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49084 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

Texto

A DURA VIDA DE QUEM BEBE GUARANÁ

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Todo mundo, pelo menos todo mundo com quem converso, sabe que tive problemas com álcool e, de certa forma, sempre terei, porque ele é meu inimigo permanente. Saiu até minha cara toda inchada na capa de uma revista, apareci igualmente inchado e meio bêbedo num programa de tevê em que eu era o assunto e, quando ia falar no sofrimento que estava enfrentando, as luzes se apagaram. Todo mundo, do Bial, que me entrevistava, ao pessoal da equipe, ficou impressionado, há quem até hoje ache que foi intencional. E as pessoas não se esquecem do passado, mas são gentis, ao se referirem ao assunto.

— E a saúde, como vai? — indagam sempre, me dando um olhar de avaliação.

A pergunta é a forma codificada de saber se eu continuo um pau-d’água e é num clima de alívio e satisfação (desgosto somente nuns poucos) que ressoa minha resposta de que a saúde vai bem. Belas notícias e, aliás, minha aparência está muito boa, estou uns dez anos remoçado. Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana. O pessoal manda ver e eu também, só que guaraná diet. No meu copo, parece que tem uísque, porque o guaraná é com gelo e sem aquela abominável rodela de laranja que aqui no Rio resolveram que acompanha obrigatoriamente guaraná.

Poderia dizer, para valorizar meu comportamento, que faço um esforço de vontade para resistir ao álcool, mas não faço. Creio que sei o que houve comigo, mas tenho certeza de que não estou sendo egoísta, ainda mais em assunto tão sério quanto este, quando digo que foi por uma via muito pessoal, que na verdade não posso dividir com ninguém, ou quase ninguém. O fato é que, tendo passado quase toda a vida adulta centrado de alguma forma no álcool, com tudo de prazeroso de uma forma ou de outra ligado à bebida, embora negasse minha condição de alcoólatra até que fui forçado a reconhecê-la, não sinto falta dele. Não faço, honestamente, força para não consumi-lo. Simplesmente, não quero mais, é como se meu corpo e meu espírito o rejeitassem — quem quiser que explique como quiser.

Sempre procurei evitar hipocrisia e recusei-me a agir hipocritamente em relação ao problema. Falei nele abertamente, dividi minha experiência com outros doentes e suas famílias, que também costumam passar o diabo por causa deles. Internei-me para tratar-me em regime, digamos, carcerário, freqüentei os Alcoólicos Anônimos, fui a uma clínica no interior de São Paulo, submeti-me a tratamento psiquiátrico, vivi um pesadelo horrendo. Mais ou menos oito anos, com um de abstinência intercalado, após o qual pensei, burramente, tornar-me um “bebedor social”, resolução que só subsistiu por algumas semanas. Cheguei a ter pancreatite e quase morrer — quinze dias numa unidade de tratamento semi-intensivo e mais cinco de hospital comum. Depois disso tudo, ainda continuei a enfiar o pé na jaca, até que, um belo dia, me veio a graça — só posso usar esta palavra — e, ao amanhecer, pensei que ia tomar a talagada habitual já às seis horas da manhã e não tomei, perdi de vez a vontade. Ou, pelo menos, perdi até hoje e não penso em voltar a beber nada, me dá até uma certa repulsa. Isto, é claro, não se estende à bebida dos outros, nem mesmo à dos bebedores extremados, contanto que não fiquem chatos ou agressivos. Só deixei de dar entrevistas sobre o assunto quando me transformaram numa espécie de alcoólatra-padrão e bastava alguém embriagado envolver-se numa encrenca para um repórter querer me entrevistar. Tive que passar a responder que não era o Pinguçólogo Geral da República e que fossem procurar outros.

