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2739511 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“ ‘Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.’ ” (§ 5)

Na sentença acima, observa-se que é expressa uma ideia de concessão. Assinale a alternativa na qual a expressão sublinhada expressa essa mesma ideia:

 

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2739510 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.” (§ 2)

Na sentença acima, observa-se a ocorrência adequada do acento grave indicativo de crase. Assinale a alternativa em que esse mesmo acento está CORRETAMENTE empregado:

 

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2739509 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola.” (§ 1)

No trecho acima, há uma forma verbal conjugada no presente do modo subjuntivo. Assinale a alternativa na qual há o emprego desse mesmo tempo e modo verbal:

 

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2739508 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

Segundo Cunha e Cintra (2008, p. 608), algumas orações “são autônomas, independentes, isto é, cada uma tem sentido próprio; não funcionam como termos de outra oração, nem a eles se referem: apenas, uma pode enriquecer com o seu sentido a totalidade da outra. A tais orações autônomas dá-se o nome de coordenadas, e o período por elas formado diz-se composto por coordenação.”

Com base nas informações acima, assinale a alternativa em que há uma relação estabelecida por coordenação nas orações apresentadas:

 

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2739507 Ano: 2022
Disciplina: Português
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Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“O signo linguístico é uma unidade constituída pela união de um conteúdo com uma expressão (os sons) que o veicula. A essa expressão chama-se significante; ao conteúdo, significado. Em primeiro lugar, é preciso ter bem claro que se fala em acréscimo de significado, porque uma palavra não pode ter qualquer significado; é preciso que o segundo significado tenha alguma relação com o primeiro. Assim, a alteração de sentido pelo acréscimo de um novo significado deriva de uma relação que o produtor do texto vê entre o significado usual e o novo.” (SAVIOLI; FIORIN, 1977, p. 229).

“Todos esses mecanismos linguísticos só são percebidos porque há marcas no texto que indicam que se deve entender de maneira diferente o que foi dito.” (SAVIOLI; FIORIN, 1977, p. 445).

Com base nas informações acima, analise o trecho do texto a seguir:

“ ‘A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela.’ ” (§ 10)

A figura de linguagem utilizada pelo autor no trecho acima deve ser classificada, de acordo com o efeito de sentido que produz no texto, como:

 

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§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações [...]” (§ 7)

Na sentença acima, observa-se o uso das vírgulas de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa. Sobre esse sinal de pontuação no fragmento apresentado, é CORRETO afirmar que foi utilizado com a finalidade de:

 

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2739505 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Texto 2

Aumento do tempo de exposição dos filhos às telas é alternativa para pais em trabalho remoto

§1º O pequeno Eric tem visto mais TV do que costumava assistir antes da pandemia. Às vezes, a televisão até fica ligada o dia todo, mas sem que ele dê bola. Sua mãe, Aline Rodrigues, conta que ele chega a passar quatro horas por dia em frente ao aparelho. É mais do que antes, porque seria o horário da escola.

§2º Aline é estudante de Engenharia Civil da UFRGS, trabalha como orçamentista de obras e é voluntária na ONG Sopão Solidário. Além disso, é mãe de dois filhos: Eric, de 5 anos, e Anthony, de 9. Ela conta que não tem sido fácil, principalmente em relação à maternidade.

§3º O uso das telas pelos filhos é visto como saída para aqueles momentos em que precisa de concentração total em algo, como algum trabalho da faculdade. Ela costuma deixar que vejam vídeos em seu celular durante esses períodos, o que prende mais a atenção deles. Apesar disso, Aline se preocupa com a exposição excessiva e tenta encorajar outras atividades recreativas, como andar de bicicleta no pátio ou a pintura de desenhos que ela mesma imprime. “Até desapeguei da bagunça: a mesa já está toda pintada”, brinca.

§4º Seu filho Eric já foi personagem de uma reportagem quando ainda tinha 1 ano e 3 meses. Nessa época, o garoto já conseguia mexer no celular. Fazia gravações, tirava foto, postava.

