As conquistas territoriais [suscitadas pelas Cruzadas] foram efêmeras na Terra Santa, mas o movimento equivalente de expansão na Península Ibérica foi perene e gerou realidades políticas que conservariam a característica diversidade cultural fomentada por séculos de convivência com o Al-Andalus. A Escola de Tradutores de Toledo, por exemplo, manteria vivo (possibilitando que chegasse até nós hoje) o pensamento e as obras de muçulmanos como Avicena e Averróis. Seria de lá que Pedro, o Venerável, abade de Cluny, encomendaria a tradução do Alcorão para o latim a fim de conhecer as ideias daqueles a quem combatia. Nessa mesma linha, em pleno século XIII, Ramón Llull, pensador catalão, aprenderia árabe para, à luz da lógica, discutir os princípios religiosos muçulmanos.
(Fátima Regina Fernandes. Cruzada na Idade Média. In: Demétrio Magnoli (org.). História das guerras)
O trecho revela que