Para mim, a vida ficou extraordinariamente melhor. Quem pode beber, sabendo desfrutar do que a bebida tem de bom e sem permitir que ela lhe seja ruinosa, que beba. Eu não posso e tenho a felicidade de não me ressentir disso. Mas a fama criada é difícil de erradicar e, como eu disse, tem muita gente que não acredita. Às vezes, é meio chato. No boteco mesmo, um cavalheiro desconhecido passou certa feita por minha mesa, me viu tomando meu guaraná e declarou que me admirava porque, diabético como eu (não sou diabético, nem pareço ter tendência), ele também bebia o uísque dele à vontade. Respondi que era guaraná e ele, para provar que eu sou um farsante, enfiou o nariz no meu copo, fazendo uma caprichada lavagem nasal, que me obrigou a pedir outro, porque tenho objeções a ingerir lavagem nasal.

Em outros ambientes, é freqüente que aconteçam coisas parecidas e, faz poucos dias, numa festa, quase tenho de brigar porque um convidado não se conformava que eu estivesse bebendo guaraná e outro insistiu que eu tomasse pelo menos um vinhozinho, quando eu recuso até bombom recheado de licor ou sorvete de passas ao rum. E sofro um pouco com outras coisas, porque, nas raras festas a que compareço, não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros. O resultado é que os outros passam um tempão bebericando e eu consumo minha dose homeopática de guaraná em no máximo cinco minutos, tendo que realizar verdadeiras expedições para conseguir outra. Agora tomei uma providência. Vou a festinhas levando um pacote de latas de guaraná, que conservo a meu lado, e consigo acompanhar as libações alheias de forma abstêmia e farta. Não é fácil fugir da norma, mas a gente, com inventividade e persistência, consegue. Brindemos.

(Crônica publicada no jornal O GLOBO, em 03 de abril de 2005.)

Observe o trecho abaixo.

“Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana.”

Na passagem “Faço parte de uma roda de chopistas de responsa”, o modo como o cronista descreve reflete

 

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49083 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

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A DURA VIDA DE QUEM BEBE GUARANÁ

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Todo mundo, pelo menos todo mundo com quem converso, sabe que tive problemas com álcool e, de certa forma, sempre terei, porque ele é meu inimigo permanente. Saiu até minha cara toda inchada na capa de uma revista, apareci igualmente inchado e meio bêbedo num programa de tevê em que eu era o assunto e, quando ia falar no sofrimento que estava enfrentando, as luzes se apagaram. Todo mundo, do Bial, que me entrevistava, ao pessoal da equipe, ficou impressionado, há quem até hoje ache que foi intencional. E as pessoas não se esquecem do passado, mas são gentis, ao se referirem ao assunto.

— E a saúde, como vai? — indagam sempre, me dando um olhar de avaliação.

A pergunta é a forma codificada de saber se eu continuo um pau-d’água e é num clima de alívio e satisfação (desgosto somente nuns poucos) que ressoa minha resposta de que a saúde vai bem. Belas notícias e, aliás, minha aparência está muito boa, estou uns dez anos remoçado. Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana. O pessoal manda ver e eu também, só que guaraná diet. No meu copo, parece que tem uísque, porque o guaraná é com gelo e sem aquela abominável rodela de laranja que aqui no Rio resolveram que acompanha obrigatoriamente guaraná.

Poderia dizer, para valorizar meu comportamento, que faço um esforço de vontade para resistir ao álcool, mas não faço. Creio que sei o que houve comigo, mas tenho certeza de que não estou sendo egoísta, ainda mais em assunto tão sério quanto este, quando digo que foi por uma via muito pessoal, que na verdade não posso dividir com ninguém, ou quase ninguém. O fato é que, tendo passado quase toda a vida adulta centrado de alguma forma no álcool, com tudo de prazeroso de uma forma ou de outra ligado à bebida, embora negasse minha condição de alcoólatra até que fui forçado a reconhecê-la, não sinto falta dele. Não faço, honestamente, força para não consumi-lo. Simplesmente, não quero mais, é como se meu corpo e meu espírito o rejeitassem — quem quiser que explique como quiser.

