Minutos de malhação
Outro dia, conversando com uma biomédica cujo filho sempre esteve um pouco acima do peso, ouvi que o menino havia engordado durante o confinamento na pandemia. Ele não tinha como academias. Mesmo que estivessem abertas, não dispunha de espaço na agenda, e o dinheiro estava curto. Obstinado, e ciente de que a necessidade é a mãe da invenção, virou-se com o que tinha à mão: as escadas do prédio onde mora. Passou a subir e a descer os degraus várias vezes por dia entre uma tarefa e outra. Resultado: em três meses o garoto secou. Perdeu o peso que ganhara com o sedentarismo forçado, e mais alguns quilos.
Longe de ser exceção, o caso mostra que não passa de um mito a de que a falta de tempo e de recursos é fator impeditivo da transformação pessoal. O aproveitamento do tempo decorre da escolha individual de cada um. Ao optar por fazer uma coisa, estamos escolhendo não fazer outra. O tempo que levamos para preparar um sanduíche e , por exemplo, é o mesmo tempo que usaríamos para dar uma volta . no quarteirão. Do mesmo modo que subestimamos o impacto negativo de um lanche ou guloseima no nosso organismo, sobretudo quando isso é uma rotina, também temos a de não valorizar devidamente o efeito benéfico de um exercício ligeiro.
A atividade física não precisa, necessariamente, consumir horas. Bastariam alguns minutos distribuídos ao longo do dia, hoje, para o nosso corpo nos agradecer amanhã.
Não há receita universal. A melhor atividade física é aquela que podemos fazer. Só há um tipo de exercício que, comprovadamente, é prejudicial à saúde: aquele que nós não fazemos. Lembre-se disso antes de apertar o botão para chamar o elevador.
Revista Veja. Edição 2765. n.46, p.77, novembro 2021. Adaptado.
Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas do texto conforme norma padrão da Língua Portuguesa.