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Foram encontradas 60 questões.

1570018 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O texto utiliza inúmeras relações de oposição para estabelecer sua argumentação. Assinale a alternativa que apresenta período composto, com uma conjunção sublinhada, capaz de expressar essa relação de sentido.

 

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1570017 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

No dito popular “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”, vê se duas ocorrências de preposições. Assinale a alternativa que apresenta preposição de mesmo valor semântico àquelas do fragmento.

 

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1570016 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

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A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O item que apresenta a mesma função sintática que o trecho sublinhado em “Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende” é:

 

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1570015 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

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A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O termo sublinhado em “Cultivá-la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena” estabelece, no texto, relação de coesão textual com qual expressão?

 

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1570014 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

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A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

Os parágrafos de um artigo de opinião possuem diferentes funções para o cumprimento de sua intenção argumentativa. Relendo o 4º parágrafo, nota se a presença de uma estratégia argumentativa bastante conhecida. A alternativa que apresenta a estratégia e trecho ilustrativo correspondente é:

 

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1570013 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

Considere o fragmento: “Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças (...).” A alternativa que possui trecho sublinhado de mesma função sintática ao do fragmento “Tratando com crueldade” é

 

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1570012 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

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A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O texto apresenta uma função de linguagem predominante. Assinale a alternativa que apresenta essa função, seguida de sua justificativa.

 

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1570011 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

No período “A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser”, a conjunção sublinhada apresenta valor semântico semelhante a

 

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1570010 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

Os termos sublinhados nos fragmentos “Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga” e “Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar” exercem qual função sintática?

 

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1570009 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UFRRJ
Orgão: UFRRJ

Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 10.

A Ética da Amizade Christian Ingo Lenz Dunker

Ser amigo de alguém parece algo que não se aprende, de repente acontece. Parece mesmo um assunto pouco sério. Na verdade a amizade foi um tema muito discutido na filosofia antiga e existiram escolas de pensamento, como o epicurismo, que colocavam a amizade no centro da vida humana. Cultivá la não era apenas uma coisa a mais na vida, mas aquilo que nos tornava melhores e tornava a vida algo que valesse a pena. s vezes pensamos que a ética é alguma coisa que se decide apenas em torno dos grandes temas sobre os quais precisamos tomar uma posição: a morte, a violência, a justiça, a fidelidade, o bem estar comum. Mas nesta coisa comum que é a amizade tudo isso está em jogo. Como tratamos o outro, e como estamos com o outro, este é o problema.

Para saber que alguém é nosso amigo geralmente fazemos a seguinte pergunta: ele está comigo por algum interesse ou porque ele de fato quer o meu bem? Uma regra da amizade é a de que não devemos usar o outro como um meio de alcançar algo. Quando isso acontece dizemos que é uma amizade interesseira, uma falsa amizade, onde a preocupação é: o que eu vou ganhar com isso? Amigos não esperam ganhar nada além da própria amizade. A relação, nela mesma, é o que nos atrai. (...)

A ética da amizade exige, em contrapartida, uma rigorosa igualdade. Não uma igualdade no sentido em que são pessoas que gostam das mesmas coisas, de um tipo de música, por exemplo. Não uma igualdade em que você será tratado da mesma maneira como trata o outro, afinal isso geraria apenas uma ética baseada na troca de interesses. A igualdade de que falo diz respeito a como tratamos e acolhemos as diferenças entre os amigos. A diferença não precisa ser eliminada, pois o sentimento de igualdade suporta as divergências de opiniões e de jeitos de ser. É uma igualdade mais abstrata. (...)

Em nossa época a ética da amizade tem encontrado poucos espaços para frutificar. O lema “amigos, amigos, negócios à parte” inicialmente podia ser lido no sentido de não tornar as amizades um trampolim para outras atividades, não transportar a confiança de um para outro. A cultura brasileira produziu, historicamente, formas complexas de relações onde a distinção entre o que é e o que não é amizade fica difícil de estabelecer. O dono da mercearia que vende fiado, aos “amigos”, o “amigo” naquela repartição capaz de resolver um problema quando preciso, os acobertamentos e favorecimentos que tornam nossa sociedade tão desigual baseia se, entre outras coisas na corrupção da ética da amizade. Nada mais típico do que a expressão: “aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Isso que dizer que a própria aplicação da lei não é igual para todos, uma descarada injustiça. Não é à toa que os membros da máfia italiana chamavam se uns aos outros de “amici” (amigos). Quando a amizade é atravessada por uma rede de interesses ela se enfraquece enquanto tal. Perde assim sua capacidade de gerar segurança, confiança e de reunir igualdade e diferença de um modo tão único e enriquecedor para nossas vidas.

Por outro lado, neste mesmo Brasil, que vive uma degradação da amizade em troca de favores, vemos situações de miséria extrema onde a solidariedade acaba sendo o único recurso para sustentar um modo viável de existência coletiva. É interessante como em muitas destas situações efetivamente uns ajudam os outros mas isso acontece de forma tão espontânea que não ocorre a ninguém contabilizar tais favores ou cobrá los em outro momento. Mas de fato, não é apenas a amizade que define tais situações mas uma combinação de modos de relacionamento típica de nossa cultura.

Outro sinal do declínio da ética da amizade pode estar associado ao aumento da violência nas escolas e entre os adolescentes em geral. A escola não ensina a amizade mas ela, no melhor dos casos, permite que esta aconteça. A situação escolar favorece o desenvolvimento de amigos: reúne pessoas da mesma idade, geralmente com preocupações semelhantes, submetidas a um regime comum de problemas e de exigências. Quando esta situação é atravessada por interesses que ultrapassam a referência que torna todos iguais dentro da escola, a amizade tem problemas para se consolidar. Formam se grupos de exclusão, amizades orientadas para a sobrevivência ou opressão, para a aquisição de poder ou influência. (...) Tratando com crueldade, não apenas física, aqueles que se desviam desses interesses o grupo mostra como a desigualdade entre seus membros não pode tolerar diferenças, afastando se assim da ética da amizade.

Adaptado de: http://stoa.usp.br/chrisdunker/files/1871/10564/1996+-+A+Ética+da+Amizade.pdf

O texto do psicanalista Christian Dunker é um artigo de opinião porque se caracteriza pela

 

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