Sempre procurei evitar hipocrisia e recusei-me a agir hipocritamente em relação ao problema. Falei nele abertamente, dividi minha experiência com outros doentes e suas famílias, que também costumam passar o diabo por causa deles. Internei-me para tratar-me em regime, digamos, carcerário, freqüentei os Alcoólicos Anônimos, fui a uma clínica no interior de São Paulo, submeti-me a tratamento psiquiátrico, vivi um pesadelo horrendo. Mais ou menos oito anos, com um de abstinência intercalado, após o qual pensei, burramente, tornar-me um “bebedor social”, resolução que só subsistiu por algumas semanas. Cheguei a ter pancreatite e quase morrer — quinze dias numa unidade de tratamento semi-intensivo e mais cinco de hospital comum. Depois disso tudo, ainda continuei a enfiar o pé na jaca, até que, um belo dia, me veio a graça — só posso usar esta palavra — e, ao amanhecer, pensei que ia tomar a talagada habitual já às seis horas da manhã e não tomei, perdi de vez a vontade. Ou, pelo menos, perdi até hoje e não penso em voltar a beber nada, me dá até uma certa repulsa. Isto, é claro, não se estende à bebida dos outros, nem mesmo à dos bebedores extremados, contanto que não fiquem chatos ou agressivos. Só deixei de dar entrevistas sobre o assunto quando me transformaram numa espécie de alcoólatra-padrão e bastava alguém embriagado envolver-se numa encrenca para um repórter querer me entrevistar. Tive que passar a responder que não era o Pinguçólogo Geral da República e que fossem procurar outros.

Para mim, a vida ficou extraordinariamente melhor. Quem pode beber, sabendo desfrutar do que a bebida tem de bom e sem permitir que ela lhe seja ruinosa, que beba. Eu não posso e tenho a felicidade de não me ressentir disso. Mas a fama criada é difícil de erradicar e, como eu disse, tem muita gente que não acredita. Às vezes, é meio chato. No boteco mesmo, um cavalheiro desconhecido passou certa feita por minha mesa, me viu tomando meu guaraná e declarou que me admirava porque, diabético como eu (não sou diabético, nem pareço ter tendência), ele também bebia o uísque dele à vontade. Respondi que era guaraná e ele, para provar que eu sou um farsante, enfiou o nariz no meu copo, fazendo uma caprichada lavagem nasal, que me obrigou a pedir outro, porque tenho objeções a ingerir lavagem nasal.

Em outros ambientes, é freqüente que aconteçam coisas parecidas e, faz poucos dias, numa festa, quase tenho de brigar porque um convidado não se conformava que eu estivesse bebendo guaraná e outro insistiu que eu tomasse pelo menos um vinhozinho, quando eu recuso até bombom recheado de licor ou sorvete de passas ao rum. E sofro um pouco com outras coisas, porque, nas raras festas a que compareço, não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros. O resultado é que os outros passam um tempão bebericando e eu consumo minha dose homeopática de guaraná em no máximo cinco minutos, tendo que realizar verdadeiras expedições para conseguir outra. Agora tomei uma providência. Vou a festinhas levando um pacote de latas de guaraná, que conservo a meu lado, e consigo acompanhar as libações alheias de forma abstêmia e farta. Não é fácil fugir da norma, mas a gente, com inventividade e persistência, consegue. Brindemos.

(Crônica publicada no jornal O GLOBO, em 03 de abril de 2005.)

No segundo parágrafo, o sentimento de “alívio e a satisfação” é

 

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49082 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

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A DURA VIDA DE QUEM BEBE GUARANÁ

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Todo mundo, pelo menos todo mundo com quem converso, sabe que tive problemas com álcool e, de certa forma, sempre terei, porque ele é meu inimigo permanente. Saiu até minha cara toda inchada na capa de uma revista, apareci igualmente inchado e meio bêbedo num programa de tevê em que eu era o assunto e, quando ia falar no sofrimento que estava enfrentando, as luzes se apagaram. Todo mundo, do Bial, que me entrevistava, ao pessoal da equipe, ficou impressionado, há quem até hoje ache que foi intencional. E as pessoas não se esquecem do passado, mas são gentis, ao se referirem ao assunto.

— E a saúde, como vai? — indagam sempre, me dando um olhar de avaliação.