§5º Já Antonella começou a ser atraída pelas telas ainda com 4 meses de vida, como relata Aline Cunha, professora e vice-diretora da Faculdade de Educação da UFRGS e mãe da pequena, agora com 1 ano e 4 meses. Nesse período de pandemia, Aline tem trabalhado de forma remota e dividido os cuidados da filha com o marido, mas também observa um aumento do tempo de uso da televisão. Quando nenhum dos dois pode ficar com a filha, Antonella é colocada sentada no carrinho, vendo desenho. “Nesses momentos, ela fica muito quieta, mesmo que a gente procure disponibilizar vários brinquedos para ela.”

§6º Aline observa que a atração da filha pelo celular também é grande. “Quando o celular está na nossa mão, ela estica o pescoço e fica olhando o que tem, parece que fica esperando que a gente coloque alguma coisa para ela assistir”, relata a mãe surpresa. Antonella, como muitas crianças, já entende que no celular existe um mundo de possibilidades.

Impactos do aumento da exposição

§7º Michel Desmurget, neurocientista francês e autor do livro A fábrica de cretinos digitais, afirma que a exposição excessiva de crianças às telas pode trazer sérios malefícios à formação intelectual das novas gerações, inclusive a diminuição do quociente de inteligência (QI) em relação a gerações anteriores, quando a tela não estava ou estava menos presente.

§8º Ao longo das gerações, a média do QI humano aumentou, o que estaria ligado às melhores condições às quais as pessoas têm acesso ao longo da vida na era moderna, principalmente nos países economicamente mais desenvolvidos. No entanto, estudos recentes, como os de Desmurget, têm demonstrado que o QI das gerações atuais de crianças e jovens tem diminuído. Apesar de alterações socioeconômicas terem grande impacto, a percepção dessa diminuição nas gerações nativas digitais tem se mostrado em países que se mantêm constantes, como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

§9º Giana Bitencourt Frizzo, pesquisadora do PPG em Psicologia da UFRGS, antes da pandemia de covid-19, já buscava entender o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar. Em virtude do isolamento social e com o impedimento de fazer pesquisas presenciais com os pais, ela buscou entender qual impacto as telas poderiam ter nesse novo cenário. Com a conveniência de ter dados do período anterior, Giana pôde comparar os dois momentos e percebeu o aumento do tempo de uso das telas pelas crianças, o que geralmente vinha alinhado à perda de suportes pelo grupo familiar — como desemprego, falta de renda, ausência de outros familiares — e também ao maior estresse dos pais.

Prejuízos diversos fazem parte da preocupação dos pais

§10º Segundo a neuropediatra e professora de Medicina na UFRGS Renata Kieling, existem janelas de desenvolvimento em que o uso da tela preocupa mais. “A gente nunca teve isso de, por exemplo, com 1 ano de idade, um período ainda muito formativo, as crianças receberem um bombardeio de luz e som pela tela. O efeito disso não é uma coisa que a gente consegue dizer, mas temos uma preocupação de que isso não seja bom”, pondera. Além disso, assevera que é importante olhar com ainda mais atenção para as crianças que já possuem atrasos no desenvolvimento.

§11º A docente ainda observa que não é possível compreender o que é o efeito da tela isoladamente. “Muito do que a gente observa é de que as coisas estão associadas. Muitas vezes a criança que tem menos oportunidade de outros estímulos é a mesma que está mais tempo na tela.” E pondera que não existe tempo suficiente dessa experiência humana de exposição para que possa ser bem compreendida pelos estudos.

Fonte: https://www.ufrgs.br/jornal/aumento-do-tempo-de-exposicao-dos-filhos-as-telas-e-alternativa-para-pais-em-trabalho-remoto/. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

Considerando as informações apresentadas no texto 2, analise as afirmativas abaixo:

I. Estudos do pesquisador Desmurget comprovam que, não obstante as alterações socioeconômicas exercerem impacto significativo, a diminuição do quociente de inteligência tem se mantido constante em países como França, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Holanda, no que se refere às gerações nativas digitais.

II. Uma pesquisadora da UFRGS já analisava o impacto das telas para o desenvolvimento infantil e para a interação familiar antes mesmo da pandemia. Ela concluiu que tal impacto aumentou nesse período e que questões sociais, como a falta de renda familiar ou mesmo outros fatores, podem estar associadas a isso.

