Foram encontradas 46 questões.
Guardem o dia 25 de março de 2014 na memória. Este dia será lembrado como o dia do Marco Civil da Internet em todo o mundo. Neste dia, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que tem todas as características de um projeto impossível de ser aprovado numa Casa como essa. A principal delas: o fato de contrariar interesses econômicos poderosos ao garantir direitos dos cidadãos e cidadãs. O Marco Civil da Internet aprovado aponta claramente para o tratamento da comunicação como um direito fundamental e não apenas como um negócio comercial. Trata-se de algo inédito na história brasileira, que só foi possível por um conjunto de fatores.
EKMAN, Pedro; BARBOSA, Bia. Disponível em:
http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/marco-civil-aprovado-dia-historico-para-a-liberdade-de-expressao
8288.html. Acesso em 26 de março de 2014.
A partir da leitura do trecho supra transcrito, é possível inferir que
Provas
Nesta cultura das aparências, do espetáculo e da visibilidade, já não parece haver motivos para mergulhar naquelas sondagens em busca dos sentidos abissais perdidos dentro de si mesmo. Em lugar disso, tendências exibicionistas e performáticas alimentam a procura de um efeito: o reconhecimento nos olhos alheios e, sobretudo, o cobiçado troféu de ser visto. Cada vez mais, é preciso aparecer para ser. Pois tudo aquilo que permanecer oculto, fora do campo da visibilidade – seja dentro de si, trancado no lar ou no interior do quarto próprio – corre o risco de não ser interceptado por olho algum. E, de acordo com as premissas básicas da sociedade do espetáculo e da moral da visibilidade, se ninguém vê alguma coisa é bem provável que esta coisa não exista. Como bem descobrira Guy Debord há quatro décadas, o espetáculo se apresenta como uma enorme positividade indiscutível, pois seus meios são ao mesmo tempo seus fins e sua justificativa é tautológica: “O que aparece é bom, e o que é bom aparece.” Nesse monopólio da aparência, tudo o que ficar do lado de fora simplesmente não é.
SIBILIA, Paula. Eu visível e o eclipse da interioridade. In: O show do eu:
a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 89-113.
Considerando os efeitos de sentido que os enunciados transcritos a seguir imprimem ao texto, indique a alternativa cujo termo destacado assinala o argumento mais forte de uma escala, orientando a construção do sentido desejado na argumentação.
Provas
Nesta cultura das aparências, do espetáculo e da visibilidade, já não parece haver motivos para mergulhar naquelas sondagens em busca dos sentidos abissais perdidos dentro de si mesmo. Em lugar disso, tendências exibicionistas e performáticas alimentam a procura de um efeito: o reconhecimento nos olhos alheios e, sobretudo, o cobiçado troféu de ser visto. Cada vez mais, é preciso aparecer para ser. Pois tudo aquilo que permanecer oculto, fora do campo da visibilidade – seja dentro de si, trancado no lar ou no interior do quarto próprio – corre o risco de não ser interceptado por olho algum. E, de acordo com as premissas básicas da sociedade do espetáculo e da moral da visibilidade, se ninguém vê alguma coisa é bem provável que esta coisa não exista. Como bem descobrira Guy Debord há quatro décadas, o espetáculo se apresenta como uma enorme positividade indiscutível, pois seus meios são ao mesmo tempo seus fins e sua justificativa é tautológica: “O que aparece é bom, e o que é bom aparece.” Nesse monopólio da aparência, tudo o que ficar do lado de fora simplesmente não é.
SIBILIA, Paula. Eu visível e o eclipse da interioridade. In: O show do eu:
a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 89-113.