A pergunta é a forma codificada de saber se eu continuo um pau-d’água e é num clima de alívio e satisfação (desgosto somente nuns poucos) que ressoa minha resposta de que a saúde vai bem. Belas notícias e, aliás, minha aparência está muito boa, estou uns dez anos remoçado. Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana. O pessoal manda ver e eu também, só que guaraná diet. No meu copo, parece que tem uísque, porque o guaraná é com gelo e sem aquela abominável rodela de laranja que aqui no Rio resolveram que acompanha obrigatoriamente guaraná.

Poderia dizer, para valorizar meu comportamento, que faço um esforço de vontade para resistir ao álcool, mas não faço. Creio que sei o que houve comigo, mas tenho certeza de que não estou sendo egoísta, ainda mais em assunto tão sério quanto este, quando digo que foi por uma via muito pessoal, que na verdade não posso dividir com ninguém, ou quase ninguém. O fato é que, tendo passado quase toda a vida adulta centrado de alguma forma no álcool, com tudo de prazeroso de uma forma ou de outra ligado à bebida, embora negasse minha condição de alcoólatra até que fui forçado a reconhecê-la, não sinto falta dele. Não faço, honestamente, força para não consumi-lo. Simplesmente, não quero mais, é como se meu corpo e meu espírito o rejeitassem — quem quiser que explique como quiser.

Sempre procurei evitar hipocrisia e recusei-me a agir hipocritamente em relação ao problema. Falei nele abertamente, dividi minha experiência com outros doentes e suas famílias, que também costumam passar o diabo por causa deles. Internei-me para tratar-me em regime, digamos, carcerário, freqüentei os Alcoólicos Anônimos, fui a uma clínica no interior de São Paulo, submeti-me a tratamento psiquiátrico, vivi um pesadelo horrendo. Mais ou menos oito anos, com um de abstinência intercalado, após o qual pensei, burramente, tornar-me um “bebedor social”, resolução que só subsistiu por algumas semanas. Cheguei a ter pancreatite e quase morrer — quinze dias numa unidade de tratamento semi-intensivo e mais cinco de hospital comum. Depois disso tudo, ainda continuei a enfiar o pé na jaca, até que, um belo dia, me veio a graça — só posso usar esta palavra — e, ao amanhecer, pensei que ia tomar a talagada habitual já às seis horas da manhã e não tomei, perdi de vez a vontade. Ou, pelo menos, perdi até hoje e não penso em voltar a beber nada, me dá até uma certa repulsa. Isto, é claro, não se estende à bebida dos outros, nem mesmo à dos bebedores extremados, contanto que não fiquem chatos ou agressivos. Só deixei de dar entrevistas sobre o assunto quando me transformaram numa espécie de alcoólatra-padrão e bastava alguém embriagado envolver-se numa encrenca para um repórter querer me entrevistar. Tive que passar a responder que não era o Pinguçólogo Geral da República e que fossem procurar outros.

Para mim, a vida ficou extraordinariamente melhor. Quem pode beber, sabendo desfrutar do que a bebida tem de bom e sem permitir que ela lhe seja ruinosa, que beba. Eu não posso e tenho a felicidade de não me ressentir disso. Mas a fama criada é difícil de erradicar e, como eu disse, tem muita gente que não acredita. Às vezes, é meio chato. No boteco mesmo, um cavalheiro desconhecido passou certa feita por minha mesa, me viu tomando meu guaraná e declarou que me admirava porque, diabético como eu (não sou diabético, nem pareço ter tendência), ele também bebia o uísque dele à vontade. Respondi que era guaraná e ele, para provar que eu sou um farsante, enfiou o nariz no meu copo, fazendo uma caprichada lavagem nasal, que me obrigou a pedir outro, porque tenho objeções a ingerir lavagem nasal.

Em outros ambientes, é freqüente que aconteçam coisas parecidas e, faz poucos dias, numa festa, quase tenho de brigar porque um convidado não se conformava que eu estivesse bebendo guaraná e outro insistiu que eu tomasse pelo menos um vinhozinho, quando eu recuso até bombom recheado de licor ou sorvete de passas ao rum. E sofro um pouco com outras coisas, porque, nas raras festas a que compareço, não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros. O resultado é que os outros passam um tempão bebericando e eu consumo minha dose homeopática de guaraná em no máximo cinco minutos, tendo que realizar verdadeiras expedições para conseguir outra. Agora tomei uma providência. Vou a festinhas levando um pacote de latas de guaraná, que conservo a meu lado, e consigo acompanhar as libações alheias de forma abstêmia e farta. Não é fácil fugir da norma, mas a gente, com inventividade e persistência, consegue. Brindemos.