III. Um neurocientista francês e autor de um livro sobre o tema discutido afirma que a exposição em excesso às telas, durante o período da infância, pode corroborar para o aumento do quociente de inteligência (QI) das novas gerações em relação à formação intelectual das gerações anteriores.

IV. Alguns pais entrevistados na reportagem informaram que dividem os cuidados com os filhos e uma das mães relata que, em momentos em que precisa de concentração total, como em algum trabalho da faculdade, tem oferecido outros tipos de atividades recreativas às crianças que não sejam mexer no celular, fazer gravações, tirar e postar fotos.

Está CORRETO o que se afirma em:

 

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2739504 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Leia o texto 1 e responda à questão.

Texto 1

Manifesto mundial ataca uso da pseudociência na saúde

§1º Um grupo de quase 3 mil médicos, cientistas e outros especialistas de 44 países lançou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2020, o primeiro manifesto mundial contra a pseudociência na saúde.

§2º A iniciativa, coordenada por mais de dez instituições de defesa da medicina baseada em evidências e do pensamento crítico e cético sediadas na Europa, traz um alerta para os perigos da oferta e promoção de tratamentos ditos “alternativos” à medicina convencional — como homeopatia, reiki, iridiologia, biomagnetismo e terapia ortomolecular, entre outros — para os pacientes e pede a revogação de leis e regulamentações que permitem e estimulam a disseminação destas práticas nos países do continente.

§3º “Sejamos claros: as pseudoterapias matam. E não apenas isso: também são praticadas com impunidade graças às leis europeias que as protegem”, diz o texto, disponível em uma dúzia de línguas, entre elas o português, para depois listar casos de pessoas que morreram na Europa ao serem instadas a tratar infecções com homeopatia no lugar de antibióticos, câncer com vitaminas, ou a largar as terapias convencionais que usavam para doenças como asma ou problemas cardíacos em troca de soluções “alternativas”. “A Diretiva Europeia 2001/83/CE permitiu — e ainda permite — que centenas de milhares de cidadãos e cidadãs europeias sejam enganados diariamente", denuncia o manifesto.

§4º O documento lembra que a Europa — assim como muitos outros lugares ao redor do mundo, inclusive o Brasil — já enfrenta problemas graves de saúde pública o bastante, do financiamento insuficiente ao excesso de medicalização e o surgimento de bactérias super-resistentes, para também ter que se preocupar com a atuação de “gurus, falsos médicos ou até médicos formados” que afirmam poder curar câncer ou outras doenças por meio de coisas como “manipulação de chakras, da ingestão de açúcar ou da aplicação de ‘frequências quânticas’”.

§5º “A Europa deve não só travar a promoção da homeopatia, como também deve lutar de forma ativa para a erradicação de fraudes de saúde pública envolvidas em mais de 150 pseudoterapias presentes no nosso território. A vida de milhares de cidadãos e cidadãs disso depende”, acrescenta o texto, que cita estudos recentes que apontam que 25,9% dos europeus, ou cerca de uma em cada quatro pessoas no continente, recorreram a pseudoterapias no último ano, “ou seja, 192 milhões de pacientes enganados”.

§6º Ainda de acordo com o manifesto — que tem entre seus signatários Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), que publica esta Revista Questão de Ciência —, é falsa a noção de que a luta pela eliminação das pseudoterapias atenta contra a liberdade de escolha de tratamento médico pelos pacientes. “Mentir aos doentes para lhes vender produtos inúteis, que os podem matar, viola seu direito de receber informação verídica sobre a sua saúde”, argumentam os especialistas. “Por isso, embora um cidadão ou cidadã tenha o direito a renunciar um tratamento médico estando corretamente informado, também é certo que ninguém tem o direito de lhe mentir para obter um ganho econômico à custa da sua vida. Só num mundo onde considerássemos que mentir a um doente para lhe extrair dinheiro é ético, é que poderíamos permitir que se continue a vender homeopatia — ou qualquer outra pseudoterapia”.

§7º O manifesto encerra reafirmando que os postulados das pseudoterapias, como a homeopatia, não são compatíveis com o conhecimento científico, de forma que as leis europeias que protegem e amparam esta e outras práticas “são inadmissíveis numa sociedade científico-tecnológica que respeita os direitos dos pacientes a não serem enganados”. E, diante disso, os especialistas cobram uma ação contrária, na forma de “medidas para travar as pseudoterapias porque não são inócuas e dão origem a milhares de afetados”, com a Europa trabalhando “no sentido de criar leis que ajudem a parar este problema”.