O texto tematiza
Provas
Nesta cultura das aparências, do espetáculo e da visibilidade, já não parece haver motivos para mergulhar naquelas sondagens em busca dos sentidos abissais perdidos dentro de si mesmo. Em lugar disso, tendências exibicionistas e performáticas alimentam a procura de um efeito: o reconhecimento nos olhos alheios e, sobretudo, o cobiçado troféu de ser visto. Cada vez mais, é preciso aparecer para ser. Pois tudo aquilo que permanecer oculto, fora do campo da visibilidade – seja dentro de si, trancado no lar ou no interior do quarto próprio – corre o risco de não ser interceptado por olho algum. E, de acordo com as premissas básicas da sociedade do espetáculo e da moral da visibilidade, se ninguém vê alguma coisa é bem provável que esta coisa não exista. Como bem descobrira Guy Debord há quatro décadas, o espetáculo se apresenta como uma enorme positividade indiscutível, pois seus meios são ao mesmo tempo seus fins e sua justificativa é tautológica: “O que aparece é bom, e o que é bom aparece.” Nesse monopólio da aparência, tudo o que ficar do lado de fora simplesmente não é.
SIBILIA, Paula. Eu visível e o eclipse da interioridade. In: O show do eu:
a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 89-113.
Alguns itens da língua, quando utilizados em um texto, podem inserir nele alguns conteúdos adicionais, conhecidos como pressupostos, ou seja, informações implícitas que podem ser identificadas por meio de marcas linguísticas (marcas de pressuposição) presentes no texto. Esse tipo de conteúdo adicional pode ser interpretado a partir da leitura do primeiro período do texto, no qual o uso do advérbio “já” (l. 1) possibilita o acionamento do seguinte pressuposto:
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
As afirmações I, II, III, IV e V discorrem sobre a pontuação do seguinte trecho:
“A maior parte de nossos gestos corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas, convida-nos a sentar.” (l. 7-9).
Analise-as, a fim de identificar aquelas que apresentam informações respaldadas nas regras de pontuação prescritas pela gramática normativa da Língua Portuguesa.
I. O ponto e vírgula (;) foi adequadamente usado para separar orações coordenadas, não unidas por conjunção, que estabelecem entre si relação semântica de explicação.
II. O ponto e vírgula (;) foi inadequadamente usado para separar as orações coordenadas, pois não há pausa anterior que justifique o uso daquele sinal de pontuação.
III. A locução “em nossas vidas” possui valor de advérbio, uma classe de palavras que não pode ser separada das demais por vírgulas (,), já que sintaticamente assume a função de termo essencial da oração.
IV. O isolamento da locução “em nossas vidas” por vírgulas (,) é adequado, pois se trata de um adjunto adverbial, termo acessório da oração, que está intercalado entre o sujeito e o predicado.
V. O sujeito da primeira oração é formado por uma partícula partitiva seguida de um adjunto adnominal, por isso, deveria ter sido colocada uma vírgula antes do verbo, para marcar uma pausa após a leitura de um termo longo da oração.
Encontram respaldo nas regras da gramática normativa?
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
Em qual alternativa se apresenta uma possibilidade de reescrita para um trecho do texto que não altera os sentidos nem a classificação sintática das orações do trecho original?
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
No período “Mais do que parte da história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente.” (l. 6 e 7), há ocorrência de
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
No período “De certo modo, participamos passivamente de um ‘devir’ imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já fomos previamente postos.” (l. 37-39), a palavra destacada é:
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
Tomando-se como parâmetro as regras prescritas pela gramática normativa e a ortografia da Língua Portuguesa, em qual das alternativas a seguir se aponta e se analisa adequadamente um desvio cometido pela autora do texto “Homo Sedens”?
Provas
Homo Sedens
Tratar o ato de sentar como uma questão culturalmente relevante pode soar como mera
brincadeira. Quem, começando a levá-la a sério, se perguntar “quanto tempo de nossas vidas
passamos sentados?” ou “quantas cadeiras há no mundo?”, por mais que consiga respostas
estatisticamente impressionantes, não terá, contudo, atingido o cerne da questão inusitada que
5 nos faz pensar nas formas assumidas pelo sedentarismo como caráter da cultura. Na contramão
do nomadismo, o sedentarismo faz parte da história de nossa civilização. Mais do que parte da
história, é uma postura que caracteriza nosso tempo presente. A maior parte de nossos gestos
corporais acaba no assento; passamos muitas horas do dia sentados, tudo, em nossas vidas,
convida-nos a sentar. Mas esse convite agradável ao descanso tem significados mais complexos:
10sentamos em casa, na rua, nas escolas, sentamo-nos diante de máquinas; sobretudo, hoje em
dia, sentamo-nos diante de telas.
