3967278
Ano: 2025
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: IGEDUC
Orgão: Pref. São José Seridó-RN
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: IGEDUC
Orgão: Pref. São José Seridó-RN
Provas:
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Como é fazer entrevista de emprego com uma
inteligência artificial: tempo foi otimizado, mas
desumaniza
O economista Everton Freire, de 33 anos, havia
preenchido dezenas de formulários em busca de
trabalho quando finalmente recebeu um e-mail positivo:
fora selecionado para a segunda etapa de um processo
seletivo em uma empresa de educação na área da
saúde. Surpreendeu-se ao saber que seria entrevistado
por uma inteligência artificial — experiência inédita entre
as vagas às quais havia se candidatado.
Esse tipo de tecnologia vem sendo adotado por
empresas brasileiras de vários portes. No caso de Freire,
as instruções chegaram por WhatsApp, e suas respostas
deveriam ser enviadas em áudio. O sistema reagia de
forma imediata, adaptando as perguntas às respostas.
Após poucas interações, a entrevista terminou com um
retorno positivo: ele se encaixava no perfil da vaga. O
processo, porém, não avançou.
Freire relata ter sentido curiosidade e estranhamento.
Achou impessoal falar com uma máquina, especialmente
em uma empresa da área da saúde. Depois reconheceu
que o tempo fora otimizado e que, ao menos, obteve um
retorno rápido. Hoje, já empregado, avalia que a
tecnologia beneficia mais as empresas do que os
candidatos: "é eficiente, mas desumaniza o processo".
O uso de IA em processos seletivos não é novo, mas se
expandiu com a IA generativa, como o ChatGPT.
Segundo a professora Humberta Silva, da Hochschule
Bremen, o grande volume de candidaturas em
plataformas como o LinkedIn levou empresas a
recorrerem à automação. A pandemia acelerou esse
movimento, com chatbots, entrevistas avaliadas por
algoritmos e rankings automáticos.
Especialistas apontam vantagens como escalabilidade,
padronização e redução de vieses. Edison Audi Kalaf,
professor do Insper, afirma que o impacto da IA pode
superar o da internet no início dos anos 2000, desde que
usada de modo ético.
Startups brasileiras já oferecem esse tipo de serviço,
defendendo ganhos de tempo e custo. Patrick Gouy, da
Recrut.AI, ressalta que seria inviável analisar milhares de
currículos sem apoio tecnológico. Christian Pedrosa, da
DigAI, diz que o modelo reduz vieses, e Augusto
Salomon, da Starmind, afirma que a IA tende a julgar
menos que humanos. Para Pamela Borges, da Coploy, a
tecnologia não substitui o recrutador, mas libera o
profissional para tarefas mais estratégicas.
A tese de doutorado de Humberta Silva, na FEA-USP,
conclui que as vantagens da IA ainda não superam os
efeitos negativos, como a exigência de palavras-chave, o
acesso desigual à internet e a falta de transparência
sobre o uso da tecnologia. O desequilíbrio de poder entre empresas e candidatos também aumenta, pois as
corporações dispõem de mais informações.
Em testes feitos pela BBC News Brasil, as entrevistas
conduzidas por IA destacaram a valorização de termos
técnicos e avaliações automáticas pouco
contextualizadas. Em um caso, um candidato foi
penalizado por não citar "SEO", exigência apenas
opcional. Em outro, as respostas foram criticadas por
motivos sem relação com a pergunta.
Em um experimento, jornalistas responderam a uma
entrevista com textos criados pelo ChatGPT, adaptados
para soar naturais. O desempenho foi bem avaliado, mas
o sistema registrou suspeita de leitura das respostas.
O uso de IA em recrutamentos exige cautela jurídica. O
advogado Rafael Bispo de Filippis, do escritório Mattos
Filho, explica que, mesmo sem legislação específica,
continuam válidas as regras contra discriminação. Se o
algoritmo agir de forma enviesada, o candidato pode
buscar indenização. O projeto de lei aprovado no
Senado em 2024, ainda em análise na Câmara, prevê
transparência, direito à informação e correção de vieses.
Filippis recomenda que empresas mantenham contratos
claros com os fornecedores de IA e arquivem as
entrevistas, garantindo meios de defesa em caso de
litígio. Candidatos podem solicitar acesso a seus dados
com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Ainda cercado de desafios éticos e humanos, o uso da
inteligência artificial em entrevistas tende a se consolidar.
Para as empresas, representa eficiência; para
candidatos como Everton Freire, lembra que, mesmo
com ganhos de tempo, nada substitui o olhar humano no
processo de seleção.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cewyng440vro.adaptado.
Com base nas informações do texto, é CORRETO afirmar que a principal reflexão sugerida pela narrativa está relacionada a:
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