Ação também no Brasil

§8º Apesar de ter suas reivindicações focadas em alterações na legislação europeia, o manifesto recém-lançado também serve como um chamado para a ação contra a pseudociência na saúde aqui no Brasil — onde 29 destas chamadas "práticas integrativas complementares" (PICs) são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) — e outros países do mundo, avalia Natalia Pasternak. Segundo ela, não é raro os adeptos destas práticas citarem justamente as regulamentações e aceitação delas lá fora como justificativas e defesa para seu uso e promoção aqui.

§9º “As associações brasileiras destas terapias alternativas citam muito a Europa como se fosse uma referência para legitimar suas posições”, lembra a presidente do IQC. “Há um movimento muito forte nos países europeus para banir a pseudociência, como a homeopatia, de seus sistemas de saúde pública, que ainda não estava muito claro para o resto do mundo. Este manifesto mostra como a Europa não está contente com a pseudociência, então é importante também usarmos ela como referência na nossa luta aqui”.

§10º Ainda de acordo com Natalia, a assinatura do manifesto por ela e outras dezenas de médicos, cientistas e especialistas das Américas são um estímulo para produzir iniciativa semelhante aqui, reforçada pela recente parceria da RQC com a argentina revista Pensar, também dedicada à missão de desmistificar pseudociências e oferecer aos leitores a informação necessária para escapar das armadilhas de desinformação que podem custar caro para a saúde e para o bolso.

§11º “Esta parceria pode ser a semente para expandirmos um movimento continental”, avalia. “Isto porque o manifesto europeu é muito claro: a pseudociência mata. Não é exagero, não é frescura, não é algo que possa ser diluído ou minimizado com argumentos do tipo ‘mas mal não faz’. Faz sim, e faz muito mal. A pseudociência impede pessoas de procurar tratamento para doenças graves acreditando em ‘curas naturais’, ensina um pensamento mágico que faz com que pais não vacinem seus filhos e faz mal ao bolso na população, que gasta um dinheiro que muitas vezes não tem, ou pode fazer falta, com tratamentos supostamente ‘milagrosos’. Então não é brincadeira, nem algo inócuo. É garantir acesso à informação científica de qualidade para que o paciente possa entender e fazer sua escolha de tratamento de maneira consciente e informada”.

  • Cesar Baima é jornalista e editor-assistente da Revista Questão de Ciência.

Fonte: http://revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2020/10/19/medicos-e-cientistas-lancam-manifesto-mundial-contra-pseudociencia-na-saude. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“ ‘Então não é brincadeira, nem algo inócuo. É garantir acesso à informação científica de qualidade para que o paciente possa entender e fazer sua escolha de tratamento de maneira consciente e informada’ ”. (§ 11)

Na sentença acima, a palavra sublinhada pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:

 

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2739503 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Leia o texto 1 e responda à questão.

Texto 1

Manifesto mundial ataca uso da pseudociência na saúde

§1º Um grupo de quase 3 mil médicos, cientistas e outros especialistas de 44 países lançou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2020, o primeiro manifesto mundial contra a pseudociência na saúde.

§2º A iniciativa, coordenada por mais de dez instituições de defesa da medicina baseada em evidências e do pensamento crítico e cético sediadas na Europa, traz um alerta para os perigos da oferta e promoção de tratamentos ditos “alternativos” à medicina convencional — como homeopatia, reiki, iridiologia, biomagnetismo e terapia ortomolecular, entre outros — para os pacientes e pede a revogação de leis e regulamentações que permitem e estimulam a disseminação destas práticas nos países do continente.

§3º “Sejamos claros: as pseudoterapias matam. E não apenas isso: também são praticadas com impunidade graças às leis europeias que as protegem”, diz o texto, disponível em uma dúzia de línguas, entre elas o português, para depois listar casos de pessoas que morreram na Europa ao serem instadas a tratar infecções com homeopatia no lugar de antibióticos, câncer com vitaminas, ou a largar as terapias convencionais que usavam para doenças como asma ou problemas cardíacos em troca de soluções “alternativas”. “A Diretiva Europeia 2001/83/CE permitiu — e ainda permite — que centenas de milhares de cidadãos e cidadãs europeias sejam enganados diariamente", denuncia o manifesto.

