“Levaram-no à DGS [Direção Geral de Segurança] e ali o agente perguntou-lhe se conhecia a Frelimo. [...] Esses interrogatórios prolongaram-se por três meses. [...]
Ao fim de três meses, acabou por assinar um auto de culpa em que dizia que era da Frelimo, que juntava e que levava pessoas para a Tanzânia. Nos interrogatórios, a pancada era tão forte que duas vezes desmaiou. Libertado em 18 de maio de 1974”.
(Trecho adaptado de “Depoimentos de presos políticos”. Fonte: Tortura na colônia de Moçambique. 1963-1974.
Porto: Afrontamento, 1977, p. 16- 17 apud MARQUES, Adhemar Martins; BERUTTI, Flávio Costa; FARIA, Ricardo
Moura de. História do tempo presente. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2007 (Textos e Documentos; 7), p. 49-50).
As lembranças descritas acima são de um moçambicano torturado pelas forças repressivas portuguesas, que combatiam a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), fundada em 1962. Esse relato nos auxilia na compreensão histórica das lutas de libertação colonial africanas, que marcaram o cenário internacional da segunda metade do século XX.
Entre as causas e as consequências desse processo histórico, também conhecido como a “descolonização” da África, pode-se apontar, respectivamente: