Magna Concursos

Foram encontradas 64 questões.

1372099 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: UFRGS
Provas:
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
“A ciência descreve as coisas como são; a arte, como são sentidas, como se sente que são”, escreveu Fernando Pessoa. A certeza do poeta foi motivo de debates e de uma profusão de tratados filosóficos na passagem do século XVI, com sua crença platônico- pitagórica na matemática como fundamento da ciência e da arte, para o século XVII, quando se percebeu que nem tudo podia ser reduzido a números. Em especial as coisas sentidas.
Um pioneiro dessa visão crítica foi o músico Vincenzo Galilei (1520-1590), pai de Galileu Galilei, que antes do advento da revolução científica já percebia os limites da “matematização”, capaz de gerar mudanças positivas na classificação de algumas ciências, mas ineficaz em outras. “Não somente porque a busca da natureza dos objetos de algumas ciências estava sendo posto em dúvida, como também pelo fato de que as formas de interação entre os conhecimentos práticos, teóricos e dos artesãos se deram de maneiras diversas”, afirma a historiadora Carla Bromberg.
Se, hoje, é mera fonte de prazer, a música, desde a Idade Média, era considerada como uma ciência que tinha por fundamento a aritmética e, consequentemente, seu objeto não era o som, mas o número. Nas universidades, só se aceitava que se teorizasse sobre o mundo sonoro. Dentre os autores desses tratados poucos praticavam a música. “Foi o choque das formas de conhecimento prático e técnico com o teórico que mostrou a necessidade de uma mudança. Defender ideias que contradiziam autoridades e estruturas do pensamento ocidental foi algo que Vincenzo já fazia antes de Galileu.”
Em seus tratados musicais, o tocador de alaúde e teórico musical esboçou um método investigativo inovador. “Na contramão da sua época, Vincenzo preconizou a supremacia da observação e dos experimentos”, nota a pesquisadora. Vincenzo não hesitava em questionar doutrinas tradicionais. “Como não se haviam explicado os problemas de forma a satisfazer o intelecto, foram necessárias uma averiguação e a arguição dos fatos teóricos”, escreveu. Para ele, qualquer que fosse o autor, antigo ou moderno, era preciso contestar alegações falsas, pois uma ideia não deveria ser propagada apenas por causa da autoridade do seu criador.
O alvo de Vincenzo era justamente os adeptos dos conceitos pitagóricos, como Gioseffo Zarlino (1517- 1590), mestre-capela da catedral de São Marcos, em Veneza. Embora tenha sido mestre de Galilei por algum tempo, Zarlino tinha uma leitura tradicional da natureza matemática da música, tentando encaixar na velha moldura pitagórico-platônica legitimada na tradição textual as “novidades sonoras” advindas dos excessos da polifonia. Galilei, a partir de seus experimentos, concluiu que muitas das razões propostas teoricamente não existiam na prática. Vincenzo também percebeu que muitos dos intervalos musicais que o sistema vigente negava existiam e eram matematicamente representáveis.”
Adaptado de HAAG, C. Ainda assim o som se move.
Revista FAPESP. Edição 197 - Julho de 2012
Considere as seguintes hipóteses de deslocamento do vocábulo apenas.
I - depois do vocábulo ideia
II - antes do vocábulo deveria
III - depois do vocábulo criador
Quais delas mantêm o sentido e a correção da frase original?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Tenho medo da palavra "prático". Sempre me parece que o que é prático nos tira alguma coisa.
Acho que tudo começou no dia em que cheguei da escola e vi cortado o abacateiro do quintal da minha infância.
"É mais prático. Suja muito" – disse minha avó.
Eu não podia acreditar. Já não bastava terem cimentado o gramadinho onde eu fazia incríveis florestas, agora eu teria apenas aquele toco no meio do cimento para sentar. Francamente! Não gosto do que é prático. Prático me parece mínimo, sem detalhes. E Deus mora nos detalhes.
No mês passado, estive em temporada no centro do Rio. Fazia tempo que eu não andava por lá. Tentei achar um restaurante onde eu costumava ir almoçar com meu pai. Era uma dessas tabernas da Lapa, pequenas, baratas e com comida maravilhosa – vinda de uma senhora portuguesa escondida na cozinha.
Procurei loucamente pelas ruazinhas atrás da Cinelândia e quis gritar de alegria quando vi o mesmo letreiro ainda na porta.
O lugar era o mesmo, mas tinha sido azulejado, os quadros, retirados das paredes e a comida, agora, era cobrada a quilo. Uma fila para servir, outra para pesar, bandejas, talheres ensacados, sachezinhos de sal e nem sequer um caldeirão de caldo verde ou uma lasca de bacalhau que fosse no bufê.
Achei que tinha mudado o dono e apenas mantido o nome, mas, quando olhei pelo quadradinho que dava pra cozinha, lá estava, curiosamente, a mesma senhora, castigada pelo tempo e pelo que é mais prático e econômico.
Lembrei-me da minha avó. Também prática. Também portuguesa. Quando mandou cortar o abacateiro ainda fazia sua própria massa de pastel. Viva fosse, talvez já tivesse se rendido à massa pronta, comprada no supermercado. Teria meu perdão. Quem pode resistir ao que é mais prático e econômico num mundo que justifica tudo pelo custo e pela eficiência?
Mas será que preciso mesmo ficar sacudindo travesseirinhos de sal úmido pelas mesas? Não consigo dizer por que uma coisa tão banal me provoca tanto mal-estar, mas sei exatamente o conforto que me dá um guardanapo de pano furadinho num restaurante decadente que não se rendeu ao bufê a quilo.
A felicidade não é prática e econômica. A felicidade mora nos becos. Quer coisa mais prática e econômica do que uma sala iluminada por uma lâmpada fluorescente? Quer coisa mais triste?
Se tivesse ido ao restaurante para jantar, acho que choraria na calçada.
Adaptado de: FRAGA, Denise. Precisar, não precisa. Folha
de São Paulo, 24/7/2012. Disponível em
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/denisefraga/11245
96-precisar-nao-precisa.shtml. Acessado em 20/1/2013.
Assinale a alternativa em que o sujeito da oração indicada classifica-se como indeterminado, do ponto de vista da norma gramatical.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
A preocupação com o tratamento dado aos animais que nos servem de alimento tem origem em um questionamento ainda maior, ao qual a ciência tenta dar uma resposta: seriam os bichos capazes de desenvolver algum tipo de sentimento ou inteligência? Estudos recentes revelam que o cérebro de alguns animais processa tarefas antes atribuídas apenas a seres humanos. Já se sabe que os elefantes adotam um comportamento semelhante ao luto quando um integrante da manada morre. Pássaros como o corvo sabem confeccionar e usar ferramentas para construir seus ninhos. Ratos tendem a imitar os movimentos de outros membros da espécie ao vê-los se contorcer de dor. O exemplo mais notável de animal que apresenta um tipo de inteligência evoluída é o bonobo, um membro da família dos chimpanzés. Cientistas americanos conseguiram que um exemplar desses primatas desenvolvesse um sistema complexo de comunicação. Ele compreende cerca de 380 palavras e, por meio de um tabuleiro com cartões coloridos, as ordena de modo a compor frases. O bonobo também consegue expressar noções de tempo e grandeza.
Com isso, os defensores dos animais ganharam mais argumentos para tentar mudar as leis a favor de seus protegidos. Há dois anos, o Parlamento espanhol estendeu alguns direitos humanos a chimpanzés, gorilas, orangotangos e, claro, bonobos. O país das touradas decidiu que os primatas não podem ser torturados nem mortos (salvo em casos de defesa contra ataque). “Quando o homem começa a perceber que os animais têm algumas características semelhantes às suas, fica menos suscetível a submetê-los a tratamentos que resultem em dor ou sofrimento”, disse a VEJA a advogada americana Pamela Frasch, especialista em legislação dos direitos dos animais."
Adaptado de: Sinais de Inteligência. Revista Veja,
8/10/2010, edição 2181, p. 129 Disponível em
http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx. Acessado
em 16/1/2013.
Considere as seguintes propostas de reformulação da pontuação do texto.
I - Inserir uma vírgula depois do vocábulo tarefas.
II - Substituir o ponto que segue o vocábulo comunicação por dois pontos, com o devido ajuste no emprego de maiúsculas e minúsculas.
III - Suprimir a vírgula que segue o vocábulo e.
Quais estão corretas do ponto de vista da norma gramatical e conservam o sentido original do texto?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
O servidor público será aposentado compulsoriamente
Questão Desatualizada

Provas

Questão presente nas seguintes provas