Magna Concursos
2332542 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IMAIS
Orgão: Pref. Ilha Comprida-SP
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O que eu vou contar nestas próximas linhas não fará sentido para os leitores mais jovens, mas houve um tempo em que assistíamos televisão no meio da praça. Sim, todas as noites várias famílias, especialmente no interior do país, saíam das suas casas e iam até a praça central da cidade esperar o momento em que o funcionário da prefeitura destrancava uma caixa de madeira, de concreto ou de metal, colocada no topo de uma coluna, e ligava o aparelho que estava ali dentro.

As imagens trêmulas e chuviscadas enchiam os olhos curiosos para um sem-número de pessoas que passavam a “conhecer” o mundo por meio daquele fantástico aparelho. E eu não estou falando de um tempo tão distante assim. No final dos anos de 1980 e início dos anos de 1990 os aparelhos de televisão eram itens obrigatórios em qualquer praça do interior do país, instrumento de barganha política junto a um eleitorado alijado de outros bens educacionais e culturais.

Nessa fase, chamada por alguns estudiosos do tema de “fase do desenvolvimento tecnológico” (Sérgio Mattos) ou “fase da transição e da expansão internacional” (Dominique Wolton), a propriedade de aparelhos ainda era restrita às camadas mais abastadas, o que obrigava as famílias mais pobres, já bastantes seduzidas por essa nova tecnologia, a procurar lugares que dispunham destes aparelhos para assistir os seus programas favoritos, trazendo um pouco de alento a uma vida dura.

Esse fenômeno levou rapidamente ao declínio os parcos equipamentos culturais das cidades do interior, como foi o caso dos cinemas. Lembro que na minha cidade, no interior do Maranhão, havia um cinema chamado “Cine Oriente” que, para sobreviver, passou a exibir filmes pornôs, o que não foi suficiente para sua sustentação, até porque não demorou muito a chegar à cidade as videolocadoras, onde os “cinéfilos” podiam alugar suas fitas para que assistissem no conforto dos seus lares.

Seja no meio de uma praça pública, seja na sala de casa, a televisão cumpriu um importante papel de sociabilização, mesmo que de forma mitigada. Isso porque, ao contrário do que acontecia na antiguidade, as praças não eram (como ainda não são) espaços de convivência pública ativa, no máximo um lugar para gastar o tempo, bater um papo e, para as pessoas em situação de rua, garantir um “abrigo seguro”, mesmo que de forma precária, por curtos espaços de tempo. Naqueles tempos, os aparelhos de TV nas praças reverteram um pouco dessa lógica.

(ARAÚJO, Francisco de Paula. No tempo em que assistíamos televisão no meio da praça. Observatório da Imprensa, edição 1108, 06.10.2020. Adaptado).

Analise a frase abaixo para responder à questão 8.

“Os aparelhos de televisão eram itens ‘obrigatórios’ em qualquer praça do interior do país, instrumento de ‘barganha’ política junto a um eleitorado ‘alijado’ de outros bens educacionais e culturais”.

Assinale a alternativa cujos termos substituam, respectivamente, as palavras destacadas conservando o mesmo sentido.

 

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