§4º O documento lembra que a Europa — assim como muitos outros lugares ao redor do mundo, inclusive o Brasil — já enfrenta problemas graves de saúde pública o bastante, do financiamento insuficiente ao excesso de medicalização e o surgimento de bactérias super-resistentes, para também ter que se preocupar com a atuação de “gurus, falsos médicos ou até médicos formados” que afirmam poder curar câncer ou outras doenças por meio de coisas como “manipulação de chakras, da ingestão de açúcar ou da aplicação de ‘frequências quânticas’”.

§5º “A Europa deve não só travar a promoção da homeopatia, como também deve lutar de forma ativa para a erradicação de fraudes de saúde pública envolvidas em mais de 150 pseudoterapias presentes no nosso território. A vida de milhares de cidadãos e cidadãs disso depende”, acrescenta o texto, que cita estudos recentes que apontam que 25,9% dos europeus, ou cerca de uma em cada quatro pessoas no continente, recorreram a pseudoterapias no último ano, “ou seja, 192 milhões de pacientes enganados”.

§6º Ainda de acordo com o manifesto — que tem entre seus signatários Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), que publica esta Revista Questão de Ciência —, é falsa a noção de que a luta pela eliminação das pseudoterapias atenta contra a liberdade de escolha de tratamento médico pelos pacientes. “Mentir aos doentes para lhes vender produtos inúteis, que os podem matar, viola seu direito de receber informação verídica sobre a sua saúde”, argumentam os especialistas. “Por isso, embora um cidadão ou cidadã tenha o direito a renunciar um tratamento médico estando corretamente informado, também é certo que ninguém tem o direito de lhe mentir para obter um ganho econômico à custa da sua vida. Só num mundo onde considerássemos que mentir a um doente para lhe extrair dinheiro é ético, é que poderíamos permitir que se continue a vender homeopatia — ou qualquer outra pseudoterapia”.

§7º O manifesto encerra reafirmando que os postulados das pseudoterapias, como a homeopatia, não são compatíveis com o conhecimento científico, de forma que as leis europeias que protegem e amparam esta e outras práticas “são inadmissíveis numa sociedade científico-tecnológica que respeita os direitos dos pacientes a não serem enganados”. E, diante disso, os especialistas cobram uma ação contrária, na forma de “medidas para travar as pseudoterapias porque não são inócuas e dão origem a milhares de afetados”, com a Europa trabalhando “no sentido de criar leis que ajudem a parar este problema”.

Ação também no Brasil

§8º Apesar de ter suas reivindicações focadas em alterações na legislação europeia, o manifesto recém-lançado também serve como um chamado para a ação contra a pseudociência na saúde aqui no Brasil — onde 29 destas chamadas "práticas integrativas complementares" (PICs) são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) — e outros países do mundo, avalia Natalia Pasternak. Segundo ela, não é raro os adeptos destas práticas citarem justamente as regulamentações e aceitação delas lá fora como justificativas e defesa para seu uso e promoção aqui.

§9º “As associações brasileiras destas terapias alternativas citam muito a Europa como se fosse uma referência para legitimar suas posições”, lembra a presidente do IQC. “Há um movimento muito forte nos países europeus para banir a pseudociência, como a homeopatia, de seus sistemas de saúde pública, que ainda não estava muito claro para o resto do mundo. Este manifesto mostra como a Europa não está contente com a pseudociência, então é importante também usarmos ela como referência na nossa luta aqui”.

§10º Ainda de acordo com Natalia, a assinatura do manifesto por ela e outras dezenas de médicos, cientistas e especialistas das Américas são um estímulo para produzir iniciativa semelhante aqui, reforçada pela recente parceria da RQC com a argentina revista Pensar, também dedicada à missão de desmistificar pseudociências e oferecer aos leitores a informação necessária para escapar das armadilhas de desinformação que podem custar caro para a saúde e para o bolso.

