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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: ESCS
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Manuel Bandeira. Antologia poética. Rio de Janeiro:
Editora Nova Fronteira, 2001 (com adaptações).
Tendo em vista a estética modernista brasileira, é correto afirmar que, no poema Pneumotórax,
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O texto II desta prova foi extraído do segundo capítulo da novela A indesejada aposentadoria, do escritor maranhense Josué Montello (*1917 — †2006). Contemporâneo dos escritores que fizeram o romance de 30, Montello enveredou por outro caminho: explorou a narrativa urbana. Escreveu uma das obras-primas da literatura brasileira: Os tambores de São Luís (1975). A novela A indesejada aposentadoria, de 1972, conta a história de Guihermino Pereira, um funcionário público, já nas vésperas de se aposentar. Guilhermino pertencia a uma casta de burocratas que já desapareceu de nossas repartições públicas. De sua espécie talvez tenha sido o derradeiro exemplar conhecido, tanto no trajo quanto nos modos e na figura. Nos últimos tempos de sua existência medíocre, já era um anacronismo. Por isso mesmo está ele a reclamar papel e tinta, únicos instrumentos possíveis de sua merecida sobrevivência. Não propriamente para servir de paradigma, acentue-se logo — mas para ilustrar e exprimir com o seu modelo uma casta que o tempo consumiu.
Era magro, alto, rosto comprido, com um pouco de poste e outro tanto de Dom Quixote(a). Deste só tinha a figura, não a índole romântica: era mesmo o oposto do personagem de Cervantes, na sua conformada aceitação da vida. Tinha as orelhas um pouco saltadas do crânio, o pomo-de-adão saliente, e era calvo, de uma calvície bem composta, que lhe adoçava a fisionomia subalterna(b). Ao chegar à repartição no seu lento passo de cegonha, sempre de guarda-chuva pendente do braço, trocava o paletó de casemira azul por outro de alpaca preta e instalava-se na sua cadeira rotativa. Sentado, sua longa espinha dorsal vergava, numa curva de caniço puxado pelo peixe, que no seu caso eram a caneta e a pena. Quando se erguia, parecia desembainhar a espinha, crescendo de tamanho(c).
Guilhermino ali sentava às onze horas, ou pouco antes e às cinco e trinta se levantava para ir embora. Conservador por natureza, teve ele a boa fortuna de servir sempre na mesma repartição, no mesmo prédio e na mesma sala, desde que entrou no serviço público. Ao ser empossado, deram-lhe aquela mesa. Não queria outra.(d)
A repartição, com a sua sala, os seus móveis e os seus funcionários, constituía o mundo ideal de Guilhermino. Somente ali, experimentava a sensação ambiental de plenitude que há de gozar o peixe na água e o *pássaro nos ares.
Entretanto, malgrado a euforia que o deixava mais a gosto na repartição do que na porta-e-janela de seu modesto lar suburbano, Guilhermino nunca deixava de abandonar a mesa de trabalho à hora fixada no Regimento para o fim do expediente.
— A lei é a lei — dizia.
Não há exagero em afirmar-se que a sua casa de subúrbio, adornada de cortinas de renda, com um vaso de tinhorão à entrada, era, para ele, o lugar onde aguardava que a repartição voltasse a abrir: de pijama, os pés nos chinelos de trança, lendo o seu jornal ou conversando com os vizinhos, estava ali de passagem.
Para sermos exatos, era na repartição, à sua mesa de trabalho, que Guilhermino Pereira se sentia realmente em casa.
Josué Montello. A indesejada aposentadoria. Capítulo II, p. 11-14. Texto adaptado.
Assinale a alternativa em que aparecem traços do tradicionalismo e/ou da índole burocrática de Guilhermino.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-ES
Leia o texto a seguir:
Cárcere das almas
Cruz e Souza
Ah! toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.
Tudo se veste de uma igual nobreza
Olhando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo o Espaço funéreo!
Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!
Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!
No soneto “Cárcere das Almas” percebemos com nitidez a dicotomia existencial do poeta angustiado, ser humano conflitado entre:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-ES
O diálogo entre duas ou mais obras de arte chamamos de intertextualidade. Ela pode ser observada em qualquer manifestação cultural, inclusive na literatura. Muitos poetas “reinventaram” a “Canção do exílio”, partindo desse poema de Gonçalves Dias criaram intertextos do poema.
Canção do exílio
Gonçalves Dias
Minha terra tem palmeiras,
onde canta o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
(...)
Canção do exílio
Murilo Mendes
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
(...)
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil rés a dúzia
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
Outra Canção do exílio
Eduardo Alves da Costa
Minha terra tem Palmeiras
Corinthians e outros times
De copas exuberantes
Que ocultam muitos crimes.
As aves que aqui revoam
São corvos do nunca mais,
A povoar nossa noite
com duros olhos de açoite
que os anos esquecem jamais.
Em cismar sozinho, ao relento,
sob o céu poluído, sem estrelas,
Nenhum prazer tenho eu cá...
....................................
Murilo Mendes e Eduardo Alves da Costa estabelecem intertextualidade em relação a Gonçalves Dias por:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUMARC
Orgão: CBM-MG
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: EXATUS
Orgão: PM-ES
Leia o texto a seguir:
COTA ZERO
Carlos Drummond de Andrade
Stop
A Vida parou
ou foi o automóvel?
Podemos afirmar que no texto acima há tudo que se diz abaixo, exceto:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Barricada
![]()
Todos os passarinhos da Praça da República
Voaram
Todas as estudantes
Morreram de susto
Nos uniformes de azul e branco
As telefonistas tiveram uma síncope de fios
Só as árvores não desertam
Quando a noite luz
Oswald de Andrade. Primeiro caderno do aluno de poesia
Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 2006, p. 71.
A respeito do poema Barricada e da obra de Oswald de Andrade, julgue o item
A simplicidade dos versos do poema Barricada é característica contrastante com o restante da produção poética de Oswald de Andrade, em que predominam cortes elípticos.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Barricada
![]()
Todos os passarinhos da Praça da República
Voaram
Todas as estudantes
Morreram de susto
Nos uniformes de azul e branco
As telefonistas tiveram uma síncope de fios
Só as árvores não desertam
Quando a noite luz
Oswald de Andrade. Primeiro caderno do aluno de poesia
Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 2006, p. 71.
A respeito do poema Barricada e da obra de Oswald de Andrade, julgue o item
A partir da representação de cenas do cotidiano, Oswald de Andrade construiu um lirismo amoroso fortemente marcado pela idealização de suas companheiras durante a vida.
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