TEXTO II
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.
Cecília Meireles
(Disponível em: https://www.todamateria.com.br/poetas-brasileiros/)
A poetisa Cecília Meireles publicou o poema “Motivo”, em 1939, no auge do Modernismo. No poema, Cecília Meireles adotou de forma predominante uma função de linguagem, buscando imprimir no texto as marcas de sua atitude pessoal: emoções, opiniões, sentimentos. Em geral, essa função possui alguns traços estruturais, como uso da 1ª pessoa do singular e de interjeições e exclamações, marcas de pessoalidade e/ou tom confessional. Nesse caso, qual é a função de linguagem adotada?