(Crônica publicada no jornal O GLOBO, em 03 de abril de 2005.)

Para o cronista, as pessoas são gentis, porque

 

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49043 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

O Microsoft Outlook Express coloca o mundo da comunicação on-line no desktop do computador, seja para a troca de e-mails, seja para o ingresso em grupos de notícias para intercâmbio de idéias e informações.

O Microsoft Outlook Express NÃO permite

 

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49042 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

Considere uma planilha eletrônica, feita no programa Microsoft Excel 2003, como mostrada na figura abaixo.

Enunciado 3827533-1

Os valores da coluna C, linhas 1 a 3, não foram digitados, e, sim, calculados por meio de uma fórmula digitada, que multiplica cada valor da coluna A pelo valor da coluna B, nas respectivas linhas.

Julgue as afirmativas a seguir.

I. Os valores calculados na coluna C, linhas 1 a 3, podem ser obtidos digitando-se a fórmula =A1*B1 na célula C1 e depois copiando-a e colando-a nas células C2 e C3.

II. Se qualquer valor nas colunas A e B, linhas 1 a 3, for alterado, o valor da célula C4 não será automaticamente recalculado.

III. A fórmula que está na célula C4 pode ser criada por meio do botão Enunciado 3827533-2 (AutoSoma).

IV. O valor obtido na célula C4, como mostra a figura, não seria o mesmo se a fórmula da célula fosse =A1*B1+A2*B2+A3*B3.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas

 

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Questão presente nas seguintes provas
49041 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

A figura abaixo ilustra uma tela de trabalho do Microsoft Word 2003, apresentando um trecho de um determinado documento.

Enunciado 3827532-1

Com relação à figura e aos conceitos do Microsoft Word 2003, analise as afirmações que se seguem.

I. O ato de selecionar a palavra “pesquisa” e clicar em Enunciado 3827532-2 fará com que seja aplicada a formatação negrito a essa palavra, e o ato subsequente de clicar em Enunciado 3827532-3 fará com que a palavra seja formatada em itálico, removendo a formatação negrito.

II. Para selecionar a palavra “desta”, é correto executar o seguinte procedimento: clicar imediatamente à esquerda da referida palavra, entre o espaço em branco e a letra “d”; pressionar simultaneamente as teclas Ctrl e Shift e, mantendo ambas pressionadas, teclar Enunciado 3827532-4.

III. No Microsoft Word 2003, o menu Enunciado 3827532-5 contém a opção “Quebra”, que pode ser usada em uma seqiiência de ações para inserir uma quebra de página no ponto de inserção.

IV. O sublinhado ondulado, observado na palavra “federaçao”, indica um possível erro ortográfico nessa palavra. É possível ocultar esse sublinhado utilizando-se o ícone Enunciado 3827532-6, na barra de status, localizada na parte inferior da tela de trabalho. Caso esse procedimento não seja adotado antes de se imprimir o texto, o sublinhado ondulado aparecerá na impressão.

Estão INCORRETAS apenas as afirmações

 

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Questão presente nas seguintes provas
49040 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

No editor de textos Microsoft Word 2003, considere um texto com vários parágrafos, cada um com várias linhas e sem nenhuma formatação inicial.

Ao clicar sobre uma palavra de um parágrafo qualquer e, em seguida, no botão Enunciado 3827531-1 (Centralizar),

 

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Questão presente nas seguintes provas
49039 Ano: 2008
Disciplina: Informática
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

Considere as seguintes afirmativas sobre o sistema operacional Windows XP.

I. Pressionando a tecla <Print Screen> do teclado, o conteúdo da tela exibida no momento será enviado para uma impressora conectada ao computador.

II. O programa Windows Explorer permite criar novos atalhos, abrir, copiar, mover, renomear e excluir arquivos e pastas, entre outras operações.

