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Foram encontradas 40 questões.

3477553 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Leia, com muita atenção, o texto apresentado a seguir, para responder a questão.

Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

“Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos.” (parágrafo 3)

Com essa frase, entende-se que a ação expressa pela locução verbal se prolonga, dura. O mesmo ocorre em:

 

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3477552 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Leia, com muita atenção, o texto apresentado a seguir, para responder a questão.

Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

O parágrafo 3 fala de “patrimônio intangível” (que não se pode tocar), o que motiva esta informação: “Os Bens Culturais de Natureza Imaterial dizem respeito àquelas práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares (como mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas)”. (http://portal.iphan.gov.br)

Portanto o texto permite associar o futebol a:

 

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3477551 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

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Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade”.

Essa declaração, feita no parágrafo 1, equivale a dizer:

 

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3477550 Ano: 2014
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Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

O primeiro período do parágrafo 3 apresenta uma expressão que indica tempo e que, segundo o uso culto da língua, pode ser substituída por:

 

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3477549 Ano: 2014
Disciplina: Português
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Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

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Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

O parágrafo 7 não permite responder a esta pergunta:

 

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3477548 Ano: 2014
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Leia, com muita atenção, o texto apresentado a seguir, para responder a questão.

Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

Na frase “A oportunidade de uma ‘destruição criadora’, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1”, foi usado de que, pronome relativo regido de preposição.

O bom uso do pronome relativo também aparece em:

 

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3477547 Ano: 2014
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Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

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Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

“O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva.” (parágrafo 9). A frase permite que se entenda o seguinte:

 

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Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

“O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva.”

O autor, conduzindo o leitor para essa conclusão a respeito do grande número de jovens brasileiros que não conseguem sucesso profissional com o futebol, usa uma série de argumentos.

Marque a alternativa que não faz parte desses argumentos.

 

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Leia, com muita atenção, o texto apresentado a seguir, para responder a questão.

Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

Observa-se que, na frase “Não há hierarquia, classe ou raça.” (parágrafo 1), o verbo está no singular, uma vez que pode ser substituído por existir, indicando sua impessoalidade.

Depois de preencher as lacunas, usando, no presente do indicativo, os verbos indicados entre parênteses, marque a alternativa em que, segundo o uso culto da língua, o verbo tem que ficar no plural.

 

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3477544 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFOP
Orgão: UFOP

Leia, com muita atenção, o texto apresentado a seguir, para responder a questão.

Quando a bola acaba

Fascinante a cumplicidade que surge entre os brasileiros quando o tema é futebol. Não há hierarquia, classe ou raça. Após a hecatombe da última terça-feira (8), faxineiros, financistas, garçons, juristas, crianças e velhos partilham, em pé de igualdade, análises, lamentos, xingamentos e, sobretudo, fabulosas piadas.

É impossível deixar de reconhecer a importância do futebol na constituição de nossa identidade. Afinal, em que outra circunstância da vida brasileira nos igualamos e comungamos de um mesmo destino?

Este precioso patrimônio intangível vem sendo incansável e insaciavelmente corroído há décadas por gatos cada vez mais gordos. Se mais uma simples derrota nos leva a cobrar mudanças incrementais, a falência múltipla face à Alemanha nos obriga a buscar transformações mais profundas e disruptivas. A oportunidade de uma “destruição criadora”, de que nos fala o economista austríaco Joseph Schumpeter, nos foi aberta pelo dilacerante 7 a 1.

Há muito que fazer. Um ponto essencial, no entanto, seria associar radicalmente o futebol à educação. De forma semelhante ao que fizeram os alemães depois do fiasco de 2000, ou como ocorre nos esportes profissionais norte-americanos, só chega ao profissionalismo quem passa pela escola.

Hoje no Brasil são milhares de jovens que, de fato, abandonam o estudo para se submeter a intermináveis e perversas peneiras. A exigência da Lei Pelé para que os clubes cuidem da educação de seus jovens atletas vem sendo cumprida apenas por uma pequena elite de nossos times. Como diversos investigadores do Ministério Público vêm expondo, o garimpo por craques vem gerando uma nova forma de exploração e mercantilização de mão de obra infantil.

Há notícia de familiares que chegam a pagar 25 mil reais para que seus filhos participem de testes nos chamados clubes de formação. Lamentam- se casos de olheiros e “professores” que rapinam pais e mães desesperados para formar um Neymar ou um Thiago Silva.

Apenas uma parte ínfima desse exército terá uma oportunidade. Muitos deles cairão rapidamente nas garras de agentes, que os comercializarão como gado. Estima-se que, somente no ano passado, mil e quinhentos jogadores brasileiros, em sua maioria muito jovens, foram vendidos ao exterior.

Para a imensa maioria dos que se profissionalizam no Brasil está reservado um futuro pouco promissor. Calcula-se que 85% de nossos jogadores profissionais ganhem menos de dois salários mínimos por mês e, em face da estupidez do calendário, ficam desempregados quase metade do ano, como denuncia o Bom Senso Futebol Clube.

O futebol é hoje uma indústria global e implacável, além de tentacular e, nos termos da revista “The Economist”, corrupta. De joia da coroa que um dia encheu os olhos do mundo, o Brasil vem se tornando um mero fornecedor de talentos para exportação, em detrimento de nossos campeonatos e, sobretudo, de um futuro para nossos garotos. O fato é que a imensa maioria ficará sem bola, sem escola e sem perspectiva. Apenas uma conjugação radical desses dois universos poderia transformar o futebol num efetivo instrumento de inclusão para milhares de boleiros das periferias sociais brasileiras e, por que não, melhorar o seu desempenho.

(VIEIRA, Oscar Vilhena. Quando a bola acaba. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 de jul. 2014. Caderno 2, Cotidiano.)

Glossário

Hecatombe: sacrifício de muitas vítimas.

Disrupção: interrupção do curso normal de um processo.

Na primeira frase do texto merece destaque uma palavra que se inclui entre as que nomeiam ação ou característica do ser e que são vistas, na gramática tradicional, como substantivos abstratos. É cumplicidade, relativa à cúmplice, parceiro, pessoa que colabora com outra, “que possibilita, favorece, concorre na realização de algo”.

Em vista do que foi explicado, classifica-se como substantivo abstrato esta palavra:

 

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