§11º “Esta parceria pode ser a semente para expandirmos um movimento continental”, avalia. “Isto porque o manifesto europeu é muito claro: a pseudociência mata. Não é exagero, não é frescura, não é algo que possa ser diluído ou minimizado com argumentos do tipo ‘mas mal não faz’. Faz sim, e faz muito mal. A pseudociência impede pessoas de procurar tratamento para doenças graves acreditando em ‘curas naturais’, ensina um pensamento mágico que faz com que pais não vacinem seus filhos e faz mal ao bolso na população, que gasta um dinheiro que muitas vezes não tem, ou pode fazer falta, com tratamentos supostamente ‘milagrosos’. Então não é brincadeira, nem algo inócuo. É garantir acesso à informação científica de qualidade para que o paciente possa entender e fazer sua escolha de tratamento de maneira consciente e informada”.

  • Cesar Baima é jornalista e editor-assistente da Revista Questão de Ciência.

Fonte: http://revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2020/10/19/medicos-e-cientistas-lancam-manifesto-mundial-contra-pseudociencia-na-saude. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“Apesar de ter suas reivindicações focadas em alterações na legislação europeia, o manifesto recém-lançado também serve como um chamado para a ação contra a pseudociência na saúde aqui no Brasil [...].” (§ 8)

Nesse fragmento, nota-se o emprego de uma palavra hifenizada em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Assinale a alternativa em que o hífen está INCORRETAMENTE empregado, segundo o referido Acordo:

 

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2739502 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: UFV
Orgão: UFV
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Leia o texto 1 e responda à questão.

Texto 1

Manifesto mundial ataca uso da pseudociência na saúde

§1º Um grupo de quase 3 mil médicos, cientistas e outros especialistas de 44 países lançou nesta segunda-feira, 19 de outubro de 2020, o primeiro manifesto mundial contra a pseudociência na saúde.

§2º A iniciativa, coordenada por mais de dez instituições de defesa da medicina baseada em evidências e do pensamento crítico e cético sediadas na Europa, traz um alerta para os perigos da oferta e promoção de tratamentos ditos “alternativos” à medicina convencional — como homeopatia, reiki, iridiologia, biomagnetismo e terapia ortomolecular, entre outros — para os pacientes e pede a revogação de leis e regulamentações que permitem e estimulam a disseminação destas práticas nos países do continente.

§3º “Sejamos claros: as pseudoterapias matam. E não apenas isso: também são praticadas com impunidade graças às leis europeias que as protegem”, diz o texto, disponível em uma dúzia de línguas, entre elas o português, para depois listar casos de pessoas que morreram na Europa ao serem instadas a tratar infecções com homeopatia no lugar de antibióticos, câncer com vitaminas, ou a largar as terapias convencionais que usavam para doenças como asma ou problemas cardíacos em troca de soluções “alternativas”. “A Diretiva Europeia 2001/83/CE permitiu — e ainda permite — que centenas de milhares de cidadãos e cidadãs europeias sejam enganados diariamente", denuncia o manifesto.

§4º O documento lembra que a Europa — assim como muitos outros lugares ao redor do mundo, inclusive o Brasil — já enfrenta problemas graves de saúde pública o bastante, do financiamento insuficiente ao excesso de medicalização e o surgimento de bactérias super-resistentes, para também ter que se preocupar com a atuação de “gurus, falsos médicos ou até médicos formados” que afirmam poder curar câncer ou outras doenças por meio de coisas como “manipulação de chakras, da ingestão de açúcar ou da aplicação de ‘frequências quânticas’”.

§5º “A Europa deve não só travar a promoção da homeopatia, como também deve lutar de forma ativa para a erradicação de fraudes de saúde pública envolvidas em mais de 150 pseudoterapias presentes no nosso território. A vida de milhares de cidadãos e cidadãs disso depende”, acrescenta o texto, que cita estudos recentes que apontam que 25,9% dos europeus, ou cerca de uma em cada quatro pessoas no continente, recorreram a pseudoterapias no último ano, “ou seja, 192 milhões de pacientes enganados”.