III. A seleção múltipla de arquivos e pastas não é possível quando estes não se encontram em sequência na janela do Windows Explorer.

IV. As teclas F2, F3 e F5 correspondem, respectivamente, às operações de renomear um item selecionado, procurar um arquivo ou uma pasta e atualizar a janela ativa.

Estão CORRETAS apenas as afirmativas

 

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Questão presente nas seguintes provas
49579 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

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A DURA VIDA DE QUEM BEBE GUARANÁ

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Todo mundo, pelo menos todo mundo com quem converso, sabe que tive problemas com álcool e, de certa forma, sempre terei, porque ele é meu inimigo permanente. Saiu até minha cara toda inchada na capa de uma revista, apareci igualmente inchado e meio bêbedo num programa de tevê em que eu era o assunto e, quando ia falar no sofrimento que estava enfrentando, as luzes se apagaram. Todo mundo, do Bial, que me entrevistava, ao pessoal da equipe, ficou impressionado, há quem até hoje ache que foi intencional. E as pessoas não se esquecem do passado, mas são gentis, ao se referirem ao assunto.

— E a saúde, como vai? — indagam sempre, me dando um olhar de avaliação.

A pergunta é a forma codificada de saber se eu continuo um pau-d’água e é num clima de alívio e satisfação (desgosto somente nuns poucos) que ressoa minha resposta de que a saúde vai bem. Belas notícias e, aliás, minha aparência está muito boa, estou uns dez anos remoçado. Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana. O pessoal manda ver e eu também, só que guaraná diet. No meu copo, parece que tem uísque, porque o guaraná é com gelo e sem aquela abominável rodela de laranja que aqui no Rio resolveram que acompanha obrigatoriamente guaraná.

Poderia dizer, para valorizar meu comportamento, que faço um esforço de vontade para resistir ao álcool, mas não faço. Creio que sei o que houve comigo, mas tenho certeza de que não estou sendo egoísta, ainda mais em assunto tão sério quanto este, quando digo que foi por uma via muito pessoal, que na verdade não posso dividir com ninguém, ou quase ninguém. O fato é que, tendo passado quase toda a vida adulta centrado de alguma forma no álcool, com tudo de prazeroso de uma forma ou de outra ligado à bebida, embora negasse minha condição de alcoólatra até que fui forçado a reconhecê-la, não sinto falta dele. Não faço, honestamente, força para não consumi-lo. Simplesmente, não quero mais, é como se meu corpo e meu espírito o rejeitassem — quem quiser que explique como quiser.

Sempre procurei evitar hipocrisia e recusei-me a agir hipocritamente em relação ao problema. Falei nele abertamente, dividi minha experiência com outros doentes e suas famílias, que também costumam passar o diabo por causa deles. Internei-me para tratar-me em regime, digamos, carcerário, freqüentei os Alcoólicos Anônimos, fui a uma clínica no interior de São Paulo, submeti-me a tratamento psiquiátrico, vivi um pesadelo horrendo. Mais ou menos oito anos, com um de abstinência intercalado, após o qual pensei, burramente, tornar-me um “bebedor social”, resolução que só subsistiu por algumas semanas. Cheguei a ter pancreatite e quase morrer — quinze dias numa unidade de tratamento semi-intensivo e mais cinco de hospital comum. Depois disso tudo, ainda continuei a enfiar o pé na jaca, até que, um belo dia, me veio a graça — só posso usar esta palavra — e, ao amanhecer, pensei que ia tomar a talagada habitual já às seis horas da manhã e não tomei, perdi de vez a vontade. Ou, pelo menos, perdi até hoje e não penso em voltar a beber nada, me dá até uma certa repulsa. Isto, é claro, não se estende à bebida dos outros, nem mesmo à dos bebedores extremados, contanto que não fiquem chatos ou agressivos. Só deixei de dar entrevistas sobre o assunto quando me transformaram numa espécie de alcoólatra-padrão e bastava alguém embriagado envolver-se numa encrenca para um repórter querer me entrevistar. Tive que passar a responder que não era o Pinguçólogo Geral da República e que fossem procurar outros.