Norval Baitello Junior, professor da PUC de São Paulo, escreveu, em seu livro O
pensamento sentado (Unisinos, 2012), sobre o lugar do “assento” em uma cultura sedentária. Sua
crítica vai na direção de um pensamento sentado que, para ele, seria o pensamento acomodado.
15 Recuperando a expressão alemã usada por Nietzsche para falar da “vida sedentária” – Sitzfleisch
– ele explora a tradução por “carne de assento” que, literalmente, leva à usual “bunda”. Bunda
tem um vasto alcance no Brasil. Mesmo que soe deselegante, não seria um erro considerar a
atualidade de um “pensamento-bunda”, aquele pensamento cansado que, no extremo, expressa o
que entendemos no cotidiano, no âmbito da irresponsabilidade do “bundão”.
20 O caráter “assentado” é o da “discursividade previsível e acomodada”, a que reduz o ato
de pensar em nossa época, contra sua natureza mais íntima. O “decréscimo da mobilidade” do
corpo é, segundo ele, também do pensar, cuja imprevisibilidade e capacidade de surpreender
estariam em baixa. Conhecemos essa acomodação, sabemos que ela é necessária ao poder, ao
sistema econômico e político, que esperam corpos dóceis e mentes paradas, repetindo
25 acomodadamente mais do mesmo que mantém tudo no mesmo lugar: sentado.
Pensar na reflexão aos saltos do livro de Baitello é uma atitude dinâmica, como seria o
movimento de nosso corpo, inquieto e propenso a caminhar, pular, correr e saltar. A capacidade
humana, que está ligada a todo o nosso processo de aprendizagem em relação à vida, de
explorar o entorno, é diminuída quando tudo se reduz a “assento”. O primata que somos se
30 ressente de não poder mover-se.
Baitello nos lembra que sentar e sedar têm a mesma origem etimológica: sedere. Assim,
comentando que somos “Homo sedens”, a atrofia dos músculos e dos movimentos surge
como uma espécie de regra da cultura. Quando observamos o nosso dia a dia, sentados por todos
os lados, diante de computadores, da televisão, dentro de carros, temos certeza que a mobilidade
35 corporal que nos caracterizaria, e que ainda se coloca como nossa potência, cede lugar à
estranha mobilidade incorporal da máquina. As máquinas se movem em nosso lugar, tornamo-nos
imóveis: esperamos sentados a máquina que nos substitui. De certo modo, participamos
passivamente de um “devir” imóvel, que não nos leva a lugar nenhum, senão àquele onde já
fomos previamente postos.
40 Por fim, forçados a sentar, vivendo o elogio da disciplina, resistimos enquanto seres
sentados em nome de um esforço. Valorizamos aquele que consegue aguentar a sala de aula, a
cadeira no trabalho burocrático.
Somos, por fim, vítimas do que Baitello apontou como uma “conjunção perversa”, em que
o sedentarismo de nossos corpos alia-se à hiperatividade visual. Anestesiados diante das
45 máquinas, vivemos na direção contrária de nossa própria capacidade nômade.
Talvez fugir desse mundo seja um desejo soterrado por cadeiras numa avalanche mole
ao qual nosso corpo se adequa por ter medo de seus próprias potências. Bom lembrar que fugir é
sempre um direito.
TÍBURI, Márcia. Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2013/11/homo-sedens/.
Acesso em 3 de março de 2014.
A metáfora é, nas palavras de Azeredo (2011, p. 485), um recurso estilístico que se formula a partir da associação de termos pertencentes a domínios conceituais distintos. Nesse tipo de recurso, a interpretação eficiente depende da construção de um sentido inovador para o termo metaforizado, pois uma interpretação literal pode revelar uma impertinência semântica. Assim sendo, NÃO deve ser interpretada, em sua literalidade, a seguinte expressão:
Provas
Caderno Container