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LUGAR AO SOL
Sucesso na produção de genéricos e financiamento público deram impulso a pesquisa e desenvolvimento nas farmacêuticas nacionais, mostra estudo
Fabrício Marques (Edição 296. Out. 2020)
A ideia de que a indústria farmacêutica realiza poucas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, dedicando-se essencialmente à produção e à venda de remédios para o mercado local, foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento e uma mudança de comportamento das fabricantes de capital nacional. Em um trabalho publicado em junho na Revista Brasileira de Inovação, o grupo mostrou que, ao longo dos últimos 20 anos, as maiores empresas brasileiras de fármacos ampliaram investimentos nas atividades internas de P&D e aumentaram o contingente de pesquisadores contratados. Já as companhias transnacionais continuaram a investir no Brasil com foco mais intenso em atividades como ensaios clínicos e treinamento, mantendo a parte mais nobre e dispendiosa de P&D em suas matrizes no exterior.
O estudo se debruçou sobre a Pesquisa de Inovação (Pintec), levantamento trienal produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é a principal fonte de informações sobre inovação na economia brasileira. Os dados, específicos do segmento farmacêutico e referentes às edições da Pintec concluídas em 2008, 2011 e 2014, foram obtidos por meio de uma tabulação encomendada ao IBGE. A análise se limitou às empresas de maior porte, com mais de 500 funcionários – na Pintec de 2014, abrangia 28 firmas nacionais e 27 transnacionais. Os faturamentos dos dois grupos tinham patamares distintos. Entre as nacionais, a soma da receita líquida de vendas cresceu 105% entre 2008 e 2014 – subindo, em termos reais, de R$ 7,8 bilhões para R$ 16 bilhões. As transnacionais cresceram em ritmo menor, mas o total de suas receitas foi de R$ 18,5 bilhões para R$ 25 bilhões, com aumento de 36,2%.
O dado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a qualidade do investimento em P&D. “Os gastos com inovação de empresas brasileiras em geral se concentram na compra de máquinas e equipamentos, mas a indústria farmacêutica nacional rompeu essa tendência a partir de 2008 e ampliou sua capacidade de inovar ao investir mais em atividades internas de P&D, em parcerias com universidades e em treinamento de pessoal”, explica a economista Julia Paranhos, pesquisadora do Instituto de Economia da UFRJ e autora principal do estudo. Em 2014, o total investido em P&D internos pelas nacionais alcançou R$ 794 milhões e cresceu, em valores atualizados pela inflação, 174% em relação a 2008. Embora suas receitas sejam menores, isso equivale a mais do que o dobro dos R$ 344 milhões gastos nessa rubrica pelas concorrentes transnacionais. As duas categorias de empresas ampliaram o pessoal ocupado com P&D realizados internamente, mas o número de pesquisadores com nível de pós-graduação nas nacionais era quase cinco vezes maior que nas transnacionais – o placar era de 222 a 47 em 2014.
O fôlego das farmacêuticas brasileiras se deve principalmente à conquista do mercado de genéricos. Baseado na produção de princípios ativos que deixaram de ser protegidos por patentes, esse mercado dispensa investimentos de grande risco. Companhias de capital brasileiro detêm 90% desse mercado. “Com o caixa gerado pela venda de genéricos, elas puderam investir em capacitação crescente”, afirma a economista Lia Hasenclever, professora aposentada do Instituto de Economia da UFRJ e coautora do artigo. [...]
Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/lugar-ao-sol/. Acesso em: 6 dez. 2023.
Considere os pronomes átonos em destaque nos excertos a seguir e assinale a alternativa em que só há uma possibilidade de colocação pronominal aceita pela norma-padrão.
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LUGAR AO SOL
Sucesso na produção de genéricos e financiamento público deram impulso a pesquisa e desenvolvimento nas farmacêuticas nacionais, mostra estudo
Fabrício Marques (Edição 296. Out. 2020)
A ideia de que a indústria farmacêutica realiza poucas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Brasil, dedicando-se essencialmente à produção e à venda de remédios para o mercado local, foi questionada por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou um crescimento e uma mudança de comportamento das fabricantes de capital nacional. Em um trabalho publicado em junho na Revista Brasileira de Inovação, o grupo mostrou que, ao longo dos últimos 20 anos, as maiores empresas brasileiras de fármacos ampliaram investimentos nas atividades internas de P&D e aumentaram o contingente de pesquisadores contratados. Já as companhias transnacionais continuaram a investir no Brasil com foco mais intenso em atividades como ensaios clínicos e treinamento, mantendo a parte mais nobre e dispendiosa de P&D em suas matrizes no exterior.
O estudo se debruçou sobre a Pesquisa de Inovação (Pintec), levantamento trienal produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é a principal fonte de informações sobre inovação na economia brasileira. Os dados, específicos do segmento farmacêutico e referentes às edições da Pintec concluídas em 2008, 2011 e 2014, foram obtidos por meio de uma tabulação encomendada ao IBGE. A análise se limitou às empresas de maior porte, com mais de 500 funcionários – na Pintec de 2014, abrangia 28 firmas nacionais e 27 transnacionais. Os faturamentos dos dois grupos tinham patamares distintos. Entre as nacionais, a soma da receita líquida de vendas cresceu 105% entre 2008 e 2014 – subindo, em termos reais, de R$ 7,8 bilhões para R$ 16 bilhões. As transnacionais cresceram em ritmo menor, mas o total de suas receitas foi de R$ 18,5 bilhões para R$ 25 bilhões, com aumento de 36,2%.
O dado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a qualidade do investimento em P&D. “Os gastos com inovação de empresas brasileiras em geral se concentram na compra de máquinas e equipamentos, mas a indústria farmacêutica nacional rompeu essa tendência a partir de 2008 e ampliou sua capacidade de inovar ao investir mais em atividades internas de P&D, em parcerias com universidades e em treinamento de pessoal”, explica a economista Julia Paranhos, pesquisadora do Instituto de Economia da UFRJ e autora principal do estudo. Em 2014, o total investido em P&D internos pelas nacionais alcançou R$ 794 milhões e cresceu, em valores atualizados pela inflação, 174% em relação a 2008. Embora suas receitas sejam menores, isso equivale a mais do que o dobro dos R$ 344 milhões gastos nessa rubrica pelas concorrentes transnacionais. As duas categorias de empresas ampliaram o pessoal ocupado com P&D realizados internamente, mas o número de pesquisadores com nível de pós-graduação nas nacionais era quase cinco vezes maior que nas transnacionais – o placar era de 222 a 47 em 2014.
O fôlego das farmacêuticas brasileiras se deve principalmente à conquista do mercado de genéricos. Baseado na produção de princípios ativos que deixaram de ser protegidos por patentes, esse mercado dispensa investimentos de grande risco. Companhias de capital brasileiro detêm 90% desse mercado. “Com o caixa gerado pela venda de genéricos, elas puderam investir em capacitação crescente”, afirma a economista Lia Hasenclever, professora aposentada do Instituto de Economia da UFRJ e coautora do artigo. [...]
Adaptado de: https://revistapesquisa.fapesp.br/lugar-ao-sol/. Acesso em: 6 dez. 2023.
Assinale a alternativa que apresenta uma reescrita gramatical e semanticamente adequada para o subtítulo do texto.
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