Para mim, a vida ficou extraordinariamente melhor. Quem pode beber, sabendo desfrutar do que a bebida tem de bom e sem permitir que ela lhe seja ruinosa, que beba. Eu não posso e tenho a felicidade de não me ressentir disso. Mas a fama criada é difícil de erradicar e, como eu disse, tem muita gente que não acredita. Às vezes, é meio chato. No boteco mesmo, um cavalheiro desconhecido passou certa feita por minha mesa, me viu tomando meu guaraná e declarou que me admirava porque, diabético como eu (não sou diabético, nem pareço ter tendência), ele também bebia o uísque dele à vontade. Respondi que era guaraná e ele, para provar que eu sou um farsante, enfiou o nariz no meu copo, fazendo uma caprichada lavagem nasal, que me obrigou a pedir outro, porque tenho objeções a ingerir lavagem nasal.

Em outros ambientes, é freqüente que aconteçam coisas parecidas e, faz poucos dias, numa festa, quase tenho de brigar porque um convidado não se conformava que eu estivesse bebendo guaraná e outro insistiu que eu tomasse pelo menos um vinhozinho, quando eu recuso até bombom recheado de licor ou sorvete de passas ao rum. E sofro um pouco com outras coisas, porque, nas raras festas a que compareço, não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros. O resultado é que os outros passam um tempão bebericando e eu consumo minha dose homeopática de guaraná em no máximo cinco minutos, tendo que realizar verdadeiras expedições para conseguir outra. Agora tomei uma providência. Vou a festinhas levando um pacote de latas de guaraná, que conservo a meu lado, e consigo acompanhar as libações alheias de forma abstêmia e farta. Não é fácil fugir da norma, mas a gente, com inventividade e persistência, consegue. Brindemos.

(Crônica publicada no jornal O GLOBO, em 03 de abril de 2005.)

Marque a alternativa CORRETA quanto à concordância nominal.

Questão Anulada

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Questão presente nas seguintes provas
49578 Ano: 2008
Disciplina: Português
Banca: UFSJ
Orgão: UFSJ

Texto

A DURA VIDA DE QUEM BEBE GUARANÁ

Autor: João Ubaldo Ribeiro

Todo mundo, pelo menos todo mundo com quem converso, sabe que tive problemas com álcool e, de certa forma, sempre terei, porque ele é meu inimigo permanente. Saiu até minha cara toda inchada na capa de uma revista, apareci igualmente inchado e meio bêbedo num programa de tevê em que eu era o assunto e, quando ia falar no sofrimento que estava enfrentando, as luzes se apagaram. Todo mundo, do Bial, que me entrevistava, ao pessoal da equipe, ficou impressionado, há quem até hoje ache que foi intencional. E as pessoas não se esquecem do passado, mas são gentis, ao se referirem ao assunto.

— E a saúde, como vai? — indagam sempre, me dando um olhar de avaliação.

A pergunta é a forma codificada de saber se eu continuo um pau-d’água e é num clima de alívio e satisfação (desgosto somente nuns poucos) que ressoa minha resposta de que a saúde vai bem. Belas notícias e, aliás, minha aparência está muito boa, estou uns dez anos remoçado. Alguns, talvez em maior número do que eu penso, não acreditam, mesmo porque compareço ao boteco com regularidade todos os sábados e domingos. Faço parte de uma roda de chopistas de responsa, alguns raros uisquistas leves e um solitário cachacista, sofisticado e morigeradíssimo, que bebe um copinho somente e nem todo fim de semana. O pessoal manda ver e eu também, só que guaraná diet. No meu copo, parece que tem uísque, porque o guaraná é com gelo e sem aquela abominável rodela de laranja que aqui no Rio resolveram que acompanha obrigatoriamente guaraná.

