Em relação à demonstração de fluxo de caixa, que fornece uma síntese dos fluxos de caixa operacionais, de investimentos e financiamentos de uma empresa, considere as afirmativas abaixo.

I. Para a demonstração do fluxo de caixa, é necessário elaborar o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício.

II. O caixa gerado pelas atividades operacionais deve ser maior que os resultados dos fluxos de caixa de financiamentos e investimentos.

III. Para elaborar o fluxo de caixa, é necessário classificar as contas, segundo entradas (usos) e saídas (fontes).

IV. O resultado final do fluxo de caixa pode apresentar aumento ou redução líquida.

Assinale a alternativa correta.

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306561 Ano: 2012
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Assinale a alternativa incorreta.

 

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3306560 Ano: 2012
Disciplina: Contabilidade Geral
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Em relação às demonstrações financeiras, marque V (verdadeiro) ou F (falso).

( ) A demonstração do resultado do exercício fornece uma descrição resumida da posição financeira da empresa em um certo período.

( ) O balanço patrimonial apresenta um resumo financeiro dos resultados operacionais da empresa para um ano de exercício.

( ) A demonstração do fluxo de caixa permite distinguir os fluxos de caixa das operações, de investimentos e de financiamentos da empresa.

( ) O total de ativos mais o total de passivos representam o patrimônio total da empresa: bens, direitos e obrigações.

Assinale a alternativa que contém a sequência correta.

 

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3306559 Ano: 2012
Disciplina: Matemática Financeira
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Sobre as taxas de juros, é incorreto afirmar:

 

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3306558 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

Na terceira crônica citada, narra o autor: “Dando seguimento à ação, a Justiça pediu o recolhimento do estoque existente do dicionário em questão e estabeleceu pesada quantia a ser paga ao querelante, devido à indenização moral a que teria direito”. Pelo uso do pronome relativo que, entende-se que o querelante teria direito à indenização moral.

Apresentam-se, a seguir, outras frases nas quais aparece o pronome relativo que, regido ou não de preposição, entretanto ocorre interpretação indevida em:

 

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3306557 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

O que se exige de um dicionário é que traga o maior número de significados para cada vocábulo, inclusive para aqueles que podem ser pejorativos ou insultuosos a determinados indivíduos, comunidades ou instituições.” É a essa conclusão que Carlos Heitor Cony leva o leitor em “O DNA das palavras” (Folha de S. Paulo, 4 mar. 2012, p.2).

Nesse fragmento da crônica, destacou-se é (do verbo ser) e que (conjunção). Mas existe a locução é que, de destaque, que apenas dá realce à sequência sujeito+verbo, podendo, pois, sintaticamente, ser excluída. É o que ocorre nesta frase:

 

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Questão presente nas seguintes provas
3306556 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

Mantém-se a coerência substituindo o conetivo inicial do último parágrafo do texto por:

 

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3306555 Ano: 2012
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP
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Prezado candidato, para responder a questão, leia atentamente o texto a seguir.

Dicionário condenado

O Ministério Público Federal, via Procuradoria de Uberlândia, parece que, a pedido, quer proibir a circulação do dicionário Houaiss sob a alegação de conter referências preconceituosas e racistas na palavra “cigano”. Admiro o MP, atento defensor do interesse público, mas, nesse caso, pisou na bola. Um dicionário cometer crime?!

Na infância, fomos atemorizados pela lenda de que ciganos roubavam crianças para vender. Nossos pais não a criaram; vinha de remotas eras – daí estar no dicionário, que oferece todos os sentidos da palavra: do significado objetivo, real e estável, até o figurado, acolhendo todas as mutações, que, no tempo, enriquecem a língua.

No Houaiss impresso, cigano surgiu em 1521: relativo ao ou próprio do povo cigano; zíngaro, relativo a ou indivíduo dos ciganos, povo itinerante que emigrou do Norte da Índia para o Oeste (antiga Pérsia, Egito), de onde se espalhou para os países do Ocidente; calom. Que ou aquele que tem vida incerta e errante; boêmio. Vendedor ambulante de quinquilharias; mascate. Em sentido pejorativo: que ou aquele que trapaceia; velhaco, burlador, que barganha, apegado ao dinheiro, agiota, sovina. Que ou o que serve de guia ao rebanho (de carneiro). O mesmo na versão digital.

Nas duas estão definidos os usos pejorativos, que não são criação do dicionarista. Seu trabalho é compilar do idioma, falado e escrito, atual e passado, as palavras, locuções, afixos etc., e registrar as definições, sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. Dicionarista não sugere, inventa ou cria palavras, não as censura, educa ou depura, não as corrige, moraliza ou atenua preconceitos. Sua arte é capturar as definições e nuances de sentidos e compilar, ciente de que a língua muda como a brisa, e seu trabalho não tem fim. Mortas e vivas, as palavras convivem no dicionário. Mortas podem renascer e vivas, finarem, pelo poder do uso, única lei que as pode governar e decretar-lhes vida ou morte.

A mais fantástica criação humana, a língua é anônima, coletiva e consensual, inquieta e incessante: o dicionário jamais vai esgotar suas mutações. No entanto, intangível, faz-se de morta se não é usada. “Para onde vão as palavras quando cessa a fala?”, indaga T. S. Elliot. Que é da escrita, se não se a lê? – me indago. Criação do homem, a palavra inexiste sem ele. Como julgar, culpar, punir ou banir uma ideia abstrata, que, sem autoria nem vida própria, torna-se arma para eventual usuário? A palavra está para o preconceito como o punhal para o assassinato!

Se há preconceito em cigano, que dizer de judiar: “adotar práticas judaicas, tratar com escárnio, zombar, tratar mal física ou moralmente, maltratar, atormentar”? O MP pune o Houaiss; e o Aurélio define igual o cigano: “Indivíduo de povo nômade, com código ético próprio; dedica-se à música, artesanato, ler a sorte, barganhar cavalos. Boêmio, gitano, calom, judeu (MG), errante, de vida incerta, trapaceiro, velhaco, vendedor ambulante. Nômade, ladino, astuto”. Onde foi parar a isonomia?

Se quem se sente prejudicado pode mutilar dicionários por meio de ações judiciais, o cronista vai exigir revisão do verbete alcione: cortar referências à ave fabulosa de canto plangente tida pelos gregos como de bom augúrio, e à estrela central da plêiade em torno da qual gira o sistema solar. Alcione deve registrar apenas: modesto cronista que, entre os séculos 20 e 21, dedicou-se a temas amenos e frívolos. Ganha a causa, condena-se o dicionário e o cronista se salva. Há maior vexame?

(ARAÚJO, Alcione. Dicionário condenado. Estado de Minas, BH, 12 mar. 2012. Caderno Cultura, p. 8)

O segundo parágrafo da crônica permite concluir o seguinte:

 

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