§6º Ainda de acordo com o manifesto — que tem entre seus signatários Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC), que publica esta Revista Questão de Ciência —, é falsa a noção de que a luta pela eliminação das pseudoterapias atenta contra a liberdade de escolha de tratamento médico pelos pacientes. “Mentir aos doentes para lhes vender produtos inúteis, que os podem matar, viola seu direito de receber informação verídica sobre a sua saúde”, argumentam os especialistas. “Por isso, embora um cidadão ou cidadã tenha o direito a renunciar um tratamento médico estando corretamente informado, também é certo que ninguém tem o direito de lhe mentir para obter um ganho econômico à custa da sua vida. Só num mundo onde considerássemos que mentir a um doente para lhe extrair dinheiro é ético, é que poderíamos permitir que se continue a vender homeopatia — ou qualquer outra pseudoterapia”.

§7º O manifesto encerra reafirmando que os postulados das pseudoterapias, como a homeopatia, não são compatíveis com o conhecimento científico, de forma que as leis europeias que protegem e amparam esta e outras práticas “são inadmissíveis numa sociedade científico-tecnológica que respeita os direitos dos pacientes a não serem enganados”. E, diante disso, os especialistas cobram uma ação contrária, na forma de “medidas para travar as pseudoterapias porque não são inócuas e dão origem a milhares de afetados”, com a Europa trabalhando “no sentido de criar leis que ajudem a parar este problema”.

Ação também no Brasil

§8º Apesar de ter suas reivindicações focadas em alterações na legislação europeia, o manifesto recém-lançado também serve como um chamado para a ação contra a pseudociência na saúde aqui no Brasil — onde 29 destas chamadas "práticas integrativas complementares" (PICs) são oferecidas no Sistema Único de Saúde (SUS) — e outros países do mundo, avalia Natalia Pasternak. Segundo ela, não é raro os adeptos destas práticas citarem justamente as regulamentações e aceitação delas lá fora como justificativas e defesa para seu uso e promoção aqui.

§9º “As associações brasileiras destas terapias alternativas citam muito a Europa como se fosse uma referência para legitimar suas posições”, lembra a presidente do IQC. “Há um movimento muito forte nos países europeus para banir a pseudociência, como a homeopatia, de seus sistemas de saúde pública, que ainda não estava muito claro para o resto do mundo. Este manifesto mostra como a Europa não está contente com a pseudociência, então é importante também usarmos ela como referência na nossa luta aqui”.

§10º Ainda de acordo com Natalia, a assinatura do manifesto por ela e outras dezenas de médicos, cientistas e especialistas das Américas são um estímulo para produzir iniciativa semelhante aqui, reforçada pela recente parceria da RQC com a argentina revista Pensar, também dedicada à missão de desmistificar pseudociências e oferecer aos leitores a informação necessária para escapar das armadilhas de desinformação que podem custar caro para a saúde e para o bolso.

§11º “Esta parceria pode ser a semente para expandirmos um movimento continental”, avalia. “Isto porque o manifesto europeu é muito claro: a pseudociência mata. Não é exagero, não é frescura, não é algo que possa ser diluído ou minimizado com argumentos do tipo ‘mas mal não faz’. Faz sim, e faz muito mal. A pseudociência impede pessoas de procurar tratamento para doenças graves acreditando em ‘curas naturais’, ensina um pensamento mágico que faz com que pais não vacinem seus filhos e faz mal ao bolso na população, que gasta um dinheiro que muitas vezes não tem, ou pode fazer falta, com tratamentos supostamente ‘milagrosos’. Então não é brincadeira, nem algo inócuo. É garantir acesso à informação científica de qualidade para que o paciente possa entender e fazer sua escolha de tratamento de maneira consciente e informada”.

  • Cesar Baima é jornalista e editor-assistente da Revista Questão de Ciência.

Fonte: http://revistaquestaodeciencia.com.br/questao-de-fato/2020/10/19/medicos-e-cientistas-lancam-manifesto-mundial-contra-pseudociencia-na-saude. Acesso em 12 abr. 2022. [Adaptado]

“ ‘Sejamos claros: as pseudoterapias matam. E não apenas isso: também são praticadas com impunidade graças às leis europeias que as protegem’, diz o texto, disponível em uma dúzia de línguas, entre elas o português [...]”. (§ 3)

Nesse fragmento, notamos o emprego da palavra “europeias”, que, em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, sofreu mudança na grafia, tendo em vista uma alteração em determinadas regras de acentuação.

Com base nessa informação, assinale a alternativa em que a palavra está INCORRETAMENTE grafada, segundo o referido Acordo:

 

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