Poderia dizer, para valorizar meu comportamento, que faço um esforço de vontade para resistir ao álcool, mas não faço. Creio que sei o que houve comigo, mas tenho certeza de que não estou sendo egoísta, ainda mais em assunto tão sério quanto este, quando digo que foi por uma via muito pessoal, que na verdade não posso dividir com ninguém, ou quase ninguém. O fato é que, tendo passado quase toda a vida adulta centrado de alguma forma no álcool, com tudo de prazeroso de uma forma ou de outra ligado à bebida, embora negasse minha condição de alcoólatra até que fui forçado a reconhecê-la, não sinto falta dele. Não faço, honestamente, força para não consumi-lo. Simplesmente, não quero mais, é como se meu corpo e meu espírito o rejeitassem — quem quiser que explique como quiser.

Sempre procurei evitar hipocrisia e recusei-me a agir hipocritamente em relação ao problema. Falei nele abertamente, dividi minha experiência com outros doentes e suas famílias, que também costumam passar o diabo por causa deles. Internei-me para tratar-me em regime, digamos, carcerário, freqüentei os Alcoólicos Anônimos, fui a uma clínica no interior de São Paulo, submeti-me a tratamento psiquiátrico, vivi um pesadelo horrendo. Mais ou menos oito anos, com um de abstinência intercalado, após o qual pensei, burramente, tornar-me um “bebedor social”, resolução que só subsistiu por algumas semanas. Cheguei a ter pancreatite e quase morrer — quinze dias numa unidade de tratamento semi-intensivo e mais cinco de hospital comum. Depois disso tudo, ainda continuei a enfiar o pé na jaca, até que, um belo dia, me veio a graça — só posso usar esta palavra — e, ao amanhecer, pensei que ia tomar a talagada habitual já às seis horas da manhã e não tomei, perdi de vez a vontade. Ou, pelo menos, perdi até hoje e não penso em voltar a beber nada, me dá até uma certa repulsa. Isto, é claro, não se estende à bebida dos outros, nem mesmo à dos bebedores extremados, contanto que não fiquem chatos ou agressivos. Só deixei de dar entrevistas sobre o assunto quando me transformaram numa espécie de alcoólatra-padrão e bastava alguém embriagado envolver-se numa encrenca para um repórter querer me entrevistar. Tive que passar a responder que não era o Pinguçólogo Geral da República e que fossem procurar outros.

Para mim, a vida ficou extraordinariamente melhor. Quem pode beber, sabendo desfrutar do que a bebida tem de bom e sem permitir que ela lhe seja ruinosa, que beba. Eu não posso e tenho a felicidade de não me ressentir disso. Mas a fama criada é difícil de erradicar e, como eu disse, tem muita gente que não acredita. Às vezes, é meio chato. No boteco mesmo, um cavalheiro desconhecido passou certa feita por minha mesa, me viu tomando meu guaraná e declarou que me admirava porque, diabético como eu (não sou diabético, nem pareço ter tendência), ele também bebia o uísque dele à vontade. Respondi que era guaraná e ele, para provar que eu sou um farsante, enfiou o nariz no meu copo, fazendo uma caprichada lavagem nasal, que me obrigou a pedir outro, porque tenho objeções a ingerir lavagem nasal.

Em outros ambientes, é freqüente que aconteçam coisas parecidas e, faz poucos dias, numa festa, quase tenho de brigar porque um convidado não se conformava que eu estivesse bebendo guaraná e outro insistiu que eu tomasse pelo menos um vinhozinho, quando eu recuso até bombom recheado de licor ou sorvete de passas ao rum. E sofro um pouco com outras coisas, porque, nas raras festas a que compareço, não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros. O resultado é que os outros passam um tempão bebericando e eu consumo minha dose homeopática de guaraná em no máximo cinco minutos, tendo que realizar verdadeiras expedições para conseguir outra. Agora tomei uma providência. Vou a festinhas levando um pacote de latas de guaraná, que conservo a meu lado, e consigo acompanhar as libações alheias de forma abstêmia e farta. Não é fácil fugir da norma, mas a gente, com inventividade e persistência, consegue. Brindemos.

(Crônica publicada no jornal O GLOBO, em 03 de abril de 2005.)

No trecho “... não só os garçons costumam estranhar que eu peça guaraná, como o servem na mesma bandeja meteórica em que trazem o uísque dos companheiros.”, a metáfora em